Pulpit

Discurso de Reed Smoot

Reed Smoot

1922 Conferência Geral de Outubro·Sessão da Manhã do Terceiro Dia·1922-10-08

Nunca me senti tão humilde, e minha fraqueza jamais me pareceu tão grande quanto neste momento. Nunca me senti melhor na obra do Senhor, em toda a minha vida, do que me sinto no presente momento. Nunca desfrutei de uma conferência geral da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias como desfrutei desta. Começando com aquele notável sermão proferido por nosso Presidente, no dia de abertura da conferência, passando por todos

os oradores, tive em meu coração um eco de alegria e aprovação que verdadeiramente me fez sentir que vale a pena viver.

Os Ensinamentos de Minha Mãe

Não sei por que, mas desde a sessão de abertura desta conferência, tenho pensado em minha mãe, talvez mais vezes, desde aquele momento até agora, do que em qualquer outro período desde que ela foi chamada para o além. Tive a oportunidade, ontem à noite em meus sonhos, de agradecer-lhe — seu filho lhe agradeceu — pelos ensinamentos que ela me deu e incutiu em meu coração quando eu era apenas um menino. Parece que ainda posso ouvir sua voz ressoando agora; pareceu-me, em meus sonhos de ontem à noite, que eu podia ouvir suas súplicas para comigo, e seu sensato conselho e sábia orientação. Lembro-me muito bem de que ela costumava frisar para mim que nenhuma pessoa, batizada na Igreja ou não, pode reter um testemunho de que Deus vive, sem pedir ao Pai nos céus, em humildade e oração, que lho dê e a ajude a manter esse testemunho e o amor pela obra. Ela costumava dizer-me que, se eu não tivesse um testemunho, então, de que Jesus é o Cristo, o modo de obtê-lo era orar a Deus constantemente e com fervor, e ela me prometeu — minha mãe me prometeu — que o Senhor Deus mo daria no tempo devido, se eu me mantivesse imaculado dos pecados do mundo. Essa promessa se cumpriu, talvez não da maneira como eu pretendia que se cumprisse; não da maneira como eu esperava que devesse vir, para satisfazer minha alma, mas veio à maneira de Deus, e não há nada que eu aprecie tanto, em todo o mundo, e nunca deixarei de pedir a meu Deus que me ajude, enquanto eu viver, a manter esse testemunho e a ser fiel à obra e à causa de Deus aqui sobre esta terra.

Seu lema era: "Sê fiel a ti mesmo, sê fiel a teu país, e sê fiel a teu Deus; e não importa o que te aconteça, o final será o sucesso." Eu mal o compreendia então. Não sabia o que significava, mas, graças a Deus, sei hoje o que significa, e testifico ao povo aqui presente, e a todo o mundo, que, se fordes fiéis a vós mesmos, fiéis aos convênios que fizestes com Deus, fiéis a vosso país, não pode haver perigo algum que, de nenhuma forma, maneira ou figura, vos impeça de receber as bênçãos de Deus e o aplauso de todos os homens honrados.

A Posição da Igreja Perante o Governo dos Estados Unidos

Quando o presidente Grant lia a seção 134 de Doutrina e Convênios, aquela seção em que está contida a declaração da Igreja acerca de nossas obrigações para com nosso governo e as leis do mesmo, não pude deixar de recordar cerca de vinte anos atrás — um mero espaço de tempo — quando fui acusado de deslealdade a meu governo. Fui acusado de ter feito, como senador dos Estados Unidos, um juramento incompatível com o juramento que havia feito como membro da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

Nada jamais me feriu tanto. Eu sabia, em minha alma, que daria minha vida, não só por minha Igreja, mas por meu país, se necessário fosse. Eu sabia que não havia homem vivo mais leal à constituição dos Estados Unidos, a suas leis, a suas instituições, do que eu, a menos que esse homem tivesse recebido maior poder e maior sabedoria. E, nas audiências do caso, à medida que se arrastavam de mês a mês, e de ano a ano, lembro-me bem de que o falecido senador Philander C. Knox, da Pensilvânia, membro do Comitê de Privilégios e Eleições do Senado, veio a mim certa manhã e perguntou-me se a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias cria em nossa forma de governo. Disse ao senador que acreditávamos que a constituição dos Estados Unidos era um instrumento inspirado por Deus; acreditávamos que os homens que a redigiram e a puseram em vigor foram inspirados e dirigidos pela mão soberana de Deus. Ele disse: "Tendes alguma declaração que mostre essa vossa crença?" Chamei-lhe primeiro a atenção para o 12º artigo de nossa fé. Li-o para ele, mas isso mal o satisfez — aquela breve declaração — e ele perguntou se não havia alguma declaração escrita e publicada pela Igreja, mostrando sua atitude para com o governo e as leis de nossa terra. Eu disse: "Senador Knox, farei com que, até amanhã de manhã, tenhais um exemplar de Doutrina e Convênios, e vos peço que abrais na seção 134 e a leiais, e ali encontrareis uma declaração clara, concisa e direta da posição da chamada Igreja 'mórmon' para com o governo dos Estados Unidos e as leis de nosso país." Isso o satisfez. Não tive apoiador mais leal do que o senador da Pensilvânia.

