Pulpit

Uma Visita às Missões Distantes da Igreja

David O. McKay

1922 Conferência Geral de Abril·Sessão do Segundo Dia·1922-04-07

"Então dali buscarás ao Senhor teu Deus, e o acharás, quando o buscares de todo o teu coração e de toda a tua alma. Quando estiveres em angústia, e todas estas coisas te sobrevierem, mesmo nos últimos dias, se te voltares ao Senhor teu Deus, e ouvires a sua voz; (porquanto o Senhor teu Deus é Deus misericordioso). Ele não te desamparará, nem te destruirá, nem se esquecerá do convênio de teus pais, que lhes jurou."

Ao meio-dia de hoje, invejei a paz a que tinha direito o irmão Joseph Fielding, e que tenho certeza de que ele desfrutou, após seu discurso de encerramento desta manhã. Não é tarefa fácil antecipar o enfrentamento deste auditório.

UMA VISITA ÀS MISSÕES DISTANTES DA IGREJA

Passaram-se dezoito meses desde que tive o privilégio de tremer diante de uma congregação neste tabernáculo. Doze meses desse tempo foram passados em companhia do presidente Hugh J. Cannon, visitando as missões distantes da Igreja. Quando o presidente Grant sugeriu o irmão Cannon como meu companheiro, aquiesci prontamente, pois conhecia seu valor. Então eu o respeitava; hoje eu o amo. Creio que isso vos transmite o fato de que nossa convivência constante, por mais de doze meses, dia e noite, foi das mais agradáveis e felizes.

A PROXIMIDADE DE DEUS CONOSCO, E SUA MÃO ORIENTADORA

Gostaria muito, esta tarde, de escolher alguma parte daquela viagem maravilhosa e levar-vos por ela, mas durante toda esta conferência tenho sido impelido a tentar dar a mensagem que me pareceu ser a mais preciosa, de todas as nossas experiências; a saber, as muitas manifestações da proximidade do Senhor e de sua mão orientadora.

A MENSAGEM

A mensagem se encontra na passagem que li: "Se te voltares ao Senhor teu Deus, e fores obediente à sua voz, ele não te desamparará." Oro para que eu seja capaz, em poucas palavras, de transmitir essa mensagem aos irmãos e irmãs presentes esta tarde, na esperança de que a transmitam às multidões de rapazes e moças que deveriam receber, ainda que indiretamente, a inspiração desta memorável conferência.

UM AGUDO SENSO DA RESPONSABILIDADE DO VIAJANTE

Quando saímos de casa, em 4 de dezembro de 1920, olhávamos adiante, para a viagem que nos esperava, com não pouca apreensão e ansiedade. Não era coisa simples contemplar a viagem ao Oriente, e daí às Antípodas, boa parte dessa distância a ser percorrida sobre a água. A própria distância nos fazia perceber que estávamos assumindo uma grande responsabilidade. A ausência de nossos entes queridos foi profundamente sentida por ambos, mas, maior do que isso, e do que outras coisas incidentais que nos faziam hesitar em aceitar essa responsabilidade, era a compreensão de que estávamos indo numa primeira visitação a nosso povo, para representar as autoridades gerais. O agudo senso de nossa responsabilidade, de cumprir adequadamente os desejos do presidente Grant e de seus conselheiros e dos Doze, que nos haviam honrado com esse chamado, nos fez buscar o Senhor como jamais o havia buscado em toda a minha vida, e desejo dizer esta tarde que a promessa feita por Moisés aos filhos de Israel pouco antes de atravessarem o rio Jordão rumo à Terra Prometida se cumpriu em nossas experiências. À medida que buscamos o Senhor com toda a nossa alma, ele veio em nosso auxílio e nos guiou.

