Pulpit

Seguir os Oráculos Vivos e Defender a Liberdade

Charles W. Penrose

Conferência Geral de Outubro de 1917·Sessão da Tarde do Primeiro Dia·1917-10-05

Creio exprimir o sentimento e o pensamento de todos os que estiveram presentes na sessão desta manhã da conferência, quando digo que fiquei grandemente deleitado e abençoado ao ouvir as instruções que foram transmitidas, e espero que o bom espírito que esteve presente esta manhã, em rica abundância, também seja derramado sobre nós, aqui reunidos nesta tarde.

Endosso ao Discurso de Abertura do Presidente Smith

Creio que os Santos dos Últimos Dias há muito têm a impressão de que, a menos que o Espírito de Deus acompanhe a palavra que é falada, ela não nos é revigorante, não ficamos satisfeitos apenas em ouvir os princípios que são enunciados. Todos eles são divinos, não há doutrina da Igreja que não venha de fonte divina, mas, quando ouvimos palavras que nos são ditas sem serem acompanhadas da inspiração que originalmente as gerou, não nos sentimos satisfeitos; mas, por mais simples que sejam as expressões usadas, e por mais vezes que já tenhamos ouvido as doutrinas da Igreja explicadas, precisamos que o Espírito as acompanhe, e, a menos que ele esteja com a palavra, como já disse, não nos sentimos satisfeitos. Senti-me plenamente satisfeito esta manhã. Temi que o Presidente fosse ultrapassar um pouco o tempo que pretendia ocupar, pois ele precisava mesmo reservar suas forças; mas, para mim, esteve exatamente certo. Tudo o que ele disse estava certo. E o tempo que ele ocupou foi suficiente para nós, embora estejamos sempre ansiosos por ouvi-lo, não importa quanto tempo ele se sinta inclinado a falar. As palavras que nos foram ditas esta manhã pelos oradores foram impressionantes e preciosas, e o Espírito de Deus esteve com elas, e regozijo-me por ter tido o prazer de estar aqui hoje.

Agora desejo poder falar sob a influência do Espírito Santo, porque nunca me sinto satisfeito em minha alma quando sou chamado a discursar a uma congregação, a menos que possa sentir que o Espírito de Deus está comigo. Quando de fato sei disso, então me sinto razoavelmente satisfeito, embora às vezes fique um tanto insatisfeito comigo mesmo quando me sento; mas, quando percebo que o Espírito de Deus esteve comigo, e particularmente quando sinto que fui inspirado a dizer as coisas que me vieram à mente, então fico satisfeito, e glorifico e louvo o Senhor.

Regentes de Coro e o Canto Congregacional

Enquanto cantávamos o primeiro hino, eu pensava em um costume que estava em voga quando eu era menino. Era um jogo chamado "Siga o líder." Geralmente havia muita travessura associada a ele. Não quero associar isso agora a minhas observações, mas desejo, sim, que a congregação siga o regente no canto. Quando cantamos "Vinde, vinde, ó Santos, sem temor, sem labor", é preciso haver certo vigor nisso. Mas quando é "V-i-n-d-e, v-i-n-d-e, ó S-a-n-t-o-s" (cantando devagar, em imitação), não é lá muito revigorante. Já ouvi hinos cantados em algumas de nossas congregações nas alas, e o andamento era algo parecido com o que acabei de imitar. Segui o vosso regente no canto, e, se ele entende de música tanto quanto o Irmão Tony Lund, ele estará certo tanto no andamento quanto na melodia; e os regentes poderiam aprender uma lição com ele, adaptando o andamento ao sentimento. Ele está certo; segue a música, e compreende o espírito do hino ou canção; ele vos conduzirá corretamente, e espero que os regentes nas congregações de Israel — temos muitos homens excelentes na música, homens de talento musical — espero que aprendam essa lição, adaptando o andamento à música, e quando for preciso animá-lo um pouco, pois bem, que o animem, e então façam a congregação "seguir o regente."

