Testemunho da Missão Australiana
Arnold G. Miller
Ill ¶
Voltei recentemente da Missão Australiana, há cerca de sete meses. Quero dizer a respeito do povo australiano que, em geral, não é um povo religioso. São hospitaleiros, e entre eles há muitas pessoas inteligentes. Entre os que se converteram à fé, podemos encontrar pessoas tão excelentes quanto quaisquer outras que se possa encontrar. Entre os élderes que trabalharam comigo, não poderia haver em lugar algum jovens melhores do que aqueles rapazes eram. Lembrai-vos de que trabalhávamos sob circunstâncias muito difíceis naquele tempo. Foi durante a guerra mundial, quando era impossível trazer élderes de Sião para preencher nossas fileiras, à medida que estas se esvaziavam com o envio de nossos élderes para casa. Isso nos deixou com muito poucos para levar adiante a obra naquela terra distante. ¶
Talvez prevaleça entre os Santos dos Últimos Dias a ideia de que o povo da Austrália era contra o povo "mórmon"; em outras palavras, que haviam formulado leis contra eles. Mas não é esse o caso. Desejo defender aquele povo. Havia uma norma aprovada pelo conselho britânico, na época em que estavam envolvidos naquela grande luta, de que nenhum estrangeiro deveria ser enviado às colônias enquanto durasse a guerra. Eu tinha a impressão de que o povo de lá estava obrigando nosso povo a manter-se afastado daquela terra. Mas, ao expor a questão ao cônsul americano ali, ele me fez entender de outra forma. Consegui uma carta ao Secretário das Colônias, em Melbourne, e quando fui até ele e lhe perguntei por que discriminavam os cidadãos americanos, ele disse que não o faziam, que não havia leis aprovadas por eles contra nós; era simplesmente uma norma aprovada, para autoproteção, pelo próprio governo metropolitano. Percebi facilmente que estavam certos em agir assim, pois, nos primeiros estágios da guerra, pessoas eram enviadas disfarçadas de missionários e fomentavam a revolta entre as nações, especialmente na Índia, e felicitei-os pela posição que tomaram. Mas isso não aliviou nossa situação. Por fim, conseguimos que fosse aprovada uma ordem pela qual o oficial britânico em Washington foi instruído a visar os passaportes dos homens deste país. E, ao perceberem que havíamos perdido tantos homens de nossas fileiras, permitiram que enviássemos mais alguns. E então descobrimos que nosso próprio governo havia proscrito certos homens, o que nos deixou com muito poucos homens naquele campo. Usamos a capacidade local que pudemos. Por fim, quando o armistício foi assinado, recebemos um pequeno grupo de homens para aliviar a situação, mas, por um longo tempo, tivemos apenas doze homens naquele grande país, cuja área é maior do que a dos Estados Unidos, e fizemos o melhor que pudemos naquelas condições. ¶
Ao entrar em contato com os parlamentares australianos, homens que estavam à frente do governo, tivemos uma esplêndida oportunidade de pregar o evangelho do Filho de Deus. A pergunta que os homens a quem nos dirigíamos costumavam fazer era: "O que ensinais ao nosso povo? Quais são vossas práticas? Qual é vossa política no que diz respeito à emigração?" Todas essas coisas são questões vitais para o povo australiano. Eles queriam saber o que ensinávamos, e tiveram ¶
a oportunidade de aprender o que acreditávamos a respeito de um Deus pessoal. Cremos em Deus como um ser pessoal, e em Jesus Cristo como outro ser pessoal. Cremos no Espírito Santo como um ser de espírito, constituindo estes a Trindade. Também cremos na doutrina de que Jesus veio e expiou pela transgressão original do homem, e que, por meio dele e através dele, todos ressuscitarão da sepultura. Cremos que, como indivíduos, teremos de prestar contas de nossos atos aqui na terra, e que pagaremos a pena por nossas transgressões. Mas cremos que, em algum lugar, em algum momento, no grande além, haverá um tempo em que o evangelho será pregado a todos os povos, seja nesta vida mortal, seja além do véu, quando todos terão a oportunidade de ouvir e de ter um lugar no reino de Deus. Além disso, ensinamos a nosso povo que devem estar sujeitos a reis, presidentes, magistrados, etc., e obedecer e sustentar a lei, e que nossa política, naquele