O Deus Verdadeiro e Vivo
Orson F. Whitney
O primeiro grande serviço de Joseph Smith à humanidade foi trazer de volta o conhecimento perdido do Deus verdadeiro e vivo. O que queremos dizer com isso? Quem é, e o que é, o Deus verdadeiro e vivo? Ele é o Deus da Bíblia, o Deus de Abraão, Isaque e Jacó, o Deus de Adão, de Enoque, de Noé, dos Patriarcas, dos Profetas e dos Apóstolos de outrora. É o Deus descrito por Moisés no primeiro capítulo de Gênesis, assim: "E criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou, macho e fêmea os criou." Isso equivale a dizer que Deus tem a forma do homem, e que temos uma Mãe, bem como um Pai, no céu, à imagem ou semelhança de quem somos, macho e fêmea. ¶
Ídolos Antigos
O mundo tinha necessidade desta instrução, pois naquela época adoravam toda sorte de divindades. Haviam esquecido o Deus de seus pais, o Deus de Adão e de Abraão, e curvavam-se diante de ídolos. Nos dias de Moisés, quinze séculos antes de Cristo, havia três grandes centros de pensamento e filosofia religiosa. Um deles era entre os fenícios ou cananeus. Adoravam o sol e a lua, atribuindo-lhes os poderes da criação -- adoravam-nos com ritos licenciosos sugestivos da criação. Esse era o culto a Baal e a Astarote, contra o qual os filhos de Israel foram especialmente advertidos. Lá no Egito, adoravam feras e répteis, como o crocodilo, o touro, o bode e o escaravelho. Supunha-se que os deuses estivessem consagrados nesses corpos, e, se um bode morresse, era sepultado com as mais custosas cerimônias, em meio ao luto de uma nação. Bem longe, entre os hindus, as estações eram deificadas -- primavera, verão, outono, inverno. Julgava-se que fossem as fontes divinas da vida. As paixões do coração humano -- amor, ódio, medo, ira, vingança, e assim por diante -- também eram reverenciadas como divindades. Então veio Moisés, homem que vira o Deus verdadeiro e vivo, conversara com ele face a face, e dele recebera o Decálogo, ou os Dez Mandamentos, para Israel. O primeiro desses mandamentos diz: "Não terás outros deuses diante de mim." Seria de admirar que esse mandamento tenha sido dado, e dado em primeiro lugar, sob tais condições? ¶
A "EXPRESSA IMAGEM" DO PAI. ¶
O mundo do tempo de Joseph Smith não adorava o sol e a lua, nem os animais, nem as estações, nem as paixões. Não obstante, haviam se desviado do verdadeiro Deus; ignoravam ou interpretavam mal o que Moisés ensinara, que o homem está na imagem de Deus e, portanto, por inferência lógica, que Deus está na imagem do homem. Jesus Cristo, o Filho de Deus, a quem as Escrituras declaram ser "a expressa imagem" da pessoa de seu Pai, desceu do céu e andou como homem sobre a terra, mostrando claramente que espécie de ser é Deus. Além disso, quando Filipe, seu discípulo, lhe disse: "Senhor, mostra-nos o Pai," Jesus respondeu: "Quem me vê a mim vê o Pai." Mas este ensinamento se perdeu para o mundo cristão moderno. ¶
A Divindade Cristã
Que espécie de Deus a cristandade adorava quando Joseph Smith e o "mormonismo" surgiram? Que o diga a teologia cristã. Nela estava escrito, e assim permanece até hoje, que Deus é um ser sem corpo, partes ou paixões. Assim declaram os Artigos de Religião da Igreja da Inglaterra. Assim afirma a Confissão de Fé Presbiteriana. E esse era o conceito popular da Divindade em todo o mundo cristão no início do século dezenove. Em consonância ¶
com essa doutrina e esse ensinamento, o poeta inglês Pope, que viveu no século dezoito, representa Deus como um espírito ou "alma" que ¶
Aquece no sol, refresca na brisa, Resplandece nas estrelas e desabrocha nas árvores, Vive por toda a vida, estende-se por toda a extensão, Espalha-se indivisa, opera sem se esgotar. ¶
Uma descrição muito admirável do que se poderia chamar de emanação espiritual de Deus, aquela essência universalmente difundida que procede da Presença Divina, e que é o poder que ilumina, em maior ou menor grau, todo homem que vem ao mundo. É, de fato, a luz do sol, da lua e das estrelas; é também a luz do entendimento humano; nela vivemos, nos movemos e existimos, pois é o princípio de vida em toda a criação. Mas esse não é o Deus que fez o homem à sua própria imagem. Esse não é o Pai, representado pelo Filho, em quem "habita corporalmente toda a plenitude da divindade." Não é sequer a personagem do Espírito Santo. ¶