Líderes em Israel

Tivemos esta manhã um forte testemunho do Presidente Smith a respeito dos grandes homens que têm sido nossos líderes em Israel, desde os dias do Profeta Joseph Smith até os dias de nossa presente administração. É claro que ele foi modesto demais para dizer algo a respeito de si mesmo, mas o Irmão Grant compensou isso um pouco, e desejo acrescentar meu testemunho ao do Irmão Grant a respeito do atual líder em Israel. Conheço-o há muitos anos, e sempre tive dele um bom conceito. Sei que ele é um homem de Deus, sei que seu coração está determinado a fazer a vontade de Deus e a ensinar os homens a fazê-la assim. Ele sempre teve essa disposição desde que o conheci pela primeira vez, e, nos últimos anos, quando tenho estado intimamente associado a ele, tenho aprendido cada vez mais a admirá-lo e a ter confiança nele e em sua palavra, e a considerá-lo um verdadeiro líder, o líder atual da Igreja de Cristo na terra, possuindo toda a autoridade, chaves e poderes concedidos pelos vários ministros ao Profeta Joseph Smith, que a ele vieram do alto. Eles foram transmitidos intactos e permaneceram na Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, que foi organizada no dia 6 de abril do ano de 1830, sem interrupção, até os dias de hoje, e essa autoridade revelada do céu, e aquelas chaves restauradas por mensageiros celestiais, estão hoje na Igreja, e nosso líder, Joseph F. Smith, detém as chaves, a presidência nelas, sobre todo o sacerdócio, autoridade e associação da Igreja, e ao dizer isso quero dizer que tenho plena confiança nele nessa qualidade, como homem, como servo de Deus. Creio que isso é partilhado pelo povo em geral, por todo o comprimento e largura da terra a que podemos chamar Sião.

A terra de Sião, a terra sobre a qual Sião há de estar, estende-se do extremo norte ao extremo sul deste continente, mas Sião não se estende tão longe no momento presente. Às vezes penso que mal podemos chamar de Sião este lugar em que habitamos, quando contemplamos a mistura que temos, e a quantidade de males que existem entre nós, talvez não produzidos pelos Santos dos Últimos Dias, exceto em poucos casos, mas somos hoje um povo misto, e o Sião de Deus, assim o Senhor revelou, é composto dos puros de coração. "Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus" foi uma das bem-aventuranças proferidas por Jesus de Nazaré naquele maravilhoso Sermão do Monte. Hoje podemos dizer, penso eu, que esta assembleia é Sião. Não que nenhum de nós seja perfeito, nem que reivindiquemos sê-lo, mas estamos procurando ser Santos de Deus em pleno sentido do termo, e, se seguirmos nosso líder, particularmente em suas instruções a nós, como as que tivemos esta manhã, seremos de fato assim. Nunca o ouço pregar sem que fale sob a influência do Senhor, e dê bom conselho ao povo, e todos, sejam ou não membros da Igreja, que derem ouvidos à sua voz e forem guiados por ele nas coisas que ensina, serão conduzidos pelo caminho estreito e apertado que termina na presença do Pai Eterno. Se o seguirmos, tudo nos correrá bem, sem a menor dúvida no mundo, e dou meu testemunho, somando-o ao do Irmão Grant, de que sei que ele é servo do Altíssimo, e que todo o seu coração e desejo estão voltados para o benefício e a edificação do reino de Deus na terra, e a glorificação de nosso Pai Celestial, e o testemunho de que Jesus é o Cristo, e de que Joseph Smith foi e é um profeta do Deus Altíssimo, sendo ele completa e inteiramente sincero, e tendo seu coração determinado a proclamar isso ao mundo, e assim tem sido desde que o conheço, e por muito tempo antes. E meu desejo é que ele permaneça muitos anos na terra para liderar o povo. Isso está, é claro, nas mãos de Deus, mas sinto que precisamos dele, que Sião precisa dele, que Sião o deseja, e que o povo desta igreja deseja em seu coração que ele seja sustentado com saúde e força de corpo e mente, e que todas as coisas concorram para que ele permaneça entre nós e seja nosso líder por muitos anos ainda.

Nosso Dever para com os Líderes Antigos e Vivos

Ora, há um ou dois pontos ligados a isso a respeito dos quais desejo dizer uma ou duas palavras a esta congregação, e o ponto é este: que não importa o que possa ter sido ensinado em tempos antigos a respeito da política da Igreja de Deus, não importa que mandamentos tenham sido dados a respeito da administração de seus assuntos em outras épocas, hoje estamos sob a direção dos oráculos vivos. A palavra viva de Deus nos chega por meio do homem que está à cabeça, com preferência sobre qualquer coisa que tenha sido escrita anteriormente, ou falada em nossos próprios dias. As circunstâncias mudam, e uma mudança de instruções se torna necessária. À medida que surgem circunstâncias diferentes, diferentes políticas precisam ser adotadas, e, quando o homem que está à cabeça nos orienta em qualquer direção a respeito destes assuntos, estaremos perfeitamente seguros ao segui-lo.

