Pulpit

Os Santos Absolutamente Sinceros

Heber J. Grant

Conferência Geral de Abril de 1920·Sessão da Manhã do Primeiro Dia·1920-04-04

É certamente uma visão inspiradora ver tantos Santos dos Últimos Dias reunidos aqui na abertura de nossa conferência. Considerando o tempo, eu esperava que não houvesse necessidade, esta manhã, de uma reunião de transbordamento no Salão de Assembleia, mas me enganei.

Regozijo-me imensamente com a fé que há nos corações dos Santos dos Últimos Dias. Regozijo-me com a lealdade do povo à Igreja de Jesus Cristo, onde quer que estejam, desde o Canadá ao norte até o México ao sul, e em todas as diversas missões pelo mundo. Estou convencido, sem sombra de dúvida, de que não há outro povo sobre a face da terra tão devotado à sua religião, nem tão pronto e disposto a fazer -- e que de fato faça -- tantos sacrifícios por sua igreja, como demonstração prática e absoluta de sua fé, quanto os Santos dos Últimos Dias.

Os Santos Absolutamente Sinceros

Quando nos damos conta de que milhares de Santos dos Últimos Dias são absolutamente honestos no pagamento de seus dízimos, que encaram a obrigação de pagar um décimo de tudo o que ganham com a mesma sacralidade com que encarariam a obrigação de dividir com um sócio, se esse sócio tivesse uma participação de um décimo em seu negócio; quando pensamos nas doações feitas para o sustento dos pobres, para a construção de capelas nas diversas alas, para a construção de tabernáculos de estaca, para a edificação de academias, a construção de templos, e, por último, o maior de todos, quando pensamos no maravilhoso sacrifício feito por homens e mulheres, dando dois, três e cinco anos de seu tempo para a obra missionária, e alguns deles dez e quinze anos, à sua própria custa ou à custa de suas famílias, não apenas dando seu tempo, mas também pagando suas próprias despesas -- tenho certeza de que qualquer pessoa que se detenha a refletir sobre esses sacrifícios há de reconhecer que não pode haver maior evidência de sinceridade e devoção absolutas dada por qualquer povo à sua fé e à causa de Deus, tal como a compreendem, do que a dada pelos Santos dos Últimos Dias.

Destinação do Dízimo

Vou ler, para vosso conhecimento, algumas das coisas que foram auxiliadas por vosso dízimo durante o ano passado. Os próprios Santos contribuíram com $500.000, pois tem sido costume a Igreja pagar apenas um terço na construção de capelas. Durante a última parte do ano, porém, a Igreja tem custeado metade na construção de capelas, e gostaria de chamar a atenção para o fato de que não há atualmente nenhum pedido de auxílio ao Fiduciário que não seja das diferentes alas e estacas solicitando metade do dinheiro necessário para erguer suas capelas e suas escolas, e há atualmente pedidos registrados junto ao Fiduciário que somam consideravelmente acima de um milhão de dólares. É bom que saibais que é financeiramente impossível atendermos a todos esses pedidos. Os edifícios custam hoje o dobro do que custavam há poucos anos, de modo que um edifício que custaria $30.000 há três ou quatro anos, se construído agora, custaria $60.000. No passado, a Igreja concedia dez mil; hoje pede-se trinta mil, o que representa um aumento de duzentos por cento. Não podemos atender a todos os pedidos, por mais que gostaríamos.

Foi apropriado para a manutenção de capelas nas diversas alas, durante o ano passado, $254.108,59; para tabernáculos de estaca, $35.811,82; apropriações às diversas estacas, $167.410,96; para alas em toda a Igreja, $444.763,60; para hospitais, $70.121,00; para manutenção e construção de templos, $214.476,51; para as diversas missões, $420.359,88; além do dinheiro contribuído nessas missões. Despendido em caridade, $354.283,26. Para educação, a Igreja destinou $722.353,83, e os pedidos atuais para nossas escolas somam mais de um milhão para o próximo ano. Não podemos atender a tudo o que é requerido, mas faremos tanto quanto pudermos. O montante total despendido nas diversas estacas, alas e missões dos fundos da Igreja, para o ano de 1919, é de $2.683.689,45.

Lembro-me de que, dentro de mais dois dias, estaremos celebrando o nonagésimo aniversário do nascimento da Igreja de Jesus Cristo sobre a terra nesta última dispensação. Antes de a Igreja ser organizada, havia algumas pessoas que criam na visão que o profeta Joseph Smith tivera quando menino, aos catorze anos de idade. Também criam que ele fora visitado por mensageiros celestiais, que tivera anos de instrução, e criam, sem sombra de dúvida, que ele tinha em sua posse as placas de ouro das quais estava traduzindo o Livro de Mórmon. Criam nas muitas revelações que Deus lhe deu e que ele escreveu e entregou aos poucos com quem se associava antes da organização da Igreja. Uma dessas revelações foi dada ao pai do profeta -- é breve e vou lê-la -- dada pouco mais de um ano antes da organização da Igreja.

Revelação ao Pai do Profeta

Agora eis que uma obra maravilhosa está para iniciar-se entre os filhos dos homens;

Portanto, ó vós que embarcais no serviço de Deus, vede que o sirvais de todo o coração, poder, mente e força, para que vos apresenteis sem culpa perante Deus no último dia;

Portanto, se tendes desejo de servir a Deus, sois chamados ao trabalho;

Porque eis que o campo já está branco para a ceifa; e eis que aquele que lança a sua foice com vigor faz reserva, de modo que não perece, mas traz salvação a sua alma;

E fé, esperança, caridade e amor, com os olhos fitos na glória de Deus, qualificam-no para o trabalho.

Lembrai-vos da fé, da virtude, do conhecimento, da temperança, da paciência, da bondade fraternal, da piedade, da caridade, da humildade, da diligência.

Pedi e recebereis; batei e ser-vos-á aberto. (Doutrina e Convênios, Seção 4.)

