Os profetas predisseram os juízos derramados
Joseph Fielding Smith
Meus irmãos e irmãs, confio que, nesta manhã, eu possa ser guiado pelo Espírito do Senhor naquilo que vos disser, para que esteja em harmonia com o que foi dito durante as sessões desta conferência. Sinto-me levado a endossar plenamente as observações feitas pelos irmãos. Fomos instruídos nos princípios do evangelho; fomos ensinados quanto ao nosso dever como membros da Igreja; fomos admoestados, guiados e ajudados, se apenas colocarmos em prática as coisas que ouvimos. Sei que esta é a obra do Senhor; que este povo aqui reunido é povo que fez convênio com ele de guardar seus mandamentos, e que saiu do mundo, dentre as várias nações, e bebeu livremente das águas da vida, aceitando o evangelho de nosso Senhor. Com o Irmão Ivins, que acaba de falar, posso testificar que, quando o Senhor vier, encontrará fé na terra. Essa fé, porém, que ele encontrará, estará ¶
limitada a uma porção muito pequena dos habitantes da terra. Ele não encontrará fé nas nações estrangeiras, em grau digno de nota; não encontrará fé entre os povos da terra que não receberam o evangelho tal como foi restaurado, mas haverá fé entre aqueles da casa de Israel que foram reunidos dentre as nações e que se arrependeram de seus pecados e receberam a mensagem que veio por meio do Profeta Joseph Smith. ¶
Lamento muito que a maior parte da terra esteja, neste momento, em tumulto; que as grandes nações estrangeiras estejam em guerra e em tão mortal conflito. Não obstante, compreendo que estes são juízos que vieram sobre essas nações, que se afastaram do evangelho do Senhor e não se arrependeram de seus pecados, e não hão de dar ouvidos à mensagem dos élderes de Israel. Estes juízos, agora derramados sobre as nações, foram preditos pelos profetas, e vêm por causa das iniquidades que existem na terra. Se o povo fosse de uma só mente, se fosse de um só coração, se vivesse o evangelho de nosso Senhor tal como ele nos instruiu a vivê-lo, tais condições não poderiam de forma alguma prevalecer. O Senhor declarou que, a menos que sejamos um, não somos dele, e, onde seu evangelho tomou posse do povo, não pode haver tal amargura de sentimentos, contenda e derramamento de sangue, como encontramos hoje na maior parte da terra. A condição presente do mundo é evidência incontestável de que o poder e a pureza do evangelho não se encontram em suas igrejas, e de que não estão em comunhão com o Senhor. ¶
Desejo ler-vos alguns versículos do segundo capítulo do livro de Éter e, se assim for permitido, desejo fazer alguns comentários a respeito dessas expressões. Estas são as palavras do Senhor a seu profeta, muitos séculos antes do advento de nosso Salvador na terra, referindo-se a esta terra em que habitamos: ¶
"E o Senhor não permitiu que se detivessem do outro lado do mar, no deserto" [isto é, o povo de Jarede], "mas fez com que viessem para a terra da promissão, que fora escolhida entre todas as outras terras e que o Senhor Deus preservara para um povo justo. ¶
"E em sua ira havia jurado ao irmão de Jarede que todos os que habitassem esta terra da promissão, daquele tempo em diante e para sempre, deveriam servir a ele, o verdadeiro e único Deus, ou seriam varridos quando sobre eles caísse a plenitude de sua ira. ¶
"E agora podemos ver os decretos de Deus relativos a esta terra, que é uma terra de promissão; e toda nação que a habitar deverá servir a Deus ou será varrida quando a plenitude de sua ira cair sobre ela. E a plenitude de sua ira cairá sobre ela quando houver amadurecido em iniquidade. ¶
"Porque eis que esta é uma terra escolhida entre todas as outras terras; portanto, aquele que a habitar deverá servir a Deus ou será varrido, porque este é o eterno decreto de Deus. E não serão varridos até que a iniquidade entre os filhos da terra chegue à plenitude. ¶
"E isto chega a vós, ó gentios, para que conheçais os decretos de Deus, para que vos arrependais e não continueis em vossas iniquidades até que venha a plenitude; para que não chameis a plenitude da ira de Deus sobre vós, como os habitantes da terra têm feito até agora. ¶
"Eis que esta é uma terra escolhida; e qualquer nação que a habitar se verá livre da servidão e do cativeiro e de todas as outras nações debaixo do céu, se apenas servir ao Deus da terra, que é Jesus ¶
