Sou grato a meu Pai Celestial nesta...
George Albert Smith
Sou grato a meu Pai Celestial nesta manhã por ter permissão de adorar com vocês, como tenho feito durante as sessões anteriores desta conferência. É algo maravilhoso viver numa terra como esta em que habitamos e desfrutamos das bênçãos da liberdade, ter permissão de adorar a Deus segundo os ditames de nossa consciência, e sentir que concedemos a todo ser humano vivente o mesmo privilégio que desejamos para nós mesmos. ¶
ASCENDÊNCIA DIVINA ¶
Quando nosso Senhor preparou esta terra para que fosse a morada de seus filhos, ele planejou que aqueles que viessem a habitá-la o conhecessem como seu Pai, tendo sido criados à sua imagem, tanto homem como mulher. Ele deu àqueles espíritos que havia criado a oportunidade de ter tabernáculos físicos, para que pudessem desfrutar das bênçãos da terra que havia preparado para eles. ¶
Parece realmente estranho que tantas pessoas duvidem de nossa ascendência divina, e de que Deus é o Pai de nosso espírito; contudo, desde o princípio, desde o período mais remoto de que temos qualquer registro neste mundo, ele tem ensinado esse fato a homens e mulheres. ¶
O PROPÓSITO DE NOSSA EXISTÊNCIA ¶
Penso, nesta manhã, na condição que confronta a humanidade, em quantos há que não sabem por que vivemos nesta terra, e em quão poucos, comparativamente, realmente compreendem o propósito da vinda de nosso Senhor e Mestre, Jesus Cristo; e, no entanto, nesta grande terra da América, nestes últimos dias ele restaurou esse conhecimento, e felizmente centenas de milhares de homens e mulheres tiveram permissão de recebê-lo. Quando Deus criou a terra e colocou nela nossos primeiros pais, ele não os deixou sem conhecimento a respeito de si mesmo. É verdade que lhes foi tirada a lembrança de sua vida pré-existente, mas, em sua terna misericórdia, ele falou com eles e, mais tarde, enviou seus servos escolhidos para instruí-los nas coisas pertinentes à vida eterna. A história tem se repetido muitas vezes. A recusa em obedecer aos conselhos do Senhor tem sido seguida de destruição, e temo que, a menos que a humanidade o reconheça como o Deus desta terra, o desastre possa vir novamente sobre as nações. ¶
UMA ÉPOCA ABENÇOADA ¶
Vivemos numa época maravilhosa. Nenhum povo que já habitou a terra desfrutou de tantas comodidades e bênçãos da vida. Nenhum povo teve oportunidades como as que são oferecidas aos filhos dos homens na época em que vivemos; e, por mais notável que pareça, se analisarem as condições existentes, verão que toda bênção que nos tem vindo tem sido uma que está de acordo com os ideais do evangelho de Jesus Cristo. Não precisamos sair da Igreja em busca de verdadeiras bênçãos; não precisamos nos afastar dos ensinamentos de nossos antepassados para desfrutar do que há de mais precioso na vida; mas, pelo contrário, aqueles que creem mais firmemente em Deus, que conhecem a missão divina de Jesus Cristo e participam dos dons que vêm como resultado de seus ensinamentos, são as pessoas mais felizes que se pode encontrar na terra. Temo, porém, que a prosperidade que nos acompanha tenha a tendência de desviar nossa atenção das coisas mais importantes da vida. Temo que os pecados dos homens os cegem para as bênçãos do Doador de todo bem; espero e oro com vocês para que esta grande e maravilhosa nação da qual fazemos parte não sucumba aos males que afligem a humanidade e não abandone a generosa oferta de nosso Pai Celestial, de paz, fartura e felicidade, enquanto habitarmos aqui na terra. ¶
A EXPERIÊNCIA DE CIVILIZAÇÕES ANTIGAS ¶
Não tenho dúvida de que, nos dias de Noé, havia muitas pessoas que tiveram oportunidades de conhecer a verdade. Não tenho dúvida de que, em seus dias, ele foi muito diligente em tentar ensinar ao povo o propósito de seu ser. Ele sabia por que estavam ali. Sabia que era necessário ter fé em Deus. Sabia que tudo o que desfrutamos vem de um Pai Celestial generoso, e durante cento e vinte anos ele viajou de um lado para outro naquela região do mundo e proclamou a verdade, até que, finalmente, a iniquidade do mundo se tornou tão grande que nosso Pai Celestial orientou seu fiel servo a se preparar para salvar a si mesmo e a sua casa. Então um grande dilúvio varreu a terra, e aqueles que haviam sido criados à imagem de Deus, que haviam sido alheios às bênçãos que ele lhes oferecia tão generosamente, foram afogados, a fim de que uma nova raça pudesse vir sobre a terra, com oportunidade de aprender seus caminhos para que pudessem andar em suas veredas. ¶
Vocês se lembram da experiência das cidades de Sodoma e Gomorra. Os servos do Senhor estavam ali, ansiosos por ensinar o caminho de nosso Pai Celestial, mas as filosofias dos homens os desviaram da sabedoria do Deus vivo, e, por fim, fogo desceu do céu e destruiu aquelas comunidades, não porque estivessem servindo ao Deus desta terra, mas porque estavam servindo a Baal e a outros deuses falsos. ¶
