Pulpit

A Igreja de Cristo Prevalecerá

Charles W. Penrose

Conferência Geral de Abril de 1920·Sessão da Tarde do Primeiro Dia·1920-04-04

Sou muito grato por este privilégio. Apenas olhar para esta congregação já é um prazer e uma dádiva. Ser chamado a falar — eu ia dizer — é uma tarefa, e de fato o é, pois não me sinto preparado para proferir um discurso sobre nenhum tópico ou assunto em particular. Mas sinto-me grato por poder estar aqui, e por levantar minha voz uma vez mais em testemunho da verdade. Dou testemunho de que o que ouvimos esta manhã, aquilo que foi proferido desta tribuna, era verdadeiro, divinamente revelado e divinamente falado. Senti vontade de gritar e cantar "Aleluia, Louvor a Deus", quando o Presidente Grant encerrou seus comentários; pois senti que ele estava inspirado por Deus a nos dar palavras em devido tempo; e creio que toda a congregação, esta imensa assistência, foi tomada pelo mesmo sentimento e espírito. Aprecio esse tipo de pregação. Aprecio um discurso bem elaborado, já preparado em pensamento e linguagem para ser proferido a uma assembleia pública, mas devo dizer que aprecio muito mais os discursos proferidos pelo poder de Deus, acompanhados daquele esplêndido espírito que veio a todos nós quando abraçamos pela primeira vez o evangelho. Quando ouvimos pela primeira vez as boas novas de salvação trazidas à terra nos últimos dias por meio do profeta Joseph Smith e seus associados, toda a nossa alma se emocionou de alegria, de ação de graças e louvor ao Senhor; e, não importa quantas vezes ouvíssemos as mesmas verdades simples declaradas, apreciávamos ouvi-las, e o mesmo espírito que repousava sobre os oradores repousava sobre os ouvintes, de modo que nos regozijávamos juntos. Senti isso esta manhã, como já senti muitas vezes durante as conferências que temos realizado em anos passados, e fiquei impressionado com o sentimento de que a promessa feita pelo Todo-Poderoso a respeito da continuação de sua obra era verdadeiramente verdadeira, e se cumprirá em toda a sua extensão, não importa o que ocorra, não importa que mudanças venham, seja pelo martírio de nosso profeta, seja pelo falecimento de nossos líderes, pelo que chamamos de "meios naturais". Não importa qual seja a oposição no mundo, embora tronos oscilem, impérios caiam, e os sistemas dos homens se desfaçam e pereçam, a Igreja e o Reino de nosso Deus continuarão, permanecerão e crescerão.

A Igreja de Cristo Crescerá e Prevalecerá

Esta grande assistência, hoje à tarde, é evidência da veracidade da predição do profeta Joseph Smith, dirigindo-se a seu pai por revelação, a qual nos foi lida esta manhã. Esta obra permanecerá. Assim foi destinada pelo Todo-Poderoso, quando a revelou. Quando apareceu, com seu Filho Jesus Cristo, nosso Redentor, ao profeta Joseph Smith, ele ordenou e declarou que esta organização permaneceria na terra, e não seria despedaçada, nem dada a nenhum outro povo, exceto aos Santos do Altíssimo, e que eles continuariam a obra e possuiriam o Reino, e a grandeza do Reino, até que se espalhasse por debaixo de todo o céu.

Sei que isso é verdade, e senti sua influência e espírito esta manhã, quando olhei para esta grande congregação aqui, e percebi que outra grande assistência de Santos estava reunida no Assembly Hall, e que havia um grande número de homens inspirados, prontos, à palavra, quando a recebessem de quem os preside, a sair para as nações, ou a trabalhar em casa, a fazer tudo o que deles fosse requerido, sob o poder e a influência do Espírito do Senhor que possuem, associado a seus ofícios e chamados no santo Sacerdócio.

