Discurso de John Wells
John Wells
A tarde tem sido bem aproveitada. Temos ouvido dos oradores anteriores muito que tem sido muito proveitoso, e não é minha intenção reter esta congregação por mais de alguns minutos. Se eu cedesse aos meus sentimentos, preferiria não falar, mas, como o presidente Grant enviou mais de seis de nós para vos dirigir a palavra nesta tarde, sinto que não estaria cumprindo o meu dever se não vos falasse. ¶
Esta conferência tem sido uma que há de ser longamente lembrada. Temos sido alimentados com o pão da vida. Recebemos a palavra de Deus daqueles que detêm o sacerdócio, segundo a ordem de seu Filho, e eles nos deram instruções acerca de nossa edificação e consolo espirituais, e acerca de nossos assuntos temporais. As escrituras nos foram abertas; as experiências na vida de nossos irmãos nos foram dadas com proveito e benefício, e espero que, ao voltarmos para casa, o façamos determinados a pôr em prática essas instruções e a levar a nossas famílias o espírito desta grande conferência. Permiti-me sugerir que, junto à lareira de nossos lares à noite, contemos a nossos filhos e filhas e a outros nossas impressões da conferência, recitando as instruções e os conselhos que recebemos. É muito necessário que isso se faça, pois não mais de um em cada quarenta Santos dos Últimos Dias ouviu os oradores durante esta conferência. ¶
O "mormonismo" é para mim uma maravilha moderna; e como veio a existir? Veio daquela ideia avassaladora do jovem profeta Joseph, de ir ao bosque e perguntar a seu Pai, crendo em fé, a qual igreja deveria filiar-se, e naquela simples oração de um menino, e na visita do Pai e do Filho, que vieram em resposta a essa oração, trouxe-se a efeito esta obra maravilhosa da qual somos parte. O Senhor escolheu tomar um menino sem letras, não instruído e sem sofisticação nas coisas do mundo, mas com uma fé simples e infantil, para iniciar sua grande obra, e sobre a oração daquele menino começou toda a estrutura do "mormonismo." ¶
Há algo de singular nesta grande obra. Ela não se separou de nenhuma seita ou partido, como quase todas as seitas de nosso tempo o fizeram, mas veio diretamente de nosso Pai nos céus, quando chegou o tempo determinado para estabelecer sua grande obra nos últimos dias, e a mensagem do evangelho atraiu os retos de coração; aqueles que eram bondosos em sua vida e em seus hábitos. Onde quer que o evangelho fosse, ele alcançava essas pessoas rudes, frugais, honestas e tementes a Deus, e, sob a influência do Espírito do Senhor, elas aceitavam o evangelho, e sobre elas vinha o espírito de coligação. Essa coligação veio a elas como parte do poder e do dom desta grande obra, e virá sobre todos os que aceitarem o evangelho em terras estrangeiras. ¶
Outra parte deste grande milagre do "mormonismo" pode ser vista bem aqui, nos vales das montanhas, onde homens e mulheres que antes sustentavam todos os matizes de teorias e ideias acerca de assuntos religiosos, e muitos deles profundamente enraizados nas tradições do mundo, ao ouvirem o som do evangelho, tiveram suas mentes esclarecidas; compreenderam seus princípios; vieram para cá e se misturaram uns com os outros, até que aqui se forjou um corpo sólido de pessoas com os mais elevados ideais de espiritualidade e religião que o mundo já viu. ¶
Devemos ser gratos por termos sido permitidos vir à terra nesta dispensação, quando este maravilhoso evangelho, com todos os seus dons, poderes e bênçãos, foi restaurado, e nos foi permitido participar dessas bênçãos. Homens poderosos e profetas de outrora, homens que encabeçaram dispensações e cujas obras estão em parte registradas nas escrituras, anelaram por este tempo; e alguns desejaram viver nesta dispensação, quando o Senhor pretendia reunir as obras de todas as dispensações e estabelecer sua Igreja, para nunca mais ser derrubada nem entregue a outro povo. ¶
Permiti-me pedir-vos, como bispo, que volteis para casa com a determinação de observar o dia de sábado e guardá-lo santo perante o Senhor; de pagar vossos dízimos e ofertas na época devida; de sentar-vos a sós com vossa consciência uma vez por mês e ver o que o Senhor vos deu, e dizimá-lo ali mesmo, naquele instante. Lembrai-vos de vossas reuniões sacramentais, e renovai vossa determinação de estar à mesa do Senhor para participardes dos emblemas de seu corpo e sangue em memória de seus sofrimentos, e renovai vossos convênios com ele. Nada deve interferir com esse dever e privilégio, pois é privilégio de todo Santo dos Últimos Dias estar presente à mesa do Senhor para participar do sacramento e lembrar-se de sua morte e seus sofrimentos. ¶
Continuemos essa cooperação amistosa, de vizinhança e de auxílio mútuo entre as comunidades dos Santos dos Últimos Dias. Edifiquemos negócios sobre princípios cooperativos de ajuda mútua e propriedade compartilhada. Livremo-nos de parte de nossa inveja e orgulho, e livremo-nos também do hábito de gastar além do que ganhamos. Evitemos a especulação, e, se tivermos recursos disponíveis para investir, que isso seja feito em negócios e instituições bem estabelecidos e bem desenvolvidos. Libertemo-nos do cativeiro da dívida. O Senhor nunca pretendeu que seu povo estivesse em cativeiro a nenhuma comunidade ou a nenhuma pessoa. Só podemos manter-nos livres do cativeiro mantendo-nos livres da dívida. ¶
Pela própria natureza das coisas, podemos esperar crises. Podemos esperar tempos difíceis. A mão castigadora do Senhor se fará sentir por toda a terra, mas o homem que está livre de dívidas, que é dono de sua casa, que é dono da terra que cultiva, que não está tomando empréstimos, não será seriamente afetado pelas crises. ¶
Acima de tudo, treinemos nossos jovens, em torno da mesa da família, nos princípios do evangelho e na obrigação que devemos ao Senhor e uns aos outros como Santos dos Últimos Dias, lembrando-nos de nossas orações secretas, bem como de nossas orações familiares à noite e pela manhã, pois, afinal, recai sobre os pais e as mães dos filhos de Sião a responsabilidade de educá-los no temor e na admoestação do Senhor. ¶
Às vezes penso que o mundo está amadurecendo para a destruição, mas espero e oro para que o Senhor detenha os anjos vingadores até que os retos de coração por toda a terra, particularmente a Casa de Israel, tenham ouvido o evangelho e tenham tido a oportunidade de se coligar a Sião. ¶
Que o Senhor nos abençoe. Que seu espírito esteja conosco. Que esta conferência seja uma que há de ser longamente lembrada, por sua profunda espiritualidade e pelas influências que vieram por meio de nosso convívio uns com os outros, oro em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