Nossos Líderes e a Guerra

Alguns de nosso povo, alguns que são muito pacíficos, tornam-se críticos quanto à nossa política de guerra. Não me admiro de que algumas de nossas irmãs, nossas mães em Israel, se sintam muito sensibilizadas agora, quando têm de permitir que seus entes queridos, seus filhos, os rapazes de seu coração, se alistem nos exércitos dos Estados Unidos, com a perspectiva de talvez irem ao exterior, e serem enviados à frente de batalha, e se envolverem praticamente na guerra. Sentem tristeza no coração e quase se recusam a ser consoladas, e desejam consolo, e algumas delas sentem em seu coração certa rebeldia a esse respeito, e pensam que há culpa nos líderes do povo por permitirem e incentivarem tais coisas. Ora, espero que tais sentimentos sejam inteiramente eliminados, e, quando o homem que está à cabeça de nossos assuntos diz: "Esta política é correta", que nossos rapazes vão, conforme forem chamados por seu país, defender os direitos do povo, estabelecer a liberdade, estender a liberdade entre as nações da terra, para tornar potentes no exterior os princípios que são tão grandiosos e fortes em casa, para que as nações da terra venham a partilhar de nossa liberdade; quando ele diz que essa é a coisa certa a fazer, deixemos que todos nós sintamos que seguiremos nosso líder e diremos também, em nosso coração, que está certo, que essa é a palavra do Senhor para nós. Está escrito nas escrituras: "Não matarás", e, no entanto, muitas vezes, logo em seguida, o Senhor disse a seu povo que fosse à batalha e matasse todo o povo em certos lugares, por causa de sua corrupção. Ele detém o poder da vida e da morte, e o que ele diz é certo, e o que ele revela por meio de seus servos, os profetas, quando estes detêm as chaves de que tenho falado, e os profetas são por ele guiados, o que dizem é certo, não importa o que possamos pensar ou sentir. Não é certo que nos envolvamos em derramar sangue humano por vingança ou represália. Mas, quando o Senhor ordena ou inspira seus servos a aconselhar os filhos e filhas de Israel a prestar seu auxílio na obra de uma guerra justa, isso é diferente. O Senhor nos disse o que podemos fazer, em nosso próprio caso, quando nossos inimigos vierem sobre nós: devemos perdoá-los, se se arrependerem. Se não se arrependerem, devemos perdoá-los duas, três e até quatro vezes, mas, quando persistirem em sua obra maligna, não devemos ceder, nem permitir que nós mesmos e nossas liberdades sejamos pisoteados. Devemos levantar-nos em nosso poder e em nossa força e marchar para a vitória; não com o desejo de derramar sangue, não com o desejo de destruir nossos semelhantes, mas em legítima defesa e porque de fato desejamos manter e transmitir à nossa posteridade aqueles sagrados princípios de liberdade que foram revelados do alto. Consideremos isso sob essa luz, e não haverá, penso eu, nada a censurar em nossos irmãos que aconselham nossos rapazes a entrar nos exércitos dos Estados Unidos e a obedecer aos oficiais comandantes colocados sobre eles, seja qual for o rumo a que isso os leve.

Alegra-me o coração que tantos de nossos bons rapazes estejam dispostos a se levantar em defesa de seu país, e em defesa de seus lares, pois é a isso que se resume o que estão fazendo. Se permitirmos que a tirania e a opressão avancem, desenfreadas entre as nações, e derrubem estes grandiosos princípios que nos trouxeram tanta liberdade e tanto poder e influência na terra, ora, seremos pisoteados, e estas bênçãos que desfrutamos e desejamos estender às nações serão lançadas ao pó, e vencidas pelos poderes do mal. O poder de Satanás é grande na terra hoje. Tem se acumulado ao longo dos séculos que passaram, por meio das experiências que os poderes do mal obtiveram ao "reinar nos corações dos filhos da desobediência." Mas o tempo está próximo em que esse poder será derrubado, e Satanás será amarrado, e suas hostes com ele, no lugar de banimento preparado para eles, e a terra será libertada daquela escravidão que veio e entrou no mundo quando nossos primeiros pais quebraram o mandamento de Deus. A terra também teve suas experiências, e vem o tempo em que ela será libertada da servidão, tanto espiritual quanto fisicamente, e será redimida da escravidão e das trevas, e o amor, a luz e a liberdade prevalecerão sobre a face de todo o globo, e Jesus Cristo será nosso líder e nosso rei, e o único rei diante de quem nos curvaremos.

