O Sucesso Por Meio da Liderança Divina
Joseph F. Merrill
Irmãos e irmãs: sem dúvida viestes a esta 103ª Conferência Anual da Igreja para ouvir a palavra do Senhor tal como sairá dos lábios de Seus servos que se dirigirão a vós. No que me diz respeito, asseguro-vos que tenho apenas um único desejo, que é falar somente conforme meus irmãos e o Senhor aprovarem. E assim orei fervorosamente para que o Senhor me dirija naquilo que devo dizer. ¶
O Sucesso Por Meio da Liderança Divina
Esta é a obra do Senhor — não do homem. Ela só prosperará se Ele a conduzir. Não pode prosperar se dirigida pela sabedoria não inspirada dos homens. Este é um fato que devemos manter claramente em mente. Pois isso se aplica não apenas à obra da Igreja em geral e como um todo, mas também a qualquer parte da obra e aos esforços individuais na Igreja. Estou, é claro, apenas declarando um fato bem conhecido na Igreja, cujo reconhecimento é o princípio da sabedoria para quem deseja servir aceitavelmente no ensino da palavra do Senhor. ¶
Uma Situação Análoga
As condições econômicas atuais ainda constituem um dos principais temas de discussão. Muitos membros da Igreja voltam-se para sua liderança em busca de "uma saída." Não será a situação um tanto análoga à que prevalecia quando Jesus viveu entre os judeus na Palestina? Os judeus procuravam um Messias. Mas queriam um salvador que os tirasse da servidão política e os estabelecesse como nação independente, suficientemente forte para enfrentar com sucesso qualquer outra nação numa prova de armas. Até mesmo alguns dos seguidores de Jesus esperavam que Ele se tornasse um líder desse tipo. Ficaram desapontados por Ele não o fazer, e assim viram suas caras esperanças destruídas quando Ele foi levantado na cruz. Deixaram de ver nEle o Messias prometido. ¶
Da mesma forma, hoje, estou muito certo de que o Senhor, por meio de Seus servos, a Presidência da Igreja, já apontou muito claramente uma saída para nossas dificuldades atuais. Mas parece que até mesmo muitos membros da Igreja, e certamente os povos do mundo em geral, deixaram de ver o plano de recuperação econômica do Senhor, tal como dado nas palavras inspiradas da Primeira Presidência desta Igreja. Nesta época estamos tão acostumados a manchetes impactantes no anúncio até mesmo de muitas coisas sem importância, que estamos totalmente despreparados para ver uma saída da penumbra universal que não seja anunciada com o soar de trombetas ou algum outro método equívoco. ¶
Por Meio de Seus Servos, os Profetas
Contudo, o Senhor falou sobre o tema da depressão por meio de Seus servos, os profetas. Testifico solenemente que isso é verdade. Perguntais quando e onde? Respondo prontamente que Ele falou por meio da Primeira Presidência desta Igreja em suas Saudações Anuais publicadas na edição de Natal do Deseret News, em 19 de dezembro de 1931 e 17 de dezembro de 1932. Os textos dessas duas saudações são um tanto semelhantes, e podem ser resumidos da seguinte forma: ¶
"Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei." ¶
Depois de descrever brevemente as condições predominantes, as Saudações de dezembro passado contêm as seguintes palavras: ¶
"Olhando para o futuro com o dom da profecia, o profeta Isaías, há mais de 2.500 anos, disse: 'E assim como for o povo, assim será o sacerdote; como o servo, assim o seu senhor; como a serva, assim a sua senhora; como o comprador, assim o vendedor; como o que empresta, assim o que toma emprestado; como o que dá usura, assim o que toma usura.'" ¶
E as Saudações prosseguem dizendo: ¶
"Ninguém negará que Isaías previu as condições existentes. Ele nos diz, em linguagem simples, as causas que levaram a esta condição, nas seguintes palavras: 'Trespassam as leis, mudam os estatutos, e quebram o convênio eterno.'" ¶
O Remédio
As Saudações então continuam: ¶
"O remédio que trará alívio da presente condição confusa" — ouvi agora, Santos dos Últimos Dias, e vós, povos de todo o mundo — "o remédio que trará alívio da presente condição confusa está claramente exposto nas palavras de Deus, nosso Pai, faladas por meio do profeta Malaquias, como segue: 'Retornai a mim, e eu retornarei a vós, diz o Senhor dos Exércitos. Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e provai-me nisto, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal, até que não haja mais lugar para a recolherdes.'" ¶