É uma alegria para meu coração perceber e saber isto, que a obra não será despedaçada, não será dada a outro povo, mas que esta Igreja e Reino — pois os termos são usados quase como sinônimos — continuará, permanecerá firme e vencerá toda oposição de toda espécie que vier contra ela. Não digo isso num espírito de desafio contra os poderes das trevas, quer na carne, quer fora da carne, mas o digo com humildade, e com plena confiança de que a palavra de Deus se cumprirá, e a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias continuará e permanecerá, e o evangelho que traz será pregado aos vivos e aos mortos, até que toda a raça de Adão, os que são capazes de receber e ouvir, ouçam a palavra e tenham a livre oportunidade e liberdade, se assim o quiserem, de obedecer-lhe, de se arrependerem de seus pecados, e de virem a Deus, o Pai Eterno, serem obedientes a ele, e dobrarem o joelho ao Rei Emanuel, Jesus, o Cristo.

A Visão de Joseph

Temos, com frequência agora, lembranças do fato de que já se passou quase um século desde a época em que o profeta Joseph, sendo menino, foi a um bosque perto da residência de seu pai — onde muitos de nós já estivemos, e nos alegramos com o espírito que ali encontramos —, e ali, pela primeira vez, em oração vocal — presumo que já tivesse orado antes, de certa maneira —, mas em oração vocal, do coração, com fé, invocou o Senhor para que pudesse saber qual era a religião verdadeira. Como já ouvimos hoje, e temos ouvido muitas vezes antes, o Pai e o Filho lhe apareceram. Ele os viu; estavam ali diante dele. Talvez não possamos explicar exatamente como e por que meios Joseph viu o Pai e o Filho. Ele chamou isso de visão. Está correto, foi uma visão. Mas o que é uma visão desse tipo? Uma visão como a que teve Moisés, quando viu o Senhor face a face. Ele viu o Pai, e falou com ele, e o Senhor falou com ele. Moisés declarou que o vira, não com seus olhos naturais, mas com sua visão espiritual; e presumo que muitos de nós, aqui presentes, temos plena certeza de que existe tal coisa. Sabemo-lo por nossa própria experiência, mas talvez não no mesmo grau em que Joseph ou Moisés a tiveram, quando conversaram com o Senhor. Mas que há uma visão ou vista espiritual, disso nos damos conta, e podemos aproximar-nos muito de nosso Pai e nosso Deus em nome de Jesus Cristo, e ver quando outros estão nas trevas, e compreender quando outros estão cegos a respeito das verdades celestiais que dele vêm ao povo para sua salvação.

Virtude na Oração de Fé

Regozijo-me no conhecimento desta grande verdade, e sei que há virtude na oração de fé. É a oração de fé que salva o enfermo quando o ungimos da maneira ordenada. A oração verdadeiramente eficaz deve ser acompanhada de fé, que é sua força e seu poder; e, pela fé, podemos aproximar-nos daquele que é nossa Cabeça viva. E, pela fé, podemos realizar a obra que nos foi designada, seja ela qual for. Se nela colocarmos nossa alma, e, com fé, empreendermos a obra que nos foi confiada, nisso teremos êxito. Em Deus confiamos; em Deus temos fé; em Deus nos apoiamos; e, quando fazemos isso com pleno propósito de coração, o Senhor, e os poderes por detrás do véu, estão conosco. O poder celestial do Sacerdócio está conosco, que o detemos aqui na carne, e é por esse poder que prevaleceremos, teremos êxito e venceremos, e realizaremos a grande obra de salvação que nos foi confiada.

Todas as Coisas Devem Ser Feitas em Nome de Jesus Cristo

Tudo nesta Igreja deve ser feito em nome de Jesus Cristo; assim nos foi ordenado. Esta Igreja se chama "A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias". Isso foi dado por revelação e mandamento. Não é meramente a Igreja do homem; e, embora homens sejam chamados por Deus para trabalhar nela, e para ocupar cargos proeminentes nela, e para exercer grande influência em sua edificação, estamos a edificá-la para aquele que é nossa Cabeça viva, o próprio Jesus, o Cristo. Devemos fazer todas as coisas em seu nome. Quando Pedro foi instrumento para curar o coxo junto à porta do templo, disse: "Não tenho prata nem ouro; mas o que tenho isso te dou. Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda"; e o homem saltou e andou. E assim será com esta Igreja, que Jesus Cristo estabeleceu nos últimos dias. Ela prevalecerá e vencerá todo obstáculo em seu caminho.

