O Alicerce de uma Grande Obra
Melvin J. Ballard
Há noventa e nove anos, cerca de um ano depois que a Igreja foi organizada, entre outras instruções que o Senhor deu a seu profeta para a orientação e o consolo da Igreja, estavam estas palavras, encontradas na sexagésima quarta Seção do Livro de Doutrina e Convênios: ¶
"Portanto, não vos canseis de fazer o bem, porque estais lançando o alicerce de uma grande obra. E de pequenas coisas provém aquilo que é grande." ¶
O ALICERCE DE UMA GRANDE OBRA ¶
Mais adiante, na mesma revelação: ¶
"Pois eis que vos digo que Sião florescerá e a glória do Senhor estará sobre ela. ¶
"E será um estandarte para o povo e a ela virão de todas as nações debaixo do céu. ¶
"E chegará o dia em que as nações da Terra estremecerão por causa dela e temerão por causa de seus homens terríveis. O Senhor disse-o." ¶
Ao ouvirmos a análise, conforme apresentada pelo Presidente ontem de manhã, sobre as condições transformadas que ocorreram na atitude do mundo para com a Igreja, e ao vermos os cem anos de progresso que se fez, temos todos os motivos para crer que o Senhor está cumprindo essas maravilhosas promessas; que, por mais insignificante que tenha sido o começo, aquelas palavras de promessa estão sendo cumpridas; que estavam lançando o alicerce de uma poderosa obra, e que de pequenas coisas grandes coisas hão de proceder. A evidência disso está claramente demonstrada nas realizações do passado. ¶
UM ESTANDARTE PARA O POVO ¶
Mas esta promessa vai além do alicerce — ela se estende ao futuro, pois "Sião se levantará e florescerá, e a glória do Senhor estará sobre ela; e o povo virá de todas as nações". Eles vieram de todas as nações. Como poderia o profeta saber, a não ser que fosse inspirado pelo Senhor, que esta mensagem do evangelho tocaria ¶
os corações dos filhos dos homens em todas as nações? Eles cumpriram essa predição, e aqui estão eles reunidos; e agora vem um novo encargo para a Igreja: esta Igreja "será um estandarte para o povo". ¶
Meus irmãos e irmãs, ao olharmos para o futuro, parece-me muito claro que há, no programa do Senhor, um propósito definido: que sua obra se levante e brilhe. Esta é uma era repleta de teorias. Muitas igrejas têm soluções para os problemas atuais. Há muitas sociedades e organizações sendo promovidas no mundo para a solução dos nossos problemas atuais entre as nações, e para lidar com os indivíduos. ¶
A OPORTUNIDADE DO VERDADEIRO CRISTIANISMO ¶
Parece-me que, depois de todos estes anos, chegamos ao ponto em que temos a oportunidade de ser ouvidos, e o mundo está disposto a escutar, e o preconceito está tão afastado que estão dispostos a dar crédito a quem o merece. Temos, mais ou menos, contendido, por estes cem anos, pelo direito de existir, de sermos ouvidos e compreendidos, e ainda assim temos estado nos exercitando; temos estado ensaiando. Estamos prontos para entrar em cena num grande drama, para demonstrar diante do mundo que há virilidade, força e poder no Evangelho de Jesus Cristo para resolver os problemas do mundo. ¶
Por todos estes séculos, o Cristianismo tem estado no mundo, e tem sido, em grande parte, incapaz de resolver esses problemas, até que o cético concluiu que não há poder no Cristianismo, que não há virtude no Evangelho de Cristo para resolver esses difíceis problemas que trazem guerra, derramamento de sangue e maldade entre os homens. ¶
Os Santos dos Últimos Dias reconhecem que houve, durante todas estas eras, um pouco de verdade, e muitas almas honestas lutaram em direção à luz; mas o mundo esteve num estado de apostasia. O poder do Evangelho não esteve entre os homens. A forma dele, sim. De modo que o verdadeiro Cristianismo não teve um teste real. Não teve a chance de demonstrar o que realmente poderia e pode fazer. ¶
