Desejo, meus irmãos e irmãs, ler
Melvin J. Ballard
Desejo, meus irmãos e irmãs, ler alguns versículos do capítulo 26 de II Néfi, começando no versículo 23, como segue: ¶
O EVANGELHO UNIVERSAL ¶
"Pois eis que, meus amados irmãos, eu vos digo que o Senhor Deus não trabalha em trevas. ¶
"Ele nada faz que não seja em benefício do mundo; porque ama o mundo a ponto de entregar sua própria vida para atrair a si todos os homens. Portanto, a ninguém ordena que não participe de sua salvação. ¶
"Eis que clama ele a alguém, dizendo: Afasta-te de mim? Eis que vos digo: Não; mas ele diz: Vinde a mim todos vós, extremos da Terra, comprai leite e mel sem dinheiro e sem preço. ¶
"Eis que mandou ele que alguém saísse das sinagogas, ou melhor, das casas de adoração? Eis que vos digo: Não. ¶
"Ordenou ele a alguém que não participasse de sua salvação? Eis que vos digo: Não; mas deu-a gratuitamente a todos os homens e ordenou a seu povo que persuadisse todos os homens a se arrependerem. ¶
"Eis que ordenou o Senhor a alguém que não participasse de sua bondade? Eis que vos digo: Não; mas todo homem tem tanto privilégio quanto qualquer outro e nenhum é excluído." ¶
Leio agora a partir do versículo 33: ¶
"Pois o Senhor faz o que é bom entre os filhos dos homens; e não faz coisa alguma que não seja clara para os filhos dos homens; e convida todos a virem a ele e a participarem de sua bondade; e não repudia quem quer que o procure, negro e branco, escravo e livre, homem e mulher; e lembra-se dos pagãos; e todos são iguais perante Deus, tanto judeus como gentios." ¶
UMA MELHOR COMPREENSÃO ¶
Foi meu privilégio, em associação com meus companheiros, os Irmãos Rulon S. Wells e Rey L. Pratt, chegar, durante o último ano, a uma melhor compreensão do sentimento do Senhor para com seus filhos e filhas, tal como expresso nesta escritura que acabo de ler-vos. Como ouvistes, fomos designados para ir como os primeiros missionários da Igreja à América do Sul. ¶
PRIMEIRA VISITA MISSIONÁRIA NA AMÉRICA DO SUL ¶
Contudo, vós que estudais nossa história vos lembrareis de que o Irmão Parley P. Pratt fez uma visita à costa oeste daquele país há cerca de setenta anos. Ali permaneceu por alguns meses, até que seus recursos se esgotaram, lutando com a língua espanhola. Ele não teve a sorte que tivemos nós, porque contamos com seu neto, o Irmão Rey L. Pratt, que é mestre na língua espanhola. Isso nos permitiu realizar uma obra que o Irmão Parley não pôde realizar. Também tenho certeza de que se operou, na América do Sul, nestes últimos setenta anos, uma mudança maravilhosa, que era necessária para preparar os corações do povo e dos governos para a vinda da mensagem do evangelho. Sabíamos, contudo, que não seria fácil, mas estávamos dispostos a ir até os confins da terra, a fazer qualquer sacrifício, para cumprir a grande obrigação que o Senhor colocou sobre sua Igreja, de trazer a todos os homens as boas novas de que ele falou novamente, e que estabeleceu sua Igreja na terra, para que toda carne, negra e branca, escrava e livre, judia e gentia, possa conhecer estas boas coisas que o Senhor fez. ¶
TRABALHO MISSIONÁRIO RECENTE NA AMÉRICA DO SUL ¶
Fizemos uma longa viagem até aquela terra do sul — e, a propósito, houve quem se perguntasse por que não fomos a São Francisco e navegamos dali para a América do Sul, mas se olhardes o mapa e traçardes uma linha reta ao sul, a partir da cidade de Nova York, vossa linha vos levará cerca de duzentas milhas a oeste de Valparaíso, na costa do Chile. Assim, praticamente toda a América do Sul fica a leste de Nova York. Zarpamos de Nova York no dia 14 de novembro, e, após seis dias e seis noites, alcançamos uma das ilhas das Índias Ocidentais. Sentimos que estávamos muito longe de casa. Poderíamos estar na Europa àquela altura. Depois navegamos nove dias e nove noites sem avistar terra, e então nos encontramos defronte ao extremo oriental da América do Sul, e a não muitas centenas de milhas a oeste das Ilhas Britânicas. Depois, mais três dias, e entramos no porto do Rio de Janeiro, na costa do Brasil. Depois, mais cinco dias, e chegamos a nosso