Ora, quanto a esse nome: é o nome de Jesus Cristo que devemos usar. Vou ler um versículo ou dois de Doutrina e Convênios, a seção 18. Há várias outras seções que transmitem a mesma ideia, mas não tomarei tempo para lê-las. Começarei pelo versículo 21:

Tomai sobre vós o nome de Cristo e falai a verdade com seriedade.

E todos os que se arrependerem e forem batizados em meu nome, que é Jesus Cristo, e perseverarem até o fim, serão salvos.

Eis que Jesus Cristo é o nome dado pelo Pai; e não é dado qualquer outro nome pelo qual o homem possa ser salvo;

Portanto, todos os homens devem tomar sobre si o nome que é dado pelo Pai, pois por esse nome serão chamados no último dia;

Portanto, se não sabem o nome pelo qual são chamados, não podem ter lugar no reino de meu Pai.

Algumas pessoas talvez pensem que não há nada de novo nisso; e, de fato, não há, mas muitos de nós adquirimos o hábito de fazer as coisas em nome de Jesus, e observo que, quando as pessoas abençoam seu alimento

à mesa (ou pedem uma bênção sobre ele), fazem-no de uma maneira um tanto peculiar e apressada, e encerram, dizendo rapidamente: "Em nome de Jesus. Amém." Quando alguns homens encerram uma reunião, apressam-se a pronunciar a bênção, e o fazem "em nome de Jesus. Amém." Há muitos homens no mundo chamados "Jesus", nestes últimos dias. Eu lia recentemente, num jornal, a respeito de um assassino cujo primeiro nome era Jesus, que crucificou seu próprio filho. Era um fanático, um louco. Observo também que, ao viajar, em muitos países estrangeiros, encontram-se, sobre as portas, os nomes de homens que mantêm o que chamamos de "saloons" ou casas públicas, e é Jesus tal-e-tal. Ora, devemos tomar sobre nós o nome de Cristo, e vereis, se ledes a Pérola de Grande Valor, na revelação de Deus a Enoque e a Moisés 52, 57, que ali se especifica, particularmente, que Jesus Cristo é o nome de "um juiz justo que há de vir", e que ele é o amado do Pai, que ele é o primogênito do Pai; ele é o Filho amado, e, ao falar-se a respeito de seu futuro na carne, ele é chamado "o Unigênito" Filho. O Filho Unigênito de Deus é Jesus Cristo — Jesus, o Salvador, Cristo, o ungido. Os dois nomes andam juntos, e pertencem um ao outro. Jesus Cristo disse que esse é o nome que recebeu do Pai, e devemos usar esse nome. Quando batizamos, batizamos em nome de Jesus Cristo: "Tendo autoridade de Jesus Cristo, eu te batizo", e assim por diante. Assim, quando pronunciamos a bênção sobre o sacramento, o pão ou a água, pedimos ao Pai, em nome de seu Filho Jesus Cristo, que abençoe o pão ou abençoe a água. Assim, meus irmãos, ao administrar qualquer das ordenanças da casa de Deus, isso deve ser feito em nome de Jesus Cristo.

