Relatório da Missão dos Estados do Noroeste
Heber C. Iverson
O pensamento expresso pelo Presidente Jensen, de que o mundo, hoje, política, social e religiosamente, está se abalando, peço licença para expressar de modo um pouco diferente, e enfaticamente. Creio que ele está se abalando assim porque não está fundado sobre a rocha da revelação, como está a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, a respeito de cujo fundamento o próprio Senhor disse: "as portas do inferno não prevalecerão." ¶
O tempo está agora aqui, predito antigamente, quando tudo o que pode ser abalado será abalado, e, verdadeiramente, as instituições humanas estão sendo abaladas e cairão. ¶
Nesta manhã, o Presidente Lund chamou nossa atenção para o fato de que as chamadas denominações cristãs, em convenção, nos excluíram de sua sociedade, como não-cristãos, porque não somos crentes, dizem eles, na divindade de Jesus Cristo, o Redentor do mundo. Se não somos, gostaria de saber quem é! Esse pensamento me sugeriu dois artigos muito significativos que li recentemente e dos quais copiei alguns excertos. Estas notas, com a vossa permissão, lerei com os comentários que me forem sugeridos. ¶
No Literary Digest de 20 de dezembro de 1919, apareceu o seguinte artigo sob o título de "A Igreja num Espelho": ¶
Um inquérito que parece testar os resultados da educação religiosa do último meio século nas escolas diurnas e escolas dominicais foi feito na Inglaterra. A A.C.M. (Associação Cristã de Moços), desejando averiguar a atitude dos jovens do exército em relação à religião, empreendeu um inquérito exaustivo entre os capelães que estavam com os jovens na frente de batalha. O resultado deste inquérito aparece num livro chamado O Exército e a Religião, mas um excelente resumo das evidências é dado pelo Dr. Frederick Lynch em The Christian Work, do qual citamos. ¶
Perguntas foram feitas a eles a respeito de sua atitude em relação à re- ¶
ligião, a sua fé num Ser Supremo, e aquelas coisas fundamentais na religião. A estas indagações foram dadas as seguintes respostas: ¶
"Há uma crença universal em Deus entre os jovens da Inglaterra, mas é o produto de uma religião natural. Há pouco ateísmo, mas há pouca evidência de que o conhecimento de Deus venha do ensino cristão." ¶
Que temível acusação contra o ensino cristão. Este conhecimento, como a sua convicção da imortalidade da alma, e o seu instintivo voltar-se para Deus na hora do perigo, é um instinto orgânico, e apesar dos ensinamentos em contrário quanto ao verdadeiro caráter de Deus. Têm profundamente enraizado em seu instinto de alma uma crença no verdadeiro Deus. No livro de orações da Igreja da Inglaterra, temos estas palavras: "Cremos num Deus vivo e verdadeiro, de infinita bondade, sabedoria e poder, sem corpo, partes ou paixões." Em outras palavras, um ser incompreensível, imaterial! Thomas Jefferson expressou-se numa carta ao seu distinto amigo, John Adams, deste modo: "Quando falamos de uma existência imaterial, falamos de nada; quando dizemos que Deus, os anjos e a alma humana são imateriais, dizemos que não há Deus, não há anjos, não há alma humana." Não posso raciocinar de outra forma. Em que época da igreja cristã esta heresia do imaterialismo, ou ateísmo velado, se infiltrou, não sei, mas heresia é, na verdade. Cristo não ensinou nada disso. É verdade, ele disse, "Deus é espírito!" mas ainda não havia definido o que é espírito, nem disse que é imaterial. E os Pais dos primeiros quatro séculos criam que ele era material -- fino e etéreo, na verdade, mas, não obstante, material. O Profeta Joseph Smith declarou que o espírito é matéria, que é puro e elástico, fino e etéreo, mas é matéria. Por isso, acharam o cristianismo a ensinar um Deus incompreensível, imaterial, impossível. Sua crença nele não está fundada no ensino do último meio século. ¶
A respeito da questão igualmente vital da crença no Redentor do mundo, Jesus Cristo, isto é dito: ¶