PODER PARA RESOLVER OS PROBLEMAS DO MUNDO ¶
Esta Igreja foi estabelecida com o propósito expresso de provar ao mundo que há poder no Evangelho de Jesus Cristo, poder para resolver os problemas do mundo, poder para mudar o coração dos homens, e trazer a um mundo angustiado sua era de ouro, sua paz, sua prosperidade e sua felicidade. O sonho que Daniel viu há de se realizar, quando o Deus dos céus há de estabelecer uma obra que permanecerá para sempre e encherá toda a terra. ¶
A predição dos profetas modernos tem sido no sentido de que isso era apenas o começo daquele grande movimento, e agora que nos está sendo dada a oportunidade de sermos ouvidos, agora é o momento de os Santos dos Últimos Dias se reunirem em torno de seus estandartes, e demonstrarem a um mundo que está em dúvida e incerteza, e cheio de ceticismo, que há poder no Evangelho de Jesus Cristo para mudar o coração e a vida dos homens, e influenciar os destinos das nações rumo àquele sonho dos profetas do passado, de que viria uma era de ouro, ¶
quando todas as angústias que afligiram os homens passariam, e viria a fraternidade universal, e a paz estaria no mundo. ¶
Permitam-me tocar apenas em um ou dois dos problemas que este Evangelho está resolvendo e pode resolver — estabelecendo um padrão para o mundo. ¶
O PLANO DO SENHOR PARA AJUDAR OS POBRES ¶
Aqui está o problema dos pobres do mundo. O plano do Senhor para sua solução, sem humilhação para os pobres, e uma bênção para os que oferecem o socorro — as ofertas de jejum dadas pelos membros da Igreja uma vez por mês, após a abstenção de alimento por duas refeições. O jejum é, em si mesmo, uma bênção para o ser físico, e uma bênção para o ser espiritual, porque tende, por sua própria natureza, a dar controle espiritual sobre o ser físico. A gratidão pela bondade do Senhor em prover alimento e vida vem desse jejum, assim como a compaixão pelos pobres que estão sem alimento, e também estamos dando aquilo que foi economizado. ¶
Sei que há muitos que não parecem compreender claramente o que deveria ser dado — o equivalente às refeições economizadas. Eu diria que certamente dez centavos por refeição seria o mínimo, ou vinte centavos por pessoa, por mês. Gostaria que esse fosse o padrão mantido pelos membros da Igreja. Não chegamos a esse ponto, mas, mesmo com o que os Santos dos Últimos Dias estão prestando desse serviço, está sendo criado um grande fundo, e se o observássemos rigorosamente, criaria fundos amplos para cuidar das necessidades dos pobres, e industrializá-los. ¶
O método do plano do Senhor é excelente: dar ao bispo, que distribui aos pobres. Não é da minha alçada dar aos pobres. É da alçada, na Igreja do Senhor, do bispo dar. Eu dou ao bispo, e ele reparte aos pobres. Aqueles que recebem não sabem de onde vem, e aqueles que dão não sabem para quem vai. Isso é não deixar que a mão direita saiba o que a mão esquerda está fazendo. Não conheço nenhum outro esquema pelo qual o plano do Senhor pudesse ser executado melhor do que aquele estabelecido nesta Igreja. Este plano resolveria perpetuamente o problema dos pobres, e digo, industrializá-los e torná-los economicamente independentes. ¶
O plano do Senhor não contempla o empobrecimento dos pobres. Lembro-me de meu pai ter sido bispo por quarenta anos, e foi meu privilégio, quando menino, levar as esmolas aos pobres daquela ala. Fiquei impressionado quando fui à casa de uma viúva que precisava de ajuda, e a encontrei tricotando meias; e quando fui à casa de um homem pobre que precisava de ajuda, descobri que ele estava cortando a lenha da viúva, enquanto ela tricotava meias para o homem pobre que precisava de ajuda. Todos eram incentivados a fazer algo para ajudar outra pessoa, mesmo que recebessem esmolas. ¶
