O Pagamento do Dízimo
John Wells
Sem dúvida, todos ficaram profundamente impressionados com a variedade de assuntos apresentados durante esta conferência. Parece ser o sincero desejo de todos os oradores abençoar, aconselhar, orientar e instruir os Santos dos Últimos Dias para que alcancem um plano mais elevado, tanto no desenvolvimento temporal quanto no espiritual. A música tem sido inspiradora. Sem dúvida, alcançou nossas próprias almas e foi cantada por aqueles que sentem o que cantam. A música dos Santos dos Últimos Dias não é contratada para criar efeito, mas é parte da adoração congregacional. ¶
Não é o que ouvimos que tanto nos beneficia, mas os pensamentos que penetram fundo em nossa alma, que ecoam não apenas em nossos ouvidos, mas que se tornam parte do hábito de nossa vida e que nos beneficiarão. Se levarmos conosco para casa o conselho e as instruções que recebemos, e desenvolvermos em nossos corações uma determinação firme de seguir esse conselho e torná-lo parte de nossa vida diária, nos desenvolveremos como o Senhor espera que o façamos. ¶
Na sexta-feira, o presidente Heber J. Grant referiu-se à grande obra missionária da Igreja. Declarou que havia 1.775 homens e mulheres trabalhando nas nações da terra e neste grande país, sem nenhuma esperança de recompensa terrena. Estão sofrendo provações e, por vezes, aflições que consternariam pessoas comuns. Vão de porta em porta com as mensagens do evangelho, muitas vezes têm estas portas fechadas em seus rostos; em muitos casos, lutam para adquirir outro idioma. O Senhor os abençoa tão abundantemente em seu trabalho e ministério que, em poucas semanas ou meses, conseguem fazer o que outros não conseguiram fazer em anos, isto é, expressar-se em uma língua estrangeira. E tem sido motivo de constante comentário e admiração, para o povo do mundo, a rapidez com que os Santos dos Últimos Dias adquirem um idioma estrangeiro. ¶
Muitas pessoas têm a ideia de que o sucesso na vida se mede em dólares e centavos; outras, pela aquisição de terras e gado e ovelhas; outras, pela acumulação de ações e títulos. Mas há, no evangelho, algo muito mais substancial, muito mais importante do que o sucesso medido em dólares e centavos ou nas coisas do mundo. E uma das características marcantes dos Santos dos Últimos Dias é a grande obra realizada por seus missionários em todas as partes do mundo; por suas vidas exemplares, ensinam ao mundo que há algo no "mormonismo" diferente das outras religiões. O fermento do evangelho está lentamente vivificando as teorias dos homens a respeito do cristianismo. Não só isso, há também o grande desenvolvimento que vem aos próprios missionários. Podem voltar para casa sem a satisfação de terem feito conversos, mas realizam uma obra maravilhosa para si mesmos, ao obter um testemunho do evangelho de Jesus Cristo, a coisa mais preciosa que um homem ou uma mulher pode obter. ¶
Não é necessário que os Santos dos Últimos Dias meçam seu sucesso no mundo pelo número dos que abraçam o evangelho, embora seja sempre gratificante saber que outros receberam, com corações alegres, a mensagem do evangelho que nos veio. Mas o Pai, quando apareceu ao profeta Joseph, achou que um homem já era suficiente para mostrar-se a ele, para que este fosse uma nova testemunha de Deus. ¶
Eu conversava outro dia com um homem que acabara de receber uma carta de seu filho, respirando o espírito e o poder do evangelho. O pai disse: "Sim, aquela carta, por si só, já me pagou por todo o trabalho, a despesa e todo o esforço que fizemos para manter aquele rapaz no campo missionário." Mantenhamos um fluxo constante de rapazes e moças no campo missionário. Que cada ala cumpra plenamente sua parte, advertindo o mundo, ao enviar missionários para proclamar a mensagem do evangelho. Não meçamos a obra do Senhor em termos de carteira, mas meçamo-la em termos de vida eterna, que virá a nossos jovens que desempenham sua parte e permanecem fiéis ao convênio do evangelho. ¶
