O Seis de Abril e um Século de Orientação Divina
Charles W. Nibley
PRESIDENTE CHARLES W. NIBLEY ¶
Ao contemplar esta vasta congregação, composta em grande parte pelo sacerdócio da Igreja — esta a maior de todas as reuniões — minha alma se enche de humildade e sinto minha própria fraqueza, minha própria incapacidade. Ainda assim, tenho verdadeiro orgulho de ser contado entre vós, membro da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Considero uma honra especial poder auxiliar, em pequena medida, no avanço desta grande obra. ¶
O SEIS DE ABRIL ¶
Gostaria de chamar a vossa atenção (creio que o Irmão Wood o mencionou em sua oração) para este belo dia de sábado, este seis de abril de mil novecentos e trinta. Onde iríeis, em todo o mundo, para encontrar um dia mais perfeito do que este? O Senhor, por sua providência soberana, no-lo deu, e a ele sejam dadas todas as graças, honra e louvor. ¶
Um dia maravilhoso, o seis de abril! Muitas coisas notáveis aconteceram nele. A organização da Igreja, para começar, é uma grande e notável ocorrência. O Profeta Joseph relata, em sua própria narrativa, que foi no início da primavera de 1820, há cento e dez anos, que ele foi ao bosque para orar. Gosto de pensar que isso também tenha sido no dia seis de abril. Não temos conhecimento certo disso, mas creio-o em meu coração e em minha alma. E, embora não tenha garantia de revelação para afirmá-lo, creio de todo o coração e de toda a alma que o dia seis de abril foi o dia do nascimento do Senhor Jesus Cristo, nosso Salvador e Redentor. É certo que o Novo Testamento nos diz que os pastores cuidavam de seus rebanhos nas colinas da Judeia quando a glória do Senhor caiu sobre eles. É mais provável que isso tenha sido na primavera do ano do que no vigésimo quinto dia de dezembro, celebrado como o dia do nascimento do Salvador; contudo, continuamos a celebrar aquele dia, e está tudo bem em fazê-lo, uma vez que é o dia geralmente aceito pelo mundo. Mas repito que é minha opinião pessoal, firmemente fixada em minha mente, que o seis de abril é o dia do nascimento do Salvador do mundo. Gosto ainda de crer que a ressurreição do Redentor, que marcou seu triunfo sobre a morte e a sepultura, também ocorreu no dia seis de abril, embora eu não tenha prova certa disso. ¶
Outro acontecimento notável ocorrido neste dia faz parte da história deste glorioso país nosso — os Estados Unidos da América. O Senhor diz, nas revelações dadas por meio do Profeta Joseph Smith, que ele levantou homens sábios com o propósito exato de elaborar a Constituição, que garante a liberdade a todos. Ela nasceu no dia seis de abril. Já havia sido adotada anteriormente pela Convenção Constitucional e submetida aos diversos Estados para ratificação. Embora se pretendesse que todas as respostas chegassem até o dia quatro de março, foi apenas no dia seis de abril que os votos eleitorais dos diferentes Estados foram contados pelo Senado e pela Câmara, então reunidos em sessão. E no dia seis de abril George Washington foi declarado Presidente dos Estados Unidos. Assim, a nação teve seu verdadeiro nascimento naquele momento. ¶
Outra coisa que aconteceu no dia seis de abril: nossa nação, em 1917, declarou guerra à Alemanha e, de todo o coração e de toda a alma, entrou naquela guerra. Para quê? Para lutar pela liberdade, para lutar contra o princípio da força, que é o princípio de Satanás, princípio esse defendido onde quer que Satanás reine. Esta nação, em pouco tempo, com dois milhões de homens no exterior e mais dois milhões sob armas em treinamento, ajudou a resolver a questão; e assim a vitória foi alcançada pela ação de nosso governo, governo que sempre se manteve firme pela liberdade e pela bênção da humanidade. ¶
Repito que é minha opinião pessoal — não temos revelação a respeito — que o Profeta Joseph Smith recebeu sua primeira manifestação no dia seis de abril. Foi a maior visão já concedida a homem mortal; pois tanto o Pai quanto o Filho se manifestaram claramente diante de seus olhos e lhe falaram. Creio que isso tenha sido no dia seis de abril, e creio, embora não tenha garantia de revelação para tanto, que o seis de abril é o dia do nascimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. ¶
