No campo missionário, tenho dito muitas vezes
Samuel O. Bennion
No campo missionário, tenho dito muitas vezes aos missionários que, nesta Igreja, as coisas não acontecem por acaso, mas por designação; e acrescento a isso a afirmação de que Deus governa e reina; que esta é sua obra; que ele está ao leme, e que sua obra, estabelecida aqui na terra, tem por finalidade trazer de volta a ele seus filhos que estão longe de casa, em missões pelo mundo. Sinto que estamos longe de casa nesta terra; que fomos enviados, em tempo designado, ao mundo, para provar ao Senhor o que faremos sob determinadas condições e circunstâncias. Aprecio cada vez mais plenamente, a cada dia de minha vida, o fato de haver sido tão favorecido pelo Senhor a ponto de vir ao mundo quando seu evangelho está aqui e seu santo sacerdócio está em vigor entre os filhos dos homens; quando ele tem profetas e apóstolos e oficiais na Igreja designados por seu mandado divino e sob sua direção, de modo que não pudesse haver engano, e que os homens que desejam servi-lo pudessem conhecer a verdade. ¶
O Sacerdócio do Filho de Deus é sagrado, e o homem que o possui recebeu um encargo que não pode tratar levianamente e ainda assim desfrutar das bênçãos e do testemunho deste evangelho. Esta é a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, revelada dos céus na Dispensação da Plenitude dos Tempos em que vivemos. Homens a receberam por revelação direta; homens receberam conhecimento dela em sonhos noturnos; homens foram visitados por anjos, até que não pode haver dúvida quanto à posição desta Igreja de nosso Deus aqui na terra. ¶
Há pouco tempo recebi uma carta de um jovem, em um dos estados da missão que tenho tido o privilégio de presidir por algum tempo, pedindo-me que enviasse um missionário para batizá-lo. Foi numa época em que os missionários eram muito escassos. Creio que tínhamos apenas quatro naquele estado. Escrevi-lhe uma carta, dizendo: "Enviar-vos-emos os élderes assim que puderem ir até aí." Animei-o no que dissera em sua carta, dizendo-lhe que continuasse a investigar, e que, no próprio tempo determinado pelo Senhor, os élderes o batizariam. Ele me era um estranho. Enviei a carta ao presidente daquela conferência e disse-lhe: "Quando lhe for conveniente, visite este cavalheiro ou envie um dos élderes para batizá-lo." Pouco depois disso tivemos uma conferência naquele estado; eu havia esquecido totalmente o incidente, mas o presidente da conferência havia avisado o jovem de que iríamos realizar uma conferência, e o convidara a vir até a cidade onde realizaríamos nossas reuniões. O jovem compareceu à nossa reunião do sacerdócio, e suas lágrimas correram livremente. Ele desfrutou do Espírito do Senhor enquanto os testemunhos dos élderes eram dados, até que o último houvesse falado, em um grau que presumo poucos homens tiveram o privilégio de testemunhar. Ele me contou que havia orado fervorosamente para saber qual igreja era a verdadeira. Disse: "Fiz disso um assunto de oração por semanas, e desejava saber qual igreja era a verdadeira, e o nome da Igreja. Certa noite acordei com estas palavras diante de mim, em minha mente — a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Eu nunca ouvira falar da Igreja. Lembrei-me de haver encontrado alguns dos élderes 'mórmons' vários anos antes, quando deixaram conosco parte de sua literatura. Fui procurá-la, e encontrei nela o nome da Missão dos Estados Centrais. É por isso que lhe escrevi aquela carta." ¶
Sei, meus irmãos e irmãs, ao estar aqui, que ele falou a verdade; que Deus lhe havia revelado a verdade. Foi uma resposta às orações de um homem justo. Ele estava longe de casa, lutando pela vida no mundo, em pobreza, mas emprestou os meios para vir à conferência. O Senhor lhe revelara a verdade, e ele teve coragem, não obstante o fato de sua esposa lhe ter dito que, se fosse batizado, ela o deixaria — teve coragem suficiente para posicionar-se pelo que é certo, para descer às águas do batismo, e outra testemunha do poder de Deus foi dada aos filhos dos homens nesta dispensação. ¶