destino, em Buenos Aires, a grande capital do sul, uma cidade de dois milhões duzentos e cinquenta mil habitantes. Disse a alguns dos irmãos que foi uma experiência estranha, ao deixarmos Nova York num vento frio de inverno, entrar no clima ameno do verão da América do Sul, onde o verão de lá é o inverno daqui; passar sob o equador e ver o sol mover-se para o norte, nascer no nordeste e pôr-se no noroeste, e a lua seguir do mesmo modo; e todas as estrelas que conhecíamos desaparecerem, e um novo céu e uma nova terra aparecerem à vista, pois era um tipo diferente de terra da nossa, vegetação diferente, clima, povo, e, para mim, uma língua diferente, até que me senti como alguém inteiramente removido do mundo que eu conhecia. Sou grato por termos contado com a ajuda do Irmão Pratt para falar espanhol; e com a ajuda do Irmão Wells para falar alemão, pois tínhamos duas famílias de pessoas de língua alemã em Buenos Aires que haviam se filiado à Igreja na Alemanha. Com a ajuda do Irmão Wells, conseguimos levar avante a obra entre o povo de língua alemã daquela região, e antes que o Irmão Wells precisasse retornar, foi nosso privilégio levar seis deles às águas do batismo, os primeiros conversos batizados na América do Sul. O retorno do Irmão Wells foi um grande pesar para nós, por causa de sua companhia e de seu conhecimento da língua alemã, mas sua doença era tal, e continuava a recorrer, que sentimos que sua vida estava em perigo. Ele era um homem extremamente doente, e, contudo, o Irmão Wells teria ficado feliz em permanecer ali e dar a vida. Foi uma grande decepção para nós vê-lo partir, mas era necessário, e ele se dispôs a atender à sugestão e a partir tão alegremente quanto ficaria. ¶
Então o Irmão Pratt e eu continuamos nosso trabalho com o povo alemão o melhor que pudemos, mas foi difícil. Eu tinha de dizer ao Irmão Pratt em inglês o que dizer-lhes, e ele o dizia em espanhol a uma moça alemã que sabia um pouco de espanhol. Ela o interpretava em alemão a nossos amigos, e a resposta voltava pelo mesmo caminho tortuoso. Mas conseguimos mantê-los e aumentar o interesse entre outros, até que nosso pequeno grupo crescesse. Quando o Irmão Stoof chegou até nós, sendo mestre na língua alemã, ele pôde assumir aquele trabalho e levá-lo adiante, de modo que hoje se encontra em condição muito próspera. Há vários outros que se interessaram. ¶
DIFICULDADES ENCONTRADAS ¶
O principal trabalho que o Irmão Pratt e eu empreendemos foi entre o povo de língua espanhola, e gostaria que soubésseis que o espanhol é a língua da América do Sul. Embora haja aqui e ali pequenos grupos de língua inglesa e pequenos grupos de língua alemã, praticamente todos falam espanhol. Assim, ali embaixo, sem o espanhol, alguém fica tão desamparado quanto ficaria nos Estados Unidos sem o inglês. Procuramos conseguir um salão, mas não havia salões como os que temos neste país. As condições são diferentes. Quando tentamos alugar alguns deles, não conseguimos, porque eram salões de recreação, e as principais atividades ocorriam na noite de domingo, e não queriam que um culto religioso os perturbasse. Assim, por dois meses, lutamos com esse problema. Tentamos alugar salas comerciais para transformá-las em salões, mas não tivemos êxito. ¶
Por fim, conseguimos um local e o alugamos por inteiro, uma loja com dependências para moradia, e começamos a convidar as pessoas para vir. Nesse ínterim, porém, havíamos ido até nossos amigos que moram nos subúrbios ou arredores da cidade. Esse não era o trabalho mais fácil de fazer, pois viajávamos duas horas de bonde e depois caminhávamos duas milhas, não em ruas pavimentadas, mas em vielas, por entre campos, na lama, na poeira, e em todo tipo de tempo, e, mesmo fazendo isso, tudo o que conseguíamos que viesse às nossas reuniões, por quase dois meses, eram crianças. ¶
UM MENINO PEQUENO OS GUIARÁ ¶
