Perdoai-vos Uns aos Outros
Charles W. Penrose
Sinto-me extremamente grato, nesta manhã, por este grande privilégio de reunir-me com os Santos dos Últimos Dias, meus irmãos e minhas irmãs, mais uma vez em conferência geral. Eu não sabia ao certo se seria capaz de estar aqui nesta ocasião. Por vários dias passados, não estive em minha saúde e vigor habituais, mas graças sejam dadas ao Senhor por esta grande bênção para mim nesta manhã. ¶
Tenho ouvido palavras de vida, vida eterna, do homem que está à frente da Igreja à qual nós, a maioria de nós, senão todos, pertencemos. Temos sentido que o Senhor esteve com ele nas instruções que foram transmitidas, e que o mesmo espírito e poder que sempre pertencem ao líder da Igreja estiveram com ele ao falar-nos hoje, assim como estiveram nos anos passados, desde os dias do Presidente Brigham Young até seus sucessores no cargo, até o momento presente. Não posso falar pessoalmente da influência e do poder que acompanharam o Profeta Joseph, a quem Deus levantou quando jovem para abrir a dispensação dos últimos dias -- mas estou familiarizado com suas palavras que foram registradas, que foram publicadas, e que estão contidas na história da Igreja e em muitos documentos manuscritos que a Igreja possui. Mas sei que o mesmo espírito que ardia em sua alma, e com o qual ele inspirou os Santos de Deus que foram colocados sob sua direção, tem estado conosco até o presente momento, desde o seu martírio. ¶
O Espírito de Amor e Caridade, o Espírito do Evangelho
Nesta manhã, sinto que esse espírito está aqui com grande poder, e as palavras que nos foram ditas nos foram dadas com grande clareza. Todos podemos compreendê-las, e podemos apreciar o espírito com que foram proferidas. O espírito de amor e caridade é o espírito do evangelho. É isso que Cristo respirava. Era isso que seus apóstolos carregavam consigo, exceto em ocasiões em que ficavam um pouco insatisfeitos uns com os outros, e falavam uns contra os outros. Até mesmo Paulo, o grande apóstolo, como o chamamos por ter escrito tanto, discordou de Pedro e se gabou de tê-lo acusado, face a face, de fazer algo que ele considerava errado; e, no entanto, o próprio Paulo cometeu o mesmo tipo de erro, se é que foi um erro -- claro que não foi -- em relação a Timóteo e em relação a outros assuntos que chegaram à sua atenção. Mais tarde, ele chegou à posição de que "para um judeu, era judeu; para o grego, era grego;" e tornou-se "tudo para todos os homens, para que pudesse ganhar alguns para Cristo;" contudo, por um pequeno ato não contrário a isso, ele encontrou defeito em Pedro. Mas isso é apenas uma questão secundária. Os apóstolos de outrora, como ouvimos nesta manhã na revelação que o Presidente Grant leu, discordavam às vezes uns dos outros; e encontravam defeitos uns nos outros; mas, como disse o Senhor, a grande falta era que não se perdoavam uns aos outros "em seus corações." Podiam fazê-lo com os lábios e apertando as mãos, mas não se perdoavam uns aos outros no coração, e por isso "foram grandemente afligidos." ¶
Perdoemos em Nossos Corações
Ora, Santos dos Últimos Dias, apliquemos essa lição a nossos corações. Se estivermos ofendidos com alguém, se sentirmos que alguém nos afligiu ou nos oprimiu, nos fez algum mal, perdoemo-lo em nossos corações, se quisermos ser chamados santos do Altíssimo e assim considerados pelos poderes nas alturas. É na alma do homem que este sentimento de caridade deve prevalecer, que não é meramente o tipo de caridade manifestado em dar esmolas aos pobres, ou coisa semelhante. Isso é apenas uma manifestação muito pequena. É o espírito de irmandade, o espírito de bondade, o espírito de perdão em nossos corações, que devemos nutrir, uns para com os outros, que conta. Tive considerável experiência em sumos conselhos, no curso de minhas atividades na Igreja, e vi pessoas que foram exigidas a perdoar umas às outras se levantarem e apertarem as mãos, e depois seguirem com o mesmo espírito de amargura em suas almas que tinham no início, de modo que seus sentimentos de arrependimento e caridade não eram genuínos e não contavam. ¶