A Divindade e Sua Emanação
Há Três que exercem domínio nos céus: o Pai, o Filho e o Espírito Santo, três personalidades distintas; mas o Pai e o Filho, segundo Joseph Smith, são personagens de tabernáculo, com corpos "tão tangíveis quanto o do homem", enquanto o Espírito Santo "é uma personagem de espírito". Dessa Trindade Eterna procede um poder ou essência espiritual, onipresente e imanente em todas as coisas; e é isso que o poeta descrevia ao retratar Deus como uma "alma" que "aquece no sol, refresca na brisa, resplandece nas estrelas e desabrocha nas árvores", etc. Era isso o que as seitas cristãs adoravam -- não a Divindade, mas uma emanação da Divindade. Haviam se desviado da verdade "para as fábulas", como fizeram os antigos; e coube a Joseph Smith destruir a falsa doutrina de uma Divindade sem corpo e sem paixões, e trazer de volta o precioso conhecimento que se havia perdido. ¶
A visão de Joseph. ¶
Todos estamos familiarizados com a história -- como um menino de catorze anos foi à floresta e orou; como lutou com Satanás, e foi libertado; como viu, acima de sua cabeça, uma luz mais brilhante que o sol do meio-dia, e no meio dela dois seres gloriosos em forma de homem, um dos quais, apontando para o outro, disse: "Este é Meu Filho Amado. Ouve-O!" Daquela hora em diante, houve pelo menos uma pessoa neste planeta que sabia que espécie de ser Deus é. Foi uma verdadeira reafirmação do primeiro mandamento do Decálogo: "Não terás outros deuses diante de mim." ¶
O Que Constitui a Idolatria?
Adorar qualquer coisa que Deus fez é praticar a idolatria. Não importa o que seja. Se nos afastamos do Criador para a criatura; se esquecemos o Doador e adoramos o dom; se abandonamos Deus e ¶
adoramos uma emanação de Deus, somos idólatras, tanto quanto se adorássemos o sol e a lua, ou nos curvássemos diante de bodes e crocodilos. O homem que ama o dinheiro e faz dele seu principal objetivo -- que o transforma em um fim, em vez de um meio -- é um idólatra. A riqueza é uma bênção de Deus, e o mesmo é o dom de adquiri-la; e, se os homens, ao se tornarem ricos, usam suas riquezas do modo que Deus planejou, ele os aprova e os abençoa mais abundantemente. Mas o homem que adora seus bens, e esquece que lhe foram dados para um propósito bom, sábio, altruísta e não egoísta, é um idólatra, semelhante àqueles povos antigos que, em sua cegueira espiritual, adoravam coisas que Deus havia feito e dado, em vez do Criador e Doador. ¶
A Dispensação Final
O segundo grande serviço de Joseph Smith à humanidade foi abrir esta dispensação do evangelho -- a Dispensação da Plenitude dos Tempos. O que isso significa? Dispensar é distribuir, ou repartir em porções, como quando o sacramento da Ceia do Senhor é dispensado a uma congregação religiosa. Em sentido mais amplo, significa a abertura dos céus e o envio do evangelho e dos poderes do Sacerdócio, como dádiva e bênção à humanidade. O termo "dispensação" também define o período durante o qual esses princípios salvadores e exaltadores, assim enviados, permanecem em vigor em seu poder e pureza primitivos. Tem havido muitas dispensações do evangelho, embora os homens saibam pouco a respeito delas. O evangelho de Cristo é mais do que "o poder de Deus para a salvação"; é o poder de Deus para a exaltação, e foi instituído como tal antes de esta terra passar a existir, antes da queda de Adão, e, por conseguinte, antes de o homem ter necessidade de redenção e salvação. É o caminho do progresso eterno, a senda para a perfeição, e tem estado sobre a terra em uma série de dispensações que se estendem como uma poderosa corrente desde os dias de Adão até os dias atuais. A grande diferença entre esta dispensação e todas as outras é que esta é a última e a maior, praticamente todas as dispensações reunidas em uma só. Deus decretou reunir todas as coisas que são de Cristo, tanto na terra como no céu, e a primeira parte do programa divino é a reunião de Israel disperso e a edificação de Sião, em preparação para a vinda do Rei dos reis, o início do Reinado Milenar, a santificação da terra, e sua eventual glorificação, quando será convertida em uma esfera celestial, morada dos justos para sempre. ¶