Não havia preconceito contra nós; de fato, a grande maioria do povo nem sequer sabia que existiam os Estados Unidos da América do Norte ou coisa alguma a esse respeito, muito menos sabiam algo sobre a Igreja "mórmon". A principal falta de interesse devia-se ao fato de não sermos católicos. Todo o país é católico, como sabeis. Ainda assim, dissemos: "Não abandonaremos nosso esforço para alcançar o povo." E aprendemos de novo que "um menino pequeno os guiará." Continuamos com aquelas crianças, ensinando-as a cantar, ensinando-as a orar, a repetir a oração do Senhor, as Regras de Fé e os Dez Mandamentos. Elas levavam essas orações e cânticos para seus lares, e então um dos pais aparecia, e outro, e outro, e finalmente organizamos uma reunião de grupo de adultos, e continuamos a ensinar as crianças. As crianças traziam seus pais — e isso se mostrou verdadeiro em vários lugares que se haviam aberto para nós. Então avançamos até os lares daqueles que se haviam interessado, e para nossa grande alegria vimos que a mesma resposta maravilhosa se manifestava nos corações do povo daquela terra como em qualquer outro lugar, e uma excelente mulher espanhola apresentou-se e manifestou sua absoluta convicção de que havíamos trazido a verdade. Ela resistiu a todo tipo de oposição que se levantou contra ela, e foi nosso privilégio trazê-la ao redil de Cristo. Quero dar testemunho de que não há, em lugar algum da Igreja, um Santo dos Últimos Dias mais devotado e fiel do que a Irmã Sifuentes, na cidade de Buenos Aires. Sinto-me, portanto, levado a dizer que creio que o Senhor não faz acepção de pessoas nem de nações, e que todos os que o receberem, a ele e à sua mensagem, terão igualmente privilégios iguais em seu bendito evangelho. Ela se tornou uma missionária ativa e enérgica. ¶
ITALIANOS INTERESSADOS NO EVANGELHO RESTAURADO ¶
Então alguns italianos se interessaram. Há dois milhões deles na República Argentina. Quando chegaram nossos assistentes, o Irmão Stoof e sua esposa, o Irmão Sharp e o Irmão Stoddard, excelentes trabalhadores, nós os apresentamos aos lugares onde havíamos iniciado reuniões, e nosso maior grupo cresceu até termos uma frequência média de cerca de sessenta adultos. Deixamos-lhes lugares para reuniões toda noite da semana, exceto o sábado à noite, e três lugares aos domingos. Deixamos um pequeno grupo convertido, pois onze deles nos manifestaram sua intenção de se filiarem à Igreja e testificaram da verdade da mensagem que lhes havíamos levado. Quando finalmente partimos, houve tantas lágrimas derramadas em nossa partida de Buenos Aires quanto houvera em Salt Lake City, quando saímos daqui há um ano. Desde que deixamos aquela terra, quatro excelentes italianos, três homens e uma mulher, filiaram-se à Igreja, e outros, além dos onze a quem me referi, se interessaram. ¶
Foi uma luta longa e árdua para nós. Não tenho nenhuma palavra de censura ao povo. Tinham preconceitos contra a religião que defendíamos, porque não era católica. Éramos estrangeiros e forasteiros para eles. Mas regozijo-me em dizer-vos, meus irmãos e irmãs, que Deus foi bom conosco, e abriu a porta, de modo que finalmente tivemos o privilégio de lançar o fundamento da Igreja naquela terra, e, de um número de membros de quatro adultos, quando chegamos àquela terra, deixamos vinte e quatro Santos dos Últimos Dias, com a obra iniciada naquelas três línguas. Não encontramos oposição, no que diz respeito ao governo, não obstante haver uma união entre igreja e estado em todas as repúblicas sul-americanas, exceto o Chile. Houve uma separação entre igreja e estado no Chile há um ano. Contudo, há liberdade religiosa em todos aqueles países para nossa obra missionária. ¶
UMA OBRA MISSIONÁRIA DIFÍCIL ¶
Encontrei grande dificuldade em me satisfazer plenamente, por causa de minha incapacidade de pregar o evangelho a eles, por não conhecer sua língua; contudo, aprendi a lê-la e a conversar com o povo. Satisfiz-me em parte, contudo, ao auxiliar na excelente obra que o Irmão Pratt estava realizando, convidando as pessoas para nossas reuniões, e fazendo-o traduzir para o espanhol o testemunho que eu desejava dar ao povo daquela terra. Tive o privilégio de visitar doze mil e quinhentos lares, entregando-lhes esta mensagem impressa e convidando o povo para nossas reuniões. Realizamos duzentas e trinta e quatro reuniões, de modo que o Irmão Pratt esteve muito ocupado pregando ao povo. Desfrutamos da experiência, embora tivéssemos que fazer as coisas tal como fizemos quando começamos nossa obra missionária, como fizemos quando viajamos sem bolsa nem alforje. Foi a mais difícil obra missionária que já empreendi, mas agradeço ao Senhor por ter vindo dela o êxito, por ter sido lançado um fundamento, e estou convencido de que é possível que o evangelho seja levado a todo o povo daquela terra. ¶