Lembro-me de um caso particular que ocorreu, não a mil milhas de Salt Lake, quando dois irmãos ocuparam o sumo conselho uma semana inteira, resolvendo uma dificuldade sobre ovelhas. Costumávamos ter muitíssimas dificuldades com a questão das ovelhas. Depois de termos gasto todo aquele tempo com isso, certa divisão foi feita e uma conclusão foi alcançada pelo sumo conselho. Quinze homens, todos desejosos de fazer o certo, sem nenhum interesse pessoal no assunto exceto fazer o certo, a Presidência e o Sumo Conselho juntos, tomaram uma decisão, e os irmãos que haviam brigado tanto foram exigidos a apertar as mãos em concordância com a decisão, o que fizeram. Ao término da reunião, um deles disse ao outro: "Bem, eu apertarei tua mão; eu te perdoarei, mas hei de ter aquelas ovelhas na ressurreição, com juros!" ¶
A Doutrina Declarada pelo Senhor
Desejo ler uma pequena escritura, contida nos mesmos escritos dos quais o Presidente Grant leu nesta manhã. As observações de Cristo a respeito de julgar encontram-se no sétimo capítulo de Mateus. "Não julgueis, para que não sejais julgados," isso está no primeiro versículo. Aconselho meus amigos aqui a lerem todo o discurso, no que se refere a esse assunto; e agora quero ler apenas um ou dois versículos do décimo oitavo capítulo de Mateus: ¶
Ora, se teu irmão pecar contra ti, vai, e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, ganhaste a teu irmão; ¶
Se não te ouvir, porém, leva ainda contigo um ou dois, para que pela boca de duas ou três testemunhas toda palavra seja confirmada. ¶
E se não os escutar, dize-o à igreja; e se também não escutar a igreja, considera-o como um gentio e publicano. ¶
Sabeis que os publicanos, naqueles tempos, eram cobradores de impostos, e não eram muito populares, tal como não o são agora, a maioria deles. ¶
Esta é a doutrina enunciada pelo Senhor Jesus Cristo enquanto esteve na terra, e que agora está estabelecida na Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. É outro lado dessa questão, talvez, um pouco. O princípio que nos foi expresso nesta manhã pelo Presidente Grant e pelo Presidente Lund é o que precisamos levar em nossos corações desta conferência. É uma nota-chave para os nossos serviços, assim como disse o irmão Lund. Tenho sentido isso, e aprecio essas coisas ditas pelo Presidente, mais ainda por causa da oportunidade que tive, nos últimos dias, de refletir sobre esses assuntos quando estava acordado. Estive dormindo cerca de metade do tempo, mas, enquanto estava acordado, as próprias passagens que ele citou aqui, e alguns dos hinos aos quais se referiu, passaram por minha mente, e senti em minha alma que esta é a palavra a ser levada a todo Israel -- o espírito de caridade e amor fraternal, que promove a verdadeira união. Não devemos nos tornar divididos em nossas almas, em nossa natureza espiritual, em nosso trato uns com os outros. Podemos ter opiniões diferentes sobre certos assuntos, aos quais nem sequer aludirei aqui nesta manhã, mas isso não deve afetar a nossa irmandade, os nossos verdadeiros sentimentos de bondade e de caridade uns para com os outros, e não deve nos afetar quando tentamos passar julgamento e não temos o direito de fazê-lo. ¶
Julgar o Nosso Próximo
Aí está o ponto para o qual desejo chamar a vossa atenção. Não somente queremos nutrir esse espírito de bondade e caridade, mas até mesmo quando pensamos que certas pessoas fizeram algo errado, e que isso nos afeta -- "quando teu irmão pecar contra ti," -- como Jesus o coloca, temos nós o direito de passar julgamento sobre ele, mesmo em nossa mente? Não, não temos. O princípio da justiça e da misericórdia juntas dirá: "Que esse homem permaneça sem condenação até que possa defender-se." A corrente da acusação é frequentemente muito rasa, e por baixo dela às vezes jazem propósitos escusos, e eles são revelados quando a pessoa é colocada em sua defesa e tem a oportunidade de explicar-se. Como digo em uma de minhas pequenas canções: ¶
Educa os teus sentimentos; ¶
Jamais lances condenação sobre amigo ou inimigo, Ainda que a maré da acusação ¶
Como um dilúvio de verdade possa fluir. ¶