Não Foi um Acidente
Não foi acidente, não foi acaso -- a ida de Joseph Smith ao bosque naquela manhã de primavera, há cem anos. Foi um acontecimento predestinado, inspirado pelo céu. Certa vez pensei que qualquer bom rapaz que orasse com fé poderia ver exatamente o que Joseph viu. Mas afastei essa noção infantil. Aprendi que nem todos os rapazes são Joseph Smiths. Deus ouve e responde às orações do mais humilde de seus filhos; mas responde-lhes como melhor lhe parece, ¶
e nem sempre da mesma maneira. Ele dá segundo a capacidade de quem recebe. ¶
Profeta e Vidente
Não foi um homem comum que entrou naquela manhã no bosque para orar. Foi um Profeta, um Vidente. Joseph Smith não se tornou profeta pelas pessoas que ergueram as mãos por ele em seis de abril de 1830, quando esta Igreja foi organizada. Ele já era profeta, escolhido, como fora Abraão, antes de nascer; ordenado, como Jeremias, antes de ser formado na carne. O povo apenas o "sustentou" naquela posição, manifestando, pela mão erguida, que estava disposto a segui-lo como seu líder, e a aceitar seus ministérios nessa condição. Ele já era profeta, já era vidente; Deus o fizera assim de antemão. Mas nem todos os homens são Joseph Smiths. Ele foi um homem semelhante a Moisés. Foi o ser humano mais raro que caminhou nesta terra nos últimos dois mil anos. E por que foi ele ao bosque naquela manhã orar por sabedoria e luz? Foi porque o tempo havia chegado. A Hora soara, e o Homem estava presente -- o homem que Deus havia providenciado. ¶
A Noite de Sábado do Mundo
Vivemos na noite de sábado da história do mundo. A terra trabalhou seis dias e descansará no sétimo, seu período de santificação. Este é o significado do "mormonismo", de Joseph Smith, e da obra que ele inaugurou -- o erguer do Estandarte para a reunião de Israel nesta, a terra de José, a terra de Sião, para edificar a Nova Jerusalém, e preparar o caminho para a vinda do Senhor em sua glória. A terra trabalhou seis dias, mas não são dias de vinte e quatro horas cada. Joseph ensinou que existe um grande planeta chamado Kolob, o mais próximo do Trono Celestial, e que ele gira uma vez a cada mil anos. Esse é um dia para Deus. Foi um dia assim de que Adão foi advertido quando lhe foi dito: "No dia em que dela comeres, certamente morrerás"; pois Adão, depois de comer do fruto proibido, viveu até a idade de novecentos e trinta anos. Foi um dia assim que Pedro tinha em mente quando escreveu: "Um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos, como um dia." Segundo os ensinamentos de nosso Profeta, Deus deu a este planeta, a Mãe Terra, sete mil anos como o período de "sua existência temporal"; e quatro mil anos, ou quatro desses grandes dias, haviam se passado antes de Cristo ser crucificado, enquanto quase dois mil anos, ou mais dois dias, se passaram desde então. Por conseguinte, estamos, no momento presente, na Noite de Sábado do Tempo, perto do fim do sexto dia, ao término da semana da história humana. A manhã romperá sobre o Milênio, os mil anos de paz, o Sábado do Mundo. ¶
Uma Limpeza em Andamento
Não vos maravilheis, portanto, de que todas as coisas estejam em comoção. Guerra, fome, pestilência, terremoto, tempestade e maremoto -- estes estão entre os sinais preditos da segunda vinda do Salvador. A terra deve ¶
ser libertada da opressão e purificada de toda iniquidade. É a Casa de Deus, e ele vem para habitar nela, e para fazer dela uma mansão glorificada. A limpeza está em andamento, e a obra de sábado deve ser feita e concluída antes que o Senhor do Sábado apareça. ¶
O coro e a congregação cantaram o hino: "Fazei o que é certo, e que a consequência se siga." ¶