E as Saudações da Primeira Presidência continuam: ¶
"Estas não são as nossas palavras, mas as palavras de Deus, nosso Pai, faladas por meio de Seus profetas escolhidos." ¶
Esperança Para o Futuro
E há outras palavras semelhantes de Deus, nosso Pai, faladas por meio de Seus profetas escolhidos, a Primeira Presidência desta Igreja. Encontram-se nas Saudações de Natal publicadas em dezembro de 1931, e são, em parte, as seguintes: ¶
"Não obstante a confusão que atualmente prevalece neste nosso mundo, temos muito pelo que ser gratos, e podemos olhar confiantemente para um dia mais brilhante e mais feliz." ¶
Estas são certamente palavras animadoras. E a beleza que há nelas está no fato de serem divinamente inspiradas e, portanto, absolutamente verdadeiras. Por isso, estão cheias de esperança e conforto. ¶
É Necessário o Cumprimento dos Requisitos
Mas, neste nosso mundo ordenado, nada acontece sem uma causa. Esta é uma verdade ensinada pela ciência e familiar a todos os estudiosos da ciência. É também uma verdade que tem sido ensinada aos Santos dos Últimos Dias desde os primeiros dias da Igreja. Encontramo-la registrada na Seção 130 de Doutrina e Convênios, expressa nas palavras do Profeta Joseph Smith, como segue: ¶
"Há uma lei, irrevogavelmente decretada no céu antes da fundação deste mundo, na qual todas as bênçãos se baseiam — e quando recebemos uma bênção de Deus, é por obediência à lei na qual ela se baseia." ¶
Nosso Deus jamais promete qualquer bênção, seja em Suas santas escrituras, seja pela boca de Seus servos divinamente inspirados, senão condicionalmente; isto é, para obter as bênçãos, os requisitos necessários devem ser satisfeitos. E assim esperaríamos que o alívio das presentes condições deploráveis se baseasse no cumprimento de certos requisitos. Quais são, então, os requisitos que nos permitem "olhar confiantemente para um dia mais brilhante e mais feliz"? Ouvi, ó Israel, ouvi, "todos vós que estais cansados." Assim diz o Senhor, por meio de Seus servos, a Primeira Presidência: ¶
"Se o povo do mundo se voltar para Deus, e reconhecer Seu Filho, nosso Redentor; se cada cidadão de nosso país afastar de si o egoísmo, a contenda e a amargura, [...] as nuvens da adversidade se dissiparão, o sol da prosperidade voltará a brilhar, e a paz e a fartura hão de prevalecer dos rios até os confins da terra." ¶
O Plano do Senhor
Temos aqui, portanto, expresso em linguagem clara, como podemos sair desta depressão mundial. O plano é simples: é o plano do Senhor. Muitos outros planos foram propostos, alguns amplamente discutidos. Mas nenhum deles terá sucesso completo. Disto podemos estar certos, pois são planos de homens e não de Deus, uma vez que não contêm todos os elementos do plano de Deus. ¶
Ora, embora o plano de Deus seja simples, pode não ser fácil de executar. Baseia-se nos dois grandes mandamentos — amar o Senhor teu Deus de todo o teu poder, mente e força, e a teu próximo como a ti mesmo. Para guardar estes mandamentos, devemos viver a Regra de Ouro, o que nunca é fácil de fazer. ¶
Um Chamado ao Arrependimento
Santos dos Últimos Dias, viestes a esta conferência para ouvir a palavra do Senhor. Eu a li para vós tal como o Senhor a deu por meio de Seus servos, os profetas. E agora a questão é: estamos prontos para aceitá-la? Para fazê-lo, devemos arrepender-nos. E assim o chamado do Senhor a Seu povo é um chamado ao arrependimento. Arrependermo-nos de quê? De nosso "egoísmo, contenda e amargura." É um chamado não somente a mim e a vós, mas a todo o povo que habita a terra. A paz e a prosperidade não retornarão, a menos que nos arrependamos. Não esqueçamos este fato. Os homens podem planejar, tramar e legislar, mas a paz e a fartura jamais voltarão a sorrir para todos os habitantes desta boa terra até que guardemos os mandamentos de Jesus Cristo, o Deus desta terra. Crendo nisto de todo o meu coração, clamo arrependimento onde quer que vá, entre o povo. É o tema de todos os meus discursos nas congregações dos Santos. ¶
