Dons do Evangelho Possuídos pelos Santos dos Últimos Dias
Heber J. Grant
É um prazer para mim, como sempre é, reunir-me com os Santos dos Últimos Dias em nossas conferências e ouvir as palavras inspiradas que sempre ouvimos nessas ocasiões. Nunca em minha vida, desde os dias da primeira infância até agora, assisti a uma conferência — e não me recordo de jamais ter perdido uma quando estava na cidade, a não ser quando confinado ao leito por enfermidade — sem que fosse alimentado com o pão da vida. E experimentei esse mesmo prazer em nossas reuniões de ontem. ¶
Endosso de todo o coração todas as coisas muito esplêndidas que temos ouvido aqui em nossas reuniões de conferência, e em nossa reunião da União da Escola Dominical, ontem à noite. Desejo mui sinceramente que, nos poucos momentos que eu possa ocupar, o mesmo bom Espírito de que gozaram os que me precederam também caiba à minha porção. O único desejo de meu coração é dizer algo que possa ser encorajador e edificante para os Santos dos Últimos Dias. Percebo as belezas do Evangelho de Jesus Cristo. Regozijo-me sobremaneira em conhecer a divindade da obra em que estamos engajados. Regozijo-me em saber que todos os dons e graças e todo poder, privilégio e bênção jamais desfrutados pelos Santos de Deus em qualquer dispensação do Evangelho sobre a terra são desfrutados hoje pelos Santos dos Últimos Dias. Regozijo-me em saber que as coisas que devem ser desfrutadas — as bênçãos, o poder de cura do Deus Todo-Poderoso, a inspiração de Seu Espírito pela qual homens e mulheres têm manifestações Suas, a inspiração do Espírito de Deus pela qual as pessoas falam em novas línguas e têm a interpretação delas, e cada uma e todas as graças e dons — são desfrutadas hoje pelos Santos dos Últimos Dias. Meu coração se enche de gratidão quando ouço um sermão inspirador sobre o Evangelho de Jesus Cristo e sobre nosso relacionamento com nosso Pai Celestial, como ouvimos aqui ontem do Presidente Charles W. Penrose. Regozijo-me no vigor de seu corpo e de sua mente; embora tenha mais de oitenta e dois anos de idade, nunca o ouvi falar com maior poder ou inspiração, e, ao ouvi-lo, soube que todos os Santos dos Últimos Dias presentes na plateia também se regozijaram. ¶
Perguntei a mim mesmo, enquanto desfrutava da inspiração do Espírito de Deus sobre ele, e endossando tudo o que disse sobre as bênçãos que hão de vir a nós e sobre nosso relacionamento com nosso Pai e nosso Salvador, se os Santos dos Últimos Dias estavam vivendo de tal maneira e de tal modo que teriam direito às bênçãos de Deus que pertencem ao Evangelho de Jesus Cristo, quando a batalha da vida terminar. Perguntei a mim mesmo: quantos dos que hoje aqui se regozijam sob a inspiração do Espírito do Senhor são, em verdade, Santos dos Últimos Dias? Quantos são pagadores plenos e honestos do dízimo? Quantos observam, em verdade, a Palavra de Sabedoria? Quantos atendem às suas orações secretas e às suas orações familiares? Pensei nisso quando o Presidente Lyman falava sobre a oração. Temos, em verdade, a verdade, mas, a menos que nós, como Santos dos Últimos Dias, vivamos a verdade, todos esses gloriosos princípios não têm valor algum para nós. ¶
Esta manhã, em nossa reunião da Associação de Melhoramentos Mútuos, um membro do Conselho Geral referiu-se a certos planos esplêndidos que haviam sido desenhados por um arquiteto, custando milhares de dólares, mas que, por fim, o homem que os havia encomendado decidiu não fazer uso deles. Temos o plano da vida e da salvação; temos, em verdade, a verdade, mas estamos fazendo uso desse plano? Somos Santos dos Últimos Dias? Se não, então não temos direito às bênçãos do Evangelho de Jesus Cristo. ¶
