Pulpit

Um Lugar à Direita e à Esquerda de Cristo

B. H. Roberts

Conferência Geral de Abril de 1914·Sessão da Manhã do Terceiro Dia·1914-04-06

Em certa ocasião, uma mulher trouxe seus dois filhos à presença do Cristo, e pediu para eles uma designação do Mestre, para que um se assentasse à Sua direita e o outro à Sua esquerda quando Ele viesse em Seu reino. Jesus perguntou a esses candidatos a essa alta honra se eram capazes de beber do cálice que Ele haveria de beber, e de serem batizados com o batismo com que Ele haveria de ser batizado, e eles expressaram confiança em sua capacidade de fazê-lo. Ele finalmente lhes disse que, de fato, teriam essa honra, mas que dizer quem se assentaria à Sua direita e à Sua esquerda não era Dele para dar, mas seria dado àqueles que fossem designados por Deus, Seu Pai. O procedimento seguido por esses dois irmãos e sua mãe indignou grandemente o restante dos discípulos, e presumo que manifestaram seu desagrado, ao que Cristo os chamou todos à Sua presença, e lhes disse:

"Bem sabeis que os príncipes dos gentios os dominam, e que os grandes exercem autoridade sobre eles.

"Não será assim entre vós; mas todo aquele que quiser entre vós fazer-se grande seja vosso servo;

"E qualquer que entre vós quiser ser o primeiro seja vosso servo;

"Assim como o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate por muitos." (São Mateus 20:25-28.)

Esta circunstância e estas instruções a ela ligadas marcam em nítido contraste a natureza do reino do Cristo e os reinos deste mundo. Em um está o domínio pela dominação, o governo pelo que os homens chamam de "governo eficaz", que se apoia na força; no outro, no reino do Cristo, está a preeminência por meio do serviço e o governo pelo que os homens chamam de "governo moral", que tem por altos princípios o governo pelo conhecimento, pela persuasão, pelo amor. Um é a autoridade da força; o outro é a autoridade da persuasão. Um alimenta o orgulho, naquele que o exerce; o outro gera a verdadeira mansidão.

Em outra ocasião, alguém veio ao Messias e quis saber qual era o maior mandamento, e o Cristo deu uma resposta que, em efeito, estabeleceu que o amor a Deus e o amor ao homem eram os dois grandes mandamentos dos quais dependiam toda a lei e todos os profetas; de fato, o Mestre os fundiu em uma única e primeira grande lei do reino dos céus, circunscrevendo todas as demais leis. É bastante geralmente reconhecido que o amor ao homem e o amor a Deus se expressam mais eficazmente, e talvez somente eficazmente, em termos de serviço ao homem e serviço a Deus. No entanto, devemos ser lembrados pelo dito de Paulo de que Deus não é servido por mãos de homens, como se necessitasse de alguma coisa, visto que Ele mesmo dá a todos a vida e a respiração; de modo que a única maneira eficaz pela qual os homens podem expressar seu amor a Deus é por meio do serviço aos filhos de Deus, aos homens.

Ultimamente, meus trabalhos como um dos historiadores assistentes da Igreja me levaram a percorrer o campo em que se vê a membresia da Igreja de Cristo prestando grande serviço uns aos outros e ao mundo; e parece-me que todos nós, hoje, podemos ser instruídos e encorajados pela contemplação de parte desse serviço que a Igreja, em dias passados, prestou aos filhos dos homens.

Observo, em meu trabalho histórico, que alguma mão moldou de tal forma os destinos dos Santos dos Últimos Dias que eles têm sido muito empregados em prestar serviço uns aos outros, e ao mundo. Naturalmente, recebidas as grandes verdades que Deus revelou nos primeiros dias da Igreja ao Profeta e seus associados, assim que a Igreja foi organizada, e o Sacerdócio começou a tomar uma forma mais ou menos regular, e começou a exercer suas funções, houve, antes de tudo, o dever de proclamar aquelas coisas que haviam sido recebidas, o Evangelho, àqueles pelos quais os Santos estavam cercados, e ocorreu a organização dos primeiros ramos da Igreja. Então, em obediência a esse princípio de serviço, projetou-se uma missão aos lamanitas, e certo número de irmãos, encabeçados por Oliver Cowdery, começou a obra missionária da Igreja, sendo enviados primeiro aos lamanitas, os remanescentes das antigas raças da terra. Iniciaram sua jornada para o oeste, visitando tribos indígenas pelo caminho, até chegarem a Kirtland, onde fizeram alto, sendo as condições favoráveis para edificar uma igreja, e então continuaram sua missão até as fronteiras dos Estados Unidos, onde se haviam reunido muitos milhares dos remanescentes da terra, e a eles fizeram seu apelo com o Evangelho de Jesus Cristo, prestando assim serviço na obra do ministério a esse povo decaído.