Ouve a defesa antes de decidir, ¶
E um raio de luz pode brilhar, Mostrando-te o que a imundície esconde, ¶
Debaixo da rasa corrente ¶
O Senhor providenciou, em sua Igreja, que a justiça se faça, mas isso não exclui a misericórdia, é claro. Temos uma esplêndida ilustração do exercício da misericórdia naquele caso que o irmão Grant nos contou, a respeito do que o Presidente John Taylor lhe ensinou. Mas as pessoas dizem, às vezes, quando ofendidas: "Se isso é o 'mormonismo', não quero ter nada a ver com isso." Que coisa tola. Será que o "mormonismo" condona a iniquidade, em algum aspecto? Aprova a opressão? Aprova a injustiça? Aprova que um homem prejudique outro de qualquer forma, sem recompensa e sem reparação? Não aprova. As pessoas dizem, às vezes: "Bem, se é isso que a Igreja permite, não vou mais à igreja." Ah, que loucura -- não ir à igreja? Ireis prejudicar a vós mesmos? Prejudicais a vós mesmos quando não cumpris a exigência de Deus de ireis à casa de oração no dia do Senhor, como ele ordenou. Prejudicais a vós mesmos se possuís o Sacerdócio do Deus vivo e não compareceis às reuniões de vosso quórum e não observais os deveres que vos pertencem; estais ofendendo a vós mesmos, estais fazendo mal a vós mesmos. A Igreja já se tornou tão grande agora, e tão poderosa, financeiramente e de outras formas -- embora esteja agora bastante em dia em suas finanças -- que já avançou tanto que pode passar sem vós, ou sem mim, ou sem qualquer outra pessoa. Quando negligenciamos um dever, negligenciamos algo que nos beneficia, e ficamos piores por isso. Basta quanto a isso. ¶
A Igreja Provê uma Audiência Onde a Justiça É Feita
Mas a Igreja fornece os meios pelos quais todo aquele que é oprimido ou ofendido pode receber uma audiência e obter justiça. Naquilo que citei, o Senhor estabelece o princípio, e o temos incorporado na organização da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Temos um corpo de homens que vão de casa em casa visitar os Santos. Nós os chamamos de mestres. Bem, são mesmo, mas isso pertence ao dever do sacerdote, como lereis na vigésima seção da Doutrina e Convênios. O dever do sacerdote é pregar, ensinar, expor e batizar, e "visitar a casa de todos os membros, exortando-os a orarem em voz alta e em segredo e a cumprirem todas as obrigações familiares," e assim por diante. Esse é o seu dever. ¶
Além disso, o Senhor diz que o dever do mestre é vigiar a Igreja e estar sempre com a Igreja, e verificar que não haja iniquidade na Igreja, nem dureza de coração, nem maledicência. Por que é pecado? Porque o grande corpo do povo entrou na casa do Senhor, e fez um convênio de que não falará mal dos ungidos do Senhor, não é verdade? Levai isso a sério! Não estamos nós sob um convênio com o Senhor de que não falaremos mal de seus ungidos? Ora, quando fazemos isso, quebramos aquele convênio. Pecamos contra aquele mandamento do Senhor. Portanto, não devemos fazê-lo. Mas alguns podem dizer: "Bem, tenho uma razão para isso." Bem, se tendes uma razão, fazei como Jesus disse. Há pessoas designadas na Igreja que irão convosco até o indivíduo que ofendeu contra vós, ou, se cumprirdes vosso dever adequadamente, começareis indo àquela pessoa sozinhos. ¶
O Plano a Ser Seguido
Tenho ouvido coisas terríveis ditas sobre homens muito bons nesta Igreja, homens de influência, autoridade e poder na Igreja. Tenho ouvido coisas vergonhosas sobre eles, ditas talvez sem malícia, mas de forma bastante desonrosa. Terão as pessoas que usaram tal linguagem ido ao indivíduo que, pensam elas, foi opressivo para com elas, ou lhes causou dano ou as ofendeu, -- e conversado o assunto com ele a sós? Não, ah, não, ah, não. Disseram: "Ele deveria estar na penitenciária." Bem, esse não é o tipo de conversa apropriada para um Santo dos Últimos Dias, e especialmente para um élder em Israel, um conselheiro de bispado, ou um sumo conselheiro; muito errado, de fato, em sua natureza. Aqui está o plano: se algum homem ofendeu contra vós, ide a ele em espírito de bondade, porque quereis que a coisa seja corrigida, e explicai-lhe onde pensais que ele vos fez mal, e vede se ele