Nossos Guias: os Ensinamentos dos Profetas Antigos e Modernos

Ora, irmãos e irmãs, isso é bastante importante, e no que diz respeito às escrituras — creio nas escrituras, creio que o livro sagrado chamado Bíblia — tanto o Antigo Testamento quanto o Novo Testamento — contém a palavra de Deus. Não penso que tudo o que nele está escrito seja a palavra de Deus, nem penso que algum de nós o pense, suponho, porque nele há as palavras do diabo, e as palavras de homens ímpios, e as palavras de mulheres ímpias; mas aquilo que nele é revelado como palavra de Deus é, é claro, verdadeiro, e os princípios fundamentais revelados para a obediência da família humana são todos verdadeiros. Assim eram no princípio, assim são hoje, e assim serão para sempre. As doutrinas da fé no Deus vivo e verdadeiro, e em Jesus Cristo, a quem ele enviou, e do arrependimento do mal, do afastamento do mal em direção ao bem, e do batismo para a remissão dos pecados, para purificar o pecador arrependido e crente, e da imposição das mãos para a concessão do dom do Espírito Santo, e da ressurreição dos mortos, e do juízo eterno — estes estão entre os primeiros princípios dos oráculos de Deus, conforme nos é ensinado na Epístola aos Hebreus, e permanecem para sempre. Assim eram desde o próprio princípio; foram ensinados a nosso pai Adão e a nossa mãe Eva, depois de expulsos do jardim por sua desobediência, e foram transmitidos até o tempo em que o povo demonstrou que não os receberia, e então o Senhor acrescentou a lei por meio de Moisés, como aio, para conduzi-los a Cristo, aos princípios originais de vida e salvação. Os filhos de Israel, sob Moisés, assim lemos, foram batizados "na nuvem e no mar", e participaram daquela rocha espiritual que os seguia, rocha essa que era Cristo. Mas, por causa da dureza de seu coração e de sua desobediência àqueles princípios mais elevados, o Senhor lhes deu a lei menor, que entre eles permaneceu por muito tempo. E então veio Jesus, nosso Redentor, como "o Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade", e reintroduziu os princípios mais elevados da salvação, e aqueles que obedeceram receberam os benefícios deles, como lemos no Novo Testamento.

É o mesmo nestes últimos dias, onde quer que este evangelho restaurado seja pregado, e o povo o receba e lhe seja obediente, e recebam as bênçãos que lhe pertencem. Nós, velhos missionários, temos comprovado isso por nossa experiência em muitas terras. Onde quer que tenhamos ido com o evangelho e pregado a fé, o arrependimento e o batismo, e o poder e o dom do Espírito Santo, e a obediência a cada palavra que sai da boca de Deus, e o povo se tenha curvado a isso, não importa quão bem ou quão mal pregássemos, quão simples fôssemos, quão iletrados fôssemos, quando receberam estes princípios, o poder de Deus acompanhou nossas administrações, o Espírito Santo foi dado aos crentes arrependidos que foram batizados, e os dons do evangelho de que lemos nas antigas escrituras também os acompanharam; os enfermos foram curados; grandes e maravilhosas manifestações do poder de Deus, física e espiritualmente, foram concedidas. Sei disso por minha própria experiência. Não quero tomar tempo relatando detalhes destas coisas, mas sei que cada dom, bênção e poder de que falam as antigas escrituras como decorrentes da obediência ao evangelho de Cristo, tem acompanhado a pregação e a obediência a ele nestes últimos dias, e damos a glória a Deus pelas manifestações de seu poder e pela divindade desta obra.

