Pulpit

A Essencialidade da Revelação de Deus a

Reed Smoot

Conferência Geral de Abril de 1915·Sessão da Manhã do Segundo Dia·1915-04-05

Na bela oração oferecida na abertura desta, a octogésima quinta conferência anual de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, o Irmão McMurrin pediu que a revelação da mente e da vontade de nosso Pai Celestial fosse

dada à Primeira Presidência, e que o espírito de inspiração fosse dado àqueles que falam ao povo durante esta conferência. A oração impressionou-me, como sem dúvida impressionou outros, e fui lembrado do fato de que há poucas pessoas em todo o mundo que creem que Deus Se revela ao homem nesta época. Ninguém que tenha recebido o dom do Espírito Santo, após o batismo por alguém que possua a autoridade do santo Sacerdócio, deixará de saber que Deus pode revelar, e de fato revela, Sua mente e Sua vontade aos membros de Sua Igreja. Faz noventa e cinco anos que Deus Se revelou ao menino Joseph Smith, da maneira que o Irmão Clawson chamou a vossa atenção esta manhã, e dificilmente se poderia contar melhor do que nas simples e enérgicas palavras do próprio Profeta. Esta visitação do Pai e do Filho a Joseph Smith foi a abertura de uma nova dispensação. Aquela maravilhosa passagem na Epístola de Tiago: "E se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, sem repreensão, e ser-lhe-á dada", foi a passagem da Bíblia que impeliu o menino à ação. Foi por causa de sua fé, de sua confiança de que havia um Deus, que ele se retirou ao bosque e suplicou ao Pai para conhecer Sua vontade a respeito das igrejas então organizadas no mundo. Daquele momento em diante, os céus se abriram para ele, não selados aos filhos de Deus como universalmente se pregava, mas, pelo contrário, ficou evidente que Deus tinha tanto interesse pelo povo, e pelo estabelecimento de Sua Igreja nesta dispensação da plenitude dos tempos, quanto sempre teve em qualquer dispensação desde o princípio do mundo. A revelação, meus irmãos e irmãs, é um princípio fundamental do evangelho de Jesus Cristo. Não podemos negá-la, a menos que neguemos o próprio "mormonismo", como assim é chamado. Se Joseph Smith não recebeu uma revelação de Deus, e muitas delas, e se personagens celestiais não lhe apareceram, a ele e a outros, o "mormonismo" já teria fracassado há muito. Espero nunca me cansar de testificar que Deus de fato apareceu a Joseph Smith, que Ele estabeleceu Sua Igreja nesta, a última dispensação, para nunca mais ser derrubada ou dada a outro povo. Sempre haverá uma diferença no espírito das pessoas que creem neste grande princípio, sempre haverá uma diferença em sua vida, comparadas às pessoas que não creem nisso, e que afirmam que não existe tal coisa como Deus Se revelar ao homem. A nona de nossas Regras de Fé declara: "Cremos em tudo o que Deus revelou, em tudo o que Ele revela agora, e cremos que Ele ainda revelará muitas coisas grandiosas e importantes relativas ao Reino de Deus."

Muitas vezes tenho dado a estranhos um cartão em que estavam impressas as treze Regras de Fé, e quantas vezes já me disseram: "Não há nada particularmente marcante nos artigos; a grande maioria dos cristãos crê nos princípios anunciados nos artigos, com exceção, talvez, de um" — aquele que acabo de citar-vos. Mas quero dizer-vos, meus irmãos e irmãs, que há outras das Regras de Fé em que eles não creem, ou pelo menos não compreendem nem entendem seu sentido pleno. A primeira é: "Cremos em Deus, o Pai Eterno, e em Seu Filho,

Jesus Cristo, e no Espírito Santo". Tomo por certo que quase todos neste ajuntamento hoje estavam presentes ontem, quando nossa crença em Deus, em Seu Filho Jesus Cristo e no Espírito Santo foi tão claramente exposta, e creio, de todo o meu coração e alma, nas doutrinas ensinadas pelo Irmão Penrose. Quando estranhos me disseram: "Cremos em Deus, o Pai Eterno", tenho respondido: "Sim, até onde o compreendeis; mas nossa ideia, nossa concepção de Deus, nos leva a crer que Ele é um Deus inteiramente diferente daquele em que credes, que, segundo dizeis, é um deus sem corpo, partes ou paixões." Não vou tomar o tempo dos irmãos e irmãs, neste culto matinal, para discutir esta questão, mas simplesmente digo, convosco, que o Deus a quem adoramos passou por toda a experiência pela qual agora estamos passando. Ele é um ser exaltado, uma personalidade, e predigo que virá o tempo em que, em vez de um punhado de pessoas crendo na personalidade de Deus, a grande maioria do povo do mundo reconhecerá esse fato.

