O Desprezo pela Lei, uma Ameaça Mundial
George F. Richards
Em uma das revelações do Senhor a seu servo Moisés, ele usou esta expressão: "Pois eis que esta é minha obra e minha glória: Levar a efeito a imortalidade e vida eterna do homem." Conforme aqui empregada, entendemos que "vida eterna" significa exaltação com nosso Pai Celestial em seu reino celestial. Para realizar esse propósito, foi instituído o evangelho, que inclui a expiação de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. O evangelho é o plano dos Deuses para a existência desta terra e do homem sobre ela, para sua queda, sua redenção e sua glorificação, pois não apenas o homem há de ser redimido e glorificado por meio da obediência às leis e ordenanças do evangelho e dos efeitos do sangue expiatório de nosso Salvador, mas também a terra há de ser renovada e receber sua glória paradisíaca, e ser preparada para que os santificados possam nela habitar. ¶
O Desprezo pela Lei Como Causa da Queda das Nações
A terra da América do Norte e do Sul é uma porção muito favorecida do estrado dos pés de nosso Pai, e ele declarou com sua própria boca que é uma terra de promessa — uma terra escolhida — acima de todas as outras terras. Seus olhos estiveram sobre ela. Nos dias da confusão das línguas, na torre de Babel, quando aquele pequeno grupo de homens e mulheres associados ao profeta Jarede, e seu irmão, buscaram o Senhor para que sua língua fosse preservada, e para que seu favor lhes fosse concedido, ele atendeu ao seu desejo e os conduziu através das grandes águas até esta terra da América. Foi-lhes dada a promessa de que, se nesta terra prometida fossem fiéis, ela lhes seria uma terra de promessa que jorraria leite e mel, mas que, se não servissem ao Senhor, e antes se entregassem à iniquidade, seriam varridos de sobre a sua face. A história deste povo, contida no Livro de Mórmon, diz-nos claramente que, por causa de sua iniquidade, não obstante se houvessem tornado um povo poderoso e numeroso, foram varridos da face da terra por meio de contendas, guerras e lutas entre si. ¶
Cerca de seiscentos anos antes da vinda de nosso Senhor, no meridiano dos tempos, Leí, um grande profeta, juntamente com Jeremias e outros, ¶
pregou o evangelho aos habitantes de Jerusalém, mas seu testemunho foi rejeitado e sua vida foi ameaçada. O Senhor o conduziu para fora, com uma pequena colônia, através das águas, e os estabeleceu também na América. ¶
Depois, Muleque, com uma colônia vinda de Jerusalém, chegou a esta terra. Essas colônias se estabeleceram na parte sul da América do Norte, na América Central e na parte norte da América do Sul. E toda esta terra, assim como aquela para a qual migraram, ao norte e ao sul, foi designada pelo Senhor como a terra de promessa. Por causa da iniquidade de uma parte do povo de Leí, foram amaldiçoados com uma pele escura e se tornaram um povo degradado e repugnante. Estes foram chamados lamanitas, segundo o nome de seu primeiro líder em rebelião. O restante do povo de Leí foi chamado de nefitas. Com o passar do tempo, eles também se tornaram iníquos e contenciosos, e finalmente foram destruídos. Creio que a queda dos governos e a destruição das nações são resultado natural do desprezo pela lei e pelo governo, e pelos princípios da retidão. Que as nações sejam advertidas. ¶
A Necessidade de Viver Vidas Retas
Ao ouvir os irmãos falarem sobre o tema central, tal como tem sido caracterizado — a obediência à lei — pensei em minhas bênçãos e as contei, e entre elas destaquei a bênção de ter o privilégio de viver aqui, nesta terra da América, e particularmente dentro das fronteiras dos Estados Unidos, porque é um bom país, mas mais do que isso, por causa do governo que Deus nos deu nestes Estados Unidos. Espero e oro sinceramente para que o povo que agora habita estas terras seja levado a compreender a necessidade, por seu próprio bem e pelo bem de sua posteridade, de viver vidas retas e de buscar o Deus desta terra, adorando-o e servindo-o, para que ela seja para nós uma terra de promessa — uma terra escolhida, de fato. ¶
Sou grato também por meu lar e pelas associações felizes que tenho nestes vales pacíficos das montanhas; também pela proteção que aqui nos é concedida; e pela paz de que desfrutamos, pois há aqui uma paz que não se sente em toda a extensão destes Estados Unidos e nos demais países do mundo. ¶
A Estreita Relação Entre o Homem e a Terra, a Igreja e a Nação