O Poder da Oração

Meus irmãos e irmãs, quero reconhecer diante de vós, neste dia, que durante todo aquele tempo tumultuado reconheci a mão de Deus em tudo isso. Não era Reed Smoot quem eles combatiam — era a Igreja de Deus, e quero também reconhecer, ao povo aqui presente, hoje, que nenhum poder maior me veio de nenhuma outra fonte além do alto, por meio da oração constante e fervorosa por auxílio do alto.

Pergunto-me se o mundo de hoje crê na oração, como cria nos primeiros dias de nosso país. A oração do homem justo pode muito em seus efeitos. Pergunto-me se nosso próprio povo está atendendo às suas orações diárias como era seu costume em anos passados. Pais e mães, se não ensinardes aos filhos como orar, e se vós mesmos não orardes, ficará destrancada uma porta, e a influência maligna dos poderes das trevas entrará no lar. Lembro-me de que, quando eu era conselheiro na estaca de Utah de Sião, embora houvesse poucos casos de conflito entre esposa e marido que chegassem à Presidência para decisão, em cada um desses casos verificava-se que, naquele lar, a oração havia sido abandonada; e suplico ao povo aqui presente que não apenas ore, mas que também faça seus filhos orarem, e lhes ensine a orar.

Recortei ontem de manhã, de um jornal, um trecho de um periódico de Chicago. Fiquei encantado ao lê-lo, e vou ler-vos agora uma parte dele. Talvez não o tenhais notado:

"A consideração, na Conferência Geral Trienal da Igreja Episcopal Protestante, da cura divina, e a questão de lhe conceder sanção oficial como parte da obra da igreja, chamou a atenção para o fato de que várias igrejas na diocese de Chicago já mantêm classes de cura pela fé. Nosso método é o de James, o leigo anglicano, que conduziu reuniões de cura em Chicago há alguns anos;" e então, irmãos e irmãs, continua descrevendo o que estão empreendendo fazer, e conclui dizendo que estavam seguindo o plano de James — não o Apóstolo Tiago de outrora, mas James, o leigo anglicano.

Negam que haja qualquer poder de Deus na administração. Pensei comigo mesmo: quisera eu que os povos do mundo começassem a pensar mais na oração e a seguir os ensinamentos do Mestre — a seguir o plano estabelecido por Tiago, nos dias do Salvador, pois ele diz: "Está alguém entre vós doente? Chame os anciãos da igreja, e orem sobre ele, ungindo-o com azeite em nome do Senhor; E a oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará; e se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados."

