Valores Eternos e Temporais
Rudger Clawson
As observações iniciais do Presidente nesta conferência foram muito inspiradoras e prometiam um rico derramamento do Espírito do Senhor sobre o povo. Assim tem sido — um tempo de paz, um tempo de instrução, de ação de graças e louvor e de pura alegria. ¶
Valores Eternos e Temporais
Gostaria de dizer algumas palavras esta manhã, meus irmãos e irmãs, sobre o assunto dos investimentos, e tomarei por texto o dito de um notável escritor, nestes termos: "Distingui sempre entre o que é de valor eterno e o que é mera comodidade temporal." Esta é uma observação significativa. É digna da mais profunda consideração. Há muitas coisas com que entramos em contato, muitas coisas de importância, mas há algumas coisas mais importantes que outras. ¶
Esta é a terra de Sião em que habitamos. É uma terra abençoada, é uma terra fértil. O solo responde prontamente ao labor do agricultor, e, por seu trabalho, os meios entram em sua posse. Os salários do trabalhador hoje são muito bons. Ele recebe uma recompensa esplêndida por seus esforços, e, assim, os meios chegam às suas mãos. É verdade que enfrentamos um alto custo de vida, mas, apesar disso, para muitos de nosso povo, talvez centenas e centenas deles, há um excedente, e creio, como observou o Irmão Stephen L. Richards, que com esse excedente vem a responsabilidade da administração fiel. Os meios que chegam às nossas mãos são uma ¶
bênção direta do Senhor, e ele espera que os gastemos com sabedoria e bem, e que sejamos muito cuidadosos na administração dos nossos assuntos. Creio que o Senhor espera particularmente que nós, como povo, evitemos as dívidas. Um homem sobrecarregado pelo fardo da dívida bem poderia estar na prisão, porque isso lhe é uma preocupação e ansiedade constantes. ¶
Uma das primeiras considerações que nos incumbem é livrar-nos das dívidas. Os Santos dos Últimos Dias devem atentar a este conselho, pois é conselho que nos chega de tempos em tempos por meio dos líderes da Igreja. ¶
O mundo mercantil, o negócio do petróleo, os campos de mineração, oferecem oportunidade para investimento de nosso excedente; mas, irmãos e irmãs, deve-se exercer a maior sabedoria e discernimento na questão do investimento. E, quando se trata de ações de mineração, basta dizer que é um negócio muito arriscado, e por isso os Santos dos Últimos Dias devem ser sábios e prudentes e não se lançar apressadamente em empreendimentos que surgem por toda parte. Há perigo nisso. Às vezes chegam-nos ofertas de longe, algum grande empreendimento que soa bem no papel, cujo prospecto é muito refinado. É inspirador, é sedutor. Anuncia-se que se realizarão coisas maravilhosas se apenas colocarmos nosso dinheiro nele, e, no entanto, talvez não saibamos absolutamente nada sobre as pessoas ligadas ao empreendimento. Quem é o presidente? Ora, bem, não sabemos. Nunca o vimos. Quem são os diretores da companhia? Ora, bem, não sabemos, mas basta olhar o prospecto, ver o que ele diz. Não é isso suficiente? Não, digo que não é. Não é suficiente de forma alguma. As pessoas não deveriam se envolver nessas coisas sem conhecer algo do caráter das pessoas por trás delas. Ora, isso também é verdade quanto aos empreendimentos estrangeiros que nos chegam de fora. É verdade, igualmente, quanto aos empreendimentos internos, mesmo aqui em Sião. Quando se oferecem investimentos, eles devem ser submetidos ao maior escrutínio e a uma investigação cuidadosa. Queremos saber, devemos saber, quem está por trás deles. Qual é o caráter do homem que está à frente? Qual é o caráter dos homens que compõem o conselho de diretores, e que administram os assuntos da companhia? São eles homens seguros, são eles homens firmes, pessoas confiáveis da comunidade? Bem, se o forem, então o risco não é tão grande, é claro, e por isso creio que seria muito mais seguro para os Santos dos Últimos Dias, em geral, investir seus meios em casa, em empreendimentos que se originaram entre nós, em empreendimentos que têm sido e são bem-sucedidos, nos quais as ações estão rendendo bons retornos. São os resultados que queremos. E isso me faz lembrar de uma história. ¶