Não tenhais medo de usar reverentemente o nome de Cristo. Ele o usa continuamente. Podemos ler sobre isso no Livro de Mórmon. A Igreja era a Igreja de Cristo, e nos últimos dias a Igreja deve ser chamada por esse nome. Talvez penseis que isso seja um assunto de pouca importância. Talvez o seja para vós; mas descobri, em minha experiência, desde o início de minha filiação a esta Igreja, que há poder nesse nome. "Em meu nome expulsarão demônios; falarão novas línguas", e assim por diante. Há poder no nome de Jesus Cristo. Os demônios tremem diante desse nome. Reconhecem-no. Mas quando nós, de maneira descuidada, usamos o nome de Jesus, e nada dizemos sobre o Cristo, não sei se tem tanto poder e influência. O Senhor talvez, em misericórdia à nossa omissão, aceite nossa intenção, mas não importa isso. Façamos o que nos foi dito para fazer, e administremos da maneira que o próprio Jesus Cristo diz que devemos administrar. Não tomarei tempo para ler de outras seções que se referem ao mesmo assunto, mas todas as revelações neste livro [Doutrina e Convênios], dadas por meio do Profeta, ou a outros, são em nome de Jesus Cristo. Ele diz: "Dai ouvidos à voz de Jesus Cristo, o Grande Eu Sou, cujo braço de misericórdia expiou vossos pecados." (Ver Seções 29, 38, 39 e outras.) Ele é o Grande Eu Sou de que falam as escrituras hebraicas.

Jeová do Antigo Testamento É Jesus Cristo do Novo

Ele é o Jeová de que fala o Antigo Testamento. Jesus Cristo, do Novo Testamento, é Jeová, do Antigo Testamento, e assim ele mesmo o proclamou quando veio ao profeta Joseph e a Oliver Cowdery no templo do Senhor, cujo relato lemos na seção 110 de Doutrina e Convênios. Falam de sua aparição, a gloriosa aparição e poder, e sua voz era como o som de muitas águas. Era a voz de Jeová. Digo isso em benefício de alguns poucos de meus amigos que não creem na doutrina de que o Jesus do Novo Testamento era o Jeová do Antigo Testamento. Jesus, o Cristo, representa plenamente o Pai. Nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade, como lemos nas escrituras. "Porque foi do agrado do Pai que toda a plenitude nele habitasse." E assim pôde dizer a Filipe, quando lhe perguntou: "Senhor, mostra-nos o Pai": "Estou há tanto tempo convosco, e não me conheces, Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai." Deus se manifestou na carne, na pessoa de Jesus de Nazaré, e ele era, em verdade, o Filho de Deus, gerado do Pai, e sua mãe era a virgem Maria. Não deveria haver disputa alguma quanto a este assunto, porque isso nos foi tornado tão claro e completo nas revelações de Deus.

A Trindade, Três Personalidades Distintas

Há uma trindade na Trindade, assim ensinou o profeta Joseph — o Pai, o Filho e o Espírito Santo —, e são três personalidades distintas em perfeita unidade. Há um espírito que "procede da presença de Deus para encher a imensidade do espaço", a luz que está em todas as coisas, e por meio de todas as coisas, e ao redor de todas as coisas, e a lei pela "qual todas as coisas são governadas". Por esse espírito, declara nosso Pai Celestial, ele criou todas as coisas no princípio, primeiro espiritualmente, e depois temporalmente. Doutrina e Convênios, Seção 29.

Aprendemos também que este espírito de verdade, inteligência e poder procede da Divindade, "por toda a imensidão do espaço", e é a lei pela qual todas as coisas são governadas, pela qual Deus é onipresente, pela qual a palavra de Deus é declarada, seja por meio de Jesus, o Cristo, seja pela pessoa do Espírito Santo. Esse espírito permeia todas as coisas. A Palavra é declarada por meio de sua influência, e por ela, em todos os mundos que Deus criou. Devemos compreender a distinção entre esta essência universalmente difundida e a pessoa chamada Espírito Santo, a quem Jesus Cristo disse que enviaria a seus discípulos, e que, sem dúvida, veio no Dia de Pentecostes, em pessoa.

Estas podem parecer pequenas questões para alguns, mas devemos procurar acertar em todas as coisas, para que tenhamos a unidade da fé, para que não haja discórdia entre nós.

