Pulpit

A Natureza desta Conferência

Anthony W. Ivins

1922 Conferência Geral de Abril·Sessão do Primeiro Dia·1922-04-06

"Assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos, mais altos do que os vossos pensamentos. Porque, assim como descem a chuva e a neve dos céus, e para lá não retornam, porém regam a terra, e a fazem produzir, e brotar, e dar semente ao semeador, e pão ao que come, assim será a minha palavra, que sair da minha boca; ela não retornará a mim vazia; antes fará o que me apraz, e prosperará naquilo para o que a enviei."

A NATUREZA DESTA CONFERÊNCIA

O presidente anunciou, em suas observações iniciais, que já se passaram noventa e dois anos desde a organização da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, ocorrida em seis de abril de 1830.

Por ocasião da organização, o Senhor revelou, juntamente com outros regulamentos para o governo da Igreja, que conferências gerais deveriam se reunir, de tempos em tempos, conforme as necessidades da Igreja as tornassem necessárias. Desde então tem sido costume, quando as circunstâncias não o impedem, que os membros se reúnam em conferência geral no dia seis de abril.

Esta é uma reunião à qual se espera que compareçam os oficiais da Igreja, tanto gerais como locais, bem como aqueles membros que possam convenientemente comparecer. Considera-se a condição geral da Igreja, observa-se seu progresso, revisa-se o passado, discutem-se os problemas do presente e delineiam-se as aspirações para o futuro, conforme o Senhor possa inspirar seus servos, que são chamados a se dirigir ao povo, a tratar desses vários temas.

ÉPOCAS ADMINISTRATIVAS DA IGREJA

Desde a organização da Igreja, seis homens, excluindo a atual administração, foram chamados a presidi-la, a dirigir sua política e a servir de porta-voz do Senhor a seus membros.

A administração de cada um desses homens marca uma época no desenvolvimento da Igreja, cada uma tão distinta da outra quanto o caráter e o temperamento do homem que administrou seus assuntos.

Joseph Smith foi o primeiro homem chamado do Senhor a presidir a Igreja nesta dispensação. Morôni, mensageiro enviado para comunicar a vontade do Senhor ao Profeta, após sua primeira grande visão, declarou a Joseph que o Senhor o havia escolhido para a realização de uma obra especial; que, como resultado dessa obra, seu nome seria conhecido para o bem e para o mal entre todas as nações, que por alguns seria tido em honra e, por outros, em vitupério.

A ÉPOCA DA RESTAURAÇÃO

Referindo-se à abertura desta dispensação do evangelho, Isaías, o profeta a quem acabo de citar, disse: "Portanto, o Senhor disse: Pois que este povo se aproxima de mim com a sua boca, e com os seus lábios me honra, porém o seu coração se afasta para longe de mim, e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, em que foi instruído; portanto, eis que continuarei a fazer uma obra maravilhosa no meio deste povo, uma obra maravilhosa e um assombro, porque a sabedoria dos seus sábios perecerá, e o entendimento dos seus prudentes se esconderá."

Joseph Smith viveu para cumprir as palavras proferidas pelo anjo Morôni e pelo Senhor por meio de seu profeta Isaías.

A administração do Profeta pode ser referida como a época, ou período, da restauração. Linha por linha, preceito por preceito, o Senhor lhe revelou, e por meio dele restaurou, as chaves e a ordem do Sacerdócio, a organização da Igreja, e definiu os deveres de seus membros com tal plenitude que nada falta. Foram restauradas as chaves da coligação do Israel dos Últimos Dias, bem como as que possibilitam a redenção dos mortos.

Toda a sua administração foi marcada por amarga perseguição. Em vão buscou um lar para os Santos coligados. Em Kirtland não houve paz. No Missouri, onde o povo esperava encontrar um lugar de repouso, a perseguição foi mais amarga do que antes. Por um breve período a Igreja encontrou paz e descanso em Illinois, mas justamente quando seus membros começavam a colher os frutos de seu trabalho, após infinito sacrifício, as taças da ira foram derramadas sobre eles com maior violência do que nunca, e ameaçou-se a destruição da Igreja.