Nesse ínterim, o oeste do Missouri havia sido designado por revelação como o lugar do ajuntamento dos Santos, e para esse ponto os Santos no Leste começaram a se mudar. O ramo de Colesville mudou-se por inteiro, e aqueles que tinham recursos naquele ramo auxiliaram muito generosamente os que não os tinham, para fazer essa grande jornada por terra desde Nova York, passando por Kirtland, até as fronteiras dos Estados Unidos, então no oeste do Missouri. De modo que

acharam necessário levar uns os fardos dos outros e ajudar-se mutuamente neste primeiro esforço de ajuntamento ao lugar central de Sião.

Após três anos, os habitantes do oeste do Missouri se levantaram contra os Santos e os expulsaram do condado de Jackson, mil e duzentos homens, mulheres e crianças, despojados de seus bens e obrigados a acampar nas várzeas do Missouri numa estação inclemente do ano. Fez-se apelo aos ramos do Leste para que prestassem serviço a esses infortunados irmãos e irmãs, e os socorressem em sua aflição. Homens foram chamados a fazer uma marcha dos ramos do Leste até o oeste do Missouri para fazer o que pudessem a fim de restabelecer esses exilados em suas terras e em seus lares. E assim essas circunstâncias contribuíram para que se realizasse o serviço de uma parte do povo de Deus à outra parte que estava em aflição.

Cinco anos depois, ocorreu um levante ainda mais poderoso contra os Santos dos Últimos Dias no Missouri, e desta vez, em vez de mil e duzentos serem exilados, entre doze e quinze mil foram despojados de suas terras e exilados; e nessas circunstâncias os Santos foram novamente chamados a fazer sacrifícios e a auxiliar-se mutuamente para suportar esses pesados fardos que lhes haviam sobrevindo por causa de suas perseguições. Houve, durante aquele período, alguns homens notáveis que se desenvolveram, homens que adquiriram sabedoria em razão das experiências que lhes foram impostas. Foram dias de instrução; essas experiências levaram ao desenvolvimento dos futuros líderes em Israel, que, com o tempo, viriam a tomar parte num êxodo ainda maior do que aquele ocorrido no Missouri. Seis ou sete anos após essa expulsão do Missouri, ocorreu uma expulsão ainda maior, uma verdadeira expatriação dos confins dos Estados Unidos; cerca de vinte mil pessoas foram desta vez exiladas do estado de Illinois e dos estados circunvizinhos, e obrigadas a iniciar aquela maravilhosa marcha rumo ao oeste, que é o assombro de nossa era por sua grande realização, pela sabedoria manifesta na condução do grande êxodo; sob a liderança inspirada dos apóstolos de Deus, aquele grande corpo de pessoas converteu-se numa coluna industriosa, que marchou pelo estado de Iowa, e, em circunstâncias das mais desanimadoras, demonstrou seu poder de se autossustentar, e, por sua indústria e sacrifícios mútuos, Israel foi preservado, ainda que em suas tendas e em comboios de carroças viajantes.

É um dos mais maravilhosos espetáculos da história americana, essa comunidade sobre rodas, mesmo assim mantida unida em solidariedade e eficácia de força de trabalho, sustentando um sistema de governo que protegia a comunidade em seus direitos, e a preservava como um povo ordeiro. A maravilha disso crescerá cada vez mais à medida que nos afastarmos mais e mais dela, e a contemplarmos de uma verdadeira perspectiva, e percebermos suas poderosas realizações.