Verdadeiramente uma grande e maravilhosa obra veio à luz e foi proclamada em todas as terras e em todos os climas, por todo o vasto mundo. O evangelho de Jesus Cristo foi restaurado -- por uma visitação pessoal dos apóstolos Pedro, Tiago e João, que impuseram as mãos sobre as cabeças de Oliver Cowdery e do Profeta Joseph Smith, ordenando-os ao apostolado; por uma visitação pessoal de João Batista, que batizou o Salvador, impondo as mãos sobre Oliver Cowdery e Joseph Smith, ordenando-os ao Sacerdócio Aarônico, ou o sacerdócio menor -- o evangelho foi novamente restaurado à terra, com o poder e a autoridade que existiam nos dias do Salvador. Milhões de dólares foram despendidos na construção e manutenção de templos, onde são realizadas ordenanças para a salvação daqueles que morreram sem conhecimento do evangelho. Todas essas coisas testemunham da inspiração de Deus sobre aquele homem, Joseph Smith, quando ele proferiu, em uma revelação a seu pai, esta declaração de que uma grande e maravilhosa obra estava para vir à luz entre os filhos dos homens.

Tributo aos Santos dos Últimos Dias

A prontidão, a disposição, o espírito de sacrifício entre os Santos dos Últimos Dias são uma inspiração para os que não são de nossa fé. Eu havia pretendido ler aqui esta manhã algumas das coisas muito esplêndidas que foram ditas no Senado dos Estados Unidos a respeito dos Santos dos Últimos Dias pelos senadores de Nevada, do Colorado e do Arizona. Não pretendia ler nada do que disse nosso próprio senador de Utah, mas me regozijo quando homens que não são de nossa fé podem dar o testemunho que estes homens deram, a respeito da lealdade de nosso povo.

[O Presidente Grant leu aqui trechos dos discursos dos senadores mencionados. Os tributos, na íntegra, incluindo o discurso do Senador Smoot, são aqui reproduzidos]:

Pelo Senador Smoot, de Utah

Sr. Smoot. Sr. Presidente, não vou ocupar mais de cerca de 15 minutos do tempo do Senado.

Por mais de 16 anos não dei atenção alguma a quaisquer relatos e declarações falsos e maliciosos de jornais feitos contra a chamada Igreja "mórmon". A única desculpa que tenho para fazê-lo agora é que recebi um pedido de membros de vários dos principais clubes do Estado de Utah para chamar a atenção do Senado e do país para certas declarações falsas publicadas em diferentes jornais por todos os Estados Unidos.

Em primeiro lugar, desejo chamar a atenção para um artigo que apareceu no New York World de 22 de outubro, sob a data de Londres, 21 de outubro. Este mesmo artigo, devo dizer, foi publicado em muitos outros jornais por todos os Estados Unidos. Diz o seguinte:

"Meninas, Convertidas Mórmons, Querem Deixar a Inglaterra. -- Nada Menos que 1.200 delas, Diz a Autora, Pediram Passaportes para Poderem ir a Utah.

"Londres, 21 de outubro.. "Winifred Graham, a conhecida autora inglesa, que

tem feito muito neste país para expor o mormonismo, disse hoje ao correspondente do World que nada menos que 1.200 meninas inglesas foram recentemente persuadidas por propagandistas mórmons aqui a irem para Utah. 'Durante a guerra,' disse ela, 'os mórmons fizeram grandes progressos no Reino Unido. Espero que as autoridades americanas impeçam a partida dessas meninas para a América. De fontes confiáveis, soube que há 1.200 delas ansiosas para embarcar imediatamente. Só na semana passada, uma foi levada a um tribunal policial de Londres por falsificação de passaporte em seus esforços para ir a Utah.'

"Winifred Graham é o pseudônimo da Sra. Theodore Cory. Ela embarca no Baltic em 29 de outubro como delegada britânica ao Congresso Mundial de Cidadania em Pittsburgh, que começa em 9 de novembro. Ela falará sobre o mormonismo. Seu trabalho antimórmon aqui, diz ela, fez com que fosse vigiada e ameaçada pelos mórmons. Os cônsules dos Estados Unidos estão atentos a quaisquer convertidas mórmons. Devido às rígidas normas de passaporte, há poucas chances de que qualquer dessas meninas inglesas consiga embarcar. Algumas das meninas a quem os vistos de passaporte foram recentemente negados eram suspeitas de serem convertidas mórmons."

Sr. Presidente, pensei que havia chegado o momento em que os jornais do país deixariam de publicar tais disparates. Como é fácil para qualquer jornal enviar um representante ao Departamento de Imigração e descobrir exatamente o número de imigrantes que entram nos Estados Unidos com destino ao Estado de Utah em qualquer ano do passado, e também descobrir as profissões e ocupações dos imigrantes, e a classificação de cada um conforme fornecida pelo departamento. Se o jornal que assim procedesse quisesse publicar a verdade, jamais publicaria declarações como as que acabo de ler.

Fui ao departamento, ao ter minha atenção chamada para o artigo do jornal, e solicitei uma declaração do número de imigrantes para Utah nos anos de 1917, 1918 e 1919. As estatísticas retiradas do relatório anual do Comissário-Geral de Imigração mostram alguns fatos interessantes. Tomei o Estado de Utah e o comparei com o Estado do Colorado, e o resultado é o seguinte:

Profissão.

Sem ocupação (incluindo mulheres e crianças)

Total geral de todos os imigrantes

♦Números não disponíveis.

Utah.

Cg

lora<

lo.

1917|1918

6 1 8

(*)

(*)

96 1 49

(*)

(*)

501 1202

(*)

(*)

^62 |254

(*)

(*)

965 |513.588

118 | 48

(*)

(*)

A tabela acima mostra que o número total de imigrantes sem ocupação -- incluindo mulheres e crianças -- destinados a Utah era menor, em termos percentuais, do que o mesmo grupo destinado ao Colorado.

Ela também mostra o percentual de imigrantes ingleses em relação ao total que foi para ambos os estados, sendo o percentual aproximadamente o mesmo.