Consideremos a América e pensemos em como nosso Pai Celestial, em sua misericórdia, orientou os jareditas na época da confusão das línguas, na torre de Babel, e os trouxe a esta grande terra ocidental, dando-lhes mestres segundo o seu próprio coração. Não se passaram muitas gerações depois que ali chegaram até que se tornaram alheios à verdade. Buscaram as coisas que satisfaziam suas paixões e atraíam seus apetites, e o resultado foi que, como nação, foram exterminados. Depois vieram os descendentes de Lehi, aqueles que vieram de Jerusalém seiscentos anos antes do nascimento de Cristo. Vieram para a América e começaram a colonizá-la. Então surgiram entre eles aqueles que não desejavam servir ao Senhor. Os que haviam sido fiéis, por fim, sucumbiram aos males da humanidade: desonestidade, imoralidade, intemperança e todas aquelas coisas que têm a tendência de destruir a civilização, resultando na completa destruição dos descendentes de Néfi. ¶
Por quê? Porque não quiseram servir a nosso Pai Celestial, de quem eram filhos. ¶
Analisem as condições do índio americano. Ele veio de um povo instruído, um povo que havia desfrutado das bênçãos da civilização, um povo que havia sido ensinado pelos profetas do Deus vivo; contudo, por causa da indiferença e do descuido, por causa de sua obstinação e egoísmo, eles também perderam o poder de raciocinar e pensar corretamente, e por fim se tornaram o selvagem obscuro, iletrado e sem instrução que foi encontrado aqui quando os homens brancos vieram de uma terra estrangeira para aqui se estabelecerem. Esse povo recusou as bênçãos do Deus vivo e perdeu seu direito de primogenitura, assim como muitas outras raças. Cada uma dessas nações caiu do elevado estado a que Deus lhe havia permitido chegar, perdeu sua herança porque o povo não estava disposto a se humilhar e reconhecer que nosso Pai Celestial era o Deus desta terra. ¶
UMA TERRA DE LIBERDADE ¶
Pensem nas bênçãos que vieram à América. Como Colombo foi inspirado a sair pelas grandes águas e encontrar seu caminho até esta terra ocidental. Depois os colonizadores de Jamestown, os pais peregrinos, e todos aqueles primeiros pioneiros que vieram para a América porque desejavam servir a Deus segundo os ditames de sua consciência. O Senhor os abençoou e, por fim, levantou uma nação que é a maravilha e a admiração da terra. Aqueles homens que redigiram a Constituição dos Estados Unidos não foram apenas sábios nas coisas deste mundo, mas foram inspirados por nosso Pai Celestial, que os levantou justamente para esse propósito. Este maravilhoso governo de que desfrutamos nesta favorecida terra de liberdade foi dado ao homem para que fosse uma bênção para ele. Aqui, homens e mulheres têm permissão de adorar a Deus segundo os ditames de sua consciência. Nosso Pai Celestial não coagirá nem obrigará a humanidade, mas, em bondade amorosa, tem-lhes dado, desde a época em que o mundo foi primeiramente povoado até agora, a oportunidade de conhecer a verdade. ¶
O EVANGELHO: O QUE É ¶
Que evangelho é este a que nos referimos? É o único poder de Deus para a salvação; é o único plano que permitirá ao homem voltar à presença de seu Criador e desfrutar do reino celestial. É o único plano que trará paz e felicidade a todos os filhos dos homens, de toda raça e credo; e é o único plano que deveria dar aos homens o desejo de servi-lo e guardar seus mandamentos, para que sejam felizes e se regozijem na felicidade de seu próximo. Fé em Deus, arrependimento do pecado, batismo para a remissão dos pecados segundo o modelo pelo qual o Salvador foi batizado, imposição das mãos para o dom do Espírito Santo, a fim de que os homens recebam maior inspiração de nosso Pai Celestial que os capacite a seguir seus ensinamentos e a saber que ele vive — estes são os princípios fundamentais do evangelho de nosso Senhor. Não são difíceis de compreender, mas são fáceis, se apenas nos submetermos àquele sentimento que sempre nos vem quando, na humildade de nossa alma, reconhecemos o Criador de todas as coisas. Em nossos dias, A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias foi organizada, não segundo a sabedoria dos homens. Ao dizer isso, não tenho nenhuma falta de gentileza em meu coração para com todas essas grandes organizações religiosas do mundo. Os homens têm feito o melhor que podem para dar ao mundo um sistema de ética e um desejo de viver de modo que se possa desfrutar do melhor que há na vida, mas coube a Deus, o Pai Eterno, por meio de seu Filho Jesus Cristo, dar a esta terra, nestes últimos dias, o evangelho que outrora deu ao povo na Judeia, e dar-nos, em nossos dias, uma compreensão mais perfeita do propósito de nosso ser. Temos o privilégio de viver no esplendor deste glorioso século, em que nosso Pai Celestial organizou sua Igreja, nela colocou autoridade divina e exigiu daqueles que possuíam essa autoridade que administrassem, não com arrogância, não elevados em sua própria vaidade, mas que fossem de um lado para outro no mundo e, em humildade e amor, dissessem a seus filhos: "Nosso Pai deu novamente à terra o evangelho de nosso Senhor, e viemos partilhar com vocês esta misericórdia que nos dá tanta paz e tanta felicidade." ¶
