Arrependimento e Perdão
Stephen L Richards
A manhã desponta, as sombras fogem; Eis que se desfralda o estandarte de Sião! O despontar de um dia mais radiante — Majestoso se ergue sobre o mundo. ¶
Um Elevado Objetivo Dado
Não consigo pensar em nada que expresse melhor a alegria e o júbilo que vieram aos nossos antepassados ao contemplarem o valor e o alcance desta grande obra que agora temos a honra de representar. Estamos empenhados num grande e glorioso empreendimento — o estabelecimento do reino de Deus na terra. Não conheço nada mais capaz de manter nosso pensamento correto e nossa devoção firme do que manter essa missão transcendente da Igreja sempre presente em nossas mentes. ¶
Quando contemplo este elevado objetivo dado ao nosso povo, reconheço a necessidade de aplicar nossa energia, nossa devoção e nosso amor à realização desta tarefa notável, e às vezes fico quase oprimido pela tremenda responsabilidade, pela obrigação e pelas oportunidades que ela envolve. Não conheço nada que mais nos ajudasse a cumprir esta responsabilidade do que viver de acordo com os princípios do Evangelho de Cristo. ¶
Uma Conclusão a Que Chegou o Presidente Grant
Lembro-me de que, há alguns meses — talvez já tenha sido há um ano ou mais —, o Presidente Grant certa manhã entrou em nossa reunião no templo e disse, em substância, o seguinte: "Irmãos, tenho pensado há muito tempo no que melhor poderia fazer nos últimos anos de minha administração para promover a obra de Deus e abençoar o povo," e disse: "Cheguei a esta conclusão: que não há nada melhor que eu possa fazer do que persuadir o povo a simplesmente guardar os mandamentos de Deus." Todos concordamos com ele, e, refletindo, penso que todos concordarão que essa é a coisa melhor e mais eficaz que podemos fazer para o progresso da grande causa que representamos. ¶
A Soberania de Cristo Deve Ser Reconhecida
Para que possamos guardar melhor os mandamentos, estou persuadido de que deve haver sempre armazenado em nossos corações um amor profundo e permanente por nosso Salvador Jesus Cristo, que é o Rei desta terra, que está à cabeça do Reino de Deus, e de quem somos humildes servos. Adoramos Jesus Cristo como o Filho divino de nosso Pai Eterno. Estamos comprometidos com a grande filosofia de fé que Ele deu ao mundo. ¶
Não estamos inclinados, e sou grato por isso, a adorar meramente Seus atributos, por mais desejáveis que nos possam parecer. Não negamos a soberania do próprio Rei. No meu humilde julgamento, uma das razões pelas quais a fé cristã não progrediu mais no mundo e não influenciou mais eficazmente a vida e a conduta dos homens e das nações reside no fato de que os homens não reconheceram, no fundo de seus corações, a soberania e o senhorio de Jesus Cristo. É verdade que muitos deles têm defendido Sua filosofia de vida; têm admirado Seus grandes ditos altruístas, e a política do bom vizinho, a amizade que Ele ensinou, Sua bondade, Sua misericórdia, mas se abstiveram de reconhecê-Lo como o divino Governante com poder para ordenar nossas vidas e proporcionar-nos o único caminho verdadeiro pelo qual melhor podemos servi-Lo, estabelecer Seu reino na terra e reconquistar o caminho de volta à Sua presença. ¶
O Poder de Deus Está com Sua Igreja
Meus irmãos e irmãs, sei que a alguns de nossos amigos pode parecer indelicado e presunçoso declarar que aqui, e somente aqui, em todo este vasto mundo, se encontra a verdadeira comissão vinda de Jesus Cristo para Seus servos; que somente aqui está estabelecida a Igreja que é o alicerce do Reino, em cuja extensão hão de realizar-se os propósitos de nosso Pai para a redenção e a bênção de toda a humanidade. Estou ciente de que essa declaração de fato parece presunçosa, e só a faço porque a isso sou compelido pelas revelações que vieram de Deus, e pela convicção profundamente arraigada que tenho de que cada palavra dela é verdadeira; que o santo Sacerdócio que foi dado aos homens nesta dispensação é o poder autêntico e verdadeiro de Deus, que veio de fonte divina, e que aqueles que primeiro o receberam deram um relato verdadeiro de sua experiência celestial em seu conferimento. ¶
Reconheço que a maioria de nós, homens, somos indivíduos fracos e frágeis, e pode parecer aos nossos amigos do mundo que mal somos dignos ou capazes de exercer as funções deste poder divino. Eu mesmo me sinto fraco ao contemplar esta investidura de poder, e oro constantemente para que Deus me dê mais força, mais sabedoria e discernimento no exercício das funções do santo Sacerdócio. Sei, contudo, que Deus qualificará aqueles que verdadeiramente guardam Seus mandamentos e em cujos corações há um amor permanente e a resolução de estimar este grande e santo poder que Deus nos deu. Esse poder é necessário no mundo hoje. Graças ao Senhor por ele estar aqui para falar aos filhos dos homens. Embora eles talvez não o escutem nem lhe deem atenção, como algo vindo de fontes divinas, virá um tempo em que os homens reconhecerão sua autoridade e sua importância na direção dos assuntos deste mundo. ¶
O Senhor Engrandece Seus Servos