VISITA AOS ÍNDIOS NO GRANDE PLANALTO DOS ANDES ¶
Foi nosso privilégio, mediante a permissão da Presidência, retornar pela costa oeste. Estávamos ansiosos por não deixar a América do Sul antes de ver os índios daquela terra. Assim, na parte norte da Argentina, os encontramos, centenas de milhares deles. Subimos ao planalto das grandes montanhas dos Andes, um planalto de quinhentas milhas de comprimento por cento e cinquenta milhas de largura, a uma elevação de doze mil pés, habitado por índios. Vivemos ali por umas três semanas com eles, dormimos em suas casas, comemos à sua mesa, vimos milhões deles. Há dois milhões oitocentos e sessenta mil habitantes na República da Bolívia, sendo quase dois milhões deles índios de sangue puro. Há quatro milhões seiscentos e vinte mil habitantes no Peru, e mais de três milhões e meio deles são índios de sangue puro. Há duas classes de índios. Uma é a dos mestiços, descendentes do soldado espanhol, e a maioria dos líderes dos países sul-americanos tem sangue índio, mas, infelizmente, não estimam esse sangue índio, sendo antes mais orgulhosos de seu sangue espanhol. Somente quando chegar o dia em que compreenderem quem são, e que o sangue índio é de Israel e é do melhor sangue do mundo, seus corações se voltarão em simpatia e amor pelos oprimidos e pisoteados entre seus próprios irmãos e irmãs, os índios de sangue puro. ¶
CONDIÇÃO DOS ÍNDIOS SUL-AMERICANOS ¶
Nunca vi, em toda a minha vida, um povo mais trabalhador e diligente do que os milhões de índios que vimos na Bolívia e no Peru. Meu coração se voltou a eles em ansioso desejo, pois os vi como os vejo no México, na pobreza, despojados de suas terras e de sua gloriosa civilização, uma civilização muito melhor do que a trazida por Pizarro. Uma civilização melhor do que a que têm naqueles países foi destruída sem piedade, e eles foram assassinados, e suas terras tomadas. Foram espoliados e permaneceram pisoteados em estado de semiescravidão até hoje. Com todo o seu labor e trabalho, deveriam ser um povo rico e independente, se ao menos pudessem receber os frutos que vêm de seu trabalho. Mas a maior parte dos rendimentos é tomada pelos proprietários de terras, pois quinze por cento dos homens na América do Sul possuem noventa e cinco por cento da terra, e essas condições persistem há muitos anos, até que se encontram num estado de pobreza, e, contudo, são a maioria em muitos daqueles países. Mas o direito de voto só é estendido àqueles que sabem ler e escrever, e a maioria dos índios não sabe ler nem escrever. Poucas escolas lhes são oferecidas para aprender a ler e a escrever, e são como um grande gigante adormecido. Muitos deles falam a língua espanhola. Assim, o Irmão Pratt e eu não conseguimos entender por que a obra missionária não haveria de vir prontamente a eles. ¶
O DIA DA REDENÇÃO DOS ÍNDIOS SE APROXIMA ¶
Foi nosso privilégio visitar os funcionários do governo tanto da Bolívia quanto do Peru, e explicar nossa missão e o desejo de que missionários fossem enviados àquelas terras. Fomos assegurados de que nossos missionários seriam bem-vindos, e de que não haveria objeção por parte do Governo. É nosso desejo que aquelas preciosas promessas feitas a seus antepassados se cumpram. Passarão pelas mesmas mudanças que estão ocorrendo no México, mas sairão de sua servidão e cativeiro para a luz da liberdade, tanto em assuntos religiosos quanto políticos, e o dia da retribuição e de sua redenção, tenho certeza, não está distante. ¶
A ESPANHA E A ITÁLIA MERECEM OUVIR O EVANGELHO ¶