Cristo, o qual foi manifestado pelas coisas que escrevemos." ¶
Estas palavras foram registradas pelo Profeta Morôni, ao testificar a respeito destas coisas que o Senhor declarou ao irmão de Jarede, e, comentando sobre elas, depois da destruição dos jareditas e também de sua própria raça, os nefitas, Morôni escreveu, para benefício dos gentios que, num futuro distante, haveriam de possuir a terra, que também eles estariam em perigo de destruição; que também eles seriam varridos da face da terra, se praticassem iniquidade e recusassem dar ouvidos à voz do Deus desta terra, que é Jesus Cristo. Desejo levantar minha voz em advertência aos Santos dos Últimos Dias, e não somente a eles, mas a todo o povo deste continente americano, e a todo o mundo, de que estas predições se cumprirão, se o povo desta terra continuar até que sua taça se encha, sem arrependimento em suas práticas abomináveis, e em sua iniquidade e sua oposição aos ensinamentos do Filho de Deus e a seus mandamentos, à medida que essa oposição cresce neste momento. Nós, Santos dos Últimos Dias, recebemos o evangelho restaurado e fizemos convênio com o Senhor de que o serviremos e o aceitaremos como o Deus desta terra. Não obstante, quero chamar-vos a atenção para o fato de que os costumes do mundo se infiltraram entre nós e estão se estabelecendo no meio do povo de Sião. Aqui mesmo, nesta cidade, que outrora foi de fato uma cidade dos Santos, mas já não o é, podem ser encontradas todas as formas de abominação e iniquidade. As ideias, as teorias, as modas e a impiedade do mundo, seus pecados e práticas más, encontram-se dentro dos ¶
limites de nossas cidades. A menos que estejamos em guarda, estamos em perigo constante. Este povo, que está sob solenes convênios de guardar os mandamentos do Senhor, é ameaçado pelos pecados e abominações mundanas desta geração, e muitos entre nós correm o risco de ser desencaminhados, a menos que mantenhamos vigilância cuidadosa e os cerquemos por todos os meios ao nosso alcance. Fomos chamados para fora do mundo, para o reino de Deus, e, embora ainda estejamos no mundo, não somos do mundo, no sentido de estarmos sob qualquer necessidade de participar de seus costumes e modas más, de suas loucuras, falsas doutrinas e teorias, que estão em conflito com o espírito da verdade. ¶
Hoje é o dia de sábado, e, contudo, nesta cidade, os teatros, os cinemas e os locais de diversão funcionam a todo vapor, como acontece em todos os dias de sábado durante todo o ano, por causa do egoísmo dos homens e de seu desprezo ao mandamento do Senhor de obedecer à sua lei e guardar santo o seu dia. Somos afligidos não somente por estas tentações, mas elas nos chegam de muitas outras formas, e, se não estivermos vigilantes, corremos o risco de perder o Espírito do Senhor e cair em transgressão, cedendo a tentações que possam não nos parecer de grande importância. Mas as pequenas coisas conduzem a coisas maiores, e, passo a passo, somos arrastados para longe daquilo que é reto e justo, e, gradualmente, ficamos cegos à verdade. O Senhor nos chamou a ser um povo de mente sóbria, não dado a muito riso, frivolidade e leviandade, mas a considerar de maneira ponderada e completa as coisas de seu reino, para que estejamos preparados em todas as coisas a compreender as gloriosas ¶
verdades do evangelho, e preparados para as bênçãos por vir. Permiti-me ler um versículo de Doutrina e Convênios. Este é o mandamento do Senhor aos Santos dos Últimos Dias: ¶
"Lembrai-vos da grande e última promessa que vos fiz; rechaçai vossos pensamentos ociosos e vossos risos excessivos." E, mais adiante, na mesma seção — li de Doutrina e Convênios 88:69; agora leio do versículo 121: "Portanto, cessai todas as vossas conversas levianas, todo riso, todas as vossas concupiscências, todo orgulho e frivolidade e todas as vossas ações iníquas." Esta é a palavra do Senhor aos Santos dos Últimos Dias. Creio ser necessário aos Santos ter diversão, mas ela deve ser do tipo apropriado. Não creio que o Senhor pretenda e deseje que façamos cara comprida e pareçamos beatos e hipócritas. Penso que ele espera que sejamos felizes e de semblante alegre, mas não espera de nós que nos entreguemos a conduta ruidosa e imprópria, e à busca das coisas vãs e tolas que divertem e entretêm o mundo. Ele nos ordenou o contrário, para nosso próprio bem e bem-estar eterno. ¶