O DEVER DOS PAIS ¶
Ao pensar nas condições existentes, na desordem que parece ter se tornado mais desenfreada em todo o mundo desde a guerra, lembro-me de alguns versos de Rudyard Kipling: ¶
"Senhor Deus dos Exércitos, esteja ainda conosco, para que não esqueçamos, para que não esqueçamos." ¶
E vocês, homens que estão sobre as torres de vigia de Sião, vocês, homens sobre quem foi conferida autoridade divina, eu lhes suplico que honrem essa autoridade. Temos uma maravilhosa organização eclesiástica, mas o único lugar onde podemos ter maior influência do que em qualquer outro é nos lares em que residimos. Temos nossas Escolas Dominicais, nossas Associações de Melhoramentos Mútuos, nossas Sociedades de Socorro, nossas Primárias, nossas escolas e seminários da Igreja. Todas essas instituições visam desenvolver o que há de melhor na humanidade, mas nós, como pais de filhos nesta Igreja, não temos o direito de colocar sobre essas organizações a responsabilidade de estabelecer a fé no coração dos filhos que Deus colocou em nossos lares. É dever de vocês e meu ensinar os filhos que vêm para nossos lares. É dever de vocês e meu exemplificar, na presença de nossas esposas e de nossos filhos, aqueles gloriosos princípios que nosso Pai Celestial nos deu para nos preparar para a vida eterna em seu reino celestial. E, se não o fizermos, então ficaremos sob condenação, e descobriremos, quando for tarde demais, que perdemos a grande bênção que nosso Pai nos ofereceu. Ele nos disse muito claramente, nestes últimos dias, que, para aqueles de nós que têm filhos em Sião ou em qualquer de suas estacas organizadas, se deixarmos de lhes ensinar fé em Deus, arrependimento, batismo e as coisas essenciais para sua salvação, o pecado recairá sobre nossas cabeças. Desejo enfatizar essa obrigação que recai sobre nós, que não podemos transferir a ninguém mais no mundo o dever de exemplificar em nossa vida e de ensinar esses meninos e meninas em nossos lares, para que, ao crescerem, se desenvolvam na disciplina e na admoestação de nosso Pai Celestial. ¶
O PERIGO QUE NOS CONFRONTA ¶
Vivemos numa época grande e maravilhosa. A glória deste século ultrapassa a de qualquer outro século; mas sinto que estamos em tão grande perigo quanto estavam aqueles que viveram nos dias de Noé, ou aqueles que viveram nos dias de Néfi, nesta grande terra ocidental. Estamos em tão grande perigo quanto qualquer nação que já existiu, porque Deus nos deu mais do que a qualquer outra nação, e se, em arrogância e orgulho, nos desviarmos do Pai de todos nós, e, em nosso descuido e indiferença para com as coisas sagradas, gastarmos nossa vida com as coisas deste mundo, não passará muito tempo até que a mão castigadora de um Pai todo sábio venha sobre nós como nação, e sejamos contados entre as nações do passado, entre aquelas que definharam. Rogo que sejamos dignos de nossa herança, que o exemplo dos membros desta Igreja em cada nação onde vivem seja tal que outros, observando suas boas obras, se sintam constrangidos a glorificar nosso Pai nos céus. Como rogo que nós, como servos do Senhor, tenhamos caridade para com a humanidade, tenhamos paciência com aqueles que erram, e, em bondade e amor, prossigamos ensinando os simples princípios do evangelho de nosso Senhor, para a bênção de cada alma com quem entrarmos em contato. ¶
Sei que Deus vive. Sei que Jesus é o Cristo. Sei que Joseph Smith foi levantado nestes últimos dias para trazer novamente o evangelho de nosso Senhor. Sei que a autoridade de nosso Pai Celestial está sobre a terra para a bênção da humanidade, não para tornar arrogantes os que recebem essa autoridade, mas para torná-los humildes; não para fazer com que os que receberam privilégios especiais se sintam maiores do que os outros, mas para nos tornar humildes na alma, orantes no coração e atenciosos para com todos os homens em tudo o que fazemos, e assim exemplificar, por meio de uma vida reta, aquilo que nosso Pai Celestial deseja que ensinemos. ¶
Sei que, se servirmos a Deus, se guardarmos seus mandamentos, se honrarmos o sacerdócio que nos foi conferido, se sustentarmos, com fé e devoção, aqueles a quem ele chamou para presidir sobre nós, quando chegar o tempo de partirmos, encontraremos nosso nome escrito no Livro da Vida do Cordeiro, e receberemos, das mãos do Mestre do céu e da terra, aquelas gloriosas boas-vindas ao lar: "Bem está, servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor." E disso dou testemunho em nome de Jesus Cristo, nosso Redentor. Amém. ¶