O Que É a Verdade?

O espírito de verdade revela a verdade, transmite a luz da verdade. Transmite inteligência. O que é inteligência? É "a luz da verdade".

Alegrou-me quando o Presidente Grant leu o verso final do esplêndido hino do irmão Jaques, onde diz: "A verdade, a soma da existência, resistirá ao pior." Todo o hino é um elogio àquela influência divina que chamamos de verdade.

Oh, dizei, que é a verdade? É a mais bela joia Que as riquezas dos mundos podem produzir,

e assim por diante. Mas aqui nos diz algo sobre o que ela é. É "a soma da existência" — coisas passadas, coisas presentes e coisas vindouras, fatos. Estas são a verdade, e o Senhor diz que "a verdade é o conhecimento das coisas como são, como foram e como serão". (Seção 93.) Alguns de nossos irmãos, ao escrever, e bastantes, ao falar, dizem que a verdade é o conhecimento, ou um conhecimento das coisas. Isso é algo que podeis ter, ou que eu posso ter, ou que se pode rejeitar. A inserção de um artigo indefinido ou definido é um engano. A verdade é o próprio conhecimento, informação, inteligência, as coisas que são, as coisas que foram, as coisas que hão de vir — o conhecimento a respeito delas. Isso é a verdade. É uma esplêndida definição, e responde à pergunta dos séculos mais claramente do que qualquer outra que já ouvi tentar fazê-lo; ainda melhor do que "a verdade, a soma da existência", e, contudo, as duas são idênticas em significado. Ora, sejamos corretos nessa pequena coisa, e assim em todas as coisas pertinentes às nossas doutrinas, aos nossos deveres no Sacerdócio, irmãos, e em nossas citações das escrituras, procuremos ser corretos, tão exatos quanto pudermos.

A Natureza e a Ressurreição de Cristo

Este dia, como o irmão Lund tão claramente nos apontou, é chamado o aniversário da ressurreição de Jesus Cristo, nosso Redentor. Não sei se é exatamente o dia certo, e isso não importa. É algo semelhante ao que ocorre com o dia de Natal. Unimo-nos ao mundo cristão, como lhes apraz chamar-se, ao reverenciar o nome de Jesus Cristo, e ao celebrar sua ressurreição. Afirmamos que ele foi, de fato, ressuscitado dos mortos; não que simplesmente continuou sua existência após a morte, mas que o corpo que fora posto no sepulcro foi retirado do túmulo, e nada restou senão o lenço e as outras coisas que haviam sido colocadas ao redor dele quando o corpo foi sepultado. Ele apareceu a seus discípulos, e a muitos outros, quinhentos irmãos, nos é dito. Eles não nos deixaram seu testemunho escrito, mas ele nos é dado no Novo Testamento. Todos eles o viram ao mesmo tempo, e ele discorreu com eles, e mostrou a seus discípulos as mãos e os pés. Para quê? Para enganá-los? Para fazê-los pensar algo que não era verdade? De maneira alguma. Ele quis que compreendessem que aquele era o corpo que estivera na cruz, no qual os soldados romanos haviam cravado as cravelhas ou pregos através das mãos e dos pés. Mostrou-se a eles, e disse-lhes que o tocassem e vissem, "pois um espírito", disse ele, "não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho". Muitos dos apóstolos perderam a vida por testificarem a respeito deste fato. Foram testemunhas da ressurreição, o levantar dos mortos do corpo do Redentor, vivificado pelo espírito, imortalizado,