TENDÊNCIA DO MUNDO A NEGAR A EXISTÊNCIA DE UM DEUS PESSOAL

Pode ser que a percepção de nossa dependência dele tenha tornado mais evidente o que me parece ser uma tendência deplorável do mundo de desconsiderar, até mesmo de repudiar, sua relação com nosso Pai Celestial. Foi nosso privilégio ouvir educadores e outros homens ilustres falarem em diferentes lugares e em diferentes ocasiões, e conviver com diferentes classes de homens e mulheres a bordo de navios, pois passamos um total de cinco meses sobre a água, viajando em cerca de vinte e três embarcações diferentes, cada uma delas repleta de todas as classes de turistas, a maioria dos quais professos cristãos. Frequentemente nos entristecia notar a atitude de desculpa que esses homens e mulheres cristãos assumiam diante de Deus, seu Criador, e de seu Filho Jesus Cristo. Já estive em reuniões diversas, aqui neste Estado e fora dele, em que alguns homens, ao falarem dos primeiros pioneiros de Utah, se referiam de maneira meio pesarosa a Brigham Young, e em algumas ocasiões senti que os oradores até hesitavam em citar seu nome e dar-lhe o crédito devido pela colonização deste grande estado intermontano, e pela fundação de instituições que desde então se tornaram centros de influência e poder. Exatamente essa atitude tenho visto manifestar-se entre os assim chamados cristãos quando começam a falar de Deus. Ele não lhes parecia real. Não lhes parecia ser, de fato, seu Pai Celestial. Há uma tendência, parece-me, entre as nações cristãs, de se moverem em direção a uma concepção de Deus muito semelhante à concepção do budista que diz: "Não há um Deus-Criador pessoal de cuja misericórdia e boa vontade dependa o universo. Tudo deve sua origem e desenvolvimento a seu próprio vitalismo inerente, ou, o que dá no mesmo, a sua própria vontade de viver. É a ignorância humana que, sozinha, inventou um Deus-Criador pessoal." O budista rejeita totalmente a crença num Deus pessoal. Assim fazem muitos no mundo cristão. Em oposição a essa falsa concepção de Deus, desejo declarar que hoje sinto, como jamais senti em toda a minha vida, que Deus é meu Pai. Ele não é apenas um poder intangível, uma força moral no mundo, mas um Deus pessoal, com poderes criativos, o Governador do mundo, o Diretor de nossas almas. Gostaria que os jovens de Israel se sentissem tão próximos dele que se aproximassem dele diariamente, não apenas em público, mas em particular.

Gostaria que tivessem a confiança nele que a menininha cega tinha em seu pai. Ela estava sentada em seu colo, no trem, e uma amiga sentada ao lado disse: "Deixe-me descansar-lhe", e estendeu os braços e tomou a criancinha em seu colo. O pai lhe disse: "Sabes quem te está segurando?" "Não", respondeu ela, "mas tu sabes." Oh, a confiança daquela criança em seu pai. Ela sabia que estava segura porque ele sabia quem a estava segurando. Igualmente real deveria ser a confiança que os rapazes e as moças Santos dos Últimos Dias têm em seu Pai Celestial.

QUATRO GRANDES BÊNÇÃOS QUE VÊM DA FÉ EM DEUS E DA ORAÇÃO

Como Benjamin Franklin: "Quanto mais vivo, mais convincentes provas vejo de que Deus governa nos negócios dos homens; e se um pardal não pode cair ao chão sem ser notado, será possível que um império se erga sem seu auxílio?" Se pudermos fazer com que nossos jovens tenham essa fé, e assim se aproximem de seu Deus em segredo, há pelo menos quatro grandes bênçãos que lhes virão aqui e agora. A primeira é a gratidão — gratidão por bênçãos antes não percebidas. Suas almas se encherão de ação de graças pelo que Deus fez por eles. Se encontrarão ricos em favores concedidos. O jovem que fecha a porta atrás de si, que corre as cortinas, e ali, em silêncio, se prepara para suplicar a Deus por ajuda, deveria primeiro derramar sua alma em gratidão pela saúde, pelos amigos, pelos entes queridos, pelo evangelho, pelas manifestações da existência de Deus, tais como se veem nas rochas e nas árvores e nas pedras e nas flores, e em todas as coisas ao seu redor. Deveria primeiro contar suas muitas bênçãos, nomeá-las uma a uma, e se surpreenderá com o que o Senhor tem feito.