Finalmente, chegando às fronteiras dos Estados Unidos, havia a extensão de mil milhas de deserto, através das quais esse grande povo deveria ser conduzido. A companhia pioneira lançou-se ao deserto e abriu o caminho, e se estabeleceu aqui nestas montanhas. Mal se estabeleceu aqui, começou a obra de cumprir o grande convênio que fora feito no templo de Deus, entre

os líderes deste povo, antes de sua partida da Cidade Formosa, às margens do Pai das Águas — Nauvoo; um convênio que obrigava aqueles que nele entrassem a jamais cessar seus esforços até que todo membro fiel da Igreja que desejasse ajuntar-se ao novo lar — ainda por fundar — jamais cessar seus esforços até que todo membro da Igreja que o desejasse fosse trazido ao novo lugar de ajuntamento da Igreja. E este convênio o povo cumpriu, e durante cerca de oito ou dez anos a obra de ajuntar esse remanescente das margens do Missouri prosseguiu, até que, creio eu, o convênio do povo de Deus foi cumprido, e cumprido com sacrifício, cumprido com serviço contínuo e desinteressado, que testemunhava do amor de Deus que havia nos corações dos Santos dos Últimos Dias daquele período.

Enquanto se realizava essa maravilhosa obra de transplantar um grande povo do Leste, através de mil milhas de deserto, até o Oeste, a obra de pregar o Evangelho ao mundo continuava sendo alegremente levada adiante. Mal se havia estabelecido o núcleo neste Salt Lake e nos vales adjacentes, a Igreja pareceu despertar, especialmente no ano de 1849, para aquela responsabilidade que sempre recai sobre a Igreja de Cristo, a saber, dar a conhecer as verdades do Evangelho a outros povos; pois, quando este Evangelho foi restaurado à terra nesta nova dispensação, veio com o espírito que havia na missão daquele anjo que o restaurou, do qual se diz, ao descrever seu advento à terra nos últimos dias, que veio "tendo o evangelho eterno, que havia de ser pregado a toda nação, e tribo, e língua, e povo"; e digo que, mal os pés de nosso povo haviam pisado nestes vales, um despertar pareceu vir sobre a Igreja, e uma coisa muito maravilhosa aconteceu, e uma manifestação muito grande foi dada ao mundo, da existência do amor de Deus nos corações dos Santos dos Últimos Dias, por sua disposição de servir ao próximo. O ano de 1849 é, talvez, sob muitos aspectos, o ano mais maravilhoso de nossa experiência. Julgai vós mesmos disso, à medida que eu delineio o que se iniciou naquele ano. Na conferência de outubro de 1849, o irmão Charles C. Rich, um dos Doze Apóstolos, foi chamado para se juntar a Amasa Lyman, já na Califórnia, para auxiliá-lo a reunir e localizar os Santos dos Últimos Dias na costa do Pacífico, e a instituir disciplina em seu meio, e, tanto quanto possível, mantê-los agrupados até que se pudesse estabelecer um lugar de ajuntamento conveniente para eles. Antes que esses dois irmãos concluíssem sua missão, fizeram a compra do rancho de San Bernardino, entre 80.000 e 100.000 acres da mais escolhida porção do sul da Califórnia. Os irmãos presidentes em Sião planejaram que ali se estabelecesse uma linha de povoações, da qual a da costa seria o término, e que, ao longo das oitocentas milhas entre um ponto e outro, se estabelecesse uma linha de povoações, o que proporcionaria uma via de viagem mais curta e mais segura do que a que atravessava as planícies, por entre as grandes tribos de índios que as habitavam.

Naquela mesma conferência, foi designado um apóstolo para levar o Evangelho ao povo da França; o Élder John Taylor recebeu a designação. Seu trabalho estendeu-se também à Alemanha, e, antes de seu regresso, supervisionou a tradução e a publicação do Livro de Mórmon, tanto para o francês quanto para o alemão.

Naquela mesma conferência, de outubro de 1849, Lorenzo Snow foi chamado para estabelecer a obra na Itália. Foi bem-sucedido em sua missão, e a obra se estendeu dali à Suíça, e, agindo sob o conselho de seus colegas apóstolos na Inglaterra, missionários sob sua direção foram enviados à Índia, e a obra teve início naquela terra distante.

Além disso, aquele grande apóstolo do Senhor Jesus Cristo, Erastus Snow, foi enviado ao povo escandinavo, e estabeleceu uma missão naquela terra e fez traduzir o Livro de Mórmon para aquele idioma. Aquela missão tem sido contínua e frutífera desde aquele dia até o presente.

Naquele ano, também, Addison Pratt, depois de ter sido levado aqui ao cume do que, para mim, é uma montanha sagrada, Ensign Peak, onde recebeu as sagradas ordenanças da casa de Deus, retornou à sua missão nas ilhas do mar. É possível que, nesta apressada revisão, eu tenha omitido algumas das missões iniciadas naquele ano de graça de 1849, mas, se assim for, peço licença para publicá-las no registro desta conferência.