embelezado, tornado glorioso; mas as mudanças nele operadas, para que fosse imortal, não alteraram a estrutura do corpo. Era o corpo de Jesus, o Cristo, que fora pendurado na cruz, e morrera pelos pecados do mundo. E essa é a grande verdade que temos de declarar, não só sua ressurreição real dentre os mortos, mas que ele é o Salvador; por meio dele, e por ele, e dele, declarou o Pai, os mundos foram criados e feitos. Sabemos pouco sobre sua vida real na terra, durante os três anos em que trabalhou em seu ministério, e ainda menos sobre sua infância, e não sabemos quase nada sobre os detalhes de sua pré-existência, exceto o fato dela. Ele estava com o Pai no princípio; assim ele mesmo o diz, em revelação a nós, na seção 93 de Doutrina e Convênios: "Eu estava no princípio com o Pai e sou o Primogênito." Ora, não vos deixeis enganar, nenhum de vós, por especulações que algumas pessoas têm tido a respeito de ele ser "o filho de Adão", e outras noções teóricas. Ele era o Primogênito do Pai, como lemos na Epístola aos Hebreus: "E outra vez, quando introduz no mundo o primogênito, diz: E todos os anjos de Deus o adorem", Jesus, o Cristo, cujo espírito, cuja luz está em todos os mundos que foram criados, e é "o poder pelo qual foram feitos". Ele era o Primogênito da grande família a que pertencemos, por isso o chamamos não só de nosso Redentor, mas de nosso Irmão Mais Velho.

Pois bem, alguns perguntam: teve ele um começo? Certamente, em sua individualidade. Ele não teve começo na essência que compõe sua personalidade espiritual. Nem, nisso, é ele diferente de nós. Nós também, diz ele, estávamos no princípio com o Pai, aquilo que é espírito; Deus diz que os criou a todos. Mas não diz ele que a inteligência nunca foi criada nem feita? Sim. Mas o que é inteligência? Já vos citei que "a inteligência é a luz da verdade", sem princípio, sem fim; mas as "inteligências" são indivíduos gerados do Pai, criados, diz ele, por ele, ou organizados; e, quer uses o termo "criado", "organizado" ou "gerado", significa a mesma coisa. Eram seus filhos e suas filhas. Mas Cristo Jesus era o Primogênito, e, assim, é preeminente em todas as coisas, e todas as coisas se tornarão, em certo tempo, sujeitas a ele, e todo joelho se dobrará, e toda língua confessará que Jesus é o Cristo, para a glória de Deus, o Pai.

Compreendamos isso claramente em nossa mente, e descobriremos que não há contradições nas escrituras do Senhor. A inteligência não tem princípio. É algo que pode ser concedido ou retido. É a luz da verdade, e procede do Pai, e nos é transmitida se abrirmos o coração para recebê-la, e receberemos seus dons de acordo com nossa organização, nossas capacidades e as bênçãos de Deus para conosco. É o espírito pelo qual Deus fez os mundos, pelo qual os governa, pelo qual está presente neles e ao redor deles, e a plenitude dele está em Jesus, o Cristo, seu Unigênito na carne, e seu Primogênito no espírito.

Graças a Deus pelo Dom de Seu Filho Jesus Cristo

Desejamos louvar Jesus, nosso Redentor. Oh, que bênção foi sua crucificação para todo o mundo, para todas as gerações dos filhos e filhas de Adão; por meio dele e de sua expiação podemos ser redimidos dos mortos, da morte, do inferno, das trevas, da sepultura, de tudo o que é prejudicial e danoso, e que traz infelicidade. E podemos ser imbuídos de seu Espírito se obedecermos a seu evangelho, e podemos aproximar-nos dele, e reconhecer, de fato, por nós mesmos, quem e o que ele é. Pois ele se revelará a nós, se dele nos aproximarmos. Para usar uma expressão figurada que ele usou com seus discípulos: ele entrará conosco, e cearemos juntos, e ele estará em nós e ao nosso redor, e será nosso líder e nosso guia. Graças a Deus, o Pai Eterno! Aleluia, louvado seja seu santo nome, pelo dom de seu Filho Jesus Cristo, pela redenção da humanidade da transgressão de Adão, que é nossa cabeça terrena. Ele é nosso pai nesse sentido, o pai de toda a raça. Tivemos pais segundo a carne, obedecemos-lhes, e assim a cadeia sobe até o grande homem que esteve à cabeça, o pai de todos, Adão. Mas nosso Pai, a quem adoramos, é o grande Eloim, que se assenta no alto, que está trabalhando, por meio de seu Filho Jesus Cristo, por nossa redenção, e ele é, afinal, o Salvador de todos os que são salvos. Por meio de, e por, seu Filho Jesus Cristo, somos redimidos de nossos próprios pecados, e também do pecado de nossos primeiros pais, a transgressão de Adão e Eva no jardim. Aquele que não conheceu pecado ofereceu-se a si mesmo como sacrifício por aqueles que haviam pecado, e isso alcança até Adão. É por meio de Jesus, o Cristo, que Adão é redimido dos efeitos da Queda, e por meio dele somos redimidos da morte, do inferno e da sepultura, de nossos próprios pecados, assim como do pecado cometido por nossos primeiros pais. Pela obediência a seus mandamentos, podemos ser lavados de nossos pecados e imperfeições, mas é o sangue de Jesus Cristo que purifica de todo pecado. Graças a Deus, digo, por este grande dom para conosco!