A segunda bênção da oração é a orientação. Não consigo conceber um jovem que se desvie do caminho se ajoelhar junto à cama pela manhã e orar a Deus pedindo ajuda para manter-se imaculado dos pecados do mundo. Creio que uma jovem não se desviará muito do caminho certo se se ajoelhar de manhã e orar para ser mantida pura e sem mácula durante o dia que se inicia. Não posso pensar que um Santo dos Últimos Dias guarde inimizade no coração se sinceramente, em segredo, orar a Deus para remover de seu coração todo sentimento de inveja e malícia para com qualquer de seus semelhantes. Orientação? Sim, Deus estará ali para guiar e dirigir aquele que "o buscar em fé, com todas as suas forças e com toda a sua alma."

A terceira bênção é a confiança. Por toda esta terra há milhares e dezenas de milhares de estudantes lutando para obter uma educação. Ensinemos a esses estudantes que, se quiserem ter êxito em suas lições, devem buscar seu Deus, que o maior mestre conhecido do mundo está perto deles para guiá-los. Uma vez que o estudante sinta que pode se aproximar do Senhor pela oração, receberá a confiança de que pode aprender suas lições, de que pode escrever seu discurso, de que pode ficar de pé diante de seus colegas e proferir sua mensagem sem medo de fracassar. A confiança vem por meio da oração sincera.

Por fim, receberá inspiração. Não é imaginação que podemos nos aproximar de Deus e receber dele luz e orientação, que nossa mente será iluminada, nossa alma emocionada por seu Espírito. Washington a buscou, Abraham Lincoln a recebeu, Joseph Smith a conheceu; e o testemunho, a evidência da inspiração do Profeta Joseph, se manifesta a todos os que apenas abrirem os olhos para ver e o coração para compreender.

EXEMPLOS DE INSPIRAÇÃO DESFRUTADA PELOS VIAJANTES

A inspiração nos foi dada nesta viagem. É por isso que toco neste tema.

Quero testificar-vos que Deus estava conosco quando ficamos de pé sob aquela árvore na velha China e giramos a chave para a pregação do evangelho no reino chinês. Minhas palavras podem não vos convencer desse fato, mas nenhum contestador poderá nos convencer de que nossas almas não estavam plenas, transbordando do Espírito de Deus naquela ocasião.

Outra vez, o véu se fez fino entre nós e amigos falecidos, quando ficamos em oração à beira do velho Haleakalá, o maior vulcão extinto do mundo, e derramamos ação de graças a Deus pelo que ele fizera pelos presidentes Joseph F. Smith, George Q. Cannon, pelos élderes Francis A. Hammond, James Hawkins e suas esposas, e outros missionários que levaram a mensagem do evangelho ao povo havaiano.

Conheci seu cuidado protetor nas Ilhas Tonga; pois quando o navio foi submerso por uma onda montanhosa, sentimos aquela paz e segurança que a menininha sentiu quando disse a seu pai: "Não, mas tu sabes, e eu estou segura."

Em Papeete, no Taiti, conhecemos sua mão orientadora e reconhecemos sua providência que tudo governa, quando, substituindo nosso próprio juízo por sua inspiração, ele nos moveu a fazer algo que nosso próprio juízo nos dizia não fazer, provando os acontecimentos posteriores que a inspiração veio em rica abundância nas reuniões do sacerdócio com vossos rapazes. Deus os abençoe, onde quer que estejam hoje, pois são servos de Deus, enquanto se mantiverem puros e sem mácula dos pecados do mundo, e vos testifico que seu Espírito os está guiando, magnificando-os em sua juventude, tornando-os um poder na pregação do evangelho de Jesus Cristo.

