Tenho me deleitado com as bênçãos do
Heber J. Grant
Tenho me deleitado com as bênçãos do Senhor que têm sido derramadas sobre nós durante esta conferência. ¶
Não tinha a intenção de falar, mas decidi fazer algumas observações a esta maravilhosa congregação de Santos dos Últimos Dias, ocupando o pouco tempo que resta. ¶
A Esmagadora Responsabilidade da Presidência
Como disse, regozijo-me com os ricos derramamentos do Espírito do Senhor. Quando primeiro fui chamado à Presidência, o pensamento da responsabilidade que recaía sobre mim era esmagador, e por várias semanas foi impossível obter o descanso de que necessitava. Tornou-se absolutamente necessário que eu fosse até a costa para conseguir a quantidade de sono de que necessitava; pois os homens não podem viver muito tempo sem descansar à noite. ¶
Uma Maravilhosa Manifestação e Testemunho
Quando fui escolhido como um dos apóstolos — como disse esta manhã, numa pequena reunião das Classes de Religião — de outubro até fevereiro, fiquei muito infeliz, apesar de o meu chamado ter vindo por revelação direta; e a razão foi que eu tinha uma reverência e um respeito tão grandes, quase uma adoração, pelos homens que detinham o apostolado. Se havia uma coisa que minha querida falecida mãe gravou em minha própria alma, foi reverência e respeito pelo Sacerdócio do Deus vivo, e pelos homens que estavam à frente da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Quando o chamado veio para que eu fosse apóstolo, o espírito do adversário me perseguiu dia e noite, de outubro até fevereiro, dizendo-me que eu era indigno de ocupar aquele elevado ofício. Toda vez que eu testificava do meu conhecimento de que Jesus era o Cristo, as palavras voltavam voando ao meu rosto: "Estás mentindo; não o viste." Eu acordava durante a noite sentindo que deveria renunciar, que era indigno. Um ¶
parente meu me disse, certo dia: "Sabes que o Irmão —— declarou que nenhum homem era digno de ser apóstolo do Senhor Jesus Cristo ¶
sem ter visto o Cordeiro de Deus?" Ele primeiro me perguntara: "Já viste o Cordeiro de Deus?" Eu respondi: "Não." Então ele se referiu à declaração daquele homem. Eu disse: "Sim, eu sei disso." "Pois bem, então como te sustentas como apóstolo?" Eu respondi: ¶
"Em quem preferirias crer — no Senhor Todo-Poderoso ou no Élder ——?" ¶
Ele disse: "No Senhor." Eu disse: "Eu também; e ele enviou uma revelação chamando-me, e tomarei sua palavra como certa de que sou digno de ocupar o cargo." Mas, mesmo assim, não confessei que, dia e noite, havia sobre mim um sentimento que me instava a renunciar. Fiz uma viagem, em janeiro de 1883, com Brigham Young, Jr., ao Vale de San Luis, no Colorado, a San Juan, às estacas do Arizona, ao México, onde visitamos os índios Yaqui. No Arizona, visitamos os Navajos e também os Moquis. Falando dos Navajos, lamento muito não ter tido comigo um estenógrafo quando realizamos uma reunião com Manulita, o chefe guerreiro dos índios Navajo. Não pude entender uma palavra do que ele disse, mas sabia que ele falava com um fogo, uma força e um fervor que raramente ouvi em toda a minha vida, e o intérprete, o Irmão Ernest Titjen, disse que aquele foi o discurso mais maravilhoso que já ouvira. O chefe indígena falava sobre as injustiças sofridas pelos índios e as doenças que lhes haviam sido trazidas pelos brancos; e falou do fracasso dos brancos, exceto apenas os "mórmons", em tratar os índios corretamente. Anunciou que as mulheres da nação indígena estavam seguras nas mãos dos "mórmons". Havia problemas, naquela época, naquela seção da Reserva Indígena Navajo, mas ele disse: "Estais absolutamente seguros para viajar entre os Navajos, pois enviarei aviso adiante de que sois 'mórmons', e eles sabem que os 'mórmons' são amigos do homem vermelho." Enquanto estávamos na Reserva Indígena Navajo, viajando numa comitiva de talvez meia dúzia de carroças e oito ou dez cavaleiros, alternávamos entre viajar nas carroças e a cavalo. Eu cavalgava na retaguarda da comitiva com o falecido Presidente Lot Smith, da Estaca Little Colorado, e, à medida que viajávamos em direção sudeste, de repente a estrada virou e seguiu para o nordeste. Mas, continuando a partir de onde a estrada mudava, havia uma trilha bem batida. Eu disse: "Espera um momento, Lot, para onde leva aquela trilha?" Ele disse: "Oh, desce ali por umas três ou quatro milhas