Talvez eu deva dizer algo sobre as coisas temporais, pois meu dever e meu chamado é ministrar em todas as coisas temporais. O presidente Grant já expressou, mais de uma vez, seu desejo de que o Santo dos Últimos Dias saia da dívida. Estamos às vésperas de outra era de prosperidade. Se será permanente ou não, só o tempo poderá dizer. As nações da Europa ainda lutam e tentam erguer a cabeça do caos causado pela guerra. São incapazes de comprar as necessidades da vida, muito menos importar artigos de luxo, ou mesmo as necessidades, de outros países. Nossa atual onda de prosperidade pode não ser permanente; pode ser que, na providência do Senhor, haja uma era de bons tempos para este país, que afetará igualmente os Santos dos Últimos Dias e lhes permitirá sair da dívida. Assim, quero instar meus irmãos e minhas irmãs a levar a sério o conselho do presidente e a fazer um esforço para libertar-se do jugo da dívida. ¶
Alguns de meus irmãos e irmãs dizem estar tão presos pela dívida que não sabem para onde se voltar. Bem, há apenas quatro maneiras de mudar essa situação. A primeira é ganhar mais. Alguns de nós não conseguimos fazer isso. A segunda é gastar menos. A maioria de nós não gosta de fazer isso. A terceira é dispor de nossos bens, e, com nossa parte livre dos bens não onerados, pagar nossas dívidas. Mas quero dar-vos um quarto método de pagar vossas dívidas, e é este: pagar vossos dízimos e ofertas na época devida. Se dermos o dízimo de tudo o que o Senhor nos dá, que nos pertence, e o fizermos na época devida e no momento em que o recebemos, o Senhor disse que abençoará e fará prosperar a terra por nossa causa. E há centenas de maneiras pelas quais o Senhor trará circunstâncias e condições em que nossas dívidas se tornarão mais leves e mais facilmente pagas, e fundos virão às nossas mãos quando observarmos a lei do dízimo. ¶
Deixai-me ilustrar isso, contando-vos um incidente que ocorreu há poucos dias. Certo irmão bem conhecido, cujo pai já foi para o descanso — um grande homem nesta Igreja, um homem que deixou um nome e uma fama que jamais serão esquecidos — estava na lista dos não-dizimistas. Falei com ele sobre o pagamento de seu dízimo. Disse-me que não podia pagar de maneira alguma, porque havia prometido ao banco, onde devia uma grande quantia, entregar todo o seu salário daquele mês. Eu disse: "Não tens o direito de prometer isso ao banco, que pertence ao Senhor. É aí que cometes o erro. Tomaste o dinheiro do Senhor e o aplicaste para teus próprios fins, privando-te, assim, de uma bênção." Ele respondeu: "O que devo fazer?" Eu disse: "Se fosse o meu caso, pagaria meu dízimo e confiaria no Senhor para encontrar algum modo de me ajudar em minhas dificuldades." Ficou em pé, um pouco hesitante, sem saber o que fazer. Voltei à minha mesa. Ele entrou e disse: "Vou fazê-lo," e foi ao departamento apropriado do escritório, pagou um décimo de seu salário e ficou de pé, do lado de fora, na escada da frente, sem saber o que fazer. Enquanto ali estava, pensando em algum tipo de desculpa, veio a ele um homem que lhe devia dinheiro havia vários anos, e disse: "Tenho estado à tua procura há um dia ou dois. Aqui estão os $25 que te devia, de anos atrás." Aquela era exatamente a quantia de seu dízimo. ¶
Ora, não desejo deixar a impressão de que o Senhor vos dará, ou a mim, exatamente tanto de volta quanto lhe pagamos em dízimo. Não vos deixeis levar por essa ideia. Mas desejo apelar aos Santos dos Últimos Dias para que se sentem consigo mesmos e com sua consciência, uma vez por mês, descubram o que o Senhor lhes deu, o seu rendimento, e o dizimem em primeiro lugar. Então, as bênçãos do Senhor certamente estarão sobre os 90 por cento que ele nos deu para usar de acordo com nosso bom senso e discernimento. ¶
Se vivermos os mandamentos do Senhor, teremos direito às suas bênçãos e às inspirações de seu Espírito, que trarão alegria e felicidade às nossas almas. ¶
Um solo intitulado "O Senhor ressuscitou" foi cantado pela senhora Mark Gardner. ¶