[O Élder Orson Pratt havia sido enviado à Inglaterra em 1848 para assumir a direção da Missão Britânica. A conferência de outubro de 1849 designou o Élder Franklin D. Richards para se juntar a ele em seu ministério, de modo que essas designações estão ligadas ao período aqui considerado. O Élder Pratt exerceu a presidência da Missão Britânica de agosto de 1848 a janeiro de 1851. Como o Élder Richards

chegou à Inglaterra em março de 1850, o Élder Pratt contou com o seu auxílio por cerca de dez meses, e, durante a presidência de Orson Pratt, auxiliado pelo Élder Richards no período mencionado, a Millennial Star teve sua circulação aumentada de 3.700 para 22.000; 5.000 emigraram da Missão Britânica para a América, e 21.000 foram trazidos para a Igreja.]

Quis apenas chamar-vos a atenção para o bastante do que foi feito naquela época, para mostrar-vos que grande serviço a Igreja de Cristo estava prestando ao mundo, ao enviar esses apóstolos, fortes no Espírito de Deus, e, em seus trabalhos, refletindo o espírito da missão de seu Mestre, ao levar a mensagem que fora dada à Igreja a todas as nações da terra. Escolho este ano para vos apontar essas coisas porque ele se destaca em tão marcado contraste com o espírito do mundo manifestado naquela época em particular; e com aquilo que o espírito do mundo levaria os homens a fazer sob as circunstâncias em que esses homens realizaram seu serviço a seus semelhantes e a Deus.

O ano de 1849, lembrai-vos, foi o ano da descoberta do ouro na Califórnia. Um mórmon, embora, àquela altura, não muito fiel, mas ainda assim um élder mórmon (Samuel Brannan), segurando um frasco de pó de ouro numa mão, e agitando o chapéu com a outra, correu pelas ruas de São Francisco, gritando: "Ouro! ouro! ouro do rio American!" Seu grito de ouro, em poucos dias, esvaziou São Francisco. Advogados deixaram seus escritórios, comerciantes deixaram seus negócios, médicos deixaram seus pacientes, numa corrida desenfreada rumo ao rio American ao mágico grito de "Ouro"; e bem depressa aquele grito de

"Ouro" ecoou e reecoou, não somente pelos estados de nossa própria nação, mas até em terras estrangeiras, e logo o mundo assistiu a uma corrida desenfreada, vinda de toda direção e de quase todas as terras, rumo aos campos de ouro da Califórnia. Foram por vários caminhos; alguns deles pelo Istmo do Panamá, deixando o Atlântico e atravessando o istmo até o Pacífico, e subindo pela costa até a Baía de São Francisco. Outros vieram por terra; alguns deles pela rota norte, pelo Vale do Rio Bear e Fort Hall. Cerca de vinte mil deles, no verão de 1849, passaram por nossa então pequena vila fronteiriça de Salt Lake City. Mas, enquanto o mundo assim enlouquecia nessa corrida ao ouro, e todos pareciam rumar para as costas douradas da Califórnia, aqui, nestes nossos novos povoados de fronteira, onde estávamos tão perto do novo "Eldorado", a Igreja de Cristo estava enviando homens para o leste, não em busca de ouro, mas em busca das almas dos homens e da salvação e redenção do mundo!

Não se destaca em marcado contraste essa diferença entre o espírito egoísta que move os homens e o Espírito de Deus que move os servos de Deus na realização de Sua obra? E damos, em nossa história, esta magnífica prova de que este pequeno povo, naquela época, repetidas vezes roubado e despojado de tudo o que possuía, e ainda enquanto fazia seu cansativo caminho até estes vales, a mil milhas das fronteiras de nosso país, ainda assim deu esta magnífica evidência do amor de Deus que havia em seus corações; e essa espécie de obra, essa manifestação do amor de Deus por meio do serviço ao homem, tem prosseguido em vários graus desde aquele tempo até o presente. Nunca houve uma época, nunca houve anos de escassez, em que a Igreja de Cristo não tenha prestado essa espécie de serviço aos habitantes da terra, essa evidência de amor a Deus e amor ao homem.

Nos primeiros anos de nossa experiência nestas montanhas — perdoai-me, por favor; adquiri o hábito de chamar essas coisas de "nossas", embora, é claro, tenham ocorrido antes de eu nascer; mas tenho vivido tanto nessas coisas que me parece que sou membro da Igreja desde o dia em que foi organizada até agora, e assim deveis perdoar-me se, sem perceber, me identifico com esses movimentos.