Sr. Presidente, o Commercial Club de Salt Lake City, o principal clube de negócios do Estado de Utah, ao tomar conhecimento deste artigo difamatório contra a Igreja "mórmon" publicado por todos os Estados Unidos, preparou e emitiu uma declaração, datada de 4 de novembro de 1919, intitulada "Refutação emitida pelo conselho de governadores do Commercial Club de Salt Lake City", que desejo ler, como segue:

Uma Declaração de Refutação

Emitida pelo Conselho de Governadores do Commercial Club, Salt Lake City. A atenção do Salt Lake Commercial Club foi chamada para o aparecimento, em jornais dos Estados Unidos, de um "artigo de agência" com data de Londres, Inglaterra, em alguns casos como "19 de outubro", da pena de alguém que se apresenta como George Selden, escritor da metrópole inglesa, o qual é vicioso, inconsistente e maliciosamente falso em suas acusações contra a Igreja "mórmon".

Este artigo, difundido por todos os Estados Unidos, contém citações atribuídas a uma tal Winifred Graham, a quem o artigo se refere como romancista, algumas das quais são as seguintes:

"O que está fazendo o mormonismo na Inglaterra? Age secretamente, como na América, e zomba da lei em ambos os países. Neste exato momento, os élderes da Igreja têm mil e duzentas meninas prontas para embarque com destino a Utah.

"A Igreja Mórmon paga as passagens e oferece excelentes salários, mas, uma vez que as traz para cá, usa-as como bem entende. A guerra deu aos élderes mórmons sua maior oportunidade de proselitismo. Na ausência dos homens e por causa da morte de milhares de soldados, as mulheres das classes mais pobres tornaram-se vítimas fáceis. Reuniões secretas eram realizadas em lares que atraíam a vizinhança sem despertar suspeita.

"Toda menina é batizada. Elas então se calam a respeito da poligamia, mas se tornam ou esposas polígamas ou escravas da Igreja Mórmon. Ocasionalmente ouvimos falar de meninas que trabalham como escravas em fazendas mórmons."

O Commercial Club de Salt Lake City, Utah, por meio de seu Conselho de Governadores devidamente constituído, deseja que se saiba que tomou conhecimento e leu essas declarações, que classifica como viciosas em sua intenção e tão obviamente inconsistentes a ponto de se refutarem por si mesmas, sendo escandalosas, perniciosas e falsas.

O Commercial Club, em consonância com suas atividades desde sua organização, é criticamente persistente e minucioso em seu levantamento das condições relativas aos interesses de nossa comunidade, e está plenamente qualificado, por seu conhecimento dos fatos, para assim classificar essas histórias sensacionalistas como falsidades absolutas.

A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, comumente chamada Igreja "mórmon", trabalha em harmonia com outras instituições em Utah, eclesiásticas e civis, pela manutenção do mais elevado padrão de moralidade alcançável, e alcançou um histórico invejável nessa realização, bem como em serviço patriótico e devotado às necessidades do país.

Este Commercial Club repudia e condena, com igual veemência, as falsidades circuladas de interferência "mórmon" na política estadual ou nacional. O povo "mórmon" exerce seus direitos e preferências políticas em comum com seus concidadãos que não são de sua fé; e este Clube afirma sem hesitação que as histórias que alegam controle "mórmon" de partidos políticos neste Estado ou em qualquer outro lugar não passam de mitos e fábulas, sem sequer o mérito de uma consistência aparente que justifique sua repetição periódica. (Ass.) Lester D. Freed,

Presidente do Commercial Club, H. N. Byrne, C. B. Hawley, A. N. McKay

H. M. Chamberlain, J. C. Howard, C. W. Nibley

Joseph Decker, S. R. Inch, F. C. Schramm

Lester D. Freed, Jas. Ingebretsen, M. H. Sowles

R. C. Gemmell, D. Carlos Kimball, Charles Tyng

(Conselho de Governadores)

Sr. Presidente, protesto contra a matéria difamatória de imprensa que tem sido publicada por todo o país, contra o anúncio estardalhaçosamente apregoado das falsidades que uma escritora de ficção inglesa veio aqui contar. A Igreja não tem nada a esconder. Quero que o povo dos Estados Unidos saiba que, no que diz respeito à poligamia, ela está morta, e os caluniadores terão de encontrar, no futuro, algum outro passatempo.

Tudo o que peço é que a Igreja "mórmon" e seus adeptos sejam julgados pelo fruto da árvore. Ninguém pode examinar o registro feito por aquele povo durante a Grande Guerra sem chegar à conclusão de que não existe povo mais leal sobre esta terra. Nenhum chamado lhes foi feito sem uma resposta imediata, e não apenas pela quantia solicitada, mas por quase o dobro da quantia na maioria dos casos. Não apenas forneceram sua cota de soldados, mas em alguns dos chamados 100 e 200 por cento a mais.

Sr. Presidente, eu não teria tomado o tempo do Senado para fazer esta breve declaração se isso não me tivesse sido solicitado. Direi o seguinte: os signatários da declaração de refutação são, no mínimo, três quartos não membros da Igreja "mórmon", e são os principais homens de negócios do Estado. Parece-me que o povo deste país deveria agora compreender a verdadeira situação, e se o "New York World" ou o "New York American" desejarem conhecer a verdade sobre o povo "mórmon", pagarei de bom grado todas as despesas de um representante de qualquer um dos jornais, caso desejem fazer uma investigação honesta.

Sou um Senador dos Estados Unidos. Represento todo o povo de Utah e não qualquer igreja como tal. Nunca me senti chamado a defender a Igreja "mórmon" contra ataques falsos, porque senti que, mais cedo ou mais tarde, a verdade seria compreendida por todo o povo. Não estou fazendo esta declaração como representante da Igreja "mórmon", mas como Senador dos Estados Unidos.

A Igreja "mórmon" tem sido vilmente deturpada por muitas fontes no passado. Aguardo com confiança o dia em que o povo "mórmon" será conhecido como realmente é, e não como é representado.

Pelo Senador Ashurst, do Arizona

Sr. Ashurst. Sr. Presidente, alegro-me muito de que o Senador de Utah [Sr. Smoot] tenha falado como falou. Era tempo de um discurso assim. Um incomparável autor de epigramas disse que, quando "uma mentira ou uma declaração falsificada entra em circulação, é quase impossível alcançá-la", e por isso creio que o Senador prestou um serviço ao seu país ao expor esta infame calúnia, que tem sido divulgada amplamente contra tantas pessoas dignas.

