A Missão Mexicana
Rey L. Pratt
Regozijo-me imensamente, meus irmãos e irmãs, por o Senhor ter-me permitido estar presente nesta maravilhosa Conferência. Mas penso que, acima de tudo, sou grato pelo fato de me encontrar, em todos os sentidos, em harmonia e concordância com as admoestações, os conselhos e os ensinamentos desta esplêndida Conferência. Tem sido certamente uma inspiração ver o maravilhoso comparecimento de ontem e de anteontem. Hoje não está tão grande, devido, tenho certeza, ao fato de que muitos de nossos irmãos e irmãs desta cidade e dos povoados vizinhos têm a necessidade de voltar para casa e retomar seus trabalhos em busca do sustento. ¶
Mas, ao meditar sobre o assunto, veio-me o pensamento de que, certamente, houve grandes multidões que ouviram os ensinamentos desta Conferência, pois, por meio do rádio, muitos milhares foram postos em contato com os conselhos, orientações e admoestações que nos vieram do Senhor por intermédio de seus servos escolhidos. ¶
Ao rememorar a história do povo do Senhor, desde o passado remoto até o presente, refleti que tem sido a disposição dos homens desviar-se dos caminhos traçados pelo Senhor, e a de alguns preferir andar por atalhos. Sempre tem sido necessário que os servos do Senhor, inspirados por ele, admoestassem o povo, o aconselhassem, o repreendessem e o trouxessem de volta, se possível, ao caminho certo, onde andariam nas veredas do Senhor, o buscariam e guardariam seus mandamentos. ¶
É verdade, meus irmãos e irmãs, que o Senhor nos deu nosso livre-arbítrio. Não somos forçados, mas somos admoestados e ensinados. Assim, parece-me que não temos desculpa se nos desviarmos. ¶
O Senhor, falando a seu profeta Ezequiel, lembrou-lhe que, quando o povo constituía um vigia para zelar por seus interesses — e o Senhor o admoestou de que fora chamado como vigia sobre Israel —, e esse vigia via o inimigo se aproximar e o perigo ameaçar o povo, era seu dever soar um alarme, tocar sua trombeta e avisar o povo do perigo iminente. Então prossegue dizendo que, se ele assim o fizer e avisar o povo, e se o perigo vier e eles forem surpreendidos em seus pecados e perecerem, a responsabilidade recairá sobre suas próprias cabeças. Mas, se o vigia não cumprir seu dever e não avisar o povo, e o perigo vier e eles forem destruídos, e ainda que morram em seus pecados, o Senhor responsabilizará o vigia que colocou sobre eles. ¶
Verdadeiramente, meus irmãos e irmãs, como povo, temos motivo para nos alegrar de que o Senhor tenha colocado sobre nós vigias que, em tempos passados, e particularmente durante esta Conferência, têm avisado o povo do perigo iminente, e em termos nada incertos. Certamente, sem ambiguidade, foi-nos dito onde poderíamos caminhar com segurança e onde reside o perigo; de modo que a responsabilidade por nossas ações, no que diz respeito às coisas ditas durante esta Conferência, entendo, agora recai sobre o povo, sobre cada um de nós individualmente, e minha esperança e oração é que possamos andar no caminho do Senhor. ¶
Tem sido minha experiência, ao longo de toda a minha vida até agora, que o Espírito Santo, se deixado a operar livremente em nossa vida, com toda certeza nos dará a conhecer o que é verdadeiro e o que é falso; e é somente ao extinguir esse Espírito que o homem pode ser desencaminhado. Admoesto o povo a buscar o Espírito do Senhor, a despertar, como diz Paulo, os dons de Deus que há em vós, mediante a imposição de mãos dos élderes que vos confirmaram membros da Igreja e que vos conferiram, após vosso batismo nas águas, o Espírito Santo. Ele é a testemunha do Pai e do Filho. É a testemunha de toda a verdade, e sua missão é revelar-nos toda a verdade referente às coisas passadas e presentes, e nos fará conhecer e revelará aquilo que devemos saber referente às coisas que ainda estão por vir. ¶
