Discurso
John H. Taylor
Aprecio o privilégio de reunir-me convosco, bom povo, nesta reunião de conferência, no Barratt Hall. Tenho certeza de que sempre há em nosso coração o desejo de aprender do evangelho e de participar do bom espírito que sempre prevalece em nossas reuniões de conferência. ¶
Há poucos dias, uma jovem me perguntou por que havia tantos jovens que não tinham um testemunho do evangelho de Jesus Cristo. Em nossa conversa, eu lhe disse que acreditava ser porque os jovens não estavam dando a esses assuntos a mesma atenção que dão a outras coisas. Sou de opinião que existe entre alguns de nossos jovens o sentimento de que um testemunho do evangelho lhes virá de alguma forma peculiar, e que tudo o que precisam fazer é esperar sentados por ele. Outros esperam que o testemunho lhes seja dado, independentemente da vida que levam ou da atenção que dão à observância das leis e mandamentos do Senhor. Contudo, nós, como povo, sabemos que ninguém pode receber um testemunho do evangelho sem buscá-lo, e sem observar as condições sobre as quais se funda esse conhecimento. ¶
Não aplicamos à nossa experiência religiosa os mesmos princípios de raciocínio que aplicamos a outros assuntos da vida. O estudante não esperaria entrar na escola e adquirir conhecimento sobre a matéria em questão sem considerável estudo e aplicação. Por exemplo, um estudante que está estudando química não pensaria em combinar dois ácidos e obter o resultado adequado se a combinação não fosse a correta. Mas, às vezes, nos assuntos religiosos, sente que não há obrigação de sua parte de aplicar as verdades que recebeu nas questões religiosas da mesma forma que aplica as verdades descobertas pela investigação em outras áreas. ¶
Um testemunho do evangelho só pode vir a pessoas dispostas a se aplicar, primeiro aprendendo o evangelho, e as ¶
coisas necessárias a serem feitas, e depois observando e colocando em prática esses princípios. Assim como no exemplo da química, o resultado vem depois de um tempo, quando se faz a combinação correta, assim também é com o evangelho: o resultado desejado não pode ser obtido, exceto pela aplicação correta das verdades envolvidas. ¶
Ocasionalmente, temos pessoas que entram em nossa Igreja com a ideia de que algo muito extraordinário lhes vai acontecer, em forma de manifestações ou milagres, que será para elas uma demonstração exterior da veracidade do evangelho, confirmando sem sombra de dúvida aquilo em que passaram a crer ser certo. Lembro-me de um jovem que havia investigado os princípios do evangelho e feito algumas pesquisas. Ele estivera na guerra e fora ferido, de modo que precisava usar muletas. Embora tivesse investigado de maneira justa, ainda assim continuava com dúvidas e perguntas sobre alguns dos princípios. Essas dúvidas o mantinham bastante indeciso quanto a se aquilo era certo ou errado. Contudo, por fim decidiu que os princípios eram verdadeiros e sentiu que havia recebido um testemunho suficiente, de modo que pediu o batismo. Ao sair da água, estou convencido de que ele esperava ser curado do ferimento que recebera na guerra, e que esse extraordinário milagre ou bênção lhe seria dado como testemunho adicional, removendo de sua mente qualquer dúvida particular que tivesse. Mas não houve demonstração exterior do poder do Senhor em seu favor. Impuseram-se as mãos sobre sua cabeça, e ele foi confirmado membro da Igreja. Continuou por algum tempo sentindo que essa bênção deveria lhe vir, mas nada em particular lhe foi dado, no que diz respeito a uma demonstração exterior. Por causa dessa ausência de qualquer sinal exterior, decidiu que a Igreja não era verdadeira e deixou a Igreja. ¶
Tivemos outro caso, o de uma mulher que estivera em contato com os princípios do evangelho desde a infância, mas não havia aproveitado a oportunidade de entrar na Igreja. Nos últimos anos de sua vida, sentiu que não podia mais ficar de fora, por causa do testemunho que lhe viera, das verdades que ouvira de tempos em tempos, quando os élderes visitavam a casa de seu pai. Ela pediu o batismo, e depois expressou certa surpresa por não sentir nenhuma diferença particular depois de ser batizada, em comparação a antes. Sua ideia era que, sem dúvida, o Senhor a impressionaria de tal modo que ela saberia, sem sombra de dúvida, que estava absolutamente certa ao entrar na Igreja. É claro que, de certo modo, ela ficou bastante desapontada por essa manifestação exterior não lhe ter sido dada. ¶
Sou de opinião que, muitas vezes, nossos jovens, assim como nossas pessoas mais velhas, estão esperando que algumas dessas coisas extraordinárias lhes aconteçam, sentindo que sua fé, de uma só vez, se tornará quase perfeita pela demonstração que receberão de seu Pai celestial quanto à divindade da Igreja. Esta não é a ¶
maneira como o Senhor costuma agir para com seu povo, e todos nós ficaremos bastante desapontados se nossa fé depender de sinais exteriores. O caminho foi mostrado e demarcado de maneira muito clara e inconfundível, e segui-lo nos levará com segurança ao conhecimento da verdade. ¶
Confio sinceramente que nossos jovens sentirão a necessidade de seguir os métodos habituais de receber um testemunho, observando aquele caminho demarcado que nos foi dado. Se o fizerem, não haverá dúvida de que receberão tal manifestação, o poder do Senhor, que indicará à sua alma que estão na Igreja verdadeira, que o Senhor vive, que Jesus é o Cristo, e que Joseph Smith é seu profeta nestes últimos dias. ¶
O Senhor indicou que é obrigação dos pais ensinar a seus filhos os princípios do evangelho, mas, em última análise, é bastante necessário que os próprios filhos investiguem e descubram por si mesmos a verdade dos princípios que lhes foram ensinados por seus pais. ¶
Confio, meus irmãos e irmãs, que faremos o que pudermos para interessar nossos filhos e filhas no evangelho, e guiá-los por caminhos inteligentes, para que não tenham de segui-lo às cegas. Assim poderão ser ensinados a aplicar os princípios que lhes trarão as bênçãos e o testemunho desejados, de modo que, no final, nossos jovens, ao crescerem e se tornarem homens e mulheres, não fiquem em dúvida quanto à verdade do evangelho. Terão o testemunho firme e sólido que seus pais e mães tiveram, por terem aplicado os princípios que trazem um testemunho. ¶
Se nós, como pais, fizermos apenas a nossa parte e seguirmos os mandamentos que nos foram dados, no que diz respeito a ensinar nossos filhos, os meninos e as meninas continuarão a resolver por si mesmos os diferentes processos necessários para obter esse conhecimento definitivo de seu Pai celestial. ¶
Vivamos o evangelho, e ajuntemos tesouros no céu, guardando os mandamentos do Senhor, para que, quando chegar o momento em que estivermos especialmente necessitados de bênçãos, possamos recorrer à conta que temos com o Senhor, e descobrir que nosso saldo está a nosso favor. Esse conhecimento nos dará maior confiança ao recorrermos ao Pai, com fé, em busca das bênçãos de que tanto possamos necessitar, bênçãos essas que podem consistir em alcançar o coração de nossos filhos e filhas, impressionando-os com o testemunho e a fé de seus pais. ¶
Um solo de tenor foi cantado por Charles S. Martin, intitulado "Na casa de meu Pai há muitas moradas." ¶