Pois bem, nos primeiros anos de nossa experiência, então, como Igreja, em trazer o povo de terras estrangeiras e de nossa própria terra a estas montanhas, o método, a princípio, era trazê-los até as fronteiras do Missouri, comprar gado e carroças no leste, e então dar às companhias homens de mais ou menos experiência para guiá-las até os vales das montanhas. Em 1860, no entanto, ocorreu uma circunstância que veio mudar esse sistema, e ampliou, como vereis daqui a pouco, ampliou o campo de serviço ao povo de Deus. Naquele ano, 1860, o irmão Joseph W. Young, sobrinho do Presidente Young, homem de rara habilidade e capacidade como capitão de planícies, levou um comboio de vinte e nove carroças de nosso vale para buscar carga, e fez a viagem até o Rio Missouri e de volta, na mesma estação, com os mesmos animais. Ocorreu ao Presidente Young que, se Joseph W. Young podia fazer isso com sucesso, poderia ser feito por outros, e em outros anos, assim como em 1860. Os pobres que desejavam vir a Sião

podiam ser buscados a partir destes vales e trazidos de volta pelos mesmos animais. A comunidade tinha mais animais e carroças do que dinheiro para gastar com esse fim, e por isso este novo sistema de emigrar os pobres desde as fronteiras do Missouri foi inaugurado. O irmão Joseph W. Young pregou do púlpito depois de seu regresso, no início de outubro do ano de 1860 — proferiu um discurso sobre o que ele chamou de "Um Tratado sobre a Arte de Manejar Bois", ou a arte de tratar o gado de tal modo que pudesse fazer a viagem até o Rio Missouri e de volta sem sofrer dano considerável. E assim, desde então até a chegada da ferrovia a nosso vale, a obra de trazer os pobres imigrantes foi realizada dessa maneira; e a soma disso, quando a reunimos, é realmente surpreendente. Ouvi: Em 1861, duzentas carroças com quatro juntas de bois cada, divididas em quatro companhias, com cerca de duzentos e cinquenta homens, realizaram esse serviço, no ano de 1861. Em 1862, duzentas e sessenta e duas carroças foram enviadas à fronteira, divididas em seis companhias; havia duzentos e noventa e três homens, dois mil oitocentos e oitenta bois, levando os comboios consigo as provisões necessárias tanto para a viagem até o leste quanto para a viagem de volta com os emigrantes até o oeste.

Em 1863, trezentas e oitenta e quatro carroças, divididas em dez companhias, foram enviadas ao Rio Missouri; havia quatrocentos e oitenta e oito homens, três mil seiscentos e quatro bois. Foram necessários dez capitães para conduzir os comboios.

Em 1864, foram enviadas cento e setenta carroças, mil setecentos e dezessete bois, e duzentos e setenta e sete homens estiveram empenhados nesse serviço naquele ano.

Em 1865, em consequência de condições locais, nenhum comboio foi enviado ao leste, mas em 1866 trezentas e noventa e sete carroças foram enviadas, e mais sessenta e duas carroças foram autorizadas a ser compradas quando os comboios chegassem ao leste. Havia quatrocentos e cinquenta e seis carroceiros, e quarenta e nove guardas montados, com oitenta e nove cavalos, cento e trinta e quatro mulas, três mil e quarenta e dois bois. Além disso, foi necessário enviar um comboio de socorro ao encontro dos emigrantes que chegavam.

Em 1867, nenhum comboio de bois foi enviado ao leste, mas em 1868 fez-se um esforço extraordinário para ajuntar os pobres. Setenta mil dólares foram arrecadados nesta comunidade para ajudar a ajuntar os pobres, e quinhentas carroças, em dez companhias, foram até o término da ferrovia, e naquele ano cerca de quatro mil Santos pobres, principalmente das Ilhas Britânicas, foram trazidos através das montanhas até esta cidade.

Esse serviço foi prestado, não por recompensa terrena, mas foi serviço gratuito ao próximo, serviço aos pobres, que precisavam de ajuda. Naqueles anos em que esta pequena comunidade se dedicava a essa grande e generosa obra, o povo de nações estrangeiras que carecia de terras foi trazido de longe para terras que careciam de braços, e dessa emigração, centenas e milhares, redimidos da pobreza e das oficinas do velho mundo, foram trazidos para cá e tornados proprietários de terras no novo oeste, na comunidade de Utah.

