Do Primeiro Conselho dos Setenta
J. Golden Kimball
do Primeiro Conselho dos Setenta ¶
Estou muito contente e feliz por termos, como povo, passado em segurança por mais um período de seis meses. ¶
Desejo dizer-lhes que minha vida está se cristalizando em umas poucas coisas que são importantes para mim. A grande esperança que tenho é ser salvo no reino de Deus. Tenho um grande desejo de ser verdadeiro, fiel e devotado em meu trabalho; de ser honesto, franco e direto com o povo. Não conheço outro caminho. Não vejo outra perspectiva, e não tenho outro desejo senão apoiar o sacerdócio de Deus, sustentar aqueles que apoiamos como profetas, videntes e reveladores na Igreja de Cristo. Se não há segurança nisso, não há segurança para o povo dos Santos dos Últimos Dias. ¶
Nunca, em todas as minhas viagens e ensinamentos entre o povo, me disseram o que dizer. Percebo a importância desta ocasião. Compreendo o que o tempo significa. Na conferência de seis meses atrás, tive a sorte de ser chamado a falar, e ocupei três minutos. Para minha surpresa, fui elogiado por onde quer que fui. As pessoas dizem que foi o melhor sermão que já preguei. Naturalmente, se eu acreditasse no que me disseram, encerraria agora; mas tenho o que penso ser uma mensagem, ou ao menos desejo chamar sua atenção para certo assunto que se passou comigo este ano. ¶
Por volta do dia catorze ou quinze de agosto, o Dr. George W. Middleton, junto com o élder Levi Edgar Young e o filho do doutor (eu era um convidado), foi de automóvel até Casper, Wyoming, a 515 milhas de distância de Salt Lake City. O propósito da reunião a que ali comparecemos foi homenagear os pioneiros. Ela foi realizada sob os auspícios da Associação Memorial da Trilha do Oregon. Os dirigentes dessa Associação Memorial são os seguintes: Presidente, Howard R. Driggs; Vice-Presidente, David G. Wylie; Secretária, Ellen Eaton; Tesoureiro, Guthrie Y. Barber. Há também quinze diretores. O Dr. Middleton foi designado para cuidar dos marcos em Utah. ¶
Passo agora a ler as últimas palavras do Sr. Meeker: ¶
" 'Não estou de todo pronto para partir; meu trabalho está inacabado' — foram ao mesmo tempo uma bênção e um pedido à Associação Memorial. Elas refletem o espírito íntimo da fundação da Associação Memorial da Trilha do Oregon. Ao mesmo tempo, depositam sagradamente sobre nós a grande causa pela qual ele deu sua última e plena medida de devoção." ¶
Não é meu propósito discorrer longamente sobre este assunto da Trilha do Oregon. Nunca antes, estranhamente (e nasci pouco depois de o povo chegar a este vale), senti o espírito de tudo o que isso significou. Nunca compreendi, nunca entendi plenamente, o que tudo isso significou para nossos pais e mães, os pioneiros. Mas confesso a vocês que tenho tido esse sentimento ardendo em meu peito, esse desejo de honrar aqueles grandes homens e grandes mulheres que tornaram possível, nestes dias, que desfrutemos de todas as comodidades da vida. ¶
Cito o Professor Driggs: ¶
"Somos levados um pouco mais para perto da trágica causa de tudo isso quando percebemos que perto de vinte mil pessoas perderam a vida no esforço de alcançar o Oeste Dourado. Não tinham meios de marcar os túmulos dos mortos naquelas extensões de pradaria. Apenas um túmulo, entre todos os vinte mil, até onde sabemos, está certamente marcado. Refiro-me aqui ao túmulo da mãe pioneira perto de Scott's Bluff, Nebraska. Quando Rebecca Winters faleceu, um dos membros da caravana teve a previdência de apanhar um velho aro de roda de carroça que jazia ao longo da trilha. Curvando-o num oval, colocou o aro sobre o túmulo. No alto do aro foi cinzelado o nome e a idade da mãe. Uma equipe de agrimensores, traçando o percurso da ferrovia ao longo do North Platte, por mero acaso passou sua linha exatamente sobre o túmulo da mãe. Então os agrimensores, com uma simpatia comovente de se pensar, voltaram atrás vinte milhas e alteraram a linha de levantamento, para que não passasse sobre o túmulo da mãe." ¶
Esse é o propósito desta organização, e eles planejam, no ano de 1930, uma grande reunião em Independence Rock. Desejam fazer daquele lugar um marco nacional nos Estados Unidos. É uma grande rocha árida. Já li a respeito dela muitas vezes, mas nunca a vi antes. Esses marcos chamarão a atenção do povo para o que foi realizado por esses pioneiros, algo sobre o qual muita gente sabe muito pouco. Desejo ser um entre aqueles que honram tais homens e mulheres. ¶
Em Casper, realizamos uma reunião na noite de sexta-feira. Creio que havia reunidas cerca de duzentas pessoas, que estavam entre as melhores e mais escolhidas daquela comunidade. O Professor Driggs, o élder Levi Edgar Young e o Dr. Middleton discursaram. As pessoas eram amistosas, corteses, e demonstravam simpatia tanto pelo povo pioneiro mórmon quanto pela Associação Memorial da Trilha do Oregon. ¶
Há uma história — é bela — e gosto de me esforçar para contá-la. A história do Oeste soa como contos das Mil e Uma Noites; mas, até onde sei, apenas partes dela já foram contadas. ¶
