O Reino de Deus e a Retidão
Junius F. Wells
(Historiador Assistente da Igreja) ¶
Considero um privilégio muito grande unir minha voz às vozes de meus irmãos, para declarar o reino de Deus e sua retidão perante as grandes congregações de seu povo. Considero um privilégio muito grande estar presente nesta conferência, a primeira que assisto desde que o Presidente Grant sucedeu à presidência da Igreja. Regozijo-me em ver a manifestação do espírito e do poder de seu elevado cargo repousando sobre ele, assim como já o testemunhei repousando sobre todos os seus predecessores, exceto Joseph Smith, o profeta, a quem não conheci. Regozijo-me, meus irmãos e irmãs, no progresso da obra do Senhor. Lembro-me de, há cinquenta anos, sentado nesta casa, ouvir aquele grande profeta e apóstolo de nosso Senhor Jesus Cristo, o Élder Orson Pratt. Naquela ocasião, ele relatou sua conversão ao evangelho aos dezenove anos de idade, logo após a qual partiu a pé, numa jornada de duzentas a trezentas milhas, para visitar Joseph Smith e contemplar o rosto daquele homem notável. Ele se convenceu, quando o fez, de que ¶
estava na presença de um profeta de Deus, e recebeu o ministério daquele profeta. Foi chamado imediatamente ao serviço do Senhor, e o profeta lhe disse que era seu destino ser um pregador do evangelho; que viria o tempo -- isso apenas cinco meses depois da organização da igreja, em 1830 -- em que doze apóstolos seriam escolhidos, tais como havia nos dias de Cristo, e que ele seria um deles. Isso surpreendeu o Élder Pratt sobremaneira, mas ele viveu para ver o cumprimento dessa profecia, dentro de cinco anos, em 1835, quando o quórum dos apóstolos foi organizado. Lembro-me de que, na ocasião desse maravilhoso discurso, o Élder Pratt expressou sua felicidade e alegria pelo grande progresso que a obra do Senhor havia alcançado até aquele momento. Ele predisse, citando as escrituras, os profetas e os Salmos, o tempo em que a plenitude dos tempos dos gentios haveria de chegar. Ele ainda declarava, depois de pregar por quarenta anos, desde a organização da Igreja, que o tempo estava chegando e deveria cumprir-se dentro da geração em que a Igreja foi organizada. Ele não pretendia dizer exatamente quando isso se cumpriria, mas disse: "Quarenta anos se passaram desde que começamos a declarar que este tempo se aproximava. Não sei se viverei para ver o cumprimento da profecia a esse respeito, quando os embaixadores da Igreja, os élderes, irão adiante, não tão particularmente aos gentios, mas se voltarão deles e irão particularmente declarar a palavra do Senhor aos judeus e aos descendentes de Jacó, outros da casa de Israel. Aquele tempo está chegando, disse ele, quando virá de Deus um mandamento direto a seus servos, para que levem esta mensagem à casa de Israel, e para que vão depressa. Eles serão bem-vindos quando forem então em seu ministério. Ele disse que centenas os receberiam, e milhares e dezenas de milhares os dariam boas-vindas, pois iriam com poder: 'No dia de meu poder, diz o Senhor, meu povo me receberá.'" Ele apontou para os jovens que estavam reunidos na congregação. Eu era um deles, e me pareceu que ele estava apontando para mim. De qualquer forma, senti-me emocionado até a medula dos ossos, pois ele disse: "Vós, jovens, que estais sentados diante de mim, vereis o cumprimento dos tempos dos gentios, quando esta mensagem for levada a toda a casa de Israel. A responsabilidade de levá-la recai sobre vós, e Deus a exigirá de vossas mãos." Um ano depois disso, para minha grande surpresa, fui chamado para ir em missão. Eu era apenas um menino e desejava ir à faculdade em vez disso; mas meu pai disse que não podia me mandar à faculdade e propôs que eu fosse em missão. Eu disse: "Muito bem, irei, cumprirei minha missão, voltarei para casa e irei à faculdade por conta própria." Ele colocou as mãos sobre meus ombros e disse: "Nunca terminarás de ir em missão, não enquanto fores um Santo dos Últimos Dias." Aquilo pareceu um dito difícil. Em vez de me dar então duas ou três horas de instrução, ele disse: "Recebe o espírito da tua missão. Não precisas saber demais, mas crê em tudo o que puderes." Creio que eu precisava disso. Eu não estava em meu campo de trabalho, na velha Inglaterra, havia mais de algumas semanas, quando obtive o espírito de minha missão; então entendi o que meu pai quis dizer, e declaro a vós, meus irmãos e irmãs, que, desde o momento em que recebi o testemunho de minha missão, de meu chamado no sacerdócio e de meu direito de falar em nome do Senhor a meus semelhantes, tem sido inconcebível, até o momento presente, que eu não fosse missionário -- de um modo ou de outro. Creio que tenho sido, às vezes não muito útil, mas em outras talvez mais, de diferentes maneiras engajado na promulgação desta obra por já cinquenta anos, e agradeço a Deus por isso com toda a minha alma, por ter sido, em sua misericórdia e providência, julgado apto a desempenhar alguma parte no prosseguimento desta grande obra. ¶
Regozijo-me na grandeza desta obra, na prosperidade deste povo, na aproximação daquela condição de poder em que sua mensagem será bem-vinda por todo o comprimento e largura da terra, quando for levada como jamais foi levada antes, quando for levada em asas velozes, através das nuvens, nas asas do vento. Eu estava dizendo a um padre católico, dias atrás, que alguns daqueles anjos que o apóstolo João viu voando pelo meio do céu não tinham penas, mas estavam em máquinas voadoras, e que nós, Santos dos Últimos Dias, esperávamos levar o evangelho, como os anjos cantados pelos profetas de antigamente, a toda nação, tribo, língua e povo, voando com o evangelho eterno para pregar àqueles que habitam a terra. Já vi isso parcialmente cumprido ao observar o Presidente George Albert Smith e seu filho decolarem do Hangar em Bruxelas e voarem para Londres num aeroplano -- anjos, embaixadores do Senhor, levando o evangelho de Jesus Cristo para pregar àqueles que habitam a Grã-Bretanha. Enviaremos muitos de nossos missionários dessa forma, no tempo de muitos de vós, jovens. ¶
Regozijo-me, meus irmãos e irmãs, no testemunho que o Senhor me deu. Sei que seu poder, que seu sacerdócio está sobre a terra, e que nós que o possuímos temos uma mensagem de que a humanidade está em terrível necessidade. Não há salvação fora do ministério da Igreja de Jesus Cristo aos filhos dos homens, e nenhum outro povo a possui, senão este povo, a quem foi dada por meio do ministério do profeta Joseph Smith. ¶
Que Deus nos ajude a sermos dignos e a permanecermos firmes, e a auxiliar na promulgação da verdade, para a salvação de nossos semelhantes, é minha humilde oração em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