"E assim, pelos seus frutos os conhecereis." O Senhor disse, conforme registrado em Doutrina e Convênios, que, quando fazemos o que é ordenado, Ele está obrigado, mas, se não guardarmos os ¶
mandamentos do Senhor, não temos promessa alguma; e, na medida de minha capacidade, gostaria de gravar no coração dos Santos dos Últimos Dias que sejam cumpridores da palavra, e não apenas ouvintes dela. Se há algum dos antigos apóstolos cujos ensinamentos encontraram eco mais caloroso em meu coração do que os de qualquer outro, é o apóstolo Tiago, e seus ensinamentos, em que ele enfatiza que a fé sem obras está morta, que é como o corpo sem o espírito, e todos sabemos que, quando o espírito deixa o corpo, o corpo deve ser sepultado, ou logo se torna repugnante. Não queremos uma fé morta — queremos uma fé viva, queremos uma fé que nos dê o poder e a capacidade de viver o Evangelho de Jesus Cristo em verdade. Quando formos a uma reunião, devemos ir com uma oração no coração, para que o Senhor inspire, por Seu espírito, aqueles que falam, e, depois que eles nos tiverem falado pela inspiração de Seu Espírito, devemos partir com determinação, com desejo, com uma oração, de que, em verdade, aprenderemos a lição que ouvimos, e de que a poremos em prática em nossas vidas. ¶
Observei, no domingo passado, numa conferência, que, quando jovem, sempre me pareceu ridículo chamar o último dia de escola, o dia em que rapazes e moças recebem seus diplomas, quando se formam, depois de concluir seus estudos, de "dia de início"; mas, à medida que cresci em anos e experiência, descobri que, em verdade, o dia de início, para o rapaz e a moça que se formaram na escola, é o dia em que começam a batalha da vida. Esta vida é uma escola, e o dia de início para nós será quando a batalha desta vida tiver terminado, e recomeçarmos a viajar eternamente. Então, se pudermos passar num exame, seremos bem-vindos de volta à presença de nosso Pai Celestial, porque fomos verdadeiros e fiéis. ¶
Jamais leio este testemunho do Profeta Joseph Smith e de Sidney Rigdon a respeito do Salvador: "E agora, depois dos muitos testemunhos que se prestaram dele, este é o testemunho, último de todos, que nós damos dele: Que ele vive! Porque o vimos, sim, à direita de Deus; e ouvimos a voz testificando que ele é o Unigênito do Pai — Que por ele e por meio dele e dele os mundos são e foram criados; e seus habitantes são filhos e filhas gerados para Deus," sem que me regozije neste testemunho, neste conhecimento, que esses homens tiveram de realmente ver Deus, com o Salvador sentado à Sua direita, e de realmente ouvir a voz testificar que Ele é, em verdade, o Salvador do mundo. Regozijo-me toda vez que leio o testemunho deles. Regozijo-me também quando leio sobre as bênçãos do Evangelho, conforme referido aqui ontem pelo Irmão Penrose, ao falar dos que haviam aceitado o Evangelho, que haviam descido às águas do batismo e que seriam dignos, vivendo de acordo com os ensinamentos do Evangelho, de entrar no reino celestial. Regozijo-me neste conhecimento, mas como lamento ao encontrar tantos que sabem todas essas coisas, que testificam que Deus vive, que Jesus é o Cristo, que Joseph Smith foi um profeta do Deus verdadeiro e vivo, e que, no entanto, sua vida não está de acordo com este conhecimento. O conhecimento absolutamente não tem valor algum, exceto para nos condenar diante de Deus, a menos que vivamos de acordo com esse conhecimento. ¶
Que Deus ajude a todos e a cada um de nós, à medida que avançamos em anos, que crescemos em entendimento, que progredimos na luz do Evangelho de Jesus Cristo, a crescer em humildade, em boas obras, no amor a nosso próximo, e na determinação de servi-Lo de todo o coração, é minha oração, e a peço em nome de Jesus. Amém. ¶