Com o martírio de Joseph, os inimigos da Igreja sem dúvida pensaram que isso havia sido consumado. Esqueceram-se de que o Senhor havia dito que as obras, os desígnios e os propósitos do Senhor não podem ser frustrados, mas que os desígnios dos homens fracassam.

Com a morte do profeta, a Igreja ficou sem um líder direto, mas não sem liderança. Joseph Smith estava cercado de homens de intelecto poderoso, fé devotada e coragem insuperável, tão claramente pré-ordenados para a realização da tarefa que os aguardava quanto o próprio profeta.

A ÉPOCA DOS PIONEIROS

Dentre esses homens, Brigham Young foi escolhido para ser o presidente da Igreja, para dirigir sua política, sob circunstâncias inteiramente diferentes daquelas que enfrentara seu predecessor.

Reconhecendo a impossibilidade de reconciliação com seus vizinhos, decididos a encontrar um lugar onde os Santos pudessem adorar ao Senhor sem molestação, este Moisés dos tempos modernos e seus associados voltaram o rosto para o oeste, e após uma jornada sem paralelo na história do mundo encontraram refúgio nestes vales montanhosos, onde reside hoje o corpo da Igreja.

PARALELO ENTRE A JORNADA DO ISRAEL MODERNO E DO ANTIGO

É verdade que Moisés conduziu os israelitas para fora do cativeiro egípcio; os puritanos haviam deixado seus lares no velho mundo e desembarcado em Plymouth Rock.

O impulso que motivou cada um desses grandes movimentos, que tanto significaram para o mundo e seu povo, foi semelhante, mas as circunstâncias sob as quais se realizaram foram inteiramente diferentes.

Os israelitas estavam saindo de um cativeiro penoso e humilhante, e retornando ao seu antigo lar, na terra de seus pais. O Israel moderno estava deixando seus lares, as terras de seus pais, e indo para um país desconhecido, um país não habitado por homem civilizado.

Os israelitas eram um povo de uma só raça, influenciados na realização de seu propósito pelas tradições e pela religião de seus pais. Os Santos dos Últimos Dias eram compostos de pessoas coligadas de várias nações, trazendo consigo diferentes tradições, diferentes costumes e diferentes idiomas.

O antigo Israel estava separado de seu destino por apenas cerca de duzentas e cinquenta milhas, em linha reta, e isso sobre um território por onde grandes exércitos haviam marchado desde tempos remotos. Os pioneiros "mórmons" viajaram por uma estrada por onde poucos haviam passado, uma distância de mais de mil milhas.

O antigo Israel foi conduzido por grandes demonstrações visíveis do poder do Senhor, e seu pão diário foi provido pelo maná enviado do céu. Os pioneiros "mórmons" caminharam pela fé divina, e proveram suas necessidades diárias com o trabalho de suas próprias mãos.

Ao chegar ao seu destino, o antigo Israel encontrou cidades já edificadas, pomares e vinhedos já plantados, e rebanhos e manadas que o Senhor entregou em suas mãos. O Israel moderno encontrou um deserto devastado, que só poderia ser redimido e tornado produtivo mediante infinito labor.

Sinto-me, pois, justificado em dizer que esta realização não tem paralelo na história do mundo.

Com a chegada dos pioneiros "mórmons" ao Vale do Lago Salgado, manifestou-se a sabedoria, a inteligência e a visão de seu grande líder. A terra, disse Brigham Young, é a herança mais sagrada que Deus legou ao homem. Dela obtém ele tudo o que possui de valioso, e quando sua vida mortal termina, a ela retorna. Não vos deixeis, suplicou ele, seduzir pelo fascínio do ouro na Califórnia, nem pelos minerais preciosos que abundam nas montanhas ao redor deste vale, mas garanti e mantende a terra. É a herança que o Senhor reservou para vós e para vossos filhos, e nunca deve ser permitido que passe às mãos de estranhos.