Procuremos compreender a palavra do Senhor. Não é particularmente necessário que passemos todo o nosso tempo pensando nessas ideias e teorias, mas há valor nelas, porque são verdadeiras, e é a verdade que salvará. Jesus orou ao Pai para santificar seus discípulos. "Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade"; e por sua palavra podemos obter conhecimento das coisas passadas, presentes ou vindouras, e podemos estar em harmonia com o Pai, e com o Filho, e com o Espírito Santo, e com todos os grandes e poderosos seres que detiveram autoridade deles nas eras que já passaram, e aqueles que a detêm na dispensação em que vivemos, os que estão vivos e os que já faleceram. Que reino glorioso haverá, quando o pecado for banido, quando as trevas forem dispersas, quando os falsos governos perecerem; quando o verdadeiro Reino de Deus for estabelecido, e Jesus Cristo, como Rei dos reis e Senhor dos senhores, reinar sobre toda a terra; e os que obedecerem a seus mandamentos reinarão com ele em glória. Os Santos de outrora

e os Santos dos dias modernos estarão juntos ali, naquela grande companhia. Não haverá desunião; não haverá trevas; não haverá dor, e não haverá mais morte, mas viveremos, e viveremos por causa da expiação realizada por nós por Jesus Cristo, nosso Redentor. Estaremos ali, como ele estará ali, como personalidades individuais distintas.

A Glória que Aguarda os Justos

Não seremos fundidos num só corpo, exceto como organização de povo. Cada um será si mesmo, homem ou mulher, e brilhará na glória de nosso Pai; e toda qualidade que temos, todo atributo, todo dom e poder de nosso ser que obtivemos por direito de nascença de nosso Pai, todo o conhecimento que ganhamos por nossas experiências na vida do espírito ou na mortalidade será nosso, e o poder das vidas infindáveis estará em nós, porque o espírito e o corpo estarão inseparavelmente unidos em glória, nunca mais a serem separados, e toda a eternidade estará diante de nós, na qual progredir, melhorar e regozijar-nos, e descobrir mais a respeito de nosso Pai e de Jesus Cristo, nosso Irmão Mais Velho, o grande Mediador e Exemplo, a quem devemos seguir sempre, e a alegria se tornará suprema e perfeita. Nesta vida, só a temos imperfeitamente, pois o corpo sem o espírito não pode receber uma plenitude de alegria, nem tampouco o espírito sem o corpo. Os elementos de ambos são eternos, mas cada um de nós tem uma personalidade individual. Quando nascemos no espírito, esse foi nosso primeiro estado. Agora estamos em nosso segundo estado, e, quando vier o terceiro estado, se tivermos sido fiéis em ambos, e obtido esta grande bênção do espírito e do corpo unidos num só, em perfeição, em completa harmonia com o Pai, e com o Filho, e com o Espírito Santo, e todos os grandes e poderosos e justos e puros e sinceros de coração de todos os séculos, em um só grande reino e glória, oh, quão felizes seremos, ao gritar "Aleluia a seu santo Nome!"