O Dr. Driggs pergunta: "Aguentará a urdidura? Aguentará, desde que possamos manter vivas, nos corações dos meninos e meninas americanos, as sagradas histórias dos construtores pioneiros desta nação." ¶
Coincidentemente com o movimento dos pioneiros mórmons, seu profeta profetizou que iriam para as Montanhas Rochosas, e, de certa forma, foram forçados a ir para o oeste. Não partiram em busca de conquista, nem com intenção de pilhagem, mas para adorar a Deus, edificar cidades, realizar grandes feitos e construir para uma felicidade maior. ¶
Não fosse por grandes líderes espirituais, esta selvagem terra árida jamais poderia ter sido povoada em tão pouco tempo, e não teria ganhado tanto ímpeto se não fosse pela imigração. Parece que esse povo se lançou quase cegamente naquilo que pareceria, ao homem natural, impossível, mas, sob a liderança de homens inspirados, realizaram o inacreditável. ¶
Não devemos esquecer de lembrar às próximas gerações a gloriosa força de fé, esperança, coragem e amor a Deus que possuíam. ¶
Procurem lembrar-se de que o pioneiro, seja qual for sua origem, está desaparecendo rapidamente. Muitas vezes é uma figura trágica. A história o está deixando para trás. Poucos de nós somos tão dotados a ponto de sermos capazes de atrair e conversar inteligentemente com nossos próprios filhos. Um pai precisa ser um gênio para contar dos dias de sua força, dos dias de seu sofrimento, suas tristezas e derrotas, e ainda assim deixar claro como conquistaram gloriosas vitórias. ¶
A próxima geração não pode sentir, nem pode compreender, perceber ou apreciar o que tudo isso significa, cercada como está de comodidade, conforto e luxo. Eles são desatentos, e deveria ficar gravado em suas almas e memórias respeitar o carinhoso pioneiro, cambaleante de velhice, e lembrar que suas mentes guardam a mais rica experiência e tradição histórica. ¶
Não temos meio de testar e provar a próxima geração por meio de provações, sacrifícios e sofrimentos; tampouco podemos impor-lhes essas verdades históricas, e argumentar pareceria infrutífero. Diz-se: "As pessoas moldam suas vidas em grande parte da maneira como hoje estamos vivendo." ¶
Tenho pensado bastante em nossos pais e mães e em seu grande objetivo, e tenho me perguntado o que era aquilo que o povo dos Santos dos Últimos Dias possuía — o desejo, a ambição, a fé e a esperança — que os capacitou a sacrificar-se, sofrer e morrer pelo evangelho de Jesus Cristo. Sou levado a compreender qual era o seu grande objetivo. Algo novo havia acontecido. Deus, o Pai, e Jesus Cristo, o Filho, haviam aparecido àquele jovem, Joseph; e também o evangelho eterno, um conhecimento da verdade tal como está em Jesus Cristo, e o poder de Deus para a salvação, haviam sido revelados. A restauração do evangelho, a restauração do sacerdócio, com todas as suas chaves, poderes e autoridades, foram conferidas a esses homens; também a eternidade do convênio do matrimônio, incluindo a pluralidade de esposas. ¶
O surgimento do Livro de Mórmon, a redenção de Sião, a edificação da Cidade de Jerusalém e o ajuntamento das Dez Tribos — esses eram os grandes objetivos colocados diante de nossos pais e mães. ¶
Frequentemente penso em minha mãe, e, embora fosse uma mulher muito prática, uma mulher que vivia pela fé, uma mulher que havia sofrido e se sacrificado, uma mulher que havia deixado todo o seu povo e era a única, entre os que conhecemos, a jamais ter se convertido dentre sua família imediata, ainda assim minha mãe tinha aquela grande visão da glória celestial, de se tornar uma rainha. E ela certamente é uma rainha, porque, quando visitei o seu povo, trouxe-lhe mais de cem nomes de seus antepassados, e fomos ao templo em Logan e realizamos a obra por aquela nossa boa mãe. ¶
Esse era o sonho, essa era a grande visão que tinham do futuro; e foi por isso que foram sustentados em seu sofrimento, em seus sacrifícios, em suas tribulações e em suas tragédias. ¶
Meus caros irmãos e irmãs, qual é o objetivo de vocês? Essa pergunta já me foi feita mais de uma vez. Nosso objetivo é cumprir a vontade de Deus e, pela direção de seus servos, os profetas, cumprir toda profecia e toda revelação que encontramos escritas na Doutrina e Convênios; pois certamente Deus não abandonará seu povo, se este se arrepender de seus pecados. É desnecessário que eu diga mais. ¶
Na semana passada, mais ou menos, li o Livro de Mórmon do princípio ao fim, e fiquei surpreso com o quão profundamente me interessei pelo povo que habitou este continente. Descobri que, sempre que serviam a Deus e guardavam seus mandamentos, prosperavam na terra; e sempre que falhavam (e espero que jamais falhemos), vinha então sua destruição, até que aquele povo se tornou extinto. ¶
Rogo a Deus que os abençoe. Rogo a Deus que esteja com cada um de nós e com todos nós, pois não creio que um homem possa permanecer fiel nesta Igreja, devotado e verdadeiro a seus convênios, se deixar de guardar os mandamentos e não tiver um testemunho de que Jesus é o Cristo. Para esse fim, rogo que as bênçãos do Senhor repousem sobre nós, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