vos fez mal ou não, ou se não estais enganados. Mas, se não fizerdes isso, que é o grande mandamento, então buscai os mestres, ou homens que atuam como mestres, dois deles, para irem convosco vê-lo, conversarem sobre o assunto e descobrirem quais são os fatos no caso, e vede se não podeis reconciliar-vos com vosso irmão. Se puderdes, então o Senhor diz que "ganhastes vosso irmão." Ele pode arrepender-se, se fez algo errado, ou ele explicará, ou terá a oportunidade de explicar onde tem razão. Ora, apliquemos isso às condições e circunstâncias presentes, e não vades embora repetindo essas coisas novamente. Não faleis mal de vosso irmão; reconciliai-vos com ele se puderdes, e, se não puderdes, buscai algum homem sábio para ir convosco e conversar sobre o assunto. E então? Bem, se ele não vê a coisa como vós a vedes, mas insiste que ele está certo e vós estais errados, qual é o próximo passo? Ora, há um tribunal, chamamo-lo tribunal do bispo. O bispo, que é um juiz comum em Israel, por designação, o bispo e seus conselheiros podem reunir-se como tribunal, e podem ouvir-vos a vós e às vossas testemunhas, se as tiverdes, e então ouvirão o homem ou a mulher acusados, conforme o caso, e ouvirão as testemunhas dele ou dela, então julgarão o assunto, e, se a satisfação não for obtida, mesmo nesse tribunal, que geralmente é suficiente, ou deveria ser, porque homens honestos, homens bons, são escolhidos para atuar no bispado -- que o Senhor os abençoe! Alguns deles não sabem tanto quanto poderiam saber se tivessem mais experiência, mas são homens honestos e sábios, e são colocados ali por seus irmãos, que os escolheram, e tiveram o apoio pelo levantar das mãos do povo. Ora, se a justiça não parecer ser obtida por eles, então o quê? Ora, há um Sumo Conselho, composto da presidência da estaca e doze sumos sacerdotes, homens bons, homens honrados, homens de experiência, homens de caráter, todos membros da Igreja, todos homens que possuem o sacerdócio do Senhor, e eles têm essa designação; estão estabelecidos, são sumos sacerdotes em Israel e são separados para esse propósito. Reúnem-se e verificarão que a justiça seja feita. Se for necessário que o caso seja levado perante esse corpo, há uma oportunidade tanto para o acusador quanto para o acusado; e, para que a justiça plena seja feita, o Senhor designou que metade daquele conselho defenda o acusador e metade o acusado, não que devam ser tendenciosos para um lado ou para o outro, mas para que a retidão possa prevalecer. ¶
Sei, por experiência nestes assuntos, que os irmãos organizados nestes conselhos são homens de honra, integridade e influência no Sacerdócio, e não julgarão um assunto antes de ouvi-lo. Quando todo o assunto é ouvido, então o presidente do conselho e seus conselheiros conversam juntos sobre o assunto e formam a decisão como consideram justa e correta perante o Senhor, e apresentam-na ao conselho. Se a maioria do conselho concordar com eles, a decisão permanece. ¶
Pode-se Fazer um Recurso
Pode-se fazer um recurso, se se alega que houve injustiça, à Presidência da Igreja, que não se reúne como tribunal para ouvir testemunhas, mas examina todas as provas conforme apresentadas e atestadas pelo escrivão, para ver se houve algum erro ou engano cometido, alguma injustiça feita, e, se assim for, podem indicar os meios, conforme previsto na Seção 107 da Doutrina e Convênios, de como o assunto pode ser plenamente determinado e ouvido novamente, se assim decidirem, e que o assunto possa ser examinado de tal modo que cada ponto, cada parte e cada item da decisão possa ser questionado e examinado, e chegue-se a uma conclusão quanto à sua justiça e retidão. ¶
Não É Seguro Seguir um Boato