Deploro o fato de que estas danças modernas, algumas das quais tiveram origem em lugares pouco recomendáveis, tenham vindo para o nosso meio. Lamento imensamente o baile público, que, a meu ver, em seus resultados nocivos, na destruição da boa moral e da virtude, só perde para a taberna. Esse mal está crescendo e criando raízes nas estacas de Sião, nas comunidades dos Santos dos Últimos Dias. Há hoje um excesso de dança. Em algumas comunidades, uma ou duas por semana, o que não é bom, por mais inocente que a dança possa ser. Nesses salões públicos de dança, que são administrados para gerar dinheiro, o povo, em algumas localidades, sem considerar o caráter ou a reputação do indivíduo, permite que qualquer um entre sem restrição, desde que pague o preço da entrada. Este é um costume abominável, e não deveria ser tolerado pelos membros da Igreja nas povoações sob seu controle. ¶
O mundo está à deriva. Não creio, não posso sentir, ao ler os sinais dos tempos, ao ponderar sobre as coisas que se apresentam à minha consideração, que este mundo esteja melhorando; não o creio nem por um instante. Creio que estamos à deriva. Muitas coisas são toleradas hoje que não teriam sido toleradas por um instante sequer vinte anos atrás. Novos problemas surgiram, com os quais agora devemos lidar, e que nem sequer sonhávamos, mesmo nos dias de minha juventude. Temos hoje, no mundo, males a combater que vieram a existir por meio da invenção e da descoberta modernas, tais como o cinema, os passeios de automóvel por diversão, e os meios rápidos de transporte de um lugar a outro, como meio de buscar prazer tanto durante o dia quanto durante a noite. O cinema deveria ser de grande valor na educação e instrução do povo, e poderia ensinar-nos história, geografia e ciência, da melhor forma possível, se apresentado adequadamente, mas, ao contrário, é, em grande parte, controlado por homens inescrupulosos, que oferecem ao público uma torrente de material miserável, que excita suas paixões e apela ao lado mais baixo do homem. ¶
Vivo numa das principais artérias desta cidade, e, a todas as horas da noite, sou perturbado, e meus vizinhos são perturbados, ao ouvir as risadas estridentes e as brincadeiras obscenas de homens e mulheres em farra, quando passam pela rua em estado de embriaguez — julgo que estejam embriagados, porque não creio, nem por um instante, que alguém em sobriedade pudesse conduzir-se de maneira tão vergonhosa quanto o fazem. Devemos lidar com todas essas coisas. Não digo que sejam Santos dos Últimos Dias os que fazem isso; claro que não são. Não digo que sejam membros da Igreja, mas quero dizer que penso que os pais em Israel deveriam proteger seus filhos, deveriam exercer um pouco mais de vigilância sobre eles, deveriam dar-lhes um pouco mais de atenção, e treiná-los um pouco mais cuidadosamente nos princípios do evangelho, tanto pelo preceito quanto pelo exemplo. As crianças não deveriam ter permissão para ir, desprotegidas e sem acompanhamento adequado, a locais de diversão, não importa onde, nem quão inofensiva possa ser a diversão. Um pouco mais de supervisão, quanto a isso, seria muito melhor nos lares dos Santos dos Últimos Dias. Chamo a atenção para estes assuntos como advertência, porque estes males prevalecem em nosso meio, e estamos sob a necessidade de enfrentá-los e superá-los. Nossos filhos terão de ser ensinados a discernir entre o bem e o mal, do contrário, em muitos aspectos, não conseguirão compreender por que não têm permissão de entregar-se a práticas comuns entre seus vizinhos. A menos que sejam instruídos nas doutrinas da Igreja, talvez não compreendam por que há algum mal no concerto de domingo, num teatro de domingo, num cinema, num jogo de bola, ou coisa semelhante, ¶