Um homem disse a outro: "O que o Professor Jones anda fazendo agora?" ¶
"Ah, bem, ele está tentando decifrar uma tábua babilônica." ¶
"Há algum resultado?" ¶
"Sim, sua esposa está de cama com esgotamento nervoso, e ele mandou os filhos para os parentes." ¶
Resultados bem definidos. E assim, quando vamos investir nossos meios, queremos resultados, queremos bons resultados. Um homem bem-sucedido, do ponto de vista mundano, é um homem que faz bons investimentos. Um mal- ¶
sucedido é um homem que faz investimentos malsucedidos, e os resultados são pobres e lhe trazem transtorno e ansiedade. Ora, estas coisas são muito importantes. Temos de lidar com elas. Devemos acumular meios, pois temos certas obrigações que recaem sobre nós: o sustento de nossas famílias, a educação de nossos filhos, a manutenção de nossos lares. O homem que não prover para sua família, disse o Apóstolo, é pior que um infiel, e assim estas obrigações nos incumbem. ¶
Um Investimento de Valor Eterno
Mas aquilo que tenho enfatizado poderia ser considerado algo pertencente a uma mera comodidade temporal. Detenhamo-nos um momento, reflitamos sobre alguns investimentos que têm valor eterno. Que pensais do dízimo como investimento? "Ora, Irmão Clawson," diz alguém, surpreso, "o senhor não pretende dizer que o pagamento do dízimo à Igreja é um investimento. Quando um homem põe seu dinheiro nas mãos do bispo do Senhor, ou no armazém do bispo, e não recebe dele nenhum dividendo aparente, ora, o senhor não vai chamar isso de investimento?" ¶
Sim, isso é um investimento de natureza eterna. ¶
"Ah, creio que o senhor está equivocado quanto a isso, Irmão Clawson. O senhor sabe que o dízimo pertence às coisas temporais e é uma lei temporal, e nada há de eterno ligado a ele." ¶
Ah, sim, creio que há um valor espiritual ligado ao dízimo, e isso se torna bem evidente na revelação sobre esse assunto. Surge a pergunta: para que serve o dízimo? Falamos dele, o enfatizamos em nossas conferências, exortamos o povo a lembrar-se da lei e a honrá-la. Ora, para que serve? Não somos deixados às escuras quanto a este assunto. O Senhor o esclareceu. Ele deu a lei. Nenhum homem é responsável por ela. O profeta da Igreja, o presidente, não é responsável por esta palavra do Senhor. "Para a construção de minha casa," diz o Senhor, "e para a colocação do alicerce de Sião e para o sacerdócio; e para as dívidas da Presidência de minha Igreja." É para isso que ele serve, e isso tem significado eterno e valor fixo, e eu o considero um esplêndido investimento. Não é um privilégio, não é uma oportunidade de auxiliar na colocação do alicerce de Sião? Isso é o que temos feito há noventa anos. Há quase cem anos vimos colocando o alicerce de Sião. Já está posto, já está totalmente posto, completamente posto? Eu não diria isso. Não sei; creio que serão necessários todos os cem anos, e mais, para colocar o alicerce, porque sobre ele estamos edificando a Igreja e o Reino de Deus, que jamais será derrubado, e a obra jamais será entregue a outro povo. É esse o tipo de alicerce que devemos colocar. Vós tivestes parte nisso, eu tive parte nisso; isto é, se temos observado esta lei e outros deveres e obrigações. Ah, é uma coisa abençoada. Creio que renderá um bom dividendo. ¶
"E para a construção de minha casa" — aqui neste quarteirão há uma casa do Senhor, e outros templos estão sendo erguidos, nos quais grandes ¶
bênçãos espirituais virão aos Santos dos Últimos Dias, em grande parte por meio do pagamento de seus dízimos e obrigações. ¶
Ora, eu vos digo, não poderíamos construir uma casa de Deus sem meios, e, no entanto, uma vez concluída, o próprio edifício é da menor importância, todos os meios empregados nela são da menor importância. São as ordenanças da casa que têm valor eterno. E, além disso, a lei do dízimo fala do Sacerdócio. Eis aí um investimento de real valor para vós, da mais vital importância: a autoridade e o poder do Sacerdócio. Poderia algum homem fazer um investimento melhor do que garantir o Sacerdócio? "Sim, mas, Irmão Clawson, pode ele comprar essa bênção?" Não, não, não pode. "Bem, como pode ele investir se não tem dinheiro para investir nisso?" Não se consegue dessa forma. É um investimento que vem numa forma inteiramente diferente. Bem, o que se requer? Apenas fidelidade, uma vida fiel, devoção à causa de Deus, obediência à sua palavra, honrar os seus servos, e cumprir o vosso dever, e isso vos dará direito a uma parte neste grande investimento que está aberto a todos os homens da Igreja, do menor ao maior. ¶
