Pulpit

Discurso

Sylvester Q. Cannon

Conferência Geral de Abril de 1926·Sessão da Manhã do Segundo Dia·1926-04-05

Bispo Presidente da Igreja

Regozijo-me com vocês, meus irmãos e irmãs, nos testemunhos que foram dados, e nas instruções fornecidas nesta grande conferência. Percebo que todos vocês que aqui se reuniram vieram com o propósito de receber a palavra do Senhor e instrução de seus servos, e eu, junto com vocês, tenho ouvido com grande interesse e apreciação as instruções que nos foram dadas pela Presidência e pelos que já falaram dentre as autoridades. Desejo viver de acordo com essas instruções e, na medida de meu poder, ajudar, com vocês, a colocá-las em prática em nossa vida, para o progresso desta grande obra na qual estamos empenhados. Reconheço que, ao procurar falar a vocês nesta manhã, estou sob grande responsabilidade, e que, a menos que eu possa desfrutar da influência do Espírito do Senhor e da confiança e atenção de vocês, não conseguirei falar de maneira que seja edificante e proveitosa para os que aqui estão presentes.

Tenho me regozijado muito, e tenho ficado encantado com a oportunidade que me foi dada de visitar as várias estacas de Sião. Tem sido uma alegria assistir às conferências que foram realizadas, e participar do bom espírito que se manifesta entre as presidências de estaca, os bispados de ala, e as irmãs -- as mulheres que se dedicam às várias atividades comuns a elas nas diversas estacas de Sião -- e sentir o espírito geralmente manifestado nessas estacas. Fui edificado, fortalecido e encorajado na apreciação da boa hombridade e feminilidade evidentes entre os oficiais e membros por toda a Igreja.

Regozijo-me com o fato de que esta Igreja terá sido organizada há noventa e seis anos amanhã. Fui levado a refletir sobre algumas das coisas que ocorreram naquela data. Acredita-se, penso eu, que nesta data, ou por volta dela, há cerca de mil novecentos e vinte e seis anos, nosso Salvador nasceu, e que cerca de trinta e três anos depois, nesta mesma data, ou por volta dela, Ele ressuscitou dos mortos; que ontem, o dia geralmente celebrado pelo mundo cristão como o dia de Sua ressurreição, corresponde bem de perto ao dia que celebramos como o aniversário da organização da Igreja. Há outros acontecimentos que ocorreram nesta mesma data, 6 de abril, que são importantes, além deste grande acontecimento que celebramos -- o da organização da Igreja. Lembro-me de que, em 6 de abril de 1909, o Almirante Peary alcançou o Polo Norte. Que relação isso possa ter com o evangelho ou com a atitude da Igreja, deixo à consideração de vocês. Lembro-me também de que, em 6 de abril de 1917, os Estados Unidos declararam guerra à Alemanha e à Áustria, nações que naquele momento se envolviam numa guerra contra o bem-estar da humanidade. Esta nação entrou naquele conflito com propósitos desprendidos, e com o desejo de promover a liberdade e a boa conduta. Como Santos dos Últimos Dias, certamente apreciamos o fato de que a entrada dos Estados Unidos naquela guerra estava em conformidade com predições feitas no passado a respeito dos conflitos que haveriam de prevalecer, e também a respeito do papel que esta nação haveria de desempenhar na promoção da liberdade entre a humanidade.

Fiquei muito impressionado com as declarações feitas pelo Presidente Grant em seu discurso de abertura, ontem de manhã, a respeito das bênçãos que acompanharam o povo do Senhor na vinda a esta terra, e gostaria de ler a vocês algumas das palavras de Isaías relativas a este assunto. No capítulo 35 de Isaías, lemos o seguinte:

"O deserto e os lugares secos se alegrarão disso, e o ermo exultará e florescerá como a rosa. * * *

"Fortalecei as mãos fracas, e firmai os joelhos que vacilam.

"Dizei aos turbados de coração: Sede fortes, não temais; eis que o vosso Deus virá com vingança, com recompensa de Deus; ele virá, e vos salvará.

"Então os olhos dos cegos serão abertos, e os ouvidos dos surdos se abrirão.

"Então os coxos saltarão como cervos, e a língua dos mudos cantará, porque águas arrebentarão no deserto e ribeiros, no ermo.