Quando li o artigo, senti-me ofendido, pois há no Arizona um grande número de pessoas "mórmons", ou pessoas pertencentes à Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias; e eu seria infiel àquele princípio de jogo limpo pelo qual sempre pretendi defender, se deixasse de dizer, neste momento, uma palavra sobre o assunto.

Pode ser verdade que eu não compreenda plenamente a teologia da Igreja "mórmon"; mas, Sr. Presidente, a primeira igreja que frequentei foi uma Igreja "mórmon". Quando não havia outra igreja num raio de 100 milhas da solitária cabana da fronteira onde viviam meus pais, encontrávamos conforto e consolo frequentando a Igreja "mórmon" situada a 9 milhas de distância. Nossos vizinhos mais próximos -- de fato, nossos únicos vizinhos -- durante anos foram o povo "mórmon". Nenhum pioneiro jamais teve melhores vizinhos. Tenho orgulho do povo "mórmon". Tenho orgulho da amizade que tenho por eles, e que creio eles têm por mim; e, embora, como disse antes, eu não compreenda completamente sua teologia, posso afirmar aqui, no Senado dos Estados Unidos, que sua igreja elevou muitos intelectos e purificou muitos corações em meu Estado.

Como pioneiros em uma terra nova, os "mórmons" são inigualáveis. São sóbrios, industriosos, econômicos, honestos. São, por excelência, construtores de estados; e hoje, se me pedissem para nomear um povo capaz de transformar mais rapidamente um deserto de areias ardentes e revoltas em campos e fazendas esplêndidos, eu escolheria sem hesitar o povo "mórmon". Em muitos lugares onde outrora cactos erguiam seus braços espinhosos ao ar bronzeado e abrasador, a indústria "mórmon" ergueu templos, hospitais, lares, fábricas e escolas.

Além disso, jamais vi um "mórmon" agitador ("I. W. W."); mas já ouvi, em alguns tribunais de condado em meu Estado, homens descontentes, preguiçosos e indolentes, que não pertenciam à Igreja "mórmon", sentados nos degraus do tribunal a amaldiçoar o Governo e a amaldiçoar o Presidente, enquanto cidadãos "mórmons" entravam no mesmo tribunal de condado para pagar seus impostos sem reclamar.

Sr. Owen. Sr. Presidente --

Sr. Ashurst. Cedo a palavra para uma pergunta.

Sr. Owen. Gostaria de perguntar ao Senador se não é um princípio dos "mórmons" ensinar e pregar a indústria e a economia?

Sr. Ashurst. Posso afirmar que a indústria e a economia estão entre os fundamentos da Igreja "mórmon". A obediência absoluta e incondicional à lei é um princípio da Igreja "mórmon". O respeito pela autoridade é um dos princípios da Igreja "mórmon". Precisamos de mais gente assim nestes tempos perigosos da República; e, novamente, eu seria infiel a todo princípio de justiça e a todo sentimento de gratidão se deixasse de afirmar, neste momento, que, quando índios selvagens galopavam junto às nossas casas de pioneiros, incendiando e assassinando, saqueando e escalpelando à medida que avançavam, foi ao povo "mórmon" que meus indefesos, mas heroicos, pais recorreram em busca de refúgio e defesa.

Assim, Sr. Presidente, digo que o Senador de Utah agiu bem ao "eliminar" esta falsidade, que teve tão ampla circulação. Creio que o povo americano está, finalmente, chegando a compreender plenamente o povo "mórmon". Seus templos, escolas, campos, lares, indústria, economia, sua moralidade e seu patriotismo testemunham por eles em termos mais eloquentes do que o Senador ou eu poderíamos falar. Além disso, observai seus representantes na Câmara e no Senado. Vede a classe elevada de servidores públicos que enviam para cá. Peço que os "mórmons" sejam julgados como povo, julgados como religião, como diz o Senador, por seus frutos; e se forem julgados por seus frutos, o veredito do mundo lhes será favorável.

Parece-me que deveria ser bem-vindo, na América, o tempo em que os homens não mais serão atacados por causa de sua religião ou falta dela. Os homens não deveriam ser mais atacados ou discriminados por causa de sua visão particular de como seguir o Mestre. A América foi edificada, e uma das razões pelas quais vieram migrações das terras antigas a estas praias foi que nossos antepassados desejavam encontrar um lugar para construir estados livres e fortes, onde sentimentos ignóbeis como o fanatismo não pudessem sobreviver.

Sr. Presidente, não esqueço que este esplêndido domínio do Arizona, um dos estados imperiais desta União, veio a existir em grande parte por meio das bravas façanhas do povo "mórmon". Quando o General Stephen Kearny estava cercado perto de San Diego durante a Guerra Mexicana, e parecia que os mexicanos iriam capturá-lo e aniquilar todo o seu comando, foi o batalhão "mórmon" que marchou todo o longo caminho de Iowa até Tucson, Arizona, e ocupou, em território mexicano, um domínio que hoje conhecemos como a Compra de Gadsden, adquirida por nosso Governo em 1854. Quando o oficial comandante, Tenente-Coronel St. George Cooke, entrou na cidade mexicana de Tucson e hasteou a bandeira americana, emitiu um pronunciamento, e gostaria que os agressores alemães tivessem lido aquele documento antes de invadirem a Bélgica. O tenente-coronel, ao entrar na cidade de Tucson, a quase 1.500 milhas da civilização, disse em seu manifesto ao povo do México:

"Não guerreamos contra civis. Fazemos guerra apenas contra homens uniformizados. A propriedade dos indivíduos será tida como sagrada. Todos os direitos civis serão preservados. Aqueles que obedecerem à lei e se conformarem à ordem serão protegidos."

O comando permaneceu ali por alguns dias para se reabastecer e, em seguida, marchou em auxílio ao General Kearny, que, como disse, estava cercado e sitiado perto de San Diego.