A Lei Governa o Universo
Terá o Senhor, nosso Pai Celestial, prazer no sofrimento e na miséria de Seus filhos, condições em toda parte prevalecentes nestes tempos angustiantes? Terá algum pai terreno de bom coração e reto discernimento prazer no castigo de seu filho? Certamente que não. Mas nosso Pai Celestial não é apenas amoroso, bondoso e misericordioso. Ele é também justo. Ele é o Criador do mundo, do universo, e de todas as coisas que neles há. Mas este mundo é um mundo ordenado. A lei governa todos os fenômenos da natureza e de tudo o que existe. Se violarmos qualquer destas leis — as leis da saúde, por exemplo — podemos esperar sofrer as consequências. A justiça de Deus exige que assim seja. Temos uma depressão e estamos sofrendo as consequências porque violamos as leis do reto convívio social. E estas são as leis de Deus. Deus não se tornou cruel nem nos infligiu as amargas dificuldades das quais sofremos. Nós mesmos criamos nossas dificuldades. Reconheçamos esta verdade, voltemo-nos e arrependamo-nos. Então o Senhor terá prazer em nós, e chegaremos a um dia mais feliz e mais brilhante. Mas o arrependimento é a condição. ¶
Devemos afastar-nos de "nosso egoísmo, contenda e amargura." Por que não pagamos nossos dízimos e nossas ofertas de jejum, como o Senhor nos ordenou? Não será por causa de nosso egoísmo? Podemos realmente crer na divindade desta obra e, ainda assim, reter nossos dízimos da casa do tesouro do Senhor? Podemos esperar desfrutar dos favores do Senhor se falharmos em cumprir as condições sobre as quais Seus favores se baseiam? Se tivermos tais expectativas, seremos desapontados, pois nosso Deus é observador da lei, um Deus justo. ¶
O Pecado do Egoísmo
De todos os nossos pecados, o pecado do egoísmo é um dos mais comuns e um dos maiores. Ele satura toda a nossa vida — social, comercial, política, até mesmo religiosa. Uma das razões pelas quais a maioria dos planos de recuperação econômica concebidos pelos homens fracassaria miseravelmente, mesmo se tentados, é que se caracterizam pelo egoísmo — egoísmo desmedido, em muitos casos. Ora, nenhum plano, não importa por quem proposto, terá sucesso se tiver essa característica. Deus assim falou. Sua palavra não falhará. ¶
Um Exemplo Notável
Um dos exemplos mais notáveis do egoísmo desmedido dos dias atuais é a propaganda pela revogação da Décima Oitava Emenda à Constituição dos Estados Unidos. Nos últimos anos, milhões de dólares foram gastos para promover essa propaganda. O grande inimigo desta emenda é a Association Against the 18th Amendment, organização pequena em número, mas poderosa em influência, por causa das enormes somas de dinheiro que pode dispor. Diz-se que mais de cinquenta milionários são membros dela. Muitos milhões de dólares foram gastos em sua obra. Por quê? Porque, se a cerveja e outras bebidas alcoólicas puderem ser tributadas e grandes receitas obtidas desta fonte, os ricos pagarão impostos menores sobre a renda e sobre as sociedades. Um homem rico disse que os impostos sobre bebidas alcoólicas poupariam a apenas uma de suas empresas dez milhões de dólares por ano em impostos corporativos. E sua família possui várias grandes corporações. "Sim, tenhamos cerveja e revoguemos a 18ª Emenda," clamam os ricos propagandistas. "Por quê? Porque isto transferirá enormes impostos de nossos ombros" para as costas dos trabalhadores da América, fato que os trabalhadores aparentemente ainda não perceberam. ¶
Sim, repito, o egoísmo descarado é o principal motivo por trás da maior parte da propaganda pela revogação. Contra tudo isso, levanto minha voz. Defendo a 18ª Emenda e sou contra sua revogação. Quisera eu que cada membro da Igreja e cada cidadão estivesse ao meu lado. Pensa alguém que o Senhor terá prazer em nós se, por algum ato nosso, permitirmos que o mal se aproxime mais de nossas portas? ¶
Ao concluir, chamo novamente ao arrependimento e proclamo em voz alta que "a vinda de um dia mais brilhante e mais feliz" depende de vivermos a Regra de Ouro e de reconhecermos Jesus Cristo como nosso Salvador. ¶
Que o Senhor nos ajude a fazê-lo assim, é o que rogo, em nome de nosso Redentor, Amém. ¶