Quando se trata de pensamentos sobre Jesus Cristo, as respostas são bastante completas e explícitas. Há um respeito universal por ele, embora o lado heroico de seu caráter pareça largamente desconhecido. Há pouco conhecimento dele como o Filho de Deus, o sacrifício expiatório, ou como a fonte de poder vivo. Os homens parecem raramente pensar nele até serem interrogados. Ele está distante de sua vida cotidiana. Muitas cartas diziam que suas doutrinas eram efeminadas e seu caráter, tal como apresentado na igreja, sentimental. O "Cristo vivo" é apenas um nome, e significa pouco para o homem. Cristo é uma figura histórica, não um Redentor presente. A religião prática da grande massa dos homens parece ser um teísmo vago, inteiramente dissociado de Cristo. ¶
Ele ainda não foi introduzido em seu ensino religioso de modo eficaz, e eles estão começando a perceber esse sério fato. ¶
A mesma questão foi discutida por outro, e um eminente, nestas palavras: ¶
A atitude atual do público em geral em relação às igrejas foi expressa pelo Padre Bernard Vaughan. "Lamento além de tudo", disse ele, "ter de dizer como o meu povo, em massa, não aceita a personalidade divina de nosso Senhor, isto é, não dá crença sincera ao Credo dos Apóstolos. E Cristo, eles só conhecem como um ¶
nome sempre a reverenciar e às vezes a jurar por ele. Não penseis, por um momento, que estou fazendo esta declaração sem fundamento -- pelo contrário, o que se impõe diante de mim cada vez mais a cada dia é que nem mesmo a linguagem e a terminologia do cristianismo são compreendidas pelo povo. ¶
"Lede o mais recente livro sobre o assunto, O Exército e a Religião, um Inquérito e Sua Repercussão sobre a Vida Religiosa da Nação. É compilado a partir de 300 memorandos baseados no testemunho de muitas centenas de testemunhas. ¶
"Quando tiverdes fechado esse livro, achareis que há razão hedionda, razão lamentável, para crer que Cristo, para 85 por cento de meus amados compatriotas e compatriotas, é hoje apenas um nome entre outros, como Platão, Sófocles, ou Marco Aurélio. ¶
"Para esta crescente parcela da comunidade, Cristo não é uma força viva, inspirando suas vidas e cristianizando sua conduta. ¶
"Devo dizê-lo," continuou ele, "que estamos vivendo do rescaldo do cristianismo, que, antes da grande revolta religiosa do século dezesseis, estava entrelaçado não apenas na vida religiosa, mas na vida legislativa, filosófica, social e doméstica da 'Velha e Boa Inglaterra' por 1.000 anos? ¶
"Para converter a Inglaterra ao cristianismo, devemos começar como os nossos missionários católicos entre os pagãos -- com as crianças. Ai de nós, pais para quem o cristianismo é nada, e seu dogma pior que nada, recusarão que seus filhos respondam ao chamado do Divino Mestre, 'Deixai vir a mim os pequeninos, e não os impeçais.' ¶
"Alguém me perguntará, é este neopaganismo devido à guerra? Nem um pouco. A guerra foi apenas a ocasião de revelá-lo, isso é tudo. ¶
"Se quereis saber o que descristianizou o país, aponto o meu dedo para a escola pública, de onde Cristo foi expulso, e a porta batida em sua face. ¶
"O pensamento disso me faz esconder o rosto nas mãos e soluçar de tristeza e vergonha." ¶
A nossa concepção de Cristo, sua relação conosco como mediador entre nosso Pai e seus filhos sobre a terra, encontra-se nas memoráveis palavras de Paulo, o apóstolo, que, embora possuísse grande sabedoria e conhecimento, acima do de quase qualquer outro homem de seu tempo, não dedicou seu tempo a pregar ética elevada ou quaisquer outros problemas, mas declarou aos coríntios: "E eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não fui com sublimidade de palavras ou de sabedoria. Porque não me propus saber coisa alguma entre vós, senão a Jesus Cristo, e este, crucificado." Por quê? Porque nenhuma mensagem de que o mundo necessitava então, nem hoje, nem em qualquer época do mundo, se iguala em importância a essa sublime e gloriosa mensagem que a nós foi outorgada pelas revelações do Todo-Poderoso. ¶
Paulo disse: "Mas, ainda que nós mesmos, ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho, além do que já vos anunciamos, seja anátema." O cristianismo foi declarado recentemente, por eminentes teólogos, como um miserável fracasso no mundo. Mas o evangelho de Jesus Cristo "é o poder de Deus para a salvação" e não pode falhar. ¶