Assim, Sr. Presidente, o povo "mórmon", como pioneiros, como construtores de estados, como estadistas, como povo de indústria e patriotismo, em todos os âmbitos da vida, compara-se bem e favoravelmente com a massa geral de seus concidadãos. Isto é o que sinto que devia dizer; mais do que isso, não preciso dizer.

Pelo Senador Thomas, do Colorado

Sr. Thomas. Sr. Presidente, não sou, nem jamais fui, membro de nenhuma igreja, e ainda que eu viva o dobro da idade que tenho agora, não mudaria. Em minha juventude, impressionou-me profundamente uma observação de Gibbon, de que "todas as religiões são, para o vulgo, igualmente verdadeiras; para o filósofo, igualmente falsas; e para o estadista, igualmente úteis", e a experiência dos anos maduros serviu para aprofundar essa impressão. Nunca fui capaz de conciliar os princípios e doutrinas de todas as fés religiosas com aquele espírito de perseguição e fanatismo que desenvolvem umas contra as outras, e que tantas vezes culminou em guerras destrutivas e dizimadoras. Creio na tolerância religiosa, sem qualquer condição, exceto as exigidas pelos princípios da moralidade e da lei e da ordem. Por isso, mantive-me afastado de qualquer identificação com qualquer fé.

Até este momento, jamais encontrei ocasião de defender publicamente o povo "mórmon", porque não me pareceu necessário; mas não posso deixar passar esta ocasião sem prestar tributo à sua moralidade e utilidade, não apenas para suas próprias comunidades, mas como exemplo para todo o país em tempos perigosos como estes.

Sr. Presidente, quando o respeito pela lei é a exceção e não a regra, quando as diferentes forças da sociedade são tão antagônicas que a estrutura política está ameaçada de perigo, é reconfortante notar que os adeptos desta fé têm sido, em todos os momentos, os defensores e os expoentes da paz, da justiça, da lei e da ordem; e por mais justas que sejam as críticas dirigidas contra antigas instituições, permanece o fato, estabelecido por mais de meio século de prática, de que as comunidades que professam a fé "mórmon" estão entre os melhores e mais elevados exemplos de cidadania americana.

Durante a guerra, houve muita deslealdade na América. Dificilmente algum estado esteve inteiramente livre dela. Durante a guerra, a resistência ao alistamento obrigatório pontuou ocasionalmente nossos despachos, e a expressão de tolerância ou simpatia ao inimigo foi uma das ocorrências mais comuns. Mas, durante aquele período crítico, em nenhuma ocasião de que me lembre deixou o povo de Utah, "mórmon" e gentio, de responder, de todo o coração, com lealdade e entusiasmo, a todo chamado feito pelo Governo por soldados ou por dinheiro. Nem uma única vez este povo vacilou. Sua esplêndida juventude foi dada livremente aos nossos exércitos, e o sangue de seus rapazes santifica o solo de todos os campos de batalha na França. Cada campanha de empréstimo foi atendida, não apenas na cota, mas muito além dela, e em tudo o que contribuiu para a boa cidadania, para o patriotismo, para a lealdade e para o amor à pátria, este povo esteve sempre em destaque; e é devido a ele, como um dos representantes de um estado vizinho onde muitas dessas pessoas se localizam, e estão entre nossos melhores cidadãos, que eu deveria dizê-lo.

Não temos muitos "mórmons" no Estado do Colorado. Há alguns anos, foi estabelecido um povoado no que é conhecido como o Vale de San Luis. Ele cresceu, floresceu, é próspero. Seu povo é obediente à lei, é industrioso, é trabalhador, paga suas dívidas, obedece e apoia as autoridades. O bolchevismo, o anarquismo e o socialismo são estranhos à atmosfera daquela comunidade. Não podem criar raízes em tal solo.

Este povo é, portanto, hoje, um dos pilares dos sistemas social, econômico e político do país, cuja remoção poderia pôr em risco toda a estrutura de nossa vida social, econômica e política. Sua fé não me diz respeito; seu caráter e suas realizações são um crédito para eles e um benefício incalculável para o país.

Pelo Senador Henderson, de Nevada

Sr. Henderson. Sr. Presidente, desejo expressar minha aprovação e unir-me a tudo o que foi dito pelo distinto Senador do Colorado [Sr. Thomas] a respeito dos que professam a fé "mórmon". Temos, no leste de Nevada, vários povoados "mórmons". Visitei vários deles. Desejo dizer que não há melhores cidadãos no país do que os dessa fé. Em uma comunidade que conheço, estabelecida há mais de 40 anos, jamais houve uma prisão. Creio que o mesmo é verdade para as demais. Este povo jamais teve utilidade para prisões. Onde quer que vão, a lei e a ordem prevalecem, e a economia e a poupança são ensinadas e praticadas.

Sr. Presidente, o histórico do povo "mórmon", durante toda a guerra, foi sem mácula. Seus filhos estiveram entre os primeiros a se alistar, e sua cota foi rapidamente preenchida. Subscreveram além de sua proporção nos títulos da Liberdade. Seu patriotismo tem sido da mais alta ordem e sem qualquer questionamento.

Há muito que se pode dizer em seu favor, Sr. Presidente, mas não deterei o Senado por mais tempo, pois há alguns Senadores aguardando para se dirigir ao Senado sobre a reserva proposta ao artigo 10. Alegro-me, contudo, pela oportunidade de expressar minha desaprovação ao ataque dirigido contra os "mórmons" mencionado pelo Senador de Utah [Sr. Smoot].

Agradeço ao Senhor que estes Senadores possam, com verdade, prestar tais tributos a nosso povo.

Desejo levantar minha voz e advertir todo membro da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias contra a destruição da propriedade de qualquer homem, de qualquer corporação ou de qualquer cidade nestes Estados Unidos da América.

Os Santos dos Últimos Dias Trabalham Contra a Destruição da Propriedade

"A propriedade é o fruto do trabalho; a propriedade é desejável, é um bem positivo no mundo; que alguns sejam ricos mostra que outros podem tornar-se ricos, sendo, portanto, apenas um incentivo à indústria e ao empreendedorismo. Que aquele que não tem casa não derrube a casa de outro, mas trabalhe diligentemente e construa uma para si mesmo, garantindo assim, pelo exemplo, que a sua própria estará a salvo da violência quando construída." -- Abraham Lincoln.