tempo, sabendo da oportunidade ali existente para a colonização e para o estabelecimento de instituições em benefício daquele povo. Tivemos uma esplêndida oportunidade; alcançamos os principais homens daquela república para lhes dizer o que acreditávamos. Alcançamos até o Honorável William Hughes, que estava à frente do governo ali, e eu lhe disse essas coisas. Ele escutou muito atentamente. "Bem", disse ele, "parece-me que não deveríamos proibir vosso povo, nem proibir vossos élderes de entrar nesta terra." Contamos-lhe o que havíamos feito por causa da "gripe" ali. Tivemos essa praga com muita severidade em Melbourne. Em Sydney não foi tão grave, onde eu estava. Mas um de nossos élderes que estava em Melbourne visitou os lares de cerca de sessenta pessoas e administrou conforto espiritual e temporal, em conjunto com seus colegas. Havia um élder local em um dos hospitais que estava à beira da morte, e, no que dizia respeito a qualquer auxílio mortal, ele havia, por assim dizer, passado pelos portais desta terra e estava entrando no grande desconhecido. O élder obteve uma permissão e teve autorização para visitar aquele homem e ficar com ele, o que fez dia após dia, até que o doente finalmente ficou de pé novamente, e hoje aquele homem é uma testemunha viva da ressurreição dos mortos nestes últimos dias. ¶
Irmãos e irmãs, os milagres não cessaram. Eu os tenho visto em numerosos casos nos lugares onde trabalhei, onde os doentes foram curados, e as estéreis se tornaram férteis, e muitas outras coisas maravilhosas foram feitas pelo poder de Deus. Tenho visto o poder de Deus manifestado na vida daqueles que têm fé nas bênçãos do evangelho. ¶
Sei que o evangelho é verdadeiro. Deus gravou isso em meu ser nos dias de minha juventude; e sei que Joseph Smith é um profeta de Deus. Já disse a alguns homens que conheci: podeis olhar, talvez alguns de vós zombeis de nossa fé infantil; mas agradeço a Deus por essa fé infantil. Não podemos deixar de crer no que cremos, porque Deus no-lo revelou pelo Espírito de Deus, o Espírito Santo. ¶
Certa vez, quando estava conversando com um desses homens, quando se relatou que alguns de nossos élderes haviam sido acusados de ¶
tirar suas mulheres daquele país, como pensavam, aquele homem me disse: "Vós vos filiais a outras igrejas?" Eu disse: "Ah, não, elas não nos aceitariam; somos tangíveis demais; talvez preguemos uma doutrina diferente." "Mas," disse ele, "vossa fé não é a mesma que se prega no mundo em geral?" Eu disse que não sabia se era. Disse, porém, que há uma diferença. Peguei um livro e disse: abrimos as escrituras e cremos nas coisas que estão escritas no livro, e procuramos manter nossa vida de acordo com elas. Vosso povo crê no livro quando ele está fechado. Vós credes nas tradições dos homens. Aqui, tomemos alguns dos próprios princípios em que cremos. Cremos que Jesus Cristo veio à terra para expiar a transgressão de nossos primeiros pais, Adão e Eva. Mas não a chamemos de "transgressão"; foi um plano preconcebido. Havia algo a ganhar com isso. Mas, não fosse o ato chamado transgressão de nossos primeiros pais, jamais estaríamos aqui. Estaríamos para sempre no mundo espiritual: mas, visto que a morte veio sobre nossos primeiros pais, e todos ficamos sujeitos à morte e à dissolução, o espírito terá um corpo; tornou-se necessário que fôssemos redimidos da condição de mortalidade em que fomos colocados, e que, por meio da redenção, todos os homens ressuscitassem dos mortos. Eu disse a esses cavalheiros: estou convencido da obra do Senhor. Já percorri repetidas vezes todo o território da Austrália, incluindo a Tasmânia; trabalhei um pouco na Nova Zelândia e também visitei Samoa, as Ilhas Sandwich e outras, como um humilde élder da Igreja de Cristo, indo de casa em casa e de povoado em povoado, pregando a verdade, e encontrei muito poucos que realmente cressem na ressurreição dos mortos. ¶
Para nós em Sião, é uma afirmação ousada, mas é um fato: muito poucas pessoas no mundo creem na ressurreição do Senhor Jesus Cristo. Ora, eu creio que Jesus Cristo veio, que cumpriu as predições dos antigos profetas, particularmente Isaías, de que ele seria levantado e seria morto pelos pecados do mundo. Ele veio e cumpriu essas predições, e, como resultado, toda a humanidade se beneficiará daquele grande dom que ele nos concedeu. ¶