A REALIZAÇÃO MAIS EXTRAORDINÁRIA ¶
Agora, olhando para trás, sobre os cem anos que passaram, procurei pensar qual é a obra mais extraordinária que foi realizada. Naturalmente, nós, como Santos dos Últimos Dias, sabemos que a força espiritual, o poder do sacerdócio que acompanha esta obra e está nesta obra, é maior do que a temporal. Mas os homens que não foram tocados pelo poder do Espírito Santo não podem ver o reino de Deus. Como Nicodemos, não conseguem compreendê-lo. Não se valeram dos meios de nele entrar. Mas as coisas temporais eles podem ver e compreender; e, ao meu ver, a grande e extraordinária, benfazeja e esplêndida obra que foi realizada por esta Igreja nos últimos cem anos foi o recolhimento dos pobres — não dos ricos, pois quase não tivemos ricos entre nós. Um em cada cem talvez fosse abastado quando foi recolhido, mas diria que não mais do que isso. Aos pobres foi pregado o Evangelho, e os pobres foram recolhidos a Sião. Recolhidos primeiro a Kirtland, em Ohio; recolhidos ao Missouri; depois expulsos do Missouri, após o que o local de recolhimento passou a ser Nauvoo, em Illinois, de 1839 até 1845 e 1846. O recolhimento vindo dos Estados desta União e de países próximos, para os lugares que mencionei, ocupou de catorze a dezesseis anos. O restante dos cem anos que passaram, e que estamos comemorando, foi passado pelos santos aqui, nos vales das montanhas. E esse recolhimento continuou durante todo aquele período, até os dias de hoje. ¶
Como isso foi realizado? Foi realizado pela Igreja, pelo poder desta Igreja, pela influência desta Igreja, pelo povo desta Igreja — os pobres ajudando os pobres a chegar a esta terra de Sião, consagrada e dedicada como o local de recolhimento. Pois não disse Isaías que, nos últimos dias, o monte da casa do Senhor seria estabelecido no cume dos montes, e que todas as nações fluiriam a ele? Esta tem sido, verdadeiramente, uma obra maravilhosa. ¶
O FUNDO PERPÉTUO DE EMIGRAÇÃO ¶
Nos primeiros dias de nosso estabelecimento aqui, foi criado o Fundo Perpétuo de Emigração, e muitos foram ajudados a vir por meio desse fundo. E permitam-me dizer, de passagem, que as viúvas e os órfãos não foram esquecidos. O Presidente Brigham Young disse que dedicaríamos nossas vidas para assegurar que todo santo pobre e fiel — viúvas, órfãos e todos — fosse recolhido a Sião. Essa obra continuou até que dezenas de milhares, e suas gerações seguintes, somando agora centenas de milhares, foram auxiliados e ajudados. ¶
Interessaria a vós, se fôsseis examinar os livros do Fundo Perpétuo de Emigração, ver alguns dos nomes das famílias que foram beneficiárias daquele Fundo — bastante distintas, talvez, agora, mas muito pobres então — tão pobres que precisaram ser ajudadas por aquele Fundo, e que agora, contudo, estão entre as mais ricas de nosso povo. Alguns de seus filhos, infelizmente, esqueceram. É uma coisa ruim esquecer. É uma coisa boa lembrar o que o Senhor tem feito por nós. E o Senhor realizou aquela obra, e esta é a Sião do Senhor à qual eles vieram. ¶
EDIFICAR SIÃO ¶
Recordo-me, lá pelos idos de 1869, quando fui em minha primeira missão, que nos reunimos no antigo Salão dos Setenta. O Presidente Young nos instruiu com estas palavras: "Ora, quando vós, élderes, saírdes pelo mundo e virdes as condições de lá, e pensardes nas boas coisas que temos aqui em casa, podeis vir a elogiar demais nosso país. Não o façais. Isto é o que gostaria que prometêsseis ao povo que se reúne a Sião: muito trabalho árduo e perseguição." ¶
Assim, não havia nenhum atrativo ou incentivo para virem em busca de melhores circunstâncias, mas apenas para edificar Sião. E isso tem sido Sião durante todo esse tempo. Isaías disse a respeito dela: ¶
"Porque o Senhor consolará Sião; consolará todos os seus lugares desertos, e fará o seu deserto como o Éden, e a sua solidão, como o jardim do Senhor; regozijo e alegria se acharão nela, ação de graças, e voz de melodia." ¶