Talvez a questão da revelação não possa ser exposta de maneira mais clara, transmitindo o sentimento de centenas de milhares de pessoas deste país, do que foi transmitida na declaração do Sr. Taylor, que promoveu o que é conhecido como "o caso Smoot", com vistas a expulsar-me do Senado dos Estados Unidos. Em seu resumo do depoimento, e ao explicar por que eu deveria ser expulso daquele corpo, ele fez esta declaração:

"Várias centenas de milhares de homens e mulheres sinceros creram e agora creem, tanto quanto creem na própria existência, que Joseph Smith, Jr., recebeu revelações diretamente de Deus —

e, se alguém alguma vez creu nisso, devemos supor que o Senador Smoot o creia.

"Ora, um senador dos Estados Unidos poderia crer em qualquer outra coisa no mundo, menos nisso, e não ficar inelegível para um assento no corpo a que pertence. Poderia crer na poligamia, poderia crer que o assassinato era louvável, poderia negar a propriedade de uma regra de vida, de todos os dez mandamentos, poderia crer no sacrifício de vidas humanas, poderia não crer em Deus algum ou crer em mil deuses; poderia ser judeu ou gentio, maometano ou budista, ateu ou panteísta: poderia crer que o mundo começou no ano passado, e terminaria no próximo ano: mas crer, com o tipo de convicção que Reed Smoot possui, que Deus lhe fala, ou pode falar-lhe, é admitir, pela lógica inevitável de sua convicção, que há uma autoridade superior com quem, aqui e agora, ele pode conversar, e a cujo comando ele não pode recusar-se a obedecer, tanto quanto não pode recusar-se a pensar."

Meus irmãos e irmãs, admito francamente que creio que Deus pode falar a Seus filhos nesta época e dispensação. Seria melhor dizer isso com mais força, e afirmar que sei que Ele pode? E vós também o sabeis. Esta é uma das grandes diferenças entre um homem que pertence a A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, que recebeu o batismo por imersão, recebeu o dom do Espírito Santo, e recebeu o Sacerdócio, e aqueles que nunca tiveram esses privilégios e bênçãos. Se julgarmos pela Bíblia, estamos absolutamente seguros ao dizer que jamais houve uma dispensação, desde o Pai Adão até o presente, em cujo estabelecimento Deus não Se tenha revelado a Seus representantes, aos homens que levaram adiante a obra: jamais. E, tendo sido estabelecida a última dispensação, estamos absolutamente seguros ao dizer que nenhuma foi ou será estabelecida sem que

Deus Se revele àqueles escolhidos para realizá-la. Regozijo-me no fato de ter este testemunho. Regozijo-me no fato de crer, com toda a minha alma, no testemunho do Profeta, de que Deus, o Pai, lhe falou.

A revelação não é desfrutada apenas pelos membros da Igreja. A Constituição dos Estados Unidos foi revelada por Deus; e não posso deixar de pensar que, se o povo do mundo estudasse a origem das grandes descobertas feitas para o benefício dos filhos dos homens, nas ciências e nas artes, admitiria de imediato que houve algum poder maior do que o homem que as produziu. A telegrafia sem fio é uma maravilha e um prodígio; assim como o telefone, pelo qual a voz humana agora é transportada de oceano a oceano. Estes inventos não surgiram somente pela sabedoria do homem. O desenvolvimento da eletricidade e a transmissão de milhares de cavalos-vapor por um fino fio de cobre, a centenas de quilômetros de distância de onde a energia é gerada, tornaram-se possíveis pela inspiração de nosso Pai Celestial. Não precisamos que nos digam, meus irmãos e irmãs, que os homens que fizeram estas grandes descobertas não receberam inspiração de nenhuma fonte maior que seu próprio cérebro. Se um homem se coloca em posição de receber revelação ou inspiração de Deus, buscando-a diligente e honestamente, ela lhe é frequentemente concedida, particularmente se seu coração e sua alma estiverem em harmonia com os propósitos de Deus.