Disseram-me que no pátio de dízimos aqui a leste de nós, quando não havia trabalho para os pobres dignos, havia uma pilha de pedras num canto daquele pátio, que o trabalhador que quisesse um emprego era designado a carregar para outro canto do pátio, e ele recebia seu pagamento no fim do dia. Se, no dia seguinte, houvesse um candidato digno, mas nenhum trabalho para ele, poderia ser designado a tarefa de carregar as pedras de volta para o ¶
canto original, e ele vinha receber seu pagamento à noite com a sensação de que o havia merecido. ¶
Esse é o espírito de industrialização entre os pobres da Igreja que está conosco desde o início, e continuará a ser levado adiante. ¶
UMA SOLUÇÃO PARA OS PROBLEMAS DO CAPITAL E DO TRABALHO ¶
O problema que existe no mundo entre o capital e o trabalho pode ser resolvido no plano do Senhor de dízimo. A luta pela manutenção de uma classe sobre a outra não é a maneira do Senhor de resolver esse problema. Permitam-me ler a vocês, da quinquagésima sexta Seção do Livro de Doutrina e Convênios, o que o próprio Senhor tem a dizer sobre este assunto: ¶
"Ai de vós, homens ricos, que não compartilhais vossos bens com os pobres, pois vossas riquezas irão corromper-vos a alma; e esta será vossa lamentação no dia da visitação e do julgamento e da indignação: Passada é a colheita, findo é o verão; e a minha alma não está salva! ¶
"Ai de vós, homens pobres, cujo coração não está quebrantado, cujo espírito não é contrito e cujo ventre não está satisfeito e cujas mãos não cessam de se apoderar de bens alheios, cujos olhos estão cheios de cobiça e que não trabalhais com as próprias mãos! ¶
"Mas bem-aventurados os pobres" — sim, e o Senhor poderia ter acrescentado, bem-aventurados os ricos — "cujo coração está quebrantado, e cujo espírito é contrito, pois eles verão o reino de Deus vindo em poder e grande glória para sua libertação." ¶
A libertação dos pobres não virá por meio de nenhuma legislação. Ela virá por meio do plano do Senhor, pois eles verão o poder de Deus vindo em glória para sua libertação, pois deles será a gordura da terra. ¶
"Pois eis que o Senhor virá, e sua recompensa estará com ele, e ele recompensará a cada homem, e os pobres se regozijarão. ¶
"E suas gerações herdarão a terra de geração em geração, para todo o sempre." ¶
Esse é o plano que há de prosperar. Nem no controle dos negócios do mundo pelos ricos, nem pelos pobres como na Rússia; nenhum dos dois elementos terá êxito, do seu próprio ponto de vista egoísta, mas eles devem ser reunidos no espírito de fraternidade, no espírito de união de interesses, e isso jamais será alcançado, senão sob o plano do Senhor. O dízimo é o primeiro passo em direção a esse plano, no qual tanto os ricos quanto os pobres contribuem de acordo com seus meios, para o bem-estar comum de cada um. Não há banco nesta Igreja para os ricos se sentarem, e negado aos pobres; nenhuma bênção estendida aos ricos nos templos de Deus, e negada aos pobres. Eles participam igualmente, e o homem rico não recebe mais do que o homem pobre. O Senhor designou o dízimo como um aio nesta Igreja, para nos trazer à ordem mais perfeita das coisas que prevaleceu nos dias de Enoque, e todo homem que vier a entrar no reino celestial de Deus terá de aprender a lição, de viver não só sob o aio, mas, por fim, chegar à Ordem Unida, ou Ordem de Enoque, na qual haverá comunhão de interesses, e ainda assim responsabilidade e oportunidade individuais, mas uma combinação tal que eliminará o ciúme, o ódio e a inveja do coração dos homens. ¶