Na igreja cristã primitiva havia muitas pequenas coisas que precisavam ser feitas que hoje não precisamos fazer, e há muitas coisas nestes últimos dias que precisamos fazer das quais eles então nada sabiam. Mas, quando temos um homem, como temos agora, e como temos tido desde os dias do Profeta Joseph até hoje, para nos liderar e nos dirigir, é isso que se deve fazer, não importa se foi feito assim antigamente. Por exemplo, Paulo disse ao povo em seus dias, ao escrever a Timóteo, que um bispo devia ser irrepreensível; devia ser marido de uma mulher; isto é, entendemos que ele quis dizer que devia ao menos ter uma esposa. Às vezes temos bispos que não têm sequer uma esposa. Pois bem, é certo manter um homem como bispo quando ele não tem esposa alguma? Sim, se o homem à cabeça diz que está certo, que ele é o homem certo. Ele arranjará esposa a seu tempo — sem dúvida arranjará, se for "o homem certo no lugar certo." Ora, há alguma contradição nisso? Absolutamente nenhuma. Por quê? Porque o homem que está à nossa cabeça tem toda a autoridade, e um pouco mais do que tinha Paulo quando viveu na terra. Assim também quanto a outras pequenas questões. Alguns críticos perguntam às vezes: "Por que tendes jovens, até mesmo meninos, como diáconos, quando o Novo Testamento ensina que um diácono deve ter uma esposa? Como é que tendes diáconos que não têm esposa alguma, e talvez nem idade suficiente para se casar?" Pois bem, porque essa é a ordem hoje, e é tão boa quanto a ordem que era comum antigamente. Quem deu a ordem? Ora, um homem que tinha autoridade na Igreja em determinadas localidades, e suponho que, se conhecêssemos as circunstâncias que então existiam, entenderíamos exatamente por que aquela declaração foi feita. Hoje estamos sob outras circunstâncias, e é uma coisa esplêndida e boa ter nossos jovens e meninos, recém-saídos da infância para a juventude, treinados no Santo Sacerdócio, e por isso lhes damos aquele ofício no Sacerdócio Aarônico que chamamos de Diácono. É um ofício no Sacerdócio Aarônico, e neles são treinados, devem ser treinados, até estarem preparados para receber os graus mais elevados naquele sacerdócio, ou serem promovidos ao Sacerdócio de Melquisedeque.

Estas coisas foram reveladas com maior clareza, com mais detalhe, e com mais poder, autoridade e influência do que as coisas de que lemos no Antigo Testamento ou no Novo. E a Igreja está hoje organizada pelo dom e pelo poder de Deus, por revelações diretas do alto, não tiradas de livros. E o poder e a autoridade estão aqui, e devemos seguir nosso líder, e o que ele diz é certo; ele não se desvia das coisas que Deus revelou. Ora, pois, se apenas fixardes bem esse princípio em vossa mente, irmãos e irmãs — ou aqueles poucos irmãos e irmãs que não o percebem, pois creio que a maioria de vós o percebe —, isso resolveria uma boa quantidade de dificuldades que surgem. Explicações são muitas vezes pedidas a respeito de alguma questão levantada por alguém em nossas classes. Estas classes que tendes para a leitura das escrituras, antigas e novas — não vos esqueçais das escrituras novas ou dos últimos dias. Estas classes devem estudar a Bíblia, e o Novo Testamento, e o Livro de Mórmon, e Doutrina e Convênios; elas devem ser mantidas, estão certas; mas, amigos, não levanteis questões para provocar controvérsia, para mostrar quão espertos sois, só porque podeis encontrar alguma discrepância entre algo que foi dito antigamente e algo que foi dito em tempos recentes. Meu ponto é simplesmente este: que esta Igreja a que pertencemos é uma nova dispensação; a "dispensação da plenitude dos tempos", e que tudo o que era essencial nas dispensações anteriores está aqui, bem entre nós, e um pouco mais.