Exortação Final à Fidelidade

Sinto que posso fazer isso esta tarde, ecoando o hino cantado pelo coro. Não quero tomar tempo demais. Talvez já tenha falado tempo demais. Há vários irmãos aqui a quem todo o povo deseja ouvir. Regozijo-me com eles, e glorifico a Deus por saber que a organização desta Igreja foi plenamente estabelecida. Estudai a Seção 107 de Doutrina e Convênios, élderes de Israel. Lede-a cuidadosamente do princípio ao fim. Pesai cada frase nela, e vede a beleza daquela organização de Sacerdócio que o Senhor estabeleceu, e que, até agora, aperfeiçoou. Vivei como servos e sacerdotes do Deus Altíssimo, cumpri vossos deveres, e dai bom exemplo. Aceitai a sugestão que vos foi dada esta manhã pelo irmão Lund a respeito de vosso dízimo. Sabemos, pelo Presidente Grant, da imensa quantia de dinheiro que está sendo despendida, e a que se pede. Oh, se todos os Santos dos Últimos Dias pudessem perceber que bênção há no pagamento honesto de seus dízimos — o que significa um

décimo; não significa um quinto, nem um vigésimo, é o décimo, o décimo de nosso lucro perante o Senhor —, se assim o fizessem, não teríamos dificuldade alguma em atender às solicitações que chegam às centenas, todos os dias de nossa vida, ali no escritório — para verbas destinadas a diferentes fins que são muito bons, mas não há meios suficientes agora para atender às exigências.

Se todos os servos de Deus, sumos sacerdotes, setentas, élderes e os membros do Sacerdócio menor obedecessem a esse mandamento de Jesus Cristo, isto é, pagar seu dízimo, e os meios chegassem às mãos dos servos de Deus, que honesta, fiel e pacientemente se esforçam por usá-los e distribuí-los para produzir os melhores resultados, que bênção seria para eles individualmente, pois cresceriam em graça e no conhecimento da verdade, e teriam confiança em Deus quando orassem, e seria um exemplo para os Santos, e uma bênção para a Igreja a que pertencemos, esta esplêndida organização que Deus estabeleceu para continuar e permanecer. Fiéis e verdadeiros deveriam ser os que receberam a autoridade do santo Sacerdócio, honestos e puros em seu trato uns com os outros, e em seu trato com o Senhor.

O dízimo é chamado "uma contribuição voluntária". Mas o que deveria ser isso? Deveria ser um décimo, exatamente como o Senhor ordenou. E assim, é claro, no que se refere a todos os outros deveres na Igreja. Esse não é, de forma alguma, o único. Cada um de nós, Santos dos Últimos Dias, deveria esforçar-se por ser membro da Igreja em todo o sentido da palavra, batizado em Cristo, tendo-se revestido de Cristo, procurando cumprir os mandamentos de Jesus Cristo, procurando viver no espírito de Jesus Cristo, para que não fiquemos envergonhados quando nos levantarmos no meio daquela grande assembleia, em juízo, e contemplarmos a face de nosso Redentor, e percebermos que ele é, de fato, aquilo que foi proclamado ser. Sejamos membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias em todo o sentido da palavra, e usemos nossos talentos e habilidades, tais como são, a serviço do Senhor, e encontraremos a veracidade de sua promessa: "Eis que venho. Meu galardão está comigo, mas minha obra está diante de mim." Fazei vossa obra, ó Israel, e obtende o galardão por meio de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoCharles W. Penrose, “A Igreja de Cristo Prevalecerá”, Conferência Geral de Abril de 1920, Sessão da Tarde do Primeiro Dia (1920-04-04). Pulpit Vault, 1920-04-charles-w-penrose-the-church-of-christ-shall-prevail. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).