Ontem ouvimos alguns sermões excelentíssimos: e, enquanto o Irmão Penrose falava, exprimi o desejo de que tal sermão pudesse ser ouvido por todas as pessoas do mundo. Estava lendo, ontem à noite, uma descrição dos cultos de avivamento que estão sendo realizados por "Billy" Sunday nas grandes cidades do leste, e não pude deixar de contrastar o espírito desta conferência, os testemunhos que têm sido prestados, e a unidade do povo, com o relato dado de um culto típico conduzido por aquele homem. Pode ser, meus irmãos e irmãs, e não tenho dúvida de que é fato, que algo mais do que a entrega de discursos preparados, redigidos em palavras para agradar os ouvidos do povo, deve ser adotado para produzir, no coração do povo, um testemunho de que há algo na religião cristã. Os ministros das diferentes denominações estão começando a reconhecer o fato de que alguma mudança deve ser feita em seus cultos, a fim de criar interesse pela religião. Unem-se para convidar "Billy" Sunday a vir às suas igrejas e agitar o povo, despertando-lhe o interesse pelo assunto da religião, na esperança de que se identifiquem com uma ou outra das igrejas organizadas. Mas é minha convicção de que ninguém convertido num momento de excitação permanecerá convertido por muito tempo. O conhecimento de Deus é necessário para uma conversão viva, e ele vem pela voz mansa e delicada que fala à alma, por meio da inspiração de Deus, e não por levar os homens a assinar compromissos num momento de excitação.

Pode haver cinco ou dez mil "convertidos" por um único sermão do Sr. Sunday, mas por quanto tempo permanecerão convertidos? A maioria deles, mais ou menos o tempo que levou para convertê-los. Não digo que ele não esteja fazendo algum bem. Creio que algum bem é realizado por todas as igrejas cristãs. Não penso que seja necessário que um homem que prega o evangelho de Jesus Cristo

se torne um acrobata ao proferir sua mensagem. Não creio que tais ações, como as que Sunday pratica, tendam a fazer um homem pensar seriamente a respeito de seu Deus, e do passo que lhe é pedido que dê. Não me impressionaria com a verdade de sua mensagem vê-lo saltar sobre o púlpito coberto de veludo com o propósito de enfatizar algum ponto de seu sermão. Antes seria eu impressionado por um testemunho como o que foi dado esta manhã pelo Irmão Grant. Sei que é o tipo de testemunho que apela ao coração dos homens. Sei que se lembrarão dele por mais tempo. Sei também que um apelo apenas às emoções dos homens, e não ao seu entendimento, não produz, nem pode produzir, uma conversão permanente. Um monitor interior, chamado consciência, é possuído por todos. Ninguém, velho ou jovem, jamais cometeu um erro, ao menos o primeiro erro, sem que sua consciência lhe dissesse que era um erro, e a consciência age como inspiração ao homem, enquanto ele não a embota por repetidas violações de suas advertências.

Os homens se esforçam arduamente para negar o fato de que Deus estabeleceu esta Igreja por revelação, por meio de Joseph Smith. Os escritos dos inimigos da Igreja têm por objetivo criar, na mente do povo, desconfiança quanto ao princípio da revelação, e assim provar que os acontecimentos relatados por Joseph Smith jamais ocorreram; se seus esforços tivessem êxito, a Igreja deixaria de ser um fator nos assuntos do mundo. Há uma coisa peculiar, e a tenho notado não uma, mas muitas vezes, que os inimigos deste povo vão além de todos os limites da razão e da verdade em suas críticas, a tal ponto que qualquer pessoa honesta sabe, ao ler seus ataques, que não podem ser

verdadeiros. A moderação de nossos inimigos nos seria muito mais prejudicial do que os extremos a que chegam. A Igreja e seu povo não devem ser julgados pelas palavras de seus inimigos, assim como a Igreja não o foi nos dias de nosso Salvador. É bom considerar as declarações do historiador, bem como os testemunhos de nossos amigos — comparai-os, estudai-os, e eles provarão a sabedoria, o caráter e a missão do Profeta Joseph Smith.