Novamente, entre os samoanos, sentimos sua presença em diversas ocasiões, especialmente naquela memorável despedida em Sauniatu. Permiti-me aproveitar esta ocasião para dizer, irmãos e irmãs, que não estamos suficientemente próximos dos taitianos, dos maoris, dos tonganos, dos samoanos e dos Santos na Austrália e na Nova Zelândia. Em distância, estão bem longe, e as visitações das autoridades gerais são raras demais. Precisam de coisas que não recebem — às vezes, creio, justamente por causa da grande distância que nos separa; mas seu coração é tão verdadeiro e genuíno, e sua fé tão sincera, quanto a vossa e a minha.

Outro exemplo memorável da mão orientadora de Deus foi vivido quando encontramos Joseph Wilford Booth exatamente no momento e no lugar em que deveríamos encontrá-lo para que nossa missão junto aos armênios fosse bem-sucedida. Ele não sabia onde estávamos, e nós não sabíamos onde ele estava. Ele orava para que se realizasse a esperança do presidente Grant, expressa numa carta; (pois o próprio presidente da Igreja também orava para que o irmão Booth nos encontrasse, e para que nós três fôssemos juntos à Armênia); nós orávamos para que pudéssemos encontrá-lo, de modo que nossa missão ali não fosse um fracasso, e Deus atendeu nossas orações. Se eu narrasse os detalhes, a maioria de vós também se convenceria de que havia algum poder acima do acaso que promoveu esse encontro.

A RESTAURAÇÃO DOS JUDEUS NA PALESTINA

Ora, digo que um resultado de nos aproximarmos de Deus, nosso Pai, é a inspiração. Permiti-me agora dedicar tempo suficiente para relatar uma pequena circunstância na qual a inspiração do Senhor ao Profeta Joseph — não, mais que inspiração, a revelação ao Profeta Joseph — se cumpriu em parte, ao menos, bem diante de nossos olhos. O mesmo capítulo do qual li na abertura de minhas observações também diz que: se eles [Israel] "se apartarem dos caminhos do Senhor, e voltarem a adorar imagens, tomo os céus e a terra por testemunhas contra vós, neste dia, de que em breve perecereis totalmente da terra a que ides passar o Jordão para possuí-la. Não prolongareis os vossos dias sobre ela, mas sereis inteiramente destruídos." "Mas", diz o Profeta, "nos últimos dias, se te voltares ao Senhor teu Deus, e fores obediente à sua voz, ele não se esquecerá do convênio de teus pais, que lhes jurou." Lembrai-vos também de que, no Livro de Mórmon, publicado antes da organização da Igreja, há uma passagem referente aos judeus, assim: "Não obstante, quando chegar o dia, diz o profeta, em que eles não mais voltarem o coração contra o Santo de Israel, então ele se recordará dos convênios feitos com seus pais." Se voltardes ao décimo capítulo de Segundo Néfi, vereis qual é essa promessa. "Serão restituídos na carne, na terra, às terras de sua herança." E outra observação significativa, de que "naquele dia os gentios serão grandes a meus olhos, por levá-los às terras de sua herança." Essa profecia revelada ao Profeta Joseph é altamente significativa à luz dos acontecimentos atuais, à luz da atitude dos judeus, hoje, para com o cristianismo, e para com Cristo.