Há um mal reinante, no momento presente, entre alguns que ensinam ser justificável destruir propriedade, e até mesmo destruir vidas, em suas tentativas de alcançar seus propósitos, e desejo levantar minha voz, com toda a capacidade e todo o poder com que Deus me dotou, contra qualquer coisa desse tipo. Tenho sido criticado, e cartas me têm sido escritas por professos Santos dos Últimos Dias, censurando minhas observações na última conferência acerca de defender a lei; e a única resposta que desejo dar a essas críticas, já que não tomei tempo para responder às cartas, é ler novamente as palavras idênticas que proferi quando estive aqui perante vós há seis meses. Elas não foram premeditadas nem pensadas de antemão, e concluí que não poderia fazer melhor do que lê-las, palavra por palavra, e dizer que são meus sentimentos hoje:

É Preciso Respeitar os Direitos dos Outros

Como Santos dos Últimos Dias, temos o que é conhecido como as Regras de Fé, e uma delas diz: 'Cremos em sujeitar-nos a reis, presidentes, governantes e magistrados, em obedecer, honrar e sustentar a lei', e nenhum Santo dos Últimos Dias pode, em verdade, ser um Santo dos Últimos Dias se não honrar, sustentar e defender a lei. Quase em todo o mundo, no momento presente, há um espírito de ilegalidade, um espírito de zombaria e uma falta de respeito pelos homens que ocupam cargos.

Quero dizer que estou perfeitamente disposto a que os homens se filiem a sindicatos trabalhistas, que se unam para proteger seus direitos, desde que não interfiram nos direitos de outras pessoas. A vida, a liberdade e a busca da felicidade pertencem a todo o povo nos Estados Unidos, segundo as leis de nosso país, e deveriam pertencer a todos, em toda a face da terra; e digo que, a meu ver, é totalmente errada qualquer disposição em um sindicato trabalhista que favoreça o boicote e a suspensão do trabalho, ou o abandono do emprego, porque um homem não sindicalizado obtém emprego enquanto exerce seu direito, dado por Deus, de permanecer fora de um sindicato. Homens que têm esse tipo de regra têm uma regra que está em direta oposição às leis de Deus. Houve uma batalha travada nos céus -- por quê? Para dar ao homem sua liberdade individual. Faz-se uma tentativa de retirar o arbítrio do homem quando ele não julga próprio filiar-se a um sindicato, e quando homens naquele sindicato, sem qualquer queixa ou agravo, entram em greve porque um homem não sindicalizado foi empregado.

Bem, é melhor que eu não diga mais nada, talvez, sobre esta questão, ou posso ofender alguém, posso magoar os sentimentos de alguém; mas é o direito dado por Deus aos homens de ganhar seu sustento. O Salvador disse que era a primeira grande lei ou mandamento amar o Senhor de todo o coração, e que o segundo era semelhante a este: amar o próximo como a si mesmo. Essa é a doutrina para todo verdadeiro Santo dos Últimos Dias. Quanto amor há em fazer seu próximo passar fome porque ele não se dispõe a entregar sua masculinidade e sua individualidade, permitindo que um sindicato trabalhista dirija seu trabalho? Bem pouco amor, bem pouco do evangelho do Senhor Jesus Cristo há em semelhante regra! Espero ver o dia em que nenhum Santo dos Últimos Dias se filiará a um sindicato, a menos que o sindicato elimine essa cláusula de suas regras. Não vou pedir-lhes que abandonem seu sindicato. Não vou determinar que devem fazê-lo, que é a mente e a vontade do Senhor que abandonem um sindicato; quero, como disse aqui há duas semanas, dar a cada homem seu livre-arbítrio, dar a cada homem o direito de agir como julgar próprio, mas não consigo ver como um Santo dos Últimos Dias que é membro de tal sindicato pode ajoelhar-se e orar para que Deus o inspire e abençoe, para que abençoe os Santos e os proteja, e depois ser parte de permitir que um de seus próprios irmãos fique, ano após ano, sem emprego, porque esse irmão não se dispõe a entregar sua masculinidade e filiar-se a um sindicato com ele. Não há nisso nenhum do Espírito do Senhor, a meu ver. É exatamente assim que vejo a questão.

Desejo, como já disse, enfatizar e reafirmar essas declarações proferidas aqui há seis meses. Creio que é o direito absoluto dos homens de se unirem para sua proteção, para seu progresso, para seu bem-estar em sindicatos, mas, como já disse, condeno a ideia de que se proponham a ditar aos que não se filiarem a eles. Creio que isto é tudo o que desejo dizer sobre esse assunto.

Progresso nas Missões

Desde que aqui nos reunimos pela última vez, coube-me realizar reuniões na Missão dos Estados Centrais, na Missão dos Estados Orientais, na Missão Canadense, e três vezes em várias partes da Missão da Califórnia. Coube-me visitar a capital de nossa União e ali realizar uma reunião. Coube-me visitar algumas das estacas de Sião, especialmente duas no Arizona, as Estacas Maricopa e St. Joseph, e realizar uma reunião na capital do Arizona. Desejo dizer que me regozijo com a maravilhosa mudança de sentimento a respeito dos Santos dos Últimos Dias que veio ao povo, onde quer que eu os tenha encontrado, durante os últimos seis meses.

Além dessas visitas, tive o privilégio de visitar as Ilhas Havaianas, com alguns dos irmãos das autoridades gerais, e de dedicar ali ao Senhor mais um templo para as sagradas ordenanças pela salvação dos mortos. E quero dar testemunho aos Santos dos Últimos Dias de que houve, com nosso pequeno grupo naquela viagem às Ilhas Havaianas, na dedicação daquele templo, nos diversos serviços ali realizados, que duraram vários dias, a inspiração do Senhor Deus Todo-Poderoso, e que fomos abençoados abundantemente, além do que temos poder de expressar. Há algo que nenhuma língua mortal pode dizer, quando um indivíduo percebe e sabe que, ao proclamar o evangelho de nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo, foi abençoado pela inspiração do Senhor; e essa foi nossa experiência ao dedicar mais um templo ao Senhor naquela terra distante. O povo havaiano tem a pele escura, mas seu coração é puro, sua lealdade a Deus é perfeita, e o Senhor Todo-Poderoso tem abençoado abundantemente muitos daquele povo, dando-lhes um conhecimento absoluto da divindade da obra em que estamos empenhados.