Não estou desanimado, pois reconheço que nosso número ainda é relativamente pequeno. Alguém disse que há apenas um Santo dos Últimos Dias para cada dez mil habitantes da população do mundo. Pareceria uma tarefa quase impossível disseminar os princípios da verdade com uma minoria tão pequena. Mas lembro-me daquele antigo ditado de que "Deus e um homem são maioria," e tenho confiança para afirmar que, se nos mantivermos alinhados com nossos deveres, se vivermos plenamente estes princípios da verdade que somos encarregados de ensinar, Deus nos dará poder, Ele engrandecerá nossa obra, Ele fará com que nossas mensagens alcancem os confins mais distantes da terra. Ele sustentará os Seus. ¶
Reconheço também que, em nossa fraqueza e fragilidade, não somos capazes de levar adiante a obra tão rapidamente quanto gostaríamos. Creio que todo homem negligente que possui este Sacerdócio retarda o progresso da obra de Deus. Gostaria que fosse possível apelar a estes milhares de homens que receberam esta comissão divina para que corrigissem seus caminhos. Estou convencido de que aqueles que não usarem e engrandecerem este Sacerdócio acabarão por perdê-lo. Estou satisfeito, no íntimo do meu coração, de que este poder nos foi dado para servir. Interpreto-o em termos de serviço; tenho certeza de que a mera ordenação não é suficiente, e que somente serão finalmente escolhidos aqueles que conformarem suas vidas aos princípios sobre os quais o Sacerdócio se funda. Então serão vasos através dos quais o Espírito de Deus Todo-Poderoso poderá chegar a Seus filhos aqui nesta terra. ¶
O Arrependimento, um Princípio Salvador
Confio que aqueles que têm sido descuidados, negligentes e desatenciosos possam arrepender-se de seus caminhos. Considero um grande desastre que homens que tiveram mãos impostas sobre suas cabeças na ordenação a este poder divino venham a abandoná-lo. Estendemos a mão da amizade, da fraternidade, da bondade, da misericórdia e o princípio do arrependimento e do perdão àqueles que se arrependerem. ¶
De todos os princípios anunciados por nosso Salvador, nenhum jamais ocupou lugar mais elevado em minha afeição do que o princípio do arrependimento e do perdão. Parece que esta provisão bondosa e misericordiosa do Evangelho é mais adaptada à fraqueza humana do que quase qualquer outra. Confio que nossos oficiais, e todos nós, mostraremos o espírito de perdão e bondade para com aqueles que verdadeiramente se arrependem. Não conheço parábola que respire mais o verdadeiro espírito de Cristo do que a parábola que o Salvador contou do filho pródigo, e sempre senti que ele contou a parábola em benefício do pai ainda mais do que em benefício dos filhos. ¶
Ele fez com que aquele Filho rebelde tomasse de seu pai sua herança, seu patrimônio, e o dissipasse, e se afastasse de sua casa, para gastar o que lhe fora dado em dissipação e vida desregrada, violando todas as leis da casa de seu pai, cometendo todos os pecados da lista, e então, na história, o rapaz foi submetido à mais profunda miséria em penitência por sua má conduta. Depois de ter gasto tudo o que possuía e reduzido à fome, foi obrigado a mendigar trabalho junto a um amigo que conhecera em seus melhores dias, sendo enviado para sua propriedade; e, por fim, chegou àquela posição ignominiosa de pastor de porcos, guardador de suínos. Somos informados de que tão abjeta era sua degradação que era forçado a comer as vagens com os porcos que apascentava. E então o espírito de arrependimento veio sobre ele, e ele reconheceu seu grande erro, e clamou aos céus: "Já não sou digno de ser filho de meu pai," e implorou perdão. Tomando uma resolução baseada em sua penitência, encontrou o caminho de volta, pesaroso, à casa de seu pai. Segundo a antiga lei judaica, o pai o teria expulsado, mas o Salvador investiu o pai de um amor divino, e quando ele viu seu filho rebelde voltar em penitência, saiu ao seu encontro. Ele o ergueu e o abraçou, e chamou seus servos para trazer uma túnica e vesti-lo, e trazer um anel e colocá-lo em seu dedo, o que era o símbolo de sua restauração à casa de seu pai, e exclamou: "Trazei o bezerro cevado, e matai-o; e comamos, e alegremo-nos, porque este meu filho estava morto, e reviveu; tinha-se perdido, e foi achado." ¶
Essa é a maneira pela qual o Salvador trouxe o espírito de arrependimento e perdão, e cabe a nós, membros de Sua Igreja, trazer esse espírito em nossos corações e exercê-lo para com nossos irmãos e irmãs. Àqueles que cometeram erros, estendemos este glorioso princípio do arrependimento — voltem, abandonem seus pecados, e sejam recebidos na casa da fé e na irmandade do Sacerdócio. ¶
Alegria por Meio do Perdão
Nunca vi pessoas mais felizes do que aquelas que se arrependeram. Lembro-me de uma vez — não sei se o Presidente se lembrará disso — em que levei um jovem ao Presidente Grant, um jovem que cometera um erro grave, angustiado e abatido por causa disso, e ele me disse: "O senhor acha que eu algum dia poderia ser perdoado?" ¶
Eu disse: "Eu o levarei ao Presidente." ¶
Fomos ao Presidente, e o Presidente se convenceu de que ele realmente se arrependera, e o perdoou. De toda a alegria e felicidade que já vi estampadas num semblante humano, creio que vi a maior no rosto daquele jovem, ao perceber este dom do arrependimento e do perdão. ¶
Agora, meus irmãos e irmãs, conhecemos o grande propósito de nossa Igreja. Conhecemos a necessidade de seus gloriosos princípios neste mundo triste e dilacerado. Que Deus nos ajude a viver, a guardar os mandamentos, a ter o espírito de Cristo, para que possamos estabelecer Sua poderosa obra no mundo, oro humildemente, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