Ao examinar parte da história escrita contra o Profeta Joseph Smith, deparei-me com a declaração feita pelo Professor Huxley em seu "Agnosticism and Christianity" [Agnosticismo e Cristianismo]. Não creio que seja sensato fazermos, como parte de nossos sermões, declarações depreciativas quanto à missão de Joseph Smith, ou falseando a posição de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, e não vou ler o que Huxley registra, senão a conclusão; se algum de vós desejar ler toda a sua declaração, por falsa que seja, podeis fazê-lo. Depois de afirmar o que alega ser o Profeta, ele diz: "Deve ter sido um homem de algum vigor de caráter, pois logo se reuniu ao seu redor um número considerável de discípulos." Sim, reuniram-se ao seu redor em número crescente enquanto ele viveu. Sua memória é honrada, e a Igreja que ele estabeleceu, sob a orientação de Deus, cresce, não apenas em número, mas em poder, em muitas partes do mundo. Todos já lestes o que Josiah Quincy, da turma de 1821, creio, da Universidade Harvard, disse a respeito deste homem notável, e da provável posição futura desta Igreja. Ele certamente não poderia ser chamado amigo do "mormonismo". Certamente não se poderia alegar que fosse defensor do Profeta Joseph Smith, e, no entanto, parece-me, ao ler sua declaração, que o que ele diz há de ser reconhecido por todos, algum dia no futuro. Não posso deixar de crer que ele também foi inspirado. O tempo não permite que eu a leia para vós. Homens que viveram com o Profeta, que dormiram com ele, homens que estavam dispostos a morrer com ele na defesa da verdade, deveriam conhecer seu caráter, seus trabalhos e sua missão; e quem poderia tê-lo expressado melhor do que foi expresso na autobiografia de Parley P. Pratt, que dá um relato deste homem maravilhoso e de sua missão sobre a terra. Novamente, peço-vos, meus irmãos e irmãs, que leiais o que o Presidente Young disse a respeito dele, no Journal of Discourses [Jornal de Discursos], relatando seu conhecimento pessoal do homem que Deus escolheu para abrir esta dispensação.

Poderia continuar e multiplicar tais testemunhos às centenas, mas o tempo não permite. Por mais que eu viva, jamais esquecerei as muitas vezes em que ouvi meu pai testificar de seu amor e lealdade àquele homem notável, Joseph Smith. Ele cria nele e em sua missão, e amava o evangelho de Jesus Cristo, como ensinado pelos Santos dos Últimos Dias. Estava pronto e disposto, se necessário fosse, a sacrificar a vida pela causa, como o fizeram milhares de outros. É meu testemunho a vós, neste dia, de que o mundo ainda há de reconhecer que Joseph Smith foi um dos maiores servos de Deus, que foi ele quem foi ordenado para estabelecer a Igreja de Deus nesta dispensação. Todos devem admitir que a revelação dada antes de a Igreja ser organizada, predizendo que uma obra maravilhosa e um prodígio estavam prestes a surgir, foi cumprida. Que o Profeta Joseph seja julgado pelos registros. Ninguém pode apontar uma doutrina revelada a ele, e por meio dele ao povo, que esteja em conflito com os ensinamentos de qualquer dos servos de Deus, em qualquer dispensação deste mundo.

Regozijo-me com os irmãos que me precederam ao prestar meu testemunho de que Deus vive, e que Jesus, o Cristo, é o verdadeiro Filho de Deus; que esta obra é obra de Deus, e que Ele tem Sua mão sobre ela, dirigindo seus assuntos. Homens virão e homens partirão, homens serão fiéis à Igreja, e homens lhe serão infiéis, mas ela continuará até ter cumprido sua missão no mundo. Quando esse dia chegar, não haverá mais guerras, haverá completo entendimento entre os homens, haverá maior amor no coração dos filhos dos homens uns para com os outros, e tudo o que foi predito por todos os profetas de Deus se cumprirá, e esse dia virá no tempo devido de Deus. Se hoje não estamos recebendo revelações de Deus, a culpa não é d'Ele, a culpa é nossa. A obra de Deus e Sua Igreja crescerão e se multiplicarão tão rapidamente quanto nós, seus membros, formos capazes de cumprir as instruções de Deus.

Que as bênçãos de Deus nos acompanhem a todos, e que Seu Santo Espírito esteja nas habitações do povo; e que orem a Ele com a mesma confiança e no mesmo espírito com que o jovem Profeta orou há noventa e cinco anos. Que tenhamos tanta fé e confiança em Deus responder às nossas orações quanto ele teve; e que todas as tempestades de fora, toda a oposição que possa vir de qualquer fonte na terra, jamais possam retardar o crescimento da Igreja que Deus estabeleceu. Meus irmãos e irmãs, que Deus vos abençoe; assim o peço em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoReed Smoot, “A Essencialidade da Revelação de Deus a”, Conferência Geral de Abril de 1915, Sessão da Manhã do Segundo Dia (1915-04-05). Pulpit Vault, 1915-04-23-reed-smoot-remarks-23. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).