O Senhor haveria de fazer isso. A quem? A Sião. Conheceis algum outro povo, sobre a face da terra, chamado Sião? Conheceis algo mais belo do que este versículo de Isaías? Vou tomar a liberdade de lê-lo novamente: ¶
"Porque o Senhor consolará Sião; consolará todos os seus lugares desertos." ¶
SEUS LUGARES DESERTOS CONSOLADOS ¶
Havia lugares desertos aqui quando nossos pioneiros chegaram? Havia aqui algo além de deserto, ermo e solidão? Não havia caminhos. Ide a outros países onde há alimento para a caça selvagem e encontrareis trilhas — ao menos para as lebres. Encontrareis uma trilha para os veados, encontrareis pegadas. Não havia nada disso aqui. Pois era tanto ermo, tanta solidão e deserto, e tão árido, que quase não havia caça, exceto lá no fundo das montanhas. Era, de fato, um ermo sem trilhas, uma solidão. Não havia ruas, não havia caminhos, não havia trilhas, não havia nada — apenas um deserto. Contudo, o profeta do Senhor, poucos dias depois de aqui chegar, fincando seu bastão exatamente neste quarteirão, profetizou: "Aqui edificaremos o templo do Senhor." ¶
"Porque o Senhor consolará Sião; consolará todos os seus lugares desertos, e fará o seu deserto como o Éden, e a sua solidão, como o jardim do Senhor; regozijo e alegria se acharão nela, ação de graças, e voz de melodia." ¶
A voz de melodia está aqui hoje? Há algum lugar no mundo onde haja cantores mais doces, e em maior número em proporção à população, do que bem aqui? Há, em algum outro lugar do mundo, mais ação de graças e voz de melodia, segundo os números, do que aqui, nesta terra? Esta é Sião. O Senhor consolará Sião e todos os seus lugares desertos, e fará o seu deserto como o Éden e a sua solidão como o jardim do Senhor. ¶
Outro versículo do mesmo Isaías, a respeito da mesma Sião: ¶
"Assim, retornarão os resgatados do Senhor, e virão a Sião com júbilo, e perpétua alegria haverá sobre a sua cabeça; regozijo e alegria alcançarão, a tristeza e o gemido fugirão." ¶
Esta é a palavra do Senhor a respeito de Sião. Esta é a Sião de nosso Senhor. ¶
O SENHOR O FEZ ¶
O tempo não me permitirá falar mais a respeito desta grande e extraordinária obra maravilhosa que o Senhor realizou com Sião — o recolhimento dos santos de todas as partes da terra. Ele o realizou. Ele o dirigiu soberanamente. Foi ele que nos fez, e não nós mesmos. Não vos esqueçais disso. Os sacrifícios que nossos pais fizeram foram verdadeiramente maravilhosos. O Senhor esteve com eles. Meu coração se entristece quando penso em meus próprios pais, na pobreza e no sacrifício que tiveram de suportar de tantas maneiras diferentes; e regozijo-me no fato de que não fracassaram nem vacilaram, mas permaneceram firmes durante tudo aquilo. Deram suas vidas por mim, para que o caminho me fosse mais fácil, e sou mais abençoado ao viver e procurar viver de modo a contribuir para essa grande obra. Todo o louvor seja dado ao Senhor por sua bondade, misericórdia e bênçãos. ¶
BÊNÇÃOS PELA OBEDIÊNCIA E PELO SACRIFÍCIO ¶
Louvo o Senhor pela companhia de meus irmãos, pelo privilégio de estar com os santos, pela alegria que tenho em trabalhar por esta grande causa. Sei que é a obra de Deus. Sei que Joseph Smith foi um profeta de Deus. Sei que este povo será abençoado muito mais do que jamais foi abençoado, muito mais do que poderia esperar ser abençoado, se apenas, como nosso Presidente disse, guardarmos os mandamentos do Senhor, pagarmos nossos dízimos e sacrificarmos algo pelo reino de Deus. É o sacrifício que traz as bênçãos do céu, digo-vos, e o homem ou a mulher que não estiver disposto a fazer algum sacrifício não pode reivindicar as bênçãos. ¶
Que o Senhor nos ajude a edificar seu reino, a glorificar seu santo nome, e a lembrar que, nestes grandiosos cem anos passados, que obra maravilhosa de recolhimento a Sião foi realizada. Uma obra de construção tão benfazeja e abençoada, a maior contribuição para dezenas de milhares de pobres que foram tão profundamente abençoados por ela, deve ser reconhecida por todos os homens, e admitida como uma boa obra. Amém. ¶