Os Santos foram coligados do exterior, colonos foram enviados até que todo vale disponível foi ocupado, vilas e povoados surgiram em lugares desertos, fábricas, moinhos, ofícios e indústrias foram estabelecidos e fomentados, e o povo se tornou tão independente e autossuficiente quanto possível sob as circunstâncias então vigentes.

Assim foi a administração do presidente Brigham Young. Sua realização mais notável foi a hégira do povo "mórmon" de Illinois para as Montanhas Rochosas, a coligação dos Santos do exterior, e a colonização e redenção destes vales montanhosos. Para mim, ela sempre foi a grande época de coligação, colonização e desenvolvimento industrial na história da Igreja. Nunca houve época semelhante no passado, nem haverá outra igual no futuro.

UMA ÉPOCA DE TEMPESTADE

A administração de John Taylor sucedeu à do presidente Young.

Durante a administração anterior, nuvens de tempestade voltaram a se acumular, as quais irromperam com grande fúria logo depois que John Taylor assumiu a presidência. A Igreja e o mundo entraram novamente em desacordo, como sempre estiveram e continuarão a estar, até que sejam aceitas e aplicadas as doutrinas ensinadas pelo Redentor.

As relações matrimoniais dos membros da Igreja foram tomadas como pretexto para o ataque. O casamento plural, sob certas restrições, havia sido aceito como uma relação apropriada entre os sexos. Leis foram promulgadas pelo congresso proibindo tais casamentos, e prevendo punição para os que persistissem na prática. Processos por violação da lei eram frequentes; a propriedade da Igreja foi confiscada em favor do governo, resultando em grande sofrimento e prejuízo financeiro.

As leis que proibiam o casamento plural eram consideradas inconstitucionais e injustas pela Igreja, e sua execução foi amargamente combatida. Processos foram levados à Suprema Corte, que confirmou a lei, e medidas mais vigorosas foram tomadas para fazê-la cumprir. Enquanto essa tempestade rugia, John Taylor permaneceu inabalável em sua convicção de que a lei antipoligamia era injusta, e morreu sem fazer qualquer concessão. Esta foi a característica marcante de sua administração.

O MANIFESTO PROIBINDO O CASAMENTO PLURAL

Durante os primeiros anos da administração de Wilford Woodruff, que sucedeu John Taylor como presidente da Igreja, prosseguiu a contenda originada pela aplicação das leis antipoligamia. Tornou-se evidente que todos os recursos legais disponíveis haviam sido esgotados, e que continuar a luta seria inútil e desastroso. Numa revelação dada à Igreja, em 1841, o Senhor havia dito: "Em verdade, em verdade vos digo que quando eu dou um mandamento a qualquer dos filhos dos homens de fazer um trabalho ao meu nome e esses filhos dos homens usam toda a sua força e tudo o que têm para realizar esse trabalho e não deixam de ser diligentes; e são atacados por seus inimigos e impedidos de realizar esse trabalho, eis que me convém já não requerer das mãos desses filhos dos homens o trabalho, mas aceitar suas ofertas."

O presidente Woodruff emitiu a declaração conhecida como o Manifesto, na qual se comprometia a obedecer à lei, e aconselhava todos os membros da Igreja a fazerem o mesmo.

Essa mudança de atitude da Igreja, em relação ao casamento plural, resultou na restituição do remanescente da propriedade, que estivera nas mãos do síndico, ao seu legítimo dono. Homens que haviam sido privados de seus direitos civis, por causa de suas relações matrimoniais, foram restituídos à plena cidadania; Utah foi admitido à União como estado soberano, e estabeleceu-se paz relativa entre facções até então em conflito. Foi uma época de grande importância e preocupação para a Igreja.