O Senhor prometeu que revelaria coisas ocultas desde a fundação do mundo. Que fareis a esse respeito, se quiserdes que tudo se conforme ao que estava em voga antigamente? Ora, não penseis, nem por um momento, que desejo dizer algo contra as escrituras. Cremos nelas; tenho-as citado livremente. Já venci, muitas e muitas vezes, disputas com pessoas que se opunham, porque entendia algo das escrituras. Creio na Bíblia, creio no Antigo Testamento e no Novo, e creio no Livro de Mórmon, e creio em Doutrina e Convênios, e na Pérola de Grande Valor. Tenho-os lido, ponderado e orado a respeito deles; mas a coisa real e essencial nestas observações é que os oráculos vivos estão hoje na Igreja, e o homem que está à cabeça como nosso líder tem toda a autoridade e o poder, as chaves e os dons, para liderar o povo, que jamais existiram na terra no Sacerdócio. Sejamos, pois, gratos por isso e sejamos por isso guiados. Algumas pessoas querem que façamos hoje tudo o que os antigos apóstolos indicaram para seus próprios dias. Sabeis que Paulo escreveu a Timóteo e lhe disse que "usasse um pouco de vinho por causa do estômago e das frequentes enfermidades." Disse ele: "não bebas mais água somente." Ora, nós não dizemos isso. Usamos água; usamo-la no sacramento; usamo-la em nossas refeições; é o melhor elemento que se pode ter para beber. Pois bem, devemos usar um pouco de vinho por causa do nosso estômago e de nossas frequentes enfermidades? Havia uma velha senhora que eu costumava ver frequentemente no estrangeiro, e ela costumava guardar um pouco de vinho — talvez fosse algo um pouco mais forte, não sei. Ela costumava tomar um golinho de vez em quando. "Por que fazeis isso, irmã?", perguntei eu. "Ora, irmão", disse ela, "eu faço isso porque Paulo ensinou, eu faço isso por causa das minhas fermidades." Ela pensava que tinha todo tipo de enfermidade, e a essas chamava de suas "fermidades." Tomava um pouco de vinho por causa dessas "fermidades." Ora, não somos obrigados a fazer isso só porque Paulo aconselhou Timóteo a fazê-lo. Certo abstêmio famoso, quando lhe perguntaram por que não seguia o conselho de Paulo, respondeu: "Bem, em primeiro lugar meu nome não é Timóteo, e, em segundo lugar, não tenho enfermidade alguma", e por isso estava disposto a usar água. Menciono isso apenas a título de ilustração.

Lembro-me de um homem que levantou uma controvérsia a respeito de Paulo ter dito a Timóteo: "A capa que deixei em Trôade, traze contigo." "Ora", disse ele, "que significa isso, essa capa?" "Ora", respondi eu, "significa uma capa, suponho; Paulo esqueceu sua capa, deixou-a para trás, junto com uns pergaminhos de que falava, e disse a Timóteo que a trouxesse junto com os documentos." Não precisamos agora discutir nada a respeito de ele precisar de uma capa, ou de trazer um pergaminho. Menciono isso apenas para mostrar como é tolo que as pessoas fiquem insistindo em algum texto do Novo Testamento ou do Antigo Testamento, e procurem criar controvérsias a respeito de aparentes contradições ou omissões presentes. Cremos em toda doutrina que está na Bíblia. Cremos na fé, cremos na esperança, cremos na caridade, cremos no amor, cremos na fidelidade, cremos na honestidade, cremos na veracidade, e em tudo o que é bom, verdadeiro e moral, a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias ensina e inculca, e nosso líder se destaca eminentemente nessas coisas, e podemos muito bem segui-lo.

Ora, não vos esqueçais de que estamos na Igreja — eu ia dizer nossa própria — bem, é a nossa Igreja, embora não nos pertença; nós é que lhe pertencemos. A Igreja é a Igreja de Cristo, ele a fez, ele a revelou, todas as palavras de Deus ao povo vieram por meio dele, e olhamos para ele como nossa cabeça viva. Mas nossa cabeça aqui na terra, em carne, é o homem que agora preside sobre nós, e esta Igreja é sui generis. Ela tem algo próprio a comunicar em sua própria época, e tudo o que precisamos para nossa orientação e direção nela virá por meio dos oráculos vivos. Seus ensinamentos estão em conformidade com os princípios e doutrinas, as ordenanças, a filosofia e as coisas contidas no Antigo Testamento e no Novo; mas, no que diz respeito às políticas, talvez tenhamos de mudar, porque as circunstâncias mudam, e isso é algo inteiramente diferente. Vivemos no presente e recebemos instruções adequadas ao presente.

