Discurso de Joseph W. McMurrin
Joseph W. McMurrin
(Do Primeiro Conselho dos Setenta e Presidente da Missão da Califórnia) ¶
Regozijo-me muitíssimo, meus irmãos e irmãs, na oportunidade que me foi concedida de estar presente nesta grande conferência, e regozijei-me, mais do que espero conseguir exprimir, no espírito da conferência, e nas coisas notáveis que foram trazidas pelos servos do Senhor pelo poder e pela inspiração do Espírito do Senhor. Meu coração se alegrou, na sessão de abertura, com a manifestação do poder de Deus, e com o espírito de presidência e liderança que se manifestou tão evidentemente nos conselhos e instruções ministrados pelo Presidente Heber J. Grant no seu discurso de abertura. Senti verdadeiramente em minha alma que o Senhor nosso Deus estava presente, que estava dirigindo e guiando a sua obra em conformidade com as promessas que foram feitas, tanto pelos profetas desta dispensação quanto pelos profetas do Senhor desde o princípio dos tempos. Tem ressoado em meus ouvidos a declaração feita, repetidas vezes, pelo Senhor dos céus, nas revelações que foram dadas ao profeta desta dispensação no início desta obra. Vós que estais familiarizados com o livro de Doutrina e Convênios sabeis que muitas dessas revelações começam com uma linguagem semelhante a esta: "Eis que uma obra grande e maravilhosa está prestes a manifestar-se entre os filhos dos homens." Não pude deixar de pensar, ao contemplar esta vasta congregação, como maravilhosamente se tem cumprido a promessa do Senhor, feita pela boca do seu profeta, mesmo antes de haver qualquer organização da Igreja. Suponho que em nenhum lugar da face de toda a terra, neste dia de sábado, há uma reunião para adorar a Deus como a que temos aqui neste grande tabernáculo, sem falar dos milhares que estão reunidos em outros edifícios neste terreno. ¶
Parece-me surpreendente que homens que observam a força sempre crescente desta causa não consigam discernir a mão de Deus e o seu poder nesta obra dos últimos tempos. ¶
Há muitos anos, quando eu trabalhava na Missão Britânica, assisti, certa vez, a uma palestra proferida pelo Sr. Charles H. Bradlaugh. A sua palestra intitulava-se: "É o cristianismo uma religião perseguidora?" E ele contou uma história das mais terríveis sobre as coisas que foram perpetradas em nome da religião. Um jovem na congregação quis saber dele se não seria uma evidência do poder de Deus e da existência de Deus que aqueles primeiros cristãos, no meridiano do tempo, apesar de a sabedoria e a força das nações se lhes oporem, tivessem sido preservados e prosperado. Fiquei imaginando que tipo de resposta poderia ser dada. Pensei em minha alma: "Certamente a história daqueles primeiros cristãos é uma evidência da mão protetora de Deus." Fiquei muitíssimo surpreso quando aquele grande gigante intelectual respondeu, pois a sua resposta foi: "Meu jovem, lá na parte ocidental da América há um povo cuja história é mais maravilhosa do que qualquer coisa já escrita a respeito dos primeiros cristãos. Aquele povo não somente foi combatido pelas nações do mundo, mas teve de contender com os preconceitos religiosos de toda a humanidade, e, apesar de toda essa oposição, fez um progresso mais maravilhoso do que jamais fizeram os primeiros cristãos. Refiro-me à Igreja 'mórmon' de Utah. O senhor acha que a sua preservação é uma evidência do poder de Deus?" ¶
Meus irmãos e irmãs, não sei o que teria passado pela mente daquele grupo de homens que ouviu aquela palestra, mas em minha própria alma houve um grandíssimo grau de alegria e satisfação ao pensar que, quando o Sr. Bradlaugh, com toda a sua inteligência, procurou uma organização religiosa que se equiparasse à história dos primeiros cristãos, teve de recorrer ao meu povo e à minha Igreja, e fiquei convencido de que ele escolheu A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias pela razão de que ela se equiparava mais completamente à história dos primeiros cristãos do que qualquer outra denominação religiosa na face da terra. ¶
Quando eu estava em minha última missão na Grã-Bretanha, peguei, em uma das grandes catedrais, um folheto intitulado: "Por que sou católico romano." Penso que não seria impróprio ler aqui um ou dois parágrafos daquele folheto. Foi escrito por um sacerdote católico: ¶