Uma Experiência Recente

Sei, tão certamente quanto sei que vivo, que há poder na oração. Não sei se seria apropriado, neste momento, chamar a atenção para uma experiência que tive há exatamente quatro semanas. Na tarde de domingo, fui à Casa Branca, visitar o Presidente. Por dias, a senhora Harding jazia à beira da morte. O Presidente estava no quarto da enferma quando cheguei, juntamente com o Dr. Mayhoe, o Dr. Finney, o Dr. Harding e mais alguns médicos proeminentes. O assistente anunciou ao Presidente que eu viera visitá-lo, e ele saiu do quarto da enferma para seu gabinete particular, contíguo ao quarto. Ele estava velando pela senhora Harding, dias e noites a fio, vendo cada dia trazê-la mais perto da beira do túmulo, e os médicos acabavam de decidir que nada a salvaria senão uma operação. A decisão sobre a operação foi deixada a cargo do Presidente. O Presidente disse: "Nunca tive, em toda a minha vida, uma questão trazida a mim para decisão diante da qual me sentisse tão impotente." Não tenho tempo para entrar em detalhes. Preocupado como estava, abatido como estava, pareceu-me que, se alguma palavra de encorajamento pudesse ser dada a ele, deveria ter sido dada. Que mulher maravilhosa é a senhora Harding, deitada em seu leito de doente por dias. Quando o Dr. Finney estava saindo do quarto, ela deu ordens para que fosse levado à estação no carro do Presidente, em vez de mandar chamar um para si mesma; e, enquanto o Presidente e eu discutíamos questões relativas à legislação, sobre as quais ele me pedira que lhe fizesse um relatório, e justamente quando eu estava para sair, o assistente trouxe ao quarto uma bela caixa de rosas, dizendo que a senhora Harding lhe ordenara que a trouxesse para que eu a entregasse à senhora Smoot. Ninguém pensava que a senhora Harding sobreviveria àquela noite. A decisão sobre a operação tinha de ser tomada, disse-me o Presidente, antes da meia-noite; e, ao sair do quarto, ele veio comigo até chegarmos ao alto da escada. Voltei-me para o Presidente e disse: "Presidente, ainda há esperança. Já vi homens e mulheres se levantarem de um leito de morte. Sei que há poder, Sr. Presidente, na oração — a esposa ainda pode ser salva. Não vos desanimeis." E disse: "Esta noite subirá uma oração de minha casa, para que Deus lhe poupe a vida, para que não tenha de se submeter a uma operação." Ele me disse: "Senador Smoot, quisera eu saber isso com certeza. Creio na oração. Quisera eu saber que Deus, por meio da oração, curaria a enferma." Havia milhões de pessoas orando por ela, de uma ponta a outra do país, mas, à medida que aqueles renomados médicos se sentavam ao redor do leito, à medida que a meia-noite se aproximava, sobreveio uma mudança. Deus ouvira as orações por ela, e a crise havia passado.

Quantos casos poderíamos relatar, testificando de exatamente tal poder, e espero e confio que jamais esqueçamos que Deus governa o universo.

Dias atrás, minha atenção foi chamada para uma maravilhosa pintura, cujo autor era Tompkins H. Mattson. Chamava-se "A Primeira Oração no Congresso". Notei, naquela pintura, que a maioria de todos os membros daquele primeiro congresso, realizado em Carpenter Hall, na Filadélfia, em 5 de setembro de 1774, estava ajoelhada em oração, e entre os que estavam ajoelhados notei George Washington, Patrick Henry, John Rutledge, o coronel Folsom, Peyton Randolph, Richard Henry Lee, John Jay, Isaac Lowe — alguns dos mais renomados cidadãos americanos que já existiram.

Uma Advertência aos Que Violam a Lei

Desejo agora, em poucas palavras, ao concluir, pois vejo que o tempo já passou, dizer que as leis da terra devem ser obedecidas e cumpridas. Quero advertir os legisladores; quero advertir os homens de negócios; quero advertir os ricos dos Estados Unidos de que não podem violar a lei impunemente. Em algum momento no futuro, seus atos se levantarão para atormentá-los. Os homens não podem servir bebidas alcoólicas de todo tipo em seus jantares — não apenas em violação da lei por parte de quem lhas vendeu, mas em violação da lei por parte deles próprios — sem que, mais cedo ou mais tarde, paguem a pena. A violação da lei é o primeiro passo para a anarquia, e não pensemos que o homem que não tem consideração pela lei, nenhum amor pela constituição dos Estados Unidos — um proscrito em toda a sociedade — não possa ver a violação das leis, por parte dos legisladores, dos ricos da terra, e não se aproveite disso, oferecendo-a como desculpa para seus próprios atos. Assim, meus irmãos e irmãs, peço-vos que sejais leais, não apenas à constituição, mas às leis de nossa terra.

"Não me envergonho do evangelho de Jesus Cristo, pois é o poder de Deus para a salvação." Sei que Deus vive. Sei que esta é sua Igreja. Sei que tudo o que ele predisse se cumprirá, se apenas formos leais e fiéis, e sustentarmos sua obra aqui sobre esta terra.

Deus vos abençoe a todos. Amém.

Como citar este discursoReed Smoot, “Discurso de Reed Smoot”, 1922 Conferência Geral de Outubro, Sessão da Manhã do Terceiro Dia (1922-10-08). Pulpit Vault, 1922-10-28-reed-smoot-remarks-31. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).