Defendemos a Liberdade e a Libertação da Opressão

Ora, é uma coisa boa para nós, povo aqui em Utah, sendo parte deste grande governo, apoiá-lo no presente conflito. É o mais excelente sistema de governo na terra, não importam os defeitos das pessoas que nele estão, e de alguns dos que estão à cabeça dos assuntos em várias localidades — não há governo semelhante na terra, em seus princípios, e creio que eles se estenderão a todo o mundo. Posso ver, neste tumulto que ora ocorre, que os propósitos de Deus se cumprirão na extensão dos princípios de liberdade e de libertação da opressão, das verdadeiras formas de governo por todo o mundo. Se tiver de ser por meio da guerra, pois bem, terá de vir, é só isso. Não que amemos a guerra ou queiramos matar alguém, mas queremos defender nossos direitos, e os direitos de nossos vizinhos, e os direitos de nossos filhos e netos, e daqueles que virão depois de nós, para que possam desfrutar de todos estes gloriosos princípios, e para que possam estender-se a todas as terras, como creio que se estenderão. Que bênção é que o povo aqui tenha e demonstre fidelidade ao governo sob o qual vive! Cremos em seus princípios, que são dados por Deus. Queremos defendê-los, não importa como as circunstâncias possam exigir que o façamos, seja dedicando parte de nosso dinheiro, de nossa renda, seja permitindo que nossos filhos, e nossos irmãos, e nossos pais saiam a servir nos exércitos da nação, para defendê-la contra seus inimigos. Seja o que for, e o homem que está à nossa cabeça diz que é certo.

ficaremos ao seu lado, porque queremos ficar ao lado do que é certo. Essa é a ideia.

Nossa Obra e Chamado no Mundo

Ora, lembrai-vos de que esta é a Igreja estabelecida nos últimos dias, o início do reino que todos os profetas de Israel, e todos os videntes e sábios entre os gentios, e os filósofos e poetas do mundo previram, quando as nações da terra estariam unidas em um só laço. Que primeiro haveria guerras, e pragas, e destruição, e os ímpios matariam os ímpios, mas os princípios da liberdade prevaleceriam por fim, e o reino de Deus se espalharia por toda a terra, como Daniel viu na visão, e o caminho seria preparado para a vinda do legítimo rei, Jesus Cristo, nossa Cabeça. Aqueles dignos homens antigos talvez não tenham todos visto a respeito de Cristo, mas de fato previram o estabelecimento da paz sobre o fundamento da retidão. E agora nossa obra na terra, nosso chamado, e aquilo para que existimos, aquilo que estamos aqui na terra para fazer, é edificar a retidão, estabelecer a verdade, enviar e levar o evangelho às extremidades da terra, e reunir aqueles que amarão o Senhor e guardarão seus mandamentos, andarão em seus caminhos, serão batizados com seu batismo, e receberão o Espírito Santo, que ilumina a alma e conduz a humanidade à retidão e à obediência aos mandamentos de Deus. Essa é a nossa obra e missão.

Nossa Missão entre os Santos em Casa

Entre os Santos, é estabelecer harmonia e união, e não discórdia, não suscitar contendas por pequenos tecnicismos sobre antigos textos de escritura, ou textos modernos de escritura, mas receber a palavra de Deus em corações honestos e pô-la em prática em nossos lares, em nossas famílias, em nossas vizinhanças, onde quer que formos, levando conosco este Espírito divino que está sendo derramado do alto. Deus nos qualificará para toda tarefa. Sei disso por minha própria experiência. Sei que Deus de fato inspira seus servos, nos últimos dias, a realizar a obra para a qual são chamados, seja ela qual for, e que seu Espírito irá com eles onde quer que forem, na face da terra, se se conservarem limpos e sem mácula do mundo, e andarem em seus caminhos, e derem um exemplo digno de imitação.

Mas estou ultrapassando meu tempo, e por isso encerrarei minhas observações. Sou grato por estar aqui. Louvo a Deus, de quem procedem todas as bênçãos, por ter podido estar aqui hoje e ouvir aquelas palavras inspiradas que nos foram dadas esta manhã, e que Deus me ajude, e vos ajude, a continuarmos na fé, a servi-lo, a edificar seu reino, e a auxiliar na preparação do caminho para a vinda do Príncipe da Paz, nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoCharles W. Penrose, “Seguir os Oráculos Vivos e Defender a Liberdade”, Conferência Geral de Outubro de 1917, Sessão da Tarde do Primeiro Dia (1917-10-05). Pulpit Vault, 1917-10-06-charles-w-penrose-remarks-6. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).