LANÇANDO OS ALICERCES DA PROSPERIDADE FINANCEIRA

Quando Lorenzo Snow sucedeu à presidência, encontrou as finanças da Igreja em condição deplorável. Como resultado da situação do síndico, as receitas haviam sido cortadas, seus recursos gravemente esgotados, e pesadas obrigações haviam sido contraídas, sem meios disponíveis para liquidá-las. Ele imediatamente empreendeu a obra de reconstrução, apelou ao povo para que fosse mais liberal no pagamento de seus dízimos e ofertas, e prometeu que o fardo que pesava tão gravemente sobre a Igreja, e sobre eles, seria aliviado se esse curso fosse seguido.

Durante sua breve administração, muitas das dívidas da Igreja foram pagas, e foi lançado o alicerce para a prosperidade financeira que se seguiria.

EXPANSÃO COMERCIAL E LIBERTAÇÃO DA DÍVIDA

A administração do presidente Joseph F. Smith teve início sob circunstâncias mais favoráveis, em muitos aspectos, do que qualquer das que a precederam. Como resultado de sua política liberal e sábia, as animosidades políticas que por tanto tempo haviam obstruído o desenvolvimento apropriado tanto da Igreja quanto do Estado foram ajustadas. Estabeleceram-se melhores sentimentos e relações comerciais mais estreitas entre membros e não membros da Igreja. Mediante sua sábia e conservadora política comercial, as obrigações da Igreja foram liquidadas, até que ficasse inteiramente livre de dívidas. A prosperidade financeira veio à Igreja e a seus membros. Muitos edifícios novos foram erguidos, incluindo prédios de escritórios, salões de diversões, ginásios, escolas, igrejas e templos. Foi um período de relações pacíficas com nossos vizinhos, de expansão comercial e de prosperidade geral como a Igreja jamais havia experimentado.

A PREGAÇÃO DO EVANGELHO — A PRINCIPAL RESPONSABILIDADE SEMPRE MANTIDA EM MENTE

Durante todo o período a que me referi, a primeira grande responsabilidade que recai sobre a Igreja não foi por um momento esquecida, nem negligenciada. Quando perguntado por seus discípulos sobre um sinal pelo qual pudessem reconhecer a aproximação do tempo em que Ele viria com poder e glória nos últimos dias, o Redentor disse, entre outras coisas: "E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim." Numa revelação dada à Igreja, em época bem antiga, o Senhor disse: "E este evangelho será pregado a toda nação e tribo e língua e povo. E os servos de Deus irão avante, dizendo em alta voz: Temei a Deus e dai-lhe glória, porque chegada é a hora de seu julgamento; e adorai aquele que fez o céu e a Terra e o mar e as fontes das águas."

Estando em pobreza e aflição, no meio da perseguição, ou quando abençoada com paz e abundância, a Igreja não negligenciou por um momento este primeiro grande mandamento. Seus missionários foram a todo país civilizado do mundo, onde a entrada lhes foi permitida, testificando ao povo que uma luz havia irrompido entre os que estavam sentados nas trevas, a saber, a plenitude do evangelho eterno, e advertindo o povo a preparar o caminho do Senhor e endireitar suas veredas, a fim de que estivessem preparados para o seu reino e sua vinda.