"E, novamente, quando Lutero, Calvino, Henrique VIII e os seus seguidores estavam iniciando a sua carreira insensata, ou a verdadeira religião estava então no mundo, ou não estava. Não há margem para argumento quanto a essa afirmação. Necessariamente, a verdadeira religião estava no mundo, ou não estava. Se estava, eles cometeram crimes graves ao criar novas religiões para se opor a ela. E, se as escrituras são verdadeiras, essa afirmação é tão verdadeira quanto a primeira, pois podemos ler, nas escrituras da verdade divina, o testemunho do apóstolo Paulo, de que 'ainda que nós mesmos, ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho, além do que já vos anunciamos, seja anátema.'" ¶
Assim declarou o homem de Deus da antiguidade, iluminado pela inspiração e pelo poder de Deus. De modo que este sacerdote estava plenamente justificado ao fazer a afirmação que li, de que, se a verdadeira religião estava no mundo nos dias daqueles reformadores, os reformadores cometeram um pecado grave ao procurar estabelecer outras religiões em oposição à verdade. ¶
"Se não estava, eles eram impotentes para criá-la. É necessário um Cristo, não um Lutero, para criar um cristianismo. Em qualquer das duas suposições, portanto, o protestantismo não é a verdadeira religião de Jesus Cristo." ¶
Creio nessa doutrina. Não importa quão sincero possa ter sido o desejo, ou quão ansiosos por fazer o bem os homens a que chamamos de reformadores, se a verdadeira religião havia desaparecido da terra, eles não tinham poder para criá-la nem para restaurá-la. Graças a Deus, na dispensação em que vivemos, não assumimos uma autoridade sem revelação, como as religiões do nosso tempo. Estamos em harmonia com a declaração feita por este sacerdote católico: que, por causa da ausência, entre os homens, da verdade de Deus que foi revelada para a salvação da família humana, era necessário que o autor daquela religião, que é a fonte do poder e da autoridade, a restaurasse. A mensagem do "mormonismo" é que, na dispensação em que vivemos, o Senhor nosso Deus, e o seu Filho, o nosso Redentor, e santos anjos, que outrora exerceram autoridade como homens mortais, vieram à terra em seus corpos ressuscitados e restauraram aquela autoridade perdida. Quando o incrédulo pôde ver o caráter maravilhoso desta obra, quando o sacerdote católico pôde discernir o fato de que, se a verdade de Deus se houvesse perdido da terra, só poderia ser restaurada pelo Redentor do mundo, certamente nós, que recebemos o evangelho restaurado, devemos compreender esse fato, e em nossas almas deveria haver aquela alegria que excede todo entendimento. ¶
Tenho a alegria de vos dizer, meus irmãos e irmãs, que este testemunho e este entendimento estão nos corações dos homens e mulheres que foram designados para trabalhar como missionários na pregação do evangelho do Senhor Jesus Cristo, na Missão da Califórnia, e, apesar de serem rapazes e moças, e de terem pouca experiência, pelo poder misterioso de Deus veio às suas almas uma convicção absoluta de que Jesus é o Cristo, o Redentor do mundo, e, de acordo com a sua força, poder e capacidade, eles estão entregando essa mensagem ao povo na Missão da Califórnia. Deus, de alguma maneira misteriosa, toca o coração dos homens e mulheres, por mais fraco que seja o instrumento que entrega a sua palavra, e leva convicção às almas dos homens, e eles saem das trevas que há no mundo e do disparate religioso que muitos ensinam, e recebem com alegria a verdade de Deus que foi revelada. Ela foi revelada, homens e mulheres, os céus foram abertos, o Senhor nosso Deus apareceu, a autoridade divina foi conferida aos homens. Rogo a Deus que tivéssemos o poder de declará-lo aos ouvidos de todos os que vivem, pois é a verdade de Deus. Que o nosso Pai Celestial nos abençoe de tal maneira que sejamos fiéis à fé e trabalhemos a nossa salvação, e façamos brilhar a nossa luz diante dos homens, para que sejam guiados das trevas para a luz que assim foi manifestada, e firmem os seus pés no caminho que foi revelado — pois, tão certo como vive Deus Todo-Poderoso, a verdade foi revelada, a qual levará os homens de volta à presença do Senhor nosso Deus. Que todos nós trilhemos esse caminho fielmente todos os dias da nossa vida, rogo humildemente, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