Mas, além disso, o tempo e o lugar da ressurreição, que virá a todo filho e filha do homem, será de acordo com nossa aptidão. O apóstolo Paulo disse que cada homem ressuscitaria em sua própria ordem, sendo Jesus Cristo as primícias da ressurreição. Tenho me dedicado a esse trabalho com eles, mostrando o que as escrituras mostram, e demonstrando que seus líderes espirituais ignoravam justamente essas coisas. ¶
Já falamos algumas vezes sobre a ressurreição e mostramos-lhes claramente que Jesus foi crucificado, e seu corpo foi colocado num sepulcro, e que uma guarda foi posta sobre seu corpo, por temor de que algo acontecesse que desse aos discípulos de Jesus a oportunidade de afirmar que ele havia profetizado verdadeiramente que ressuscitaria. Os judeus foram ao governador romano ¶
e imploraram que se colocasse uma guarda sobre os restos de Jesus, para que nada disso pudesse acontecer; e, na terceira manhã, antes de amanhecer, houve uma maravilhosa convulsão da natureza, e os guardas romanos se assustaram e abandonaram o local — sabeis que, naqueles tempos, significava a morte para um soldado romano abandonar seu posto de guarda. Ora, não é provável que aqueles homens tenham deixado o local durante a noite, como poderiam ter pensado; mas algo aconteceu que provavelmente os assustou quase até a morte; e, de manhã cedo, uma das seguidoras de Jesus, que havia sido grandemente beneficiada por ele, por ter tido espíritos malignos expulsos dela, veio ao sepulcro, e ali Maria encontrou a pedra removida; então ela partiu e foi à casa de Pedro e João, e lhes comunicou o fato — e eles correram para o sepulcro. João correu mais depressa que Pedro e chegou primeiro; mas, quando Pedro chegou, entrou de imediato no sepulcro, impetuoso como era, e encontrou o pano de linho, ou lenço, deitado aos pés do sepulcro; mas o corpo de Jesus não estava ali. Ora, o que aconteceu naquele momento? Justamente o cumprimento da promessa que Jesus lhes fizera, de que ressurgiria. Descobriram então as coisas que já tinham uma ideia, mas não um conhecimento presente. Descobriram então a realidade da ressurreição do Filho de Deus. Talvez o tivessem considerado um mestre avançado, algo como Confúcio, Maomé e outros grandes mestres do mundo, mas talvez nunca tivessem percebido a tangibilidade de uma ressurreição. Maria voltou, e, enquanto chorava, olhou para o sepulcro e viu dois anjos vestidos de branco, um sentado aos pés e outro à cabeceira, onde Jesus estivera deitado, e eles se dirigiram a ela com estas palavras: "Mulher, por que choras?" Ela disse: "Porque levaram o meu Senhor, e não sei onde o puseram." E, ao virar-se, viu Jesus de pé, mas não sabia que era Jesus. E ele disse: "Mulher, quem buscas?" E ela disse, supondo que fosse o hortelão: "Porque levaram o meu Senhor, e não sei onde o puseram; se tu o levaste, dize-me onde o puseste, e eu o levarei." Então, quando Jesus se virou de frente para a mulher, disse: "Maria", e ela o reconheceu e ficou convencida, e, na emoção, foi abraçá-lo, mas ele disse: "Não me toques, porque ainda não subi para meu Pai, mas vai para meus irmãos e dize-lhes: Subo para meu Pai e vosso Pai, e para meu Deus e vosso Deus." ¶
Ora, ao falar sobre esta questão certa vez, um homem que se dizia linguista disse: quero dar-vos a tradução correta de "não me toques". Ele disse que significava "não me detenhas". Isso me soa melhor. Mas, de qualquer forma, Maria foi uma embaixadora naquele momento específico. Lembrai-vos de que Maria foi aos discípulos e lhes contou que ele havia ido para seu Pai. Ora, muitas manifestações ocorreram naquele dia específico. Mas havia reunido um pequeno grupo dessas pessoas. Elas estavam discutindo as coisas maravilhosas que haviam ¶
