O Poder do Espírito Santo Vem
David O. McKay
O poder que motivou os comentários inspiradores daqueles que vos dirigiram a palavra esta manhã foi manifesto em Éfeso, numa ocasião em que Paulo encontrou ali doze homens que haviam seguido Apolo. Ele lhes disse: "Recebestes vós já o Espírito Santo quando crestes?" E eles disseram-lhe: "Nós nem ainda ouvimos que haja Espírito Santo." "Em que, pois, ¶
sois batizados então?" E eles disseram: "No batismo de João." Então Paulo disse: "Certamente João batizou com o batismo do arrependimento, dizendo ao povo que cresse no que após ele haveria de vir, isto é, em Jesus Cristo." ¶
Havia sete filhos de um certo Ceva, que viviam fingindo praticar as artes de mágico. Quando viram que Paulo, pelo poder de Deus, operava milagres, tentaram fazer o mesmo. Ordenaram ao espírito maligno que estava num homem que saísse, em nome de "Jesus a quem Paulo prega". Mas o espírito maligno disse: "Conheço Jesus, e bem sei quem é Paulo; porém vós quem sois?" E o homem em quem estava o espírito maligno saltou sobre os sete filhos de Ceva, e eles fugiram daquela casa, nus e feridos. Há homens hoje em dia que percebem que este poder se manifesta na Igreja, mas não conhecem sua origem — pelo menos não reconhecerão sua origem — não mais do que Simão, que recebeu a repreensão de Pedro, nem mais do que os sete filhos de Ceva, que tentaram usá-lo sem a devida autoridade. ¶
Recordo-me agora de um homem que dedicou vários anos da melhor parte de sua vida, e concentrou seus talentos, num esforço para refutar a divindade desta obra. Ele estava, numa ocasião, visitando os membros de sua diocese, e ali encontrou o presidente de estaca e, em conversa, disse: "Embora eu fale assim contra vossa Igreja, há nela algumas coisas que considero muito aceitáveis, e que hei de me empenhar em introduzir em nossa Igreja." "Quais são?" perguntou o presidente. "Bem, há o vosso sistema de dízimo. Creio que esse é o método adequado de arrecadar as ofertas da igreja; penso que é o caminho certo." "Bem," disse o presidente, "por que não fazeis vosso povo pagar o dízimo?" Ele respondeu com franqueza: "Gostaríamos que pagassem, mas não pagam." "Que outra característica há?" perguntou o presidente. "Há o vosso trabalho missionário. Penso", disse ele, "que a oportunidade que dais a vossos jovens de sair e pregar aquilo que consideram a verdade é a maior oportunidade que pode chegar a qualquer jovem." "Por que não ofereceis esse privilégio a vossos jovens?" "Gostaríamos, mas eles não vão", foi sua resposta. ¶
Contrastai isso com a experiência de um jovem que deixou esta cidade há cerca de três semanas, a primeira vez, praticamente, que esteve ausente de casa. Foi criado na Igreja, formado nas escolas dominicais e outras organizações auxiliares, com um curso em nossa escola da Igreja, e dois anos na Universidade, tendo agora mal completado vinte anos. Quando seu chamado chegou, ele o aceitou sem hesitação. Quando lhe disse "adeus", a ele e a seus companheiros, ao embarcarem na Union Pacific, em Ogden, há apenas três semanas, ele mal conseguia falar, e quando por acaso mencionei sua mãe, ele simplesmente desatou em lágrimas e soluçou. Mas, embora estivesse indo para um mundo desconhecido, para ele, entre estranhos, ele se alegrava em sua alma — grato por ter sido considerado digno de representar sua Igreja. Foi enviado à Missão dos Estados do Leste, recebendo sua designação para uma pequena cidade perto de Pittsburg, pouco distante daquela grande cidade. Quando chegou, não havia ninguém para recebê-lo. Fez algumas indagações sobre o endereço que lhe haviam dado, e do qual os élderes se haviam ¶
mudado. Ali estava ele, sozinho na cidade de Pittsburg. Foi a algumas casas da vizinhança, perguntando se sabiam algo dos élderes "mórmons" que ali haviam estado recentemente, e por acaso encontrou um homem que dirigia uma missão ali. O homem olhou para ele, viu quão jovem e inexperiente parecia, e disse: "Estás envolvido em trabalho missionário?" E o jovem élder respondeu: "Sim, espero estar em breve." Seguiu-se então uma conversa de cerca de trinta minutos, e o missionário da outra igreja disse: "Gostaria que viesses falar em nossa sede de missão no próximo domingo, se prometeres não dizer ao povo quem és." O jovem respondeu, trêmulo: "Irei de bom grado à vossa missão, mas devo dizer ao povo quem sou." O ministro evidentemente ficou impressionado com o espírito do jovem élder, mas não podia suportar que isso fosse rotulado de "mormonismo". ¶
O poder que guia esse jovem, hoje, e milhares de outros por todo o mundo, no campo missionário e aqui em casa, é o poder do Espírito Santo, que vem sobre aqueles que aceitam os princípios e as ordenanças do evangelho, administrados por homens divinamente designados nas coisas pertencentes a Deus. ¶
É nosso dever, meus cooperadores, provar ao mundo, por nossos atos, que Deus reconhece esta Igreja como Sua, e está disposto a conceder Seu Espírito àqueles que O servem diligentemente. Regozijo-me neste serviço, no testemunho desses homens que sabem, como vós sabeis, que Deus falou novamente dos céus, e que Ele vive para nos abençoar, a nós, Seus filhos. Que a paz desta reunião permaneça em nossas almas para sempre, ¶
Oro em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