UMA EXPERIÊNCIA SIGNIFICATIVA EM JERUSALÉM

Tudo isso, contudo, devo deixar por mera referência, e vos levar agora a Jerusalém, no dia 2 de novembro de 1921. No dia anterior, Jerusalém havia sido toda azáfama e negócios. A Rua David estava repleta de pequenas lojas em que judeus e maometanos exerciam seu comércio. Pequenos burros, pesadamente carregados de mercadorias, subiam os rústicos degraus de pedra da Rua David. Não vimos camelos naquela rua, sendo ela estreita demais. Camelos estavam deitados, depositando suas cargas junto ao Portão de Damasco. No dia 1º de novembro de 1921, Jerusalém era uma típica e agitada cidade oriental; mas no dia 2, tudo mudou. A Rua David, no que se referia aos negócios, estava silenciosa. As vitrines das lojas estavam fechadas, assim como as lojas fora da muralha. Junto ao Hotel Allenby, toda vitrine estava tapada com tábuas. Nenhum automóvel estava, como de costume, à frente do hotel, pronto para levar turistas até o Mar Morto e a Jericó. Nosso guia, Miguel, um cristão grego, parecia irradiar um pressentimento sinistro. Eu me aproximei dele meio jocosamente, e me perguntei o que teria ele. Ele permaneceu calado, sua atitude denunciando algo de mau, e nos deu a entender que ficássemos quietos. Mal havíamos chegado ao Portão de Jafa, onde, aliás, se vê o "fundo da agulha", quando ele rompeu o silêncio.

"Não vedes que todos os estabelecimentos comerciais estão fechados?", disse ele. "Sim", respondi, "que significa isso?"

"Significa", continuou ele, "que hoje os maometanos e os cristãos estão se unindo em protesto contra a declaração do Sr. Balfour de que a Palestina será reservada como Estado judeu."

Bem, foi como um raio num céu limpo. Eu não imaginara que houvesse oposição a esse movimento. Havíamos visto os judeus presentes na cidade exercendo seu comércio, evidentemente em paz, sem sofrer molestação. Havíamos consultado algumas estatísticas, e sabíamos que, em 1914, estimava-se que havia 80.000 pessoas em Jerusalém, das quais 50.000 eram judias, a maioria das quais chegara ali recentemente; pois cinquenta anos antes disso havia apenas 20.000 pessoas em Jerusalém, ao todo. Ora, ouvir de nosso guia, que parecia saber do que falava, que os maometanos e os cristãos se opunham ao retorno dos judeus, foi para mim um espanto. Não tenho tempo de vos levar por aquele dia inteiro, mas apenas chamo vossa atenção para o fato de que, às onze horas, quando voltamos à rua que leva ao bairro judeu, o irmão Cannon e eu manifestamos o desejo de conferenciar com os judeus a respeito da oposição tão fortemente manifestada naquele dia.

"Não vades para lá", exclamou Miguel.

"Por quê?", perguntamos.

"Porque há perigo."

"Não", respondi, "creio que não há perigo."

"Se fordes para lá, ireis sozinhos", disse nosso guia.

Eu disse: "Está bem, Miguel, é aqui que nos separamos. Encontrar-nos-emos às duas horas."

Assim, sozinhos, entramos no bairro judeu, para ouvir o outro lado da história. Jamais esqueceremos aquela cena. Grupos de judeus de países estrangeiros, da Rússia, da Romênia, e judeus ortodoxos, que estavam em Jerusalém havia vários anos, conversavam entre si em tom baixo. Das janelas e das varandas, mulheres nos observavam, evidentemente suspeitando que fôssemos espiões — crianças espiando por trás de venezianas e portas. Finalmente encontramos um jovem judeu que falava inglês; e, em resposta à nossa pergunta sobre o que tudo aquilo significava, ele disse:

"Os maometanos e os cristãos estão se unindo em protesto contra a declaração do Sr. Balfour de que a Palestina será separada como lar dos judeus."

Ao voltarmos, passamos novamente por um grupo de soldados britânicos em uniforme completo, incluindo capacetes de aço, mosquetes em punho, baionetas caladas, vigiando os judeus. Sabíamos quão necessária era sua presença; pois, ao subirmos a Rua David, havíamos visto vários judeus e duas judias, uma das quais apertava um bebê contra o peito, apedrejados por maometanos e assim chamados cristãos, sendo sua única ofensa serem judeus que haviam retornado à sua terra prometida.