"E a terra seca se tornará em tanques, e a terra sedenta, em mananciais de águas. * * *

"E ali haverá estrada e caminho, que se chamará o caminho santo; o imundo não passará por ele, mas será para estes; os caminhantes, até mesmo os tolos, não errarão. * * *

"E os resgatados do Senhor retornarão, e virão a Sião com júbilo, e alegria eterna haverá sobre a sua cabeça; regozijo e alegria alcançarão, e deles fugirão a tristeza e o gemido."

Somos testemunhas, meus irmãos e irmãs, do cumprimento desta profecia. Isso se realizou nesta geração, com a vinda do povo do Senhor a esta comunidade, e a edificação desta terra. Desfrutamos das bênçãos que se seguiram à aceitação das provações e do sacrifício que fizeram ao vir para cá. Qual foi a causa de sua vinda, ou por que meios foram capazes de perseverar? Desenvolveram o espírito de obediência e a disposição de fazer aquilo que o Senhor deles desejava, pelo qual se prepararam para submeter seus próprios desejos e sentimentos ao bem-estar desta obra, e à realização dos propósitos de Deus, com a apreciação do fato de que Sua palavra e Sua vontade lhes haviam sido declaradas por aqueles que eram os líderes de Seu povo.

Gostaria de destacar por um momento a importância deste espírito de obediência. O Senhor nos deu conhecimento e apreciação das responsabilidades dos princípios e das ordenanças que estão em conformidade com Sua casa, e com a edificação de Seu reino. Ele deseja de cada um de nós que aceitamos essas coisas que as aceitemos de boa vontade e que nos esforcemos por observá-las. Ouvimos de nosso Presidente a respeito do princípio da Palavra de Sabedoria, um princípio e uma revelação que está diante deste povo por todos estes muitos anos, tão claro que o caminhante não precisa errar quanto à verdade e à divindade do princípio, e à certeza das bênçãos que se seguem à observância deste princípio. Permitam-me chamar a atenção de vocês, a este respeito, à declaração feita em um dos parágrafos iniciais da Palavra de Sabedoria, a respeito dos esforços que estão sendo feitos, e que serão feitos, por homens perversos que conspiram com o propósito de derrotar o bem-estar dos filhos dos homens, razão pela qual, entre outras, o Senhor tornou clara esta revelação. Tenho certeza de que cada um de nós reconhece, se apenas considerarmos por um momento, que há influências atuando no mundo hoje que procuram enganar e iludir o povo do mundo a respeito daquelas coisas que o Senhor declarou não serem boas para o homem, tais como o tabaco e as bebidas fortes, e outras coisas que Ele declarou não serem para o nosso bem. Muitos homens no mundo procuram, de maneira enganosa, fazer com que essas coisas prejudiciais pareçam atraentes. Lemos os anúncios dessas coisas que são de natureza narcótica, e podemos perceber muito claramente que tais anúncios são redigidos e concebidos para enganar aqueles que não estão familiarizados com os perigos que acompanham o uso dessas drogas e narcóticos. O Senhor espera de nós que observemos essas coisas. Visto que Ele nos deu este mandamento, devemos estar prontos a obedecê-lo, e devemos fazê-lo de boa vontade. Não deveria haver, a meu ver, nenhuma provação para os Santos dos Últimos Dias em observar o princípio da Palavra de Sabedoria, mesmo que isso signifique termos de resistir à tentação ou ao desejo de qualquer uma dessas coisas. Se cultivarmos o espírito de obediência e humildade, não há razão alguma para que cada um de nós não possa observar e viver em conformidade com os princípios que o Senhor declarou naquela revelação, a Palavra de Sabedoria.

Da mesma forma, há um princípio e uma lei que nos foi dada para o nosso desenvolvimento, que nos permitirá vencer nosso egoísmo e nos permitirá cultivar caridade e consideração por nossos semelhantes, pelo bem-estar da humanidade em toda parte. Ouvimos ler ontem uma declaração dos gastos que a Igreja fez com os dízimos para o bem-estar do povo, e quero dizer a vocês aquilo que vocês mesmos sabem, que esses dízimos são gastos exclusivamente para o bem-estar do povo do Senhor, para o progresso de Seus propósitos na terra, para a promoção do bem-estar da humanidade, para levar o evangelho a todos os homens em toda parte, e somente para esses propósitos; e os dízimos são gastos com a maior sabedoria e discernimento, sob a inspiração do Espírito do Senhor.