Esta Igreja está cem anos mais próxima da solução desse problema do que qualquer outra comunidade no mundo, e os Santos dos Últimos Dias deveriam se reunir em torno da lei do dízimo e estar preparados a tempo para demonstrar diante do mundo a verdadeira e genuína solução desta questão. ¶
UM PADRÃO PARA O APERFEIÇOAMENTO DA VIDA DOS HOMENS ¶
O mesmo se aplica à Palavra de Sabedoria, que trata do aperfeiçoamento da vida dos homens ao viverem de acordo com um padrão do Evangelho. Ora, pode ser verdade que não mantenhamos a lei da proibição que foi promulgada na Constituição, mas espero que ela seja preservada. Se a abandonarmos, veremos tempos piores do que os que estamos vendo hoje. Creio que, se esta nação pudesse perseverar sob a lei da proibição por vinte e cinco anos, criaríamos uma geração de homens e mulheres que facilmente subscreveriam essa lei, e esse problema estaria resolvido. Mas se esta nação não for capaz de fazer isso, e voltar às condições antigas, o que será de nós? ¶
O Senhor deu a esta Igreja um plano que há de prosperar quando todos os esquemas dos homens falharem. Reconheço que não se pode legislar para que os homens vivam retamente. Isso deve vir do coração. Nosso plano contempla a conversão do coração dos homens à obediência ao plano do Senhor, e à estrita observância daquela revelação que nos impõe a obrigação não apenas de nos abstermos do uso de bebidas alcoólicas, mas também de chá, café e tabaco, que são prejudiciais ao ser físico. ¶
O Senhor conhecia as necessidades desta era acelerada, que precisamos do poder que vem de observar a Palavra de Sabedoria, se quisermos suportar sob estas condições árduas que nos cercam. Agora é a oportunidade de os Santos dos Últimos Dias se reunirem em torno desse padrão, e demonstrarem, ainda que o mundo venha a falhar, por meio de sua legislação, em corrigir este mal, que nós o corrigiremos pela conversão dos homens, e demonstrarmos ao mundo o caminho a seguir na solução desse problema. ¶
PARA O ESTABELECIMENTO DA PAZ ¶
O mesmo se aplica a todos os outros problemas. Neste Evangelho está o plano e o caminho pelo qual a paz pode vir, e a guerra ser abolida. Se cada pessoa no mundo tivesse hoje no coração o espírito que está no coração destes Santos dos Últimos Dias, vocês não precisariam de uma Liga das Nações, não precisariam de um tribunal para limitar armamentos. Estaria resolvido, porque no coração destes Santos dos Últimos Dias entrou o poder de Deus, o dom e o poder do Espírito Santo, que tira do coração a inveja, a malícia e o ódio, e coloca ali o amor pelos homens. Vocês não poderiam imaginar uma estaca de Sião entrando em guerra com outra. Não. Embora venham dos confins da terra, os homens de todas as nações vivem aqui em paz e em amor. Se esse espírito pudesse ser estendido até os confins da terra, nossos problemas estariam resolvidos. ¶
Agora é a oportunidade de os Santos dos Últimos Dias se levantarem e brilharem. ¶
Ao entrarmos neste segundo grande período da história da Igreja, uma oportunidade se apresenta a nós, já que temos o palco, e já que o povo do mundo está disposto a escutar e a dar crédito. Agora é o momento de nos reunirmos em torno de nossos estandartes e demonstrarmos o poder que há no Evangelho de Jesus Cristo. ¶
Que Deus nos ajude a ver nossa oportunidade e abraçá-la, e a levar adiante gloriosamente os propósitos do Senhor, até que sua obra seja consumada e se torne a glória da terra, eu rogo, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