e volta para a estrada. Faremos uma volta em ferradura com a estrada, e então nos juntaremos à trilha. Há uma ravina profunda que uma parelha não consegue atravessar, por isso temos de contorná-la." Eu disse: "Um cavaleiro consegue atravessá-la?" Ele disse: "Sim." "Bem," eu disse, "Lot, quero ficar sozinho. Segue em frente, acompanha o grupo. Vou por aqui, sozinho, e me encontro convosco quando a trilha se juntar à estrada." Primeiro lhe perguntei: "Há algum perigo dos Navajos?" Ele disse: "Nenhum." Sem dúvida fiz essa pergunta porque, apenas poucos dias antes, eu visitara o local onde George A. Smith, Jr. — creio que o único filho daquela amada e santa mulher, Bathsheba W. Smith — fora morto pelos índios Navajo, e eu estava naturalmente um pouco nervoso, indo sozinho àquela região do país. A razão pela qual eu queria ficar sozinho era que eu estava oprimido, como nunca antes estivera, mesmo desde outubro até aquele momento, por aquele terrível sentimento de temor e dúvida, e com a sugestão martelando em minha mente de que eu deveria renunciar como apóstolo do Senhor Jesus Cristo, que eu jamais fizera algo que me desse direito a essa distinção, que jamais realizara qualquer trabalho especial, que não estava instruído no evangelho, como um apóstolo deveria estar; que minha mente fora dedicada aos afazeres comuns da vida, e que eu deveria dar um passo atrás e deixar que outro homem fosse chamado, que, eu acreditava, era mais qualificado para o cargo do que eu mesmo. ¶
Com essa terrível depressão sobre mim, desejei ficar sozinho, e cavalguei por ali, atormentado, por assim dizer, pelo diabo. Depois de cavalgar cerca de uma milha, de repente parei a mula em que eu montava, e me comuniquei com o Alto Céu. Foi-me revelado ali, sentado sozinho na Reserva Indígena Navajo, que eu não fizera nada que me desse direito à grande honra de ser apóstolo, exceto ter mantido minha vida pura e digna. Foi-me revelado ali que um conselho fora realizado no céu, exatamente como realizamos conselhos aqui. Assuntos foram discutidos, e apresentou-se a questão de preencher as duas vagas existentes no quórum dos Doze Apóstolos; que a conferência havia sido encerrada, e que essas duas vagas permaneciam, e deveriam ser preenchidas. A questão era: "A quem chamaremos, ao enviar uma revelação para preencher essas vagas?" Meu pai, Jedediah M. Grant, que morreu quando eu era apenas um bebê de nove dias de idade, pediu a Deus, nosso Pai Celestial, que seu filho, Heber J. Grant, fosse chamado como apóstolo, e Joseph Smith, o Profeta desta última dispensação, o homem que, quando criança, se comunicou com Deus, nosso Pai — que se comunicara com Jesus Cristo, nosso Redentor, e ao qual o Salvador do mundo dissera que não se filiasse a nenhuma das igrejas então existentes, pois todas se haviam desviado, e que ele deveria ser o instrumento nas mãos de Deus para restaurar novamente o evangelho à terra — aquele grande profeta dos últimos dias se uniu ao pedido feito por meu pai, e a revelação foi enviada, chamando-me para ser apóstolo do Senhor Jesus Cristo. ¶
Alegria em Proclamar o Evangelho
Nenhum homem, creio, jamais teve menos felicidade ou menos alegria do que eu tive ao proclamar o evangelho, de outubro de 1882, quando fui chamado a ser apóstolo, até fevereiro de 1883, quando o Senhor Todo-Poderoso me deu esta manifestação. Mas creio que nenhum homem vivo jamais teve alegria mais doce, jamais teve maior felicidade do que eu tive ao testificar da divindade desta obra, no Japão, nas Ilhas Havaianas, do Canadá ao México, em quase todos os estados da União, na Inglaterra, na Irlanda, na Escócia, no País de Gales, na Bélgica, na Holanda, na Alemanha, na França, na Suíça, na Itália, na Dinamarca, na Noruega, na Suécia — testificando que Deus vive, que Jesus é o Cristo, que Joseph Smith é seu profeta. Não há alegria, não há felicidade em todo o mundo, que se compare àquela que entra no coração de um Santo dos Últimos Dias quando, sob a inspiração do Deus vivo, ele é capaz de dar ¶
testemunho: "Sei que Deus vive, sei que Jesus é o Cristo, sei que Joseph Smith é um profeta do Deus verdadeiro e vivo, e que esta obra chamada 'mormonismo' é, em verdade, o plano de vida e salvação;" e dou esse testemunho diante de vós aqui hoje, pois tenho o conhecimento vindo de Deus, e não minto. Que Deus vos abençoe a todos. Amém. ¶