O Senhor nos deu este mandamento, que devemos observar, de que um décimo de todo o nosso aumento deve ser dado a Ele anualmente. Certamente todo Santo dos Últimos Dias pode ser ensinado neste princípio, e pode aprender a observá-lo em conformidade com aquele espírito, de que não menos de um décimo de tudo o que ganhamos, não menos de um décimo de todo o nosso aumento, será dado a Ele para o progresso de Sua obra. Quando o povo do Senhor veio a esta terra, tomou-a como sua, e ainda assim tenho certeza de que o fizeram com a compreensão de que estavam agindo como mordomos; que, embora reivindicassem a terra, reconheciam o fato de que a terra é do Senhor e a sua plenitude. Da mesma forma, cada um de nós deveria cultivar esse espírito, e a compreensão do fato de que aqui somos apenas mordomos, e temos o que desfrutamos das coisas materiais apenas por um tempo. Não podemos levar nenhuma das posses terrenas quando partirmos daqui. Só podemos levar conosco aquilo que desenvolvemos em termos de fé, retidão e boas obras. Assim, certamente devemos usar nossos meios e administrar nossos assuntos aqui com a compreensão em nosso coração de que aquilo que recebemos vem do Senhor, e que Ele nos abençoará e nos prosperará em maior medida à medida que demonstrarmos nossa gratidão a Ele por Suas bênçãos para conosco.

Há também, meus irmãos e irmãs, outras coisas que precisamos aprender a observar e a obedecer mais plenamente. No que diz respeito à observância do dia de Sábado, o Senhor nos declarou como devemos observar aquele dia. Muitas pessoas questionam, por vezes, como devemos observá-lo, ou o que poderia ser considerado como quebrar o Sábado. Certamente qualquer coisa que interfira no espírito de paz próprio do Sábado é quebrar o Sábado. Não deveria haver nada que interfira em nossa adoração ou que faça com que nossa mente se desvie, nem nenhum ato nosso que faça com que nossa mente se afaste do espírito daquele dia; mas, em todos os nossos atos naquele dia, deveríamos exercitar e dedicar nossa mente e nossos pensamentos àquelas coisas que nos ajudarão a crescer em fé, em retidão e em boas obras.

Os Santos dos Últimos Dias receberam a promessa de uma bênção, de que, se observarem o princípio do jejum e derem em benefício dos que estão em necessidade -- as ofertas de jejum -- serão prosperados e abençoados e crescerão em fé e retidão. Nosso jejum de cada mês deveria ser feito no espírito e com o propósito de obter alguma bênção particular de que precisamos, o que nos permitirá ganhar força e poder espiritual. À medida que vivemos e nos esforçamos desta maneira, cultivaremos maior força e capacidade, seremos abençoados fisicamente e cultivaremos mais o espírito de caridade e boa vontade para com nossos semelhantes.

Meus irmãos e irmãs, regozijo-me na verdade do evangelho. Regozijo-me na confiança de meus irmãos e na confiança que vocês têm em mim, e oro para que eu seja digno dela. Sei que este evangelho restaurado é verdadeiro. Tem sido uma certeza para mim durante toda a minha vida. Fui criado na Igreja, por bons pais que me treinaram no espírito do evangelho, e aprendi a saber por mim mesmo a divindade desta obra, a saber que esta Igreja, chamada a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, é, em verdade e absolutamente, Sua Igreja. De todas as igrejas do mundo, esta é a Igreja de Jesus Cristo. Está fundada sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, tendo Jesus Cristo como a principal pedra angular. Foi estabelecida sob Sua direção imediata e por revelação Dele. Ela perdurará e realizará os propósitos que o Senhor tem em vista para a realização da retidão, da verdade e da liberdade na terra, e a preparação para a vinda do Filho do Homem para reinar em retidão aqui. Que cada um de nós faça sua parte para promover os propósitos de Deus e ajudar a realizar essas coisas, oro, em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoSylvester Q. Cannon, “Discurso”, Conferência Geral de Abril de 1926, Sessão da Manhã do Segundo Dia (1926-04-05). Pulpit Vault, 1926-04-22-sylvester-q-cannon-remarks. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).