A Missão Canadense
John V. Bluth
Considero um grande privilégio, meus irmãos e irmãs, poder voltar a Salt Lake City a cada seis meses e participar dos trabalhos da Conferência. É uma inspiração maravilhosa para nós, que estamos ausentes no campo missionário, e podemos levar de volta essa inspiração àqueles com quem estamos trabalhando. ¶
Regozijo-me no testemunho do Evangelho de Jesus Cristo, que obtive ouvindo os ensinamentos dos Élderes muitos anos atrás. Regozijo-me que, ano após ano, esse testemunho se tornou mais forte e mais brilhante; que, em todas as vicissitudes da vida, e nas dificuldades e tropeços pelos quais passamos, e pelos quais eu passei, tenho sido capaz de reter esse testemunho. Estimo-o como um dos maiores, senão o maior dom que Deus pode nos dar. Não conheço agora nenhum dom que valesse tanto para mim, se eu perdesse o testemunho de que esta é a obra do Senhor; de que é divina; de que seu poder e autoridade estão aqui sobre a Terra; de que ele fala por meio dessa autoridade; de que somos guiados e dirigidos por seu Santo Espírito em tudo o que fazemos; de que estamos procurando, à nossa humilde maneira, dar continuidade à sua obra; de que ele, na realidade, nos deu o privilégio de sermos seus humildes auxiliares na realização da grande tarefa que estabeleceu para si mesmo, a de levar a efeito a imortalidade e vida eterna do homem. ¶
Não conheço nada mais glorioso do que ter o privilégio de trabalhar na Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, em posição alta ou baixa. Sinto que é uma honra tão grande, uma ajuda tão grande, uma oportunidade de crescimento e progresso tão grande, que sinto que todos os Santos dos Últimos Dias deveriam almejar o privilégio de servir em alguma capacidade no reino de Deus. Isso nos dá alegria; isso nos dá felicidade. ¶
Não sei se, em algum momento de minha vida passada, compreendi tão plenamente quanto agora o que significa aquele segundo mandamento: "Amarás o teu próximo como a ti mesmo." Ao contemplar isso, tantas outras coisas que ocupam nossas vidas se desvanecem em insignificância. A filosofia desse mandamento, "Amarás o teu próximo como a ti mesmo," parece-me esclarecida no Livro de Mórmon. Lembro-me de ter lido no livro de Mosias a história do rei Benjamim. Ao sentir a velhice se aproximando, desejou entregar o reino a seu filho. Convocou o povo com o propósito de aconselhá-lo, de instruí-lo, e de entregar o reino nas mãos de seu filho. Quando se reuniram, ele começou a relatar algumas das coisas que haviam sido feitas e realizadas. O que ele particularmente lhes fez notar foi este único fato: que, embora fosse rei e reinasse sobre eles, ainda assim havia trabalhado com as próprias mãos para a realização dos propósitos de Deus, a fim de não ser um peso para eles. "E isto," declarou ele, "não desejo vangloriar-me disso, mas vos digo estas coisas para que aprendais sabedoria; para que saibais que, quando estais a serviço de vosso próximo, estais somente a serviço de vosso Deus." ¶
Essa verdade é gravada em nós no campo missionário; e o privilégio de levar o Evangelho àqueles que são honestos de coração, dando-lhes a palavra do Senhor, dando-lhes maior oportunidade de progresso, avanço, conhecimento, compreensão, nos dá alegria. Sentimos tristeza quando percebemos que aparentemente nossas palavras caem em ouvidos surdos, quando aquilo que é tão claro para nós lhes parece uma falácia. Eles creem em Jesus Cristo, mas dizem que já foram salvos, e, estando salvos, não há mais nada a que precisem aspirar; o fato de não conseguirmos desenganá-los quanto a isso nos traz tristeza. De certa forma, isso nos dá uma pequena compreensão do que nosso Salvador deve ter sentido quando veio aos seus e os seus não o receberam. Ele lhes deu a oportunidade da salvação e da exaltação, mas o consideraram um blasfemo. ¶
Desejo prestar meu testemunho da bondade de Deus, e de sua misericórdia, da alegria que veio a meu coração desde que ouvimos o Evangelho há uns 56 anos, e da satisfação e da felicidade que são nossas ao fazer a obra do Senhor, ao trabalhar em sua causa, ao ajudar a levar ao resto do mundo essa mesma mensagem que nos deu alegria e felicidade. ¶
Que Deus nos ajude a estimar o testemunho que recebemos, para que nada façamos que o macule ou o faça desvanecer, porque esses testemunhos que nos vieram por fazer a vontade do Senhor não podem ser tirados de nós por nenhum poder na Terra, exceto o de nossa própria transgressão. Estimemo-lo e guardemo-lo. É maravilhoso saber, não apenas que estamos no caminho, mas saber para onde vamos, e que, ao final desta vida, continuaremos a serviço do Senhor, com as perspectivas de progressão e avanço delineadas diante de nós. Ó, esse testemunho! Não há nada no mundo em que eu possa pensar pelo qual eu trocaria esse testemunho. ¶
Que Deus nos ajude a servi-lo, a fazer a sua vontade, a sermos fiéis, honestos e leais à sua causa, sem dar tanta atenção às coisas deste mundo, porque elas se desvanecem, mas a buscar mais as coisas de valor eterno, que podemos levar conosco, e que possamos encontrar ali guardadas para nós quando lá chegarmos, rogo humildemente, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