"E as dívidas da Presidência de minha Igreja." Não entendo isso como significando que o dízimo deva ser usado para as obrigações e dívidas pessoais dos líderes da Igreja ou da Presidência. Notai como isto está escrito: "Das dívidas da Presidência de minha Igreja." Significa as obrigações contraídas em nome da Igreja pela Presidência. ¶
A Palavra de Sabedoria como Investimento Eterno
Que pensais, irmãos e irmãs, da Palavra de Sabedoria como investimento? "Certamente isso não é um investimento, é?" Ah, sim; um dos irmãos nesta conferência enfatizou a Palavra de Sabedoria dizendo que ela poderia ser considerada a lei da saúde, a grande lei da saúde. Ora, não é isso um investimento digno de nossa consideração? Se pudermos entrar em algo, irmãos e irmãs, que traga boa saúde, esse é o melhor tipo de dividendo que existe. E o que poderíamos fazer? Pergunto-vos: o que poderia este povo fazer, quanto poderia realizar desta poderosa obra sem boa saúde? Ora, bem, como povo, somos saudáveis. Pode haver exceções à regra, mas temos direito às bênçãos especiais do Senhor a esse respeito, se observarmos a sua grande lei. "Sim," mas alguém diz, "o senhor está enfatizando, meu irmão, investimentos de caráter eterno. A Palavra de Sabedoria, lembre-se, é uma lei temporal e não tem nada de particular a ver com coisas eternas." Bem, penso, meu irmão, que o senhor está um pouco equivocado nessa visão. Concedo que a Palavra de Sabedoria tem um lado temporal. Ela diz respeito, em grande parte, a coisas temporais, à nossa saúde física, à condição de nossos corpos e assim por diante. Mas há também um lado espiritual na Palavra de Sabedoria, que possivelmente é mais importante que o temporal, pois o Senhor disse que todos os santos que se lembrarem de guardar e fazer estas coisas ditas na Palavra de Sabedoria, andando em obediência aos mandamentos, "receberão saúde para o umbigo e medula para os ossos." Eis a bênção temporal, e ela é importante e vital. ¶
"E encontrarão sabedoria e grandes tesouros de conhecimento, sim, tesouros ocultos." E aí está o lado espiritual da Palavra de Sabedoria. E esses grandes tesouros de conhecimento nos ajudarão neste mundo e nos seguirão para o mundo vindouro, e são de natureza eterna. Temos também a promessa de que o anjo destruidor passará por nós e não nos matará. Isso não significa que ninguém entre os Santos morrerá e partirá. Estamos sob o grande decreto da vida, isto é, mais cedo ou mais tarde, devemos depor nossos corpos e passar para o mundo espiritual, e a mudança virá a todos nós; mas a promessa é feita, ainda assim, e o Senhor terá consideração pelo seu povo. Ele os abençoará e os preservará e os conduzirá até que tenham cumprido a medida de sua criação e realizado sua obra, se observarem guardar e fazer estas coisas e prestarem obediência à sua lei. ¶
O Matrimônio como Investimento Eterno
Que pensais, irmãos e irmãs, do matrimônio como investimento? Um dos passos mais importantes que um homem ou uma mulher pode dar neste mundo. Há dois tipos de matrimônio. Um é um investimento bastante pobre, isto é, não é tão bom quanto o outro. Há o matrimônio para o tempo; há o matrimônio para o tempo e toda a eternidade. Eis a escolha entre dois investimentos para todo jovem e toda jovem na Igreja. Qual escolhereis? Aquilo que é de valor eterno, ou aquilo que é de mera comodidade temporal? Assim, repito: distingui sempre entre o que é de valor eterno e o que é de mera comodidade temporal. ¶
Que o Senhor nos abençoe e nos ajude a fazer a escolha certa e a fazer o que é justo; a sempre dar ouvidos à voz do conselho e a caminhar no caminho da vida, é minha oração, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