acontecido, e, naquele momento específico, Jesus veio e ficou de pé no meio delas, e disse: "Paz seja convosco." Mas elas ficaram espantadas e atemorizadas, pensando que tinham visto um espírito. Isto é, pensavam que seria uma ressurreição espiritual, não uma tangível. Jesus se dirigiu a elas, conhecendo os temores em seus corações, dizendo: "Por que se levantam temores em vossos corações? Vede minhas mãos e meus pés, que sou eu mesmo." Então ele estendeu diante delas as mãos e disse: "Apalpai-me e vede; pois um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho." Ele lhes mostrou as mãos e os pés, e, enquanto elas não criam ainda, por causa do assombro e da alegria, ele lhes disse: "Tendes aqui alguma coisa que comer?" E deram-lhe um pedaço de peixe assado e favo de mel, e Jesus o comeu diante delas. Assim, Jesus demonstrou a essas pessoas que ele era tangível e real, um ser ressuscitado. Paulo diz: "Não sabemos como havemos de aparecer, mas apareceremos semelhantes a ele." Ele diz ainda: "Se fomos sepultados com ele no batismo, seremos semelhantes a ele na ressurreição dos mortos." ¶
Ao discutir este assunto perante o povo, encontramos pessoas que admitem que, visto que o corpo de Jesus não se corrompeu, seria possível realizar essa grande coisa, mas negam a ressurreição do corpo depois que este entra na terra, sua mãe. Então trazemos à tona o episódio em que ele forneceu alimento a uma multidão com quatro ou cinco pães e uns poucos peixinhos, e, ainda assim, depois de alimentar cerca de quatro mil pessoas, sobraram doze cestos cheios. Argumentamos ao povo do mundo o ponto exposto no primeiro capítulo de João, de que por ele e através dele todas as coisas foram criadas. Ora, se Deus criou esta terra, deveríamos então limitar seu poder e dizer que ele não pode trazer de volta os elementos e neles soprar, por assim dizer, o fôlego de vida? Outra escritura, encontrada em Mateus, 27: 51,52. "E abriram-se os sepulcros, e muitos dos santos que dormiam saíram de seus sepulcros — e entraram na cidade santa, e apareceram a muitos." Eis aqui a evidência de um dos apóstolos, que talvez tenha dado a vida pelo testemunho que deu ao mundo, de que houve outros que ressuscitaram após a ressurreição de Cristo. ¶
Novamente, há quase cem anos, no rio Susquehanna, quando dois homens saíram para orar a respeito do batismo, veio um ser que declarou ser João Batista, aquele que batizou Jesus no rio Jordão, e disse: "A vós, meus conservos" (enquanto lhes impunha as mãos sobre a cabeça), "eu confiro o Sacerdócio de Aarão, que possui as chaves do ministério de anjos e do batismo para remissão de pecados; e ele nunca mais será tirado da Terra, até que os filhos de Levi tornem a fazer, em retidão, uma oferta." Eles sentiram suas mãos sobre suas cabeças. João, que fora levado antes de o Mestre ser morto, havia ressuscitado dos mortos. ¶
Estou tomando tempo demais, perdoai-me. Oh, amo as doutrinas contidas na Bíblia. Amo meditar sobre as revelações de Deus na Doutrina e Convênios. ¶
Desejo dizer aos jovens que não há mito algum na ressurreição de Jesus Cristo, nem na de outras pessoas. Gosto de proclamar-lhes que sei que Joseph Smith foi um profeta de Deus. Que Deus se revelou a ele, por causa da oração de fé em seus primeiros anos de vida adulta. Eu também tenho esse testemunho, pois Deus mo revelou em meus primeiros anos de vida adulta. Eu era cético, estava preocupado — tinha minhas dúvidas e lutas. Eu queria saber se Joseph Smith era um profeta inspirado por Deus; queria saber se o Livro de Mórmon era verdadeiro, porque eu o vinha lendo e meditando em suas páginas, e havia encontrado ali muitas coisas que não conseguia compreender, por serem grandes demais para minha concepção. Eu queria saber se as coisas relacionadas ao estabelecimento desta grande obra dos últimos dias eram verdadeiras. E o Espírito de Deus veio sobre mim numa planície deserta onde eu então estava, e encheu todo o meu ser com um fogo vivo; irradiou-se até as pontas de meus dedos, até os próprios cabelos de minha cabeça, e me foram mostradas essas coisas que antes eu não conseguia compreender; gravou-se em meu ser que Joseph Smith era um profeta de Deus, e que o Livro de Mórmon é verdadeiro. ¶
Gostaria de continuar a história da ressurreição em alguma ocasião futura. Rogo que tenhamos a fé viva que nossos antepassados tiveram, para que possamos demonstrar, nessa fé viva e infantil, os propósitos de nosso Pai, o que peço em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