Desejo dar testemunho daquilo que o Presidente Ivins disse aqui esta manhã. Creio que o início desta dispensação do evangelho, tal como estabelecido numa dessas revelações, foi o começo dos tempos dos gentios. Creio que aquela geração que viu o alvorecer desta dispensação do evangelho não passará até que os tempos dos gentios se cumpram, e, depois dos dias dos gentios, vem o dia de Israel. Estou ansioso, portanto, para que, no período que ainda resta às nações gentias para ouvir a mensagem do evangelho, enviemos a ajuda necessária, não só àqueles países sul-americanos, mas minha alma se voltou para a Espanha, desde que estive naquela terra do sul, e também para a Itália. Não sinto que estejamos cumprindo nossa obrigação com a oportunidade que temos dado tanto à Espanha quanto à Itália ou à França ou à China ou a outras nações de ouvir o evangelho; por isso aguardo o tempo em que, num futuro muito próximo, aquelas terras terão plenamente essa oportunidade. Talvez não muitos deles venham a se filiar, e ainda assim creio que há algo do sangue de Israel na Espanha e na Itália, e que aquele povo merece a oportunidade de ouvir o evangelho antes que chegue o dia do juízo. Dou-vos testemunho de que o Senhor já está começando a obra para a redenção da casa de Israel. ¶
O EVANGELHO PARA LIVRAR OS FILHOS DO PAI LEÍ DO CATIVEIRO ¶
Deus nos deu o Livro de Mórmon, e a razão principal, tal como estabelecido numa dessas revelações, é que ele seja o meio de trazer aos descendentes do Pai Leí o conhecimento do Redentor do mundo, e estabelecê-los na fé de seus pais. Dou-vos testemunho de que nada na terra jamais os tirará de sua servidão, senão o evangelho do Senhor Jesus Cristo. Regozijo-me, portanto, de que o alvorecer do dia está rompendo, a noite está se dissipando, e o dia de sua redenção vem. Chorei por eles, ao vê-los habitando na ignorância e na pobreza, em meio às ruínas de grandes e gloriosas cidades que seus pais construíram. Tais ruínas jamais vi em outro lugar, de poderosos templos e cidades, a evidência de sua maravilhosa civilização passada; e então, ao olhar para estas pobres e desventuradas almas, que alcançaram seu estado de degradação, de pobreza e miséria, por meio do pecado, da transgressão e da opressão, orei a Deus para que trouxesse a efeito sua libertação, segundo suas promessas, e sinto-me seguro de que esse dia está próximo. Que o Senhor coloque nos corações de homens e mulheres o desejo de continuar a responder e a levar a mensagem do evangelho a todo lugar onde for desejada, e a cumprir a poderosa responsabilidade que recai sobre esta Igreja antes que chegue o dia do juízo, para que, quando a dispensação dos gentios chegar ao fim, sejamos encontrados tendo cumprido nossa obrigação; então vem o dia de Israel, o dia de sua redenção em todas as terras. Dou-vos testemunho de que acontecimentos que se movem rapidamente estão bem à nossa porta. Dou testemunho de que Deus está clamando arrependimento ao mundo nos testemunhos de trovões, de relâmpagos e de tempestades, e, se não se arrependerem, ele debulhará as nações. ¶
A TAREFA E O DEVER DOS SANTOS DOS ÚLTIMOS DIAS ¶
Não há segurança, no que diz respeito aos Santos dos Últimos Dias, senão guardando os mandamentos de Deus. Ao contemplar a Igreja à distância de onze mil milhas, admirei o que fizemos ao subjugar o deserto e fazê-lo florescer como a rosa, construindo nossos templos, tabernáculos e fábricas; mas, elevando-se acima de tudo isso, e mais esplêndido e glorioso do que tudo o mais, está a masculinidade e a feminilidade que foram estabelecidas na terra pela Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. É a maior coisa que já fizemos, e que Deus nos ajude a usar tudo o que temos ou possamos possuir apenas como meio para o glorioso fim de estabelecer aqui uma civilização como o mundo não conhece; para que venham do leste e do oeste, do norte e do sul, aprender nossos caminhos e caminhar em nossas veredas. É nossa tarefa aperfeiçoar as vidas destes homens e mulheres, rapazes e moças, até que sejam a luz do mundo, o sal da terra. Que Deus nos dê a visão para vê-lo, para trabalhar até que sejamos bem-sucedidos, é minha oração, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