quando seus companheiros de brincadeira, sem restrição e com encorajamento, entregam-se a estas coisas proibidas pelo Senhor em seu dia santo. Os pais são responsáveis pelo devido ensino de seus filhos; o Senhor condenará os pais se seus filhos crescerem fora da influência dos princípios do evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo. Quero ver a retidão prevalecer por toda Sião. Não creio que seja, de forma alguma, necessário participarmos de todas as noções e costumes do mundo. Devemos dar nossa atenção, um pouco mais seriamente, às coisas do reino de Deus. Vivemos nos últimos dias, quando, foi predito, viriam tempos perigosos. Estes tempos perigosos estão aqui, fato que deve levar-nos a uma reflexão cuidadosa. ¶
Permiti-me dizer que estas passagens das escrituras que li do Livro de Mórmon são verdadeiras, e que esta nação não está isenta, e o povo, se continuar a seguir o curso do mal e da impiedade que agora trilha, será, por fim, punido. Se continuarem a desprezar a voz de advertência do Senhor, negar seu Redentor, afastar-se de seu evangelho para fábulas e falsas teorias, e rebelar-se contra tudo o que ele, por meio de seus servos, declarou nestes dias para a salvação do homem; e se aumentarem na prática da iniquidade, quero dizer-vos que, se fizerem essas coisas, os juízos do Senhor virão sobre esta terra, e esta nação não será salva; não seremos poupados da guerra, da fome, da peste, e, por fim, da destruição, como nação. Portanto, faço um apelo ao povo, não somente aos Santos dos Últimos Dias, mas a todos, por toda esta terra, ¶
que se arrependam de seus pecados e aceitem o Senhor Jesus Cristo, que é nosso Redentor e o Deus desta terra. Afastai-vos de vossos maus caminhos, arrependei-vos de vossos pecados, e recebei a plenitude do evangelho pelas águas do batismo e da obediência, para que os juízos que hão de ser derramados sobre os ímpios passem por cima de vós. Regozijo-me na verdade. Sou muito grato pelo conhecimento que tenho de que esta é a obra do Senhor, estabelecida pela última vez, para jamais ser destruída ou entregue a outro povo. Desejo mostrar-me fiel, e ensinar outros a fazerem o mesmo. ¶
Quanto a estes outros males de que falei, chamam-me a atenção para o fato de que há outro, cujos efeitos são muito, muito nocivos. Trata-se do jogo de cartas, ao qual, lamento dizer, alguns membros da Igreja se entregam. Fomos ensinados, durante toda a vida, que o jogo de cartas não é bom e é contrário à ordem e à disciplina da Igreja. As autoridades têm feito apelo ao povo, e isso está publicado em nossas revistas, para que se abstenha desse mau hábito. Não obstante tudo isso, encontramos entre nós alguns que consideram o jogo de cartas um passatempo bastante inofensivo. Não é inofensivo, mas muito nocivo. Demonstra falta de obediência aos conselhos do Senhor, da parte dos membros que se entregam a esse mal, e, se nada mais se pudesse dizer a esse respeito, é, ao menos, um desperdício muito pernicioso de tempo, que poderia ser empregado em alguma ocupação melhor. Creio no esporte físico, creio na recreação e na diversão do tipo benéfico ao corpo e à mente do homem, e que o lazer do tipo apropriado é bom e deve ser praticado às vezes, ¶
especialmente por aqueles cujo trabalho é tal que não obtêm o exercício físico necessário para seus corpos. Não creio no desperdício de tempo valioso, praticando qualquer coisa condenada pelas autoridades da Igreja, à medida que dão o conselho tal como lhes chega pela inspiração do Espírito do Senhor. Os Santos dos Últimos Dias deveriam depositar sua confiança em seus líderes, e seguir os ensinamentos das autoridades da Igreja, pois estas lhes falam com a voz da profecia e da inspiração. O Senhor declarou, na própria primeira seção de Doutrina e Convênios, que, seja falando por sua própria voz, seja pela voz de seus servos, é o mesmo. Portanto, estamos sob a mesma grande responsabilidade e obrigação de dar ouvidos à voz daquele que está à frente para ensinar o povo, ou de escutar a voz dos élderes de Israel, à medida que levam ao povo a mensagem da verdade, como estaríamos se o Senhor enviasse de sua presença um anjo, ou se ele mesmo viesse declarar-nos estas coisas. ¶
Ora, irmãos e irmãs, sejamos humildes, sejamos fiéis, sejamos leais a toda confiança, e desincumbamo-nos como membros fiéis desta Igreja, e trabalhemos diligentemente no reino de Deus, é minha oração, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