A nossa ideia a respeito daquele grande Personagem em quem nossos amigos cristãos dizem que não cremos é expressa nestes sentimentos enfatizados por Paulo, em sua Epístola aos Hebreus: ¶
Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, ¶
a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, por quem fez também os mundos; o qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas; feito tanto mais excelente do que os anjos, quanto herdou mais excelente nome do que eles. Porque, a qual dos anjos disse jamais: Tu és meu Filho, hoje te gerei? E outra vez: Eu lhe serei por Pai, e ele me será por Filho? E outra vez, quando introduz no mundo o primogênito, diz: E todos os anjos de Deus o adorem. Mas, quanto aos anjos, diz: O que faz dos seus anjos espíritos, e de seus ministros, labareda de fogo. Mas, quanto ao Filho, diz: Ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos; cetro de equidade é o cetro do teu reino. ¶
Se houver alguma dúvida quanto à identidade deste glorioso Personagem aqui descrito -- que este testemunho de João, o discípulo amado do Senhor, a dissipe, quando ele disse: ¶
No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens; e a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam. Houve um homem enviado de Deus, cujo nome era João. Este veio para testemunho, para que testificasse da luz, para que todos cressem por intermédio dele. Não era ele a luz; mas veio para que testificasse da luz. * * * E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, (e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai,) cheio de graça e de verdade. ¶
O quê? O indefeso bebê da manjedoura de Belém, o desprezado carpinteiro de Nazaré, o homem sofredor de Getsêmani, o crucificado herói do Gólgota, que orou pelo perdão do céu para os seus sanguinários assassinos -- ele, o criador do céu e da terra? Sim, assim dizem as escrituras, e assim cremos, e assim testificamos que sabemos. ¶
A nós ele disse: "Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus." Era ele um ser imaterial? Era ele outra coisa senão um homem glorificado, celestializado? A seus discípulos, depois de sua ressurreição, ele apareceu, e ordenou-lhes que o contemplassem e as marcas dos pregos em suas mãos e em seus pés, e viessem e metessem as mãos na ferida de seu lado. "Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e vede, pois um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho." ¶
Ele ocupa uma posição gloriosa à destra de nosso Pai, e apontou o caminho e tornou plena a senda, e nos ordenou que andássemos nela, para a sua companhia e glória -- "Pois a quem vencer, darei que herde todas as coisas," disse ele. ¶
Paulo acrescentou: "De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus: o qual, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus * * * e foi feito na semelhança dos homens." Nós, também, fomos feitos à imagem de Deus, filhos de Deus. Cremos literalmente na paternidade de Deus e na irmandade do homem -- não como uma ¶
mera platitude de púlpito, mas como uma realidade concreta; e sabemos, porque ele foi visto, como o testemunho foi dado nesta manhã. Grande e glorioso é o nosso privilégio! "Quão firme fundamento, ó Santos do Senhor, está posto para vossa fé em sua excelente palavra!" Homens que vivem nesta dispensação contemplaram a face e ouviram a voz do Redentor do mundo. ¶
Este é o nosso testemunho ao mundo, esta é a mensagem da hora, a única que salvará o mundo. O "cristianismo" -- assim chamado, "fracassou." O evangelho de Jesus Cristo é o poder de Deus para a salvação. É a lei perfeita da liberdade. O Príncipe da Paz é aquele que o ordenou para a paz do mundo; e eles podem clamar: "Paz, paz," mas ela não virá senão pelo evangelho de Jesus Cristo, o Redentor do mundo, o qual está sendo entregue por seus servos, que detêm o seu Sacerdócio, é o meu testemunho a vós em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶
O coro cantou "Rapazes da Velha Brigada." ¶