Todas as coisas verdadeiras podem ser duplicadas. Na história do povo do Senhor, descobrimos que os milagres realizados por seus servos e por seu poder foram tão de perto duplicados pelo maligno que é difícil distingui-los dos genuínos. E, nos últimos dias, como sinal da vinda do Salvador do mundo, somos por ele admoestados de que haverá falsos mestres, haverá falsos profetas, haverá até falsos cristos; e realizarão maravilhosos e poderosos milagres, a tal ponto que serão capazes de fazer descer fogo do céu e enganar, se possível, os próprios eleitos. De modo que não é seguro, irmãos e irmãs, atarmos nossa fé a milagres. Mas creio sincera e firmemente que há uma coisa que Satanás não pode duplicar, e essa coisa é o testemunho do Espírito Santo, o testemunho que arde dentro de nós e nos faz saber quando algo é verdadeiro. Esse testemunho é vosso, para tê-lo, se viverdes em harmonia com os ensinamentos do Evangelho de Jesus Cristo. ¶
Como disse no início, tenho a alegria de me encontrar em harmonia e em concordância com os ensinamentos da Igreja, em concordância com o Evangelho tal como foi restaurado por intermédio de Joseph Smith. Não tenho uma só palavra ou pensamento de crítica a oferecer quanto à política da Igreja, nem agora nem em tempos passados. Sinto-me perfeitamente seguro, meus irmãos e irmãs, em seguir os ensinamentos daqueles a quem testifico serem profetas, videntes e reveladores para este povo. E é coisa séria e perigosa colocarmos nossos desejos ou nosso julgamento contrários àquilo que vem por meio dos servos do Senhor, particularmente quando proferido, como têm sido as admoestações do Presidente Grant durante esta Conferência. ¶
Presto-vos meu testemunho de que o Evangelho é verdadeiro. Sou feliz em meu ministério. Terei o maior prazer em continuar enquanto o Senhor achar por bem usar-me como instrumento na disseminação do Evangelho entre as nações da terra, e sou particularmente feliz por trabalhar entre o povo lamanita. Regozijo-me em trazer-vos saudações da parte deles, particularmente de nosso povo na longínqua terra do México, onde, há quase seis anos, não lhes tem sido permitido ter a companhia e o ministério dos élderes de Sião. Mas eles estão felizes, e estão crescendo e progredindo na obra. O sacerdócio local tem correspondido à ocasião, e nossos presidentes de distrito, nossos presidentes de ramo e nossos missionários dentre o povo daquela terra, que estão ativamente empenhados na terra do México, estão realizando uma obra maravilhosa, e seu ministério, tenho certeza, é aceitável ao Senhor. Estão construindo casas de reunião. Desde que essa crise sobreveio nos negócios do México, o que nos tem impedido de enviar nossos élderes para lá e tornado impossível alugar livremente salões para realizar cultos, devido ao fato de que a lei exige que os cultos sejam realizados num edifício dedicado exclusivamente como edifício da Igreja, nossos Santos ergueram quatro casas de reunião nas proximidades da Cidade do México e estão se esforçando para prover a si mesmos lugares onde possam adorar o Senhor livremente e sem qualquer impedimento. ¶
Não há, por parte do governo mexicano, disposição de proibir nosso trabalho, desde que cumpramos a lei do país. Não há disposição de tentar impedir a disseminação do mormonismo, nem, aliás, o livre exercício de qualquer religião naquela terra. Exigem, porém, que aqueles que ministram em igrejas no México sejam cidadãos do país e se registrem junto ao governo, e também que todos os locais de culto sejam dedicados como tais e registrados junto ao governo. ¶
Oro para que as bênçãos do Senhor continuem com seu povo em toda parte, para que o Evangelho se espalhe e para que a Igreja cresça até que, por fim, a causa da retidão triunfe na terra. Esta é minha oração, que humildemente peço em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