Mas será que algo desse tipo está sendo feito nos casos aos quais se fez referência aqui nesta manhã? De forma alguma. O que estais fazendo? Seguindo um boato, coisa das mais inseguras a se fazer. Certo boato se espalha, de que certas coisas foram feitas, e as pessoas pensam saber que são verdadeiras, por causa de circunstâncias que surgem; mas não ouvem o outro lado, não dão atenção a isso, e, se alguém procura apresentar o outro lado, diz-se: "Ah, sim, é claro que defendes ele." Esse é o espírito que se manifesta. Ora, queremos acabar com isso, e nisso está a grande lição desta manhã para mim e para todos nós, espero. O Senhor nos deu o caminho e os meios de resolver nossas dificuldades e diferenças na Igreja, e assim, como os antigos apóstolos nos ensinaram, os apóstolos dos últimos dias ensinam: não vades a juízo com vosso irmão, se isso puder ser evitado levando o assunto perante os tribunais da Igreja, ou a um tribunal de arbitragem composto de pessoas escolhidas por ambos os lados, que possam arbitrar o assunto no espírito correto. Há certos tipos de casos, como casos de resolução de títulos de terra, que não podem ser resolvidos dessa maneira; estão fora desta jurisdição. Mas todo o nosso evangelho, nossos ensinamentos e nossa influência são eclesiásticos. Podemos dizer que são temporais, tanto quanto espirituais. Certamente: a nossa Igreja abrange o temporal e o espiritual juntos, assim como o Senhor o faz, e as autoridades desta Igreja, em sua posição, presidem sobre toda a Igreja, em todas as suas ramificações -- a mais bela, esplêndida e perfeita organização sobre a terra. ¶
Possuamo-nos em Paciência
Ora, tomemos a peito as lições desta manhã, irmãos e irmãs. Não, durante esta próxima campanha -- aludo a ela apenas dessa maneira; não quero falar de política, nem que se diga que estive falando de política -- mas, nesta próxima campanha, possuí-vos em paciência, e não abuseis nem deturpeis qualquer outra pessoa ou partido. Não tendes o direito de fazê-lo. Não me importa quão forte partidário sejais do vosso próprio lado, não tendes o direito de deturpar o outro. Não tendes o direito de mentir sobre isso, ou sobre eles. Não tendes o direito de cometer qualquer tipo de injustiça. Dizei a verdade como a compreendeis perante o Senhor, mas não toda a verdade, se essa verdade incluir abusar do outro partido. Não deturpeis o que outras pessoas creem, dizendo que certo partido crê nisto. Não façais isso. Dizei-lhes o que credes, se quiserdes dizer-lhes o que compreendeis; tornai clara e evidente a verdade tal como vos aparece, e não busqueis defeito, nem abuseis, nem deturpeis outros, sejam partidos ou pessoas. Isso é política? Chamai-o como quiserdes, é a verdade, é o evangelho. Jesus Cristo, no mesmo discurso do qual ouvimos falar nesta manhã, disse a seus apóstolos que "buscassem primeiro o reino de Deus e a sua justiça" -- não "as suas", como às vezes o citamos, mas buscai primeiro o reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas temporais de que ele falava vos serão acrescentadas. Como descobrimos a respeito da justiça de Deus que devemos buscar no evangelho? O Apóstolo Paulo, escrevendo aos romanos, creio eu, disse: "Não me envergonho do evangelho de Jesus Cristo, pois é o poder de Deus para a salvação, a todo aquele que crê; porque nele se revela a justiça de Deus, de fé em fé." ¶
Alguns Deveres dos Santos
Estudai o evangelho, vivei o evangelho. Buscai a Deus, para que possais compreender a sua palavra, a sua justiça, e vos moldeis segundo ela, à medida que avançais de fé em fé, e afastai de vossas almas tudo daquilo que foi falado contra nesta manhã, mas sede cheios do espírito que vem do alto; pois Deus é amor, e suas ternas misericórdias estão sobre todas as suas obras. Ele nos ama, e nos guiará e nos salvará, se guardarmos os seus mandamentos e andarmos em seus caminhos, e virá o tempo em que nos reuniremos juntos em sua presença eterna, e tudo o que nos pertence receberemos, tudo. ¶
Ora, perdoemo-nos uns aos outros, em nossos corações, se alguma ofensa foi feita, e sigamos desta conferência determinados a levar esse espírito para onde quer que formos. E vós, homens que estais em autoridade, autoridades presidentes, bispos, e todos os irmãos que possuís o Sacerdócio, que labutais entre os Santos, levai esse espírito convosco para onde quer que fordes, e não deis ouvidos a coisas más contra vossos irmãos, mas falai o melhor que puderdes de todos. Deus vos abençoe a todos, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