Os Jovens da Igreja
Franklin S. Harris
Não creio que seria possível a alguém ficar mais surpreso do que eu estou nesta manhã, ao ser chamado para falar a vocês. Tenho apreciado muito as reuniões desta conferência; sempre aprecio essas reuniões. Pois, durante uns vinte e nove anos, o período em que tenho tido acesso às conferências da Igreja, nunca deixei de comparecer a nenhuma quando estava no estado, e me parece que cada uma dessas conferências tem suas próprias peculiaridades, seu próprio tipo de conselho, orientação e admoestação. Eu não gostaria de ficar sem a inspiração que me vem por comparecer a essas reuniões. ¶
Nestes dias, quando tudo o que é do passado está sendo trazido para revisão, nossas atividades religiosas, nossa Igreja, e tudo o mais, entram em consideração. Recentemente, no Leste, li algo que havia sido escrito por certo ministro, no qual ele dizia que as pessoas mais velhas da Igreja eram incuravelmente "mórmons", mas que os jovens mostravam alguma esperança de se alienarem em seu afeto pela Igreja, e que havia esperança de que, com o tempo, esses jovens se afastariam e se tornariam cristãos. Isso me fez pensar, e, já que meu trabalho é estar com os jovens da Igreja, creio que estou preparado para falar sobre este assunto com alguma autoridade. Na Universidade, tenho contato diário com cerca de mil e quinhentos deles, vindos de todas as partes da Igreja. É também meu privilégio viajar por toda a Igreja e conhecer jovens. ¶
Estou preparado para refutar, nos termos mais enfáticos, qualquer alegação de que os jovens da Igreja não lhe sejam leais, a suas autoridades e a seus ensinamentos. É claro que não são cem por cento dos jovens que continuam a aderir à Igreja. Também não são cem por cento dos americanos que continuam leais ao governo dos Estados Unidos. Não há causa alguma que tenha cem por cento de apoio. Mas é minha firme convicção que nunca houve um tempo, na história da Igreja, em que os jovens estivessem tão firmemente enraizados nos princípios fundamentais do Evangelho como estão hoje. ¶
Quase diariamente jovens vêm ao meu escritório e me falam de sua devoção à Igreja, de sua convicção crescente da veracidade de suas doutrinas, de sua determinação de passar suas vidas a seu serviço e defendendo as doutrinas pelas quais a Igreja se pronuncia. Há aqueles, é claro, que têm seus períodos de dúvida, e não os culpo por suas dúvidas, porque, afinal, o conhecimento de outra pessoa não pode salvar um indivíduo. É necessário que cada pessoa raciocine as coisas por si mesma. Ela precisa ter dúvidas e receios para que essas dúvidas e receios possam ser superados e para que ela possa obter uma filosofia própria. Consequentemente, nunca me preocupo se um jovem ou uma jovem expressa alguma dúvida e deseja pensar sobre o assunto por si mesmo. Sei que esse tipo de pensamento verdadeiro é algo que, com o tempo, os trará de volta à lealdade à Igreja e à compreensão de seus princípios. ¶
A coisa a que eu de fato me oponho é a falta de interesse. Isso, parece-me, é a coisa mais perigosa que podemos ter, e se vejo uma pessoa, particularmente um jovem, que diz não ter interesse algum em religião, então tenho receios. ¶
Quero prestar meu testemunho a vocês de que o Evangelho de Jesus Cristo contém aqueles princípios que satisfazem a qualquer homem ou mulher que reflita. Não tenho desculpa alguma a oferecer por ele. Creio que algumas de nossas pessoas cometem o erro de serem, de certa forma, apologéticas pela Igreja, por sua história ou por suas doutrinas; mas, quanto a mim, não tenho absolutamente nenhuma desculpa a oferecer por ela. ¶
Tem sido meu privilégio ver, mais do que a maioria dos homens, os povos do mundo, estudar suas filosofias, observar seus sistemas em operação prática e conhecer os corações do povo; e quanto mais estudo o resto do mundo, mais amo o mormonismo. Não que eu tenha algo contra qualquer povo; não conheço nenhum povo com quem eu tenha entrado em contato para o qual eu não tenha honra e cujo ponto de vista eu não respeite; mas, conhecendo essas outras condições, tenho maior amor pelo mormonismo, por sua liderança, por suas doutrinas, por suas instituições, pelo que ele pode fazer pelo homem aqui e no futuro. ¶
Assim, quando entro em contato com os jovens, digo-lhes que saiam em suas incursões buscando a verdade. Eu digo: Examinem tudo; investiguem tudo; porque não temo em absoluto os resultados. Espero que nós, como povo, busquemos a verdade em todos os lugares. Não temos monopólio sobre a verdade. Teoricamente, aceitamo-la de qualquer fonte de onde venha. Outros povos têm verdade, e creio que devemos buscá-la longe e amplamente, e adotá-la onde quer que a encontremos. ¶
Presto testemunho a vocês, meus irmãos e irmãs, de que os jovens da Igreja são inteiramente dignos da confiança de seus pais. Penso que eles são os melhores jovens que a Igreja já teve em qualquer época, não obstante haja divergências de opinião quanto a este ponto. Creio que os jovens são os mais temperantes, os mais morais, os mais intelectuais que os jovens já foram em qualquer época da história da Igreja. Presto testemunho a vocês de que, com a passagem de cada geração, teremos mais lealdade à Igreja, teremos mais consolidação e uma Igreja mais forte. ¶
Rogo fervorosamente que eu possa ser digno de estar entre os humildes trabalhadores da Igreja, que eu possa ser capaz de dar um exemplo adequado, e que eu possa ajudar a fazer avançar esta grande causa. Peço isto em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