MAGNITUDE DA OBRA MISSIONÁRIA

Não tenho meios de declarar com precisão o número de missionários que saíram para o campo, desde a organização da Igreja, nem o número de anos de trabalho missionário que já foi dado, mas tomando o registro dos últimos vinte anos, período durante o qual mantivemos registros precisos, e fazendo uma estimativa bem baixa, o resultado seria aproximadamente o seguinte: sessenta mil e oitenta homens foram aos campos missionários, e pensamos que muitos mais. Custou, para enviar esses élderes a seus campos de trabalho e trazê-los de volta a seus lares, pelo menos seis milhões de dólares. A despesa de mantê-los no campo não foi inferior a dezoito milhões de dólares. Contando sua capacidade de ganho, novamente numa estimativa bem baixa, a setenta e cinco dólares por mês, chegaria a cinquenta e quatro milhões de dólares, de modo que temos um total de setenta e oito milhões de dólares, despendidos, em tempo e dinheiro, pelos élderes da Igreja, ao levar a mensagem do evangelho ao povo do mundo desde a organização da Igreja. Quando se considera que todo esse tempo e dinheiro foi dado sem remuneração, tendo os homens que realizaram a obra pago suas próprias despesas, sinto-me justificado em dizer que se trata de uma realização que não pode ser igualada na história do mundo.

Quando se lembra que esses missionários foram, na grande maioria dos casos, homens jovens tirados das fazendas, das oficinas, dos ofícios e das indústrias, sem treinamento ou experiência prévios, exclamamos, com Isaías, que se realizou uma obra maravilhosa e um assombro, pois a sabedoria dos sábios pereceu, e o entendimento dos prudentes se escondeu. Durante os últimos noventa e dois anos, os sábios e instruídos do mundo combateram esses homens sem instrução, e nunca conseguiram provar que estivessem errados numa única doutrina que ensinaram.

OCUPAÇÕES DOS MISSIONÁRIOS ANTES DE SUA MISSÃO

Pode interessar-vos, meus irmãos e irmãs, saber que durante os últimos dez anos, desde que se mantêm estatísticas precisas, foram estas as ocupações dos homens que foram para o campo missionário: artesãos e comerciantes, 4 por cento; homens dedicados a trabalho de escritório, 8,5 por cento; profissionais liberais, 5,7 por cento; dedicados a atividades mercantis, 4 por cento; trabalhadores braçais, 8,3 por cento; não classificados, 17,5 por cento; agricultores, vossos filhos e filhas dos distritos rurais, 52 por cento. Os não classificados são, em grande parte, rapazes recém-saídos da escola, muitos deles dos distritos rurais, mostrando que a maior parte de toda a obra missionária realizada é feita por homens das comunidades agrícolas.

A PRESENTE E, PARA NÓS, MAIS IMPORTANTE ÉPOCA DA IGREJA

Esta breve revisão nos traz ao presente, para nós a época mais importante no desenvolvimento da Igreja, porque é o nosso dia, o dia em que nós, que somos membros da Igreja e que dirigimos seus assuntos, havemos de nos provar. Este dia jamais veio antes, e jamais voltará a vir. Amanhã, seis de abril de 1922, terá passado com seus êxitos e fracassos, suas realizações e negligências de dever, e jamais poderá ser recuperado.

O passado é de inestimável valor para nós, desde que aproveitemos as lições que ele ensina. O futuro, na medida em que o Senhor o revelou, por meio de seus servos os profetas, é um guia seguro pelo qual podemos nos preparar para os acontecimentos vindouros. O presente é o dia de nossa provação. Estaremos à altura das tarefas e responsabilidades que hão de vir, do teste que há de ser aplicado? Se pusermos nossa confiança no Senhor, e o servirmos devotadamente, como fizeram nossos predecessores, triunfaremos; se nos esquecermos dele, e dependermos do braço da carne, fracassaremos, como todos os que até agora trilharam essa larga estrada.

PROBLEMAS QUE NOS CONFRONTAM SÃO PERIGOSOS E DIFÍCEIS

Os problemas com que a Igreja agora se depara, embora diferentes dos do passado, não são menos perigosos e difíceis de resolver.

A Igreja não se depara agora com o problema da separação de outros povos, da migração para um país desconhecido, e das dificuldades da colonização. As diferenças políticas que dividiram o povo "mórmon" e seus concidadãos foram, em grande parte, resolvidas.