Respeito Crescente por Nossa Igreja

Sou grato porque, onde quer que tenha viajado durante os últimos seis meses, encontrei um sentimento de respeito, um sentimento de amor nos corações de muitos pelos Santos dos Últimos Dias, nos corações daqueles que não são de nossa fé. Ouvi muitos elogios muito esplêndidos enquanto estive em Washington, de membros do gabinete do presidente, de senadores e representantes, e de autoridades do governo nos departamentos bancários do Federal Reserve, e em outros, onde quer que eu fosse, e com todas as pessoas que encontrei, banqueiros em Nova York, Chicago, São Francisco e outras cidades, ouvi coisas boas ditas a respeito dos Santos dos Últimos Dias; estamos ganhando nosso devido reconhecimento, por assim dizer. Nosso caráter está se tornando conhecido, e já não podem os homens mentir a respeito dos Santos dos Últimos Dias, nem das mulheres tampouco, e sair impunes com as mentiras perante a grande maioria do povo de nosso país.

Enquanto nossa reputação tem sido ruim, de onde nos veio esta reputação? Das mentiras, via de regra, de homens que foram excomungados desta Igreja. Nenhum cidadão americano leal e patriota deseja que o povo de nosso país seja julgado pelos Benedict Arnolds que o país produziu; mas os homens da América desejam que nosso país seja julgado por suas realizações, pelos homens que foram leais àquele instrumento inspirado por Deus, a Constituição de nosso país. Tudo o que pedimos a qualquer povo sobre a face da terra é que julguem os Santos dos Últimos Dias por Joseph Smith, o profeta do Deus vivo, pelo registro que ele fez nos poucos e breves anos em que esteve à frente da Igreja. A Igreja foi organizada em 1830, há 90 anos, e ele presidiu sobre ela por apenas 14 anos. As realizações desses 14 anos sob sua administração, o que ele fez, e o que ele deixou à Igreja nas maravilhosas revelações que ele nos deu, na tradução do Livro de Mórmon, aquela sagrada Escritura dos antepassados dos índios americanos, e os maravilhosos trabalhos que realizou, estes permanecem como um monumento que o marca, em verdade, como profeta do Deus vivo. Nenhum homem, sem a inspiração de Deus, em 14 breves anos, poderia ter realizado o que Joseph Smith realizou; poderia ter lançado o alicerce desta grande obra à qual vós e eu pertencemos. E, à medida que os anos vêm e vão, os homens começam a reconhecer a grandeza da obra que ele realizou.

Façam Sacrifícios pelo Evangelho

Lembro-me, quando menino, de ter tomado emprestado um livro da biblioteca da Escola Dominical da Ala Décima Terceira; era sobre as evidências do Cristianismo, do Dr. Paley, e me lembro, entre outras coisas, naquele livro, de que ele afirmava que a mais forte evidência da missão divina do Salvador do mundo era a lealdade absoluta daqueles que abraçaram o Cristianismo, e sua disposição de dar suas vidas, se necessário, pelo testemunho que possuíam da missão divina do Salvador. Lembro-me de pensar, quando menino: Se essa é a evidência mais forte, de homens dispostos a dar suas vidas e a fazer sacrifícios voluntariamente, e a resistir sob perseguição, então essa mesma e idêntica evidência se aplica à missão divina do Profeta Joseph Smith. Os Santos dos Últimos Dias foram expulsos de cidade em cidade, de condado em condado, de estado em estado, e finalmente para além das fronteiras dos Estados Unidos, até as Montanhas Rochosas, então território mexicano. Poderiam ter tido imunidade, poderiam ter vivido em paz, se tivessem renunciado à sua fé; mas nossos pais e nossas mães haviam recebido o testemunho do Espírito Santo, e sabiam que Jesus era o Salvador, sabiam que Joseph Smith era, em verdade, um profeta de Deus. O Senhor Todo-Poderoso implantara em seus corações o conhecimento de que Deus, há cem anos nesta primavera, apareceu a um menino; que Ele de fato falou àquele menino; e que, quando o menino perguntou a nosso Pai Celestial: "Qual, dentre todas as denominações religiosas do mundo, é a verdadeira Igreja de Cristo?" -- em resposta a essa pergunta, nosso Deus e nosso Pai apontou para o Salvador do mundo e disse: "Este é meu Filho amado, ouvi-O." O Salvador do mundo disse àquele menino que não se filiasse a nenhuma das seitas, que todas haviam se desviado, que ensinavam por doutrina as ideias e os mandamentos dos homens, e que não possuíam a verdadeira Igreja de Cristo. Quando aquele menino retornou daquela maravilhosa e admirável visão, o maior acontecimento em toda a história do mundo, excetuando apenas o nascimento e a morte do Salvador, sua mãe percebeu que havia algo estranho em sua aparência e fez-lhe algumas perguntas; e ele simplesmente respondeu, em substância, dizendo a sua mãe (que era presbiteriana): "Mãe, há uma coisa que sei agora, e é que a igreja presbiteriana não é a Igreja de Cristo."

Quando relatou sua visão a ministros e outros, o menino foi ridicularizado.