Ao passarmos por esses soldados britânicos, eu disse: "Rapazes, esperamos que os mantenhais na linha (os muçulmanos)."

"Oh, creio que podemos", respondeu um dos "Tommies"; e, ao voltarmos para nosso hotel, comentamos essa cena e a significativa passagem que li: "E os gentios serão grandes a meus olhos ao restaurá-los à sua terra. Sim, os reis dos gentios serão seus aios, e as rainhas, suas amas." Na torre que hoje marca o local da torre de Davi, oficiais britânicos faziam sinais sobre a cidade, dando ordens para manter a paz; carros blindados, transportando soldados britânicos, percorriam as ruas para sufocar o levante ameaçado. Não obstante essas precauções, oito homens perderam a vida nas ruas de Jerusalém naquele dia.

Às cinco horas, foi dada a ordem, pelo governador-geral interino Samuels, o primeiro judeu a governar a Palestina desde antes dos dias do Salvador, de que ninguém deveria estar na rua depois das cinco horas. Aventuramo-nos a sair depois dessa hora apenas para ver se a ordem havia sido obedecida. E foi, absolutamente. Fomos testemunhas, naquele dia, do início do cumprimento daquela profecia que se refere ao tempo, agora próximo, em que os judeus "não mais voltarão o coração contra o Santo", e em que os gentios serão o meio de os restaurar à sua própria terra.

SE AO MENOS SOUBÉSSEMOS A PRONTIDÃO DE CRISTO PARA AJUDAR

No dia seguinte, atravessamos o Ribeiro de Cedrom, passamos pelo Jardim do Getsêmani e subimos o Monte das Oliveiras, até o lugar, tão próximo quanto pudemos determinar, onde Cristo esteve de pé quando olhou para Jerusalém e chorou por ela. À luz da oposição a seus propósitos, da qual fomos testemunhas, pensei que ele choraria de novo se ali estivesse hoje. "Ah, se tu conhecesses", exclamou ele, "ao menos tu, ao menos neste teu dia, o que é para a tua paz! Mas agora isto está encoberto aos teus olhos." Tampouco os que agora se opõem a seus propósitos conhecem o que é para sua paz. "Se ao menos soubessem!" Desejo dizer hoje aos filhos de Israel, nestes vales das montanhas, especialmente aos rapazes e às moças: se ao menos soubésseis que Cristo está sempre pronto a vos dar ajuda em tempo de necessidade, e conforto e força, aproximar-vos-íeis dele em pureza, simplicidade e fé. Indiquei, no princípio, como isso poderia ser feito. Permiti-me ilustrá-lo com um pequeno parágrafo que lerei em conclusão:

O construtor que primeiro atravessou a garganta do Niágara, Antes de lançar seu cabo, de margem a margem, Enviou, através do abismo, sua pipa aventureira, Trazendo um fio delgado para que mãos invisíveis O agarrassem no penhasco distante, e puxassem Um cordão maior, e ainda maior. Até que, por fim, através do abismo se estendeu O cabo — e então, uma poderosa ponte no ar! Assim também podemos enviar nosso pequeno e tímido pensamento Através do vazio, até as mãos que Deus estende — Enviar nosso amor e nossa fé para atravessar o abismo, Pensamento após pensamento, até que o pequeno cordão Se torne uma corrente que nenhum acaso possa quebrar, E — estejamos ancorados ao Infinito!

Que Deus abençoe nossa juventude, para que enviem esses pensamentos em oração e fé, e recebam a garantia de que estão ancorados ao Infinito, em Deus nosso Pai e em seu santo Filho, o Redentor do mundo. Esta é minha oração, e a peço em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoDavid O. McKay, “Uma Visita às Missões Distantes da Igreja”, 1922 Conferência Geral de Abril, Sessão do Segundo Dia (1922-04-07). Pulpit Vault, 1922-04-18-david-o-mckay-remarks-20. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).