Depois de nos separarmos do mundo, o mundo veio até nós, trazendo consigo muito do que é bom, muito do que é mau. Uma coisa esta condição modificada nos ensinou: somos parte integrante do grande mundo, e, quer o desejemos, quer não, devemos ser influenciados, em maior ou menor grau, pelo ambiente que nos rodeia.

Que estamos num mundo cujos próprios alicerces estão sendo abalados pelos credos, tradições e interesses conflitantes de seu povo, ninguém negará.

Não obstante os séculos de esforço empreendidos pelas igrejas para voltar o coração dos homens para o Redentor do mundo, a incredulidade e a falta de fé manifestam-se por toda parte. Não obstante nossos séculos de empenho em estabelecer condições apropriadas para a estabilidade e a proteção da sociedade, homens sem lei percorrem as ruas de cada cidade de nossa terra, roubando e matando por ganância, combinações secretas cavalgam, incendeiam e destroem à noite, os quais, se apreendidos, o que raramente ocorre, mais raramente ainda são condenados por nossos tribunais e júris, sendo o processo excessivamente dispendioso e a condenação quase impossível.

Não obstante nossos esforços para proteger os fracos contra os fortes, para manter a pureza em nossa vida social, para fazer do lar o altar de Deus e criar, mediante o casamento, uma proteção para a virtude, que deveria ser sagrada como a própria vida, as estatísticas publicadas por qualquer cidade de nossa terra mostrarão que cortesãs percorrem as ruas com desprezo descarado pela decência, moças inocentes se tornam vítimas de libertinos, que raramente são punidos, e as fontes da vida se corrompem com a impureza.

O egoísmo; a ambição pela riqueza, que sob nosso presente sistema traz poder; o desrespeito pela lei, quando esta conflita com nossos interesses pessoais; a combinação de riqueza, por meio de grandes organizações corporativas, com o propósito de exercer controle sobre os corpos legislativos de nosso país, e sobre os tribunais pelos quais a lei é administrada, estão entre os perigos que ameaçam o mundo e a nós.

VISÕES AUTÊNTICAS SOBRE ESSES PROBLEMAS

Para que não me acusem de expressar apenas minhas próprias opiniões sobre estas questões, permiti-me ler as declarações de outros homens. Em Chicago, no dia 21 do mês passado, o juiz-presidente Scanlon, ao expor o propósito para o qual uma reunião havia sido convocada, declarou que era com o fim de discutir meios de combater e sufocar o domínio que o crime exerce sobre a garganta da cidade. O chefe de polícia Fitzmorris disse:

"A cidade está à beira do caos. O trabalho do departamento de polícia está sendo desfeito tão depressa quanto a polícia consegue realizá-lo. A menos que esta cidade desperte para a emergência que a confronta, virá o dia, e não está distante, em que pistoleiros, como o Novo-Zelandês de Macaulay, se postarão na ponte da Michigan Avenue e olharão, exultantes, para as ruínas da lei e da ordem."

James A. Patten, representando a comissão de cidadãos, disse:

"É hora de falar sem rodeios. Os frios fatos da situação são conhecidos. Homens são assassinados, propriedades destruídas, a segurança e o conforto da comunidade estão em perigo. Os assassinos são conhecidos. São presos, julgados e soltos. Não têm medo da polícia. Zombam da lei, e fazem escárnio da justiça criminal tal como é administrada nesta comunidade. Não é hora de desculpas ou promessas, é hora de ação. Chegou o ponto de decisão, ou a decência vence, ou a anarquia triunfa; não há meio-termo."