Três anos depois, um anjo de Deus apareceu e lhe disse que havia enterradas no monte Cumora umas placas de ouro contendo um registro, um sagrado registro dos antepassados dos índios americanos, e que ele deveria ser o instrumento nas mãos de Deus para traduzir aquelas placas. O anjo deu-lhe muitas instruções maravilhosas e citou-lhe muita Escritura; depois desapareceu. Ele retornou e repetiu suas instruções, e desapareceu. Retornou novamente e repetiu aquelas instruções, ocupando as três visitações a noite inteira. No dia seguinte, quando aquele menino foi trabalhar no campo com seu pai, não tendo descansado durante a noite, seu pai percebeu que ele não se sentia bem e disse-lhe que fosse para casa; e, ao escalar uma cerca, ele desmaiou, mas foi despertado de seu desmaio pela voz do mensageiro, que, pela quarta vez, repetiu tudo o que dissera na noite anterior, e disse-lhe que voltasse a seu pai e contasse a seu pai tudo o que havia ouvido e visto. Isto ele fez, e o pai do menino respondeu: "Isto é de Deus. Escuta os ensinamentos do anjo." O menino visitou o monte Cumora; viu as placas e foi instruído pelo mensageiro a ir ali uma vez por ano durante quatro anos, para ser instruído por aquele anjo de Deus a respeito da grande e maravilhosa obra que estava para vir à luz nos últimos dias. Ao final de quatro anos, as placas contendo o registro lhe foram entregues pelo anjo Morôni. Ele traduziu aquelas placas, e a tradução é o Livro de Mórmon.

Vasta Multidão Tem Testemunho

Ora, mas dirá alguém, não acredito em uma só palavra disso. Há milhares, há dezenas de milhares de homens e mulheres, desde a terra do sol da meia-noite na Escandinávia até a África do Sul, por toda a Europa, do Canadá até a América do Sul, em todos os estados da União dos Estados Unidos, nas ilhas do Pacífico, que se levantam e, em toda humildade, dão testemunho perante os altos céus de que Deus lhes deu o conhecimento de que Joseph Smith de fato O viu, de que Joseph Smith viu o Salvador do mundo, de que Joseph Smith foi visitado por anjos de Deus, de que foi ordenado ao apostolado, de que verdadeiramente esteve em comunhão com o Salvador do mundo, de que foi um profeta do Deus vivo. Toda a incredulidade, toda a falta de fé de todo o povo em todo o mundo não pode mudar esse fato, se é que é um fato, e Deus deu a muitos de nós um conhecimento, um conhecimento absoluto de que é um fato, de que Joseph Smith foi um profeta e de que este Evangelho, chamado pelo mundo de "mormonismo", é em verdade o Evangelho do Senhor Jesus Cristo.

Testemunho do Presidente Joseph F. Smith

Quero ler um dos últimos testemunhos a respeito da divindade deste evangelho, dado deste púlpito por nosso saudoso e amado Profeta, Joseph F. Smith, quanto a onde existe hoje a autoridade divina:

A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias não é uma igreja partidária. Não é uma seita. É a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. É a única hoje existente no mundo que pode, e de fato o faz, legitimamente portar o nome de Jesus Cristo e sua autoridade divina. Faço esta declaração com toda simplicidade e honestidade diante de vós e diante de todo o mundo, por mais amarga que a verdade possa parecer àqueles que a ela se opõem e que não têm razão para tal oposição. Não obstante, é verdadeira e permanecerá verdadeira até que Aquele que tem o direito de reinar entre as nações da terra e entre os filhos individuais de Deus em todo o mundo venha e assuma as rédeas do governo e receba a noiva que estará preparada para a vinda do Noivo.

Muitos de nossos grandes escritores têm recentemente indagado e se perguntado onde existe hoje a autoridade divina para ordenar em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, de modo que seja efetiva e aceita perante o trono do Pai Eterno. Anuncio aqui e agora, por mais presunçoso que possa parecer àqueles que não conhecem a verdade, que a autoridade divina de Deus Todo-Poderoso, para falar em nome do Pai e do Filho, está aqui, no meio destes montes eternos, no meio desta região intermontana, e permanecerá e continuará, pois Deus é sua fonte, e Deus é o poder pelo qual ela foi mantida contra toda oposição no mundo até o presente, e pelo qual continuará a progredir, crescer e aumentar sobre a terra até cobrir a terra de mar a mar. Este é meu testemunho a vós, meus irmãos e irmãs, e tenho plenitude de alegria e de satisfação em poder declarar isto sem consideração, ou temor, de todos os adversários da verdade.

Ouvimos cantar aqui três estrofes do hino, "Ó, dize, que é a verdade?", e peço que, no futuro, o coro cante as quatro estrofes, e não omita a última.

Ó, Dize, Que É a Verdade?

Ó, dize, que é a verdade? É a mais bela joia Que as riquezas dos mundos podem produzir, E o valor da verdade será inestimável, Quando o mais precioso diadema do orgulhoso monarca For tido apenas por escória e refugo.

Sim, dize, que é a verdade? É o mais brilhante prêmio A que mortais ou Deuses podem aspirar: Ide buscá-la nas profundezas onde cintilante repousa, Ou subi em sua busca aos céus mais altos; É um alvo para o mais nobre desejo.

O cetro pode cair da mão do déspota, Quando com os ventos da severa justiça se defronta; Mas o pilar da verdade perdurará até o fim, E seus firmes baluartes resistirão à rude tempestade E aos destroços das esperanças do cruel tirano.

Então, dize, que é a verdade? É o último e o primeiro, Pois transpõe os limites do tempo: Ainda que os céus se apartem e as fontes da terra rebentem, A verdade, a soma da existência, resistirá ao pior, Eterna, imutável, para sempre.

Testemunho Final

E eu vos dou testemunho, aqui hoje, de que temos a verdade, de que Deus voltou a falar, de que todo dom, toda graça, todo poder e toda investidura que vieram por meio do Santo Sacerdócio do Deus vivo nos dias do Salvador são desfrutados hoje. Deus vive, Jesus é o Cristo, Joseph Smith foi um profeta do verdadeiro e vivo Deus. O "mormonismo", assim chamado, é em verdade o evangelho do Senhor Jesus Cristo. Deus me deu testemunho destas coisas. Eu as sei e dou-vos esse testemunho, em toda humildade, e o faço em nome do Senhor Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoHeber J. Grant, “Os Santos Absolutamente Sinceros”, Conferência Geral de Abril de 1920, Sessão da Manhã do Primeiro Dia (1920-04-04). Pulpit Vault, 1920-04-heber-j-grant-the-saints-absolutely-sincere. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).