Testemunhei algumas notáveis manifestações do Espírito e do poder de Deus em meu chamado como presidente de missão. Quero dizer aos jovens que porventura estejam nesta conferência que, quando forem enviados a uma missão ou a uma conferência, devem ter em mente que Deus governa e reina, e que ele vos conhece; que não fostes para o campo missionário por acaso, mas fostes chamados, sob a inspiração e o poder de Deus, pelos homens que estão à frente da Igreja. Há alguns meses, quatro jovens chegaram à Missão dos Estados Centrais. Havíamos recebido muito poucos élderes nos meses anteriores, por causa da influenza, e certa parte de nossa missão estava muito necessitada de élderes, pois tínhamos apenas um ou dois em um vasto território. Eu disse ao secretário da missão: "Enviaremos estes quatro homens a tal e tal lugar, bem para o sul, a mil milhas de Kansas City." Ele disse: "Creio que é aí que deveriam ir. Precisamos deles lá." Mas, ao pensar nisso, vi três daqueles rapazes sentados juntos e um à parte, de lado. Não conseguia tirar da mente a visão daqueles rapazes, e por isso disse ao secretário: "Élder Piatt, deixemos isso para amanhã. De qualquer modo, não podemos enviá-los hoje." Pela manhã, ao reunir-me de novo com os jovens, eu ia dizer que os enviaríamos todos para aquele determinado lugar; mas de novo, em minha mente, três deles estavam sentados juntos e um estava só. Disse aos três: "Enviar-vos-emos ao Texas." A este jovem eu disse: "Manter-vos-emos aqui, e podereis trabalhar em Kansas City." Não sabia por que havia chegado a essa decisão. Lutei contra ela, porque queria enviá-lo para longe, mas um mês depois, em uma reunião do sacerdócio, ele prestou seu testemunho e mencionou o fato de que, quando era menino, com dez anos de idade, um patriarca lhe havia prometido, em sua bênção patriarcal, que ele cresceria e cumpriria uma missão, e que seria enviado ao estado do Missouri. Foi então que descobri por que fui impressionado a manter aquele jovem no estado do Missouri. ¶
Em outra conferência que frequentei pouco depois disso, um élder prestou seu testemunho em uma reunião do sacerdócio, na qual relatou o seguinte incidente: estava fazendo proselitismo certo dia, e, ao aproximar-se da casa de certa senhora, ela lhe disse: "Entrai, sois o homem que vi em meu sonho." Ela era uma mulher turca; seu pai era maometano. Estava naquele país havia talvez dez ou quinze anos. Relatou-lhe como havia orado fervorosamente pela verdade, e o Senhor lhe mostrara, em sonhos noturnos, este élder; de modo que, quando ele se aproximou de sua porta, parado nos degraus com aquele livro na mão, ela o reconheceu e disse: "Entrai, pois eu vos vi em um sonho." ¶
Quero dizer-vos novamente, irmãos e irmãs, que homens e mulheres tiveram bênçãos pronunciadas sobre suas cabeças antes que este mundo existisse, e elas estão sendo cumpridas aqui de acordo com a fidelidade daqueles que as receberam. Tenho vivido em companhia dos melhores homens e mulheres desta terra. Tenho convivido, em casa, com os líderes desta Igreja desde os dias de minha designação ao ministério, há alguns anos, e no campo missionário tenho convivido com rapazes, homens e mulheres que foram designados a pregar o evangelho, e que viveram vidas de tal esplendor e influência que testificam que foram enviados por Deus, e que não pode haver nada melhor nesta terra. A influência dos missionários é celestial. Quero dizer-vos, meus irmãos e irmãs, que vivemos um tempo precioso, e desfrutamos de bênçãos que o mundo em geral jamais conhecerá. Feliz é o homem ou a mulher que recebe um chamado para entrar no ministério e o cumpre com honra e honestidade, e que trabalha para o bem dos filhos dos homens. Muitas vezes, quando realizei conferências o dia todo com o povo, tendo depois de partir em poucas horas, disse aos élderes: "Sairemos ao parque desta cidade, já que a noite está quente, e visitarei convosco, irmãos; sentar-nos-emos nos bancos, aproximando-os, e passarei meu tempo convosco até termos de nos separar." Quero dizer-vos aqui hoje que recebi inegáveis manifestações do poder de Deus. Creio que os anjos do céu estiveram conosco; não há influência, não há espírito mais doce do que aquele manifestado quando esses rapazes se sentam e conversam convosco como conversariam uns com os outros, fazem perguntas e dizem: "Estamos felizes por estar aqui. Amamos-vos. Amamos a obra do Senhor." ¶
Disse a esses élderes: "Quando fordes para o campo, há apenas uma coisa a fazer, e é trabalhar e orar. Se orardes de manhã e orardes à noite, e continuardes a trabalhar, Deus vos inspirará de tal modo que, ainda que estejais sós, sereis capazes de resistir aos ataques do adversário, com o poder de um profeta, e com um poder que nunca haveis testemunhado em toda a vossa vida, e voltareis para casa limpos e honrosamente desobrigados. Não será apenas um prazer para vós, não apenas um dom de Deus para vós, mas sereis uma bênção para o povo, para os rapazes e moças com quem convivereis quando voltardes." ¶
Em minhas palavras finais, desejo dizer: se vós, pais e mães, puderdes prolongar o tempo de um missionário de vinte e quatro para trinta meses, e dar a esse rapaz mais seis meses de preparo no campo, não podereis fazer melhor investimento enquanto estiverdes aqui na terra. Rogo ao Senhor que nos abençoe, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