Ao falar do propósito de nosso Senhor, do plano de salvação, da queda do homem e da terra, desejo trazer à vossa atenção, meus amigos, irmãos e irmãs, a estreita relação existente entre o homem e esta terra. Quando o homem, por sua desobediência, foi expulso, a terra também foi amaldiçoada por causa dele, de modo que, em vez de produzir espontaneamente frutos, flores, grãos, gramíneas etc., necessários para sustentar a vida do homem e dos animais, ela produziu espinhos e cardos, sarças e ervas daninhas nocivas, e foi somente com o suor do rosto do homem que essas coisas necessárias passaram a ser produzidas. Creio, irmãos e irmãs, que existe uma proximidade semelhante entre a Igreja de Cristo e o Estado, ou entre a lei da terra e a lei de Deus, particularmente no que se refere aos Estados Unidos e a seu governo. Não creio que a Igreja deva tentar controlar ou ditar os assuntos de Estado, nem vice-versa, mas creio que tanto a Igreja quanto o Estado devem esforçar-se por tornar o povo, os cidadãos da nação e os membros da Igreja, um povo trabalhador, próspero, obediente à lei, pacífico e reto. A Igreja necessita da proteção que o Estado, ou o governo, lhe proporciona, e o governo necessita da influência da Igreja sobre a vida e a conduta de seus cidadãos. ¶
Uma das Regras de Fé da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias diz: "Cremos em sermos sujeitos aos reis, presidentes, governantes e magistrados, em obedecer, honrar e sustentar a lei." Sujeitos a reis e presidentes? Sim. A governantes e magistrados? Sim. Em razão do direito de voto que nos é concedido como cidadãos destes Estados Unidos, temos uma responsabilidade e um privilégio; temos a incumbência de eleger, direta ou indiretamente, aqueles que nos presidem, que são nossos oficiais e nossos servos, e é dever de todo cidadão dos Estados Unidos usar seu direito de voto e suas oportunidades para que sejam eleitos, para cargos na cidade, no condado, no estado e na nação, homens que representem justamente o povo. Eles próprios devem ser cidadãos obedientes à lei. Devem ter no coração o bem comum do povo. Devem ser filantrópicos, altruístas, tendo o desejo de usar seus talentos, e, se necessário, seus meios, ao menos para fazer sua parte no sustento do governo, e trabalhando pelo bem comum de todos. Devem ser homens retos, para que possam receber ajuda de Deus, pois ele se compraz em ajudar os que são retos e que se dedicam a uma causa reta. Ele declarou, com sua própria voz, que redimiu esta terra pelo derramamento de sangue, e que, portanto, ela deve ser considerada uma terra sagrada e consagrada. Por meio de homens que foram suscitados pelo Senhor e por ele inspirados, foi-nos dada a constituição destes Estados Unidos, e todas as leis promulgadas devem estar em conformidade com ela. ¶
O Dever de Escolher Oficiais Leais e de Sustentá-los
É o governo de Deus; ele nos deu uma inspiração a respeito do governo, e este é um exemplo para o mundo inteiro. Não vejo razão para que um senador dos Estados Unidos, um governador de estado, uma assembleia legislativa, os juízes no banco, ou outros oficiais, não devessem ser tão íntegros, leais e retos que Deus lhes concedesse inspiração para guiá-los em seu trabalho; e se forem homens desse caráter, nós os apoiaremos e sustentaremos; e as instituições de nosso país, e as liberdades e a liberdade do povo, serão preservadas e protegidas. ¶
Temos um dever ao eleger esses oficiais, e depois, quando ¶
são eleitos, temos o dever de apoiá-los e sustentá-los. Não importa, quando o Presidente destes Estados Unidos é eleito e presta o juramento do cargo, e assume a responsabilidade de sua administração, se ele é republicano ou democrata; todos são obrigados a apoiá-lo em sua posição. Se ele não engrandece seu chamado de acordo com o juramento de seu cargo, suponho que possa ser destituído, mas até que o seja, ele é nosso presidente e devemos falar bem dele em casa e no exterior; o mesmo se aplica aos oficiais de menor hierarquia — os governadores dos estados, os prefeitos de nossos municípios etc. ¶
Cremos em Honrar e Sustentar a Lei
Cremos em honrar e sustentar a lei. Isso, para os Santos dos Últimos Dias, é um princípio do evangelho. O Senhor nos deu isso, e significa que ele espera que nós, como membros de sua Igreja, apoiemos e sustentemos a lei, e lhe sejamos obedientes, e que, quando violamos as leis da terra, violamos a lei de Deus, e não somos bons Santos dos Últimos Dias; não somos representantes dignos deste corpo religioso, e não temos, por nós mesmos, o direito de desprezar as obrigações que recaem sobre nós como membros da Igreja. Quando homens são eleitos para cargos em que se torna seu dever fazer cumprir a lei, é dever religioso deles, tanto quanto dever civil ou político, fazer cumprir a lei de acordo com seu entendimento dela, e com os poderes que lhes foram concedidos para tal. E assim, cremos em apoiar e sustentar a lei e as autoridades da lei, dando-lhes nosso apoio moral e todo o apoio que pudermos dar, e assim mantemos a integridade do governo dos Estados Unidos e do estado a que recorremos em busca de proteção naquelas coisas que nos são mais caras do que a própria vida — a liberdade e o direito de adorar a Deus segundo os ditames de nossa consciência. ¶
Digo, pois, que o Estado necessita da Igreja, e a Igreja necessita do Estado, e juntos devemos trabalhar harmoniosamente para esses fins. Ao fazê-lo, estamos ajudando a Deus, o Pai Eterno, no grande objetivo e propósito de todas as suas obras, que é a salvação das almas dos homens em seu reino. ¶
Que o Senhor acrescente sua bênção, oro, em nome de Jesus. Amém. ¶