O senador Cummins, de Iowa, que por muitos anos foi membro do Senado dos Estados Unidos e representante do partido dominante que ora controla o governo, numa reunião recentemente realizada em Des Moines, disse:

"Washington é apenas um lugar onde organizações fazem guerra umas contra as outras por propósitos legislativos egoístas; a organização chegou a tal ponto que hoje é praticamente impossível para o congresso obter uma opinião desinteressada e imparcial sobre qualquer questão pública. Onde vamos obter, em Washington, quando toda informação que nos chega vem de um ponto de vista egoísta? Lá é simplesmente uma guerra entre organizações. Comitês do congresso realizam constantemente audiências sobre questões importantes, e ainda não ouvi, durante esta sessão, um único homem comparecer a uma audiência de comitê com o propósito de esclarecer o comitê do ponto de vista público. Todos vêm para reivindicar algo que ajude a organização específica com a qual estão ligados. Isso cria, em minha opinião, uma situação muito difícil e alarmante."

Honramos e sustentamos a lei civil? Que fale sobre esse assunto um dos mais sábios e bem informados corpos de homens do mundo. Leio um relatório aprovado por unanimidade pela seção judicial da Associação de Advogados Americana dos Estados Unidos. Recortei-o da revista Current Opinion, de dezembro de 1921:

"A seção judicial da Associação de Advogados Americana, aventurando-se a falar em nome de todos os juízes, deseja expressar este alerta ao povo americano. A reverência pela lei, e o cumprimento da lei, dependem principalmente dos ideais e costumes daqueles que ocupam posição de destaque nos negócios e na sociedade. O povo dos Estados Unidos, por solene decreto constitucional e estatutário, empreendeu suprimir o mal secular do tráfico de bebidas alcoólicas. Quando, para a satisfação de seus apetites, ou para a promoção de seus interesses, advogados, banqueiros, grandes comerciantes e industriais, e líderes sociais, tanto homens quanto mulheres, desobedecem e escarnecem desta lei, ou de qualquer outra lei, estão auxiliando a causa da anarquia e promovendo a violência das turbas, o roubo e o homicídio; estão semeando dentes de dragão, e não precisam se surpreender ao descobrir que nenhuma autoridade judicial ou policial pode salvar nosso país ou a humanidade de colher a colheita."

COMO A IGREJA SE POSICIONA SOBRE ESSAS QUESTÕES

Contra todos esses males a Igreja se opõe inflexivelmente, e espera o apoio de cada membro na batalha que está sendo travada.

Há algum membro da Igreja que seja violador da lei de proibição, ou de qualquer outra lei civil? Que se arrependa. Há alguém que diga que a atitude da Igreja mudou em relação à observância da lei dada pelo Senhor conhecida como Palavra de Sabedoria, ou de qualquer outra lei dada pelo Senhor? Que seja informado de que não houve mudança alguma, a menos que seja que agora, mais do que nunca, a observância dessas leis é necessária. Há alguém que, em sua própria força e orgulho, se esqueceu de sua dependência do Senhor, e deixou de orar a ele, e de ensinar seus filhos a fazerem o mesmo? Que se arrependa e retorne ao Senhor, para que, seja em sua casa bancária, em sua loja, na oficina, ao cultivar seus campos, ou com seus rebanhos e manadas nas planícies ou montanhas, suas orações, proferidas ou não expressas, possam subir ao Senhor em gratidão pelas bênçãos recebidas, e por outras desejadas.

ADMOESTAÇÕES

Lembrai-vos, meus irmãos e irmãs, que a palavra do Senhor, que sai de sua boca, não retornará a ele vazia, mas realizará aquilo para que a enviou, e ele declarou que sua Igreja foi estabelecida pela última vez, para nunca ser destruída nem entregue a outro povo. Apeguemo-nos à barra de ferro, que é a palavra de Deus, e ela nos conduzirá à árvore da vida, levando-nos com segurança por este mundo de trevas e confusão. Que o Senhor nos ajude a todos a esse fim, humildemente oro, por meio de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoAnthony W. Ivins, “A Natureza desta Conferência”, 1922 Conferência Geral de Abril, Sessão do Primeiro Dia (1922-04-06). Pulpit Vault, 1922-04-11-anthony-w-ivins-remarks-13. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).