Quero deter-me o suficiente para prestar

apenas um pequeno tributo de apreço a essa espécie de serviço. Serviço rude foi, envolvendo exposição a tempestades, a fadiga e perigo, a noites de vigília, a exposição a ataques indígenas, a trabalho constante dia após dia, a exposição a estações inclementes e privações, que levaram muitos daqueles que prestaram esse elevado serviço a Deus e ao próximo a uma velhice prematura, aleijada e decrépita. Quero expressar minha gratidão, como alguém que se beneficiou dessa espécie de serviço, prestado por este nobre grupo de homens que, ano após ano, deram seu serviço para que os pobres pudessem ser ajuntados, e dizer que esse serviço tem sido e é, a meu ver, tão aceitável ao Deus Todo-Poderoso quanto o serviço mais elegante, se assim quiserdes considerá-lo, de pregar o Evangelho entre as nações da terra. Todo serviço que é prestado à humanidade em nome de Deus é serviço sagrado aos olhos de Deus, por mais rude que seja, ou por mais rústicos que sejam os que o prestam. E quero dizer uma palavra em favor daquele bravo grupo de homens que foram os capitães de planícies durante aqueles dias — homens nobres foram eles, generais em sua esfera, sábios e corajosos e dignos de toda honra na Igreja do Cristo, amados de Deus, abençoados por Ele, porque deram provas de que amavam a Deus e amavam o próximo, e deram a melhor prova desse fato ao servirem, com grande abnegação e em meio a perigo constante — a seu próximo e a Deus.

Não foi somente a Igreja, nesses anos, chamada a prestar essa espécie de serviço, mas a Igreja, ou pelo menos os cidadãos de Utah — e, nos anos de que falo, eles constituíam a Igreja, porque éramos quase todos "mórmons" naqueles dias, e a cidadania de nosso território era praticamente "mórmon"; de modo que, quando dizemos cidadãos naqueles dias, referimo-nos praticamente à Igreja. Pois bem, não foram apenas chamados a prestar a espécie de serviço já descrita, mas também foram chamados a prestar outro serviço, a saber, proteger-se e proteger uns aos outros contra a ira, o ciúme e a selvageria das tribos indígenas que os cercavam. Quando surgiu o levante que marcou o início do que se chama em nossos anais a "Guerra de Black Hawk", o povo apelou ao governador do estado, e, por meio do governador do estado e dos agentes indígenas — na ocasião, o Coronel O. H. Irish e o Coronel F. H. Head — esses agentes apelaram às autoridades militares dos Estados Unidos, em busca de assistência. Quando o Coronel Irish fez o pedido às autoridades em Camp Douglas, foi informado pelo oficial comandante de que, se os distúrbios estivessem longe das rotas de correio e das linhas de telégrafo, ele não tinha autoridade para prestar assistência. No outro caso, o oficial comandante, ao ser procurado pelo Coronel Head, disse que remeteria o assunto às autoridades militares no leste, e, naquela ocasião, o General Sherman estava no comando do departamento ocidental. Quando a questão lhe foi apresentada, respondeu que o povo deveria contar consigo mesmo para fazer os índios se comportarem em Salina. E assim, não lhes sendo concedida a assistência e a proteção devidamente solicitadas, tivemos de contar com nosso próprio povo — os Santos dos Últimos Dias — para se ajudarem mutuamente. Segundo o relatório apresentado pelo Coronel John R. Winder ao general comandante da milícia de Utah, e que

finalmente o Adjutante-General H. B. Clawson apresentou ao secretário da guerra, ao pedir reembolso por este serviço — segundo esses relatórios, quinhentos homens foram convocados ao campo contra os índios por três meses, em 1865. Em 1866, dois mil e quinhentos homens foram convocados, muitos deles dos condados do norte, para irem em auxílio dos condados do sul, e serviram por seis meses. Em 1867, mil e quinhentos foram convocados ao serviço, também por seis meses. Esta é a espécie de serviço que os condados do norte foram chamados a prestar aos irmãos em aflição no sul. O total desse serviço, calculado como serviço militar em geral, montou a $1.121.000. A assembleia legislativa fez petição ao Congresso para uma verba de $1.500.000 para cobrir essas despesas. Pedimos, e temos suplicado por esta medida de justiça, mas até agora em vão; e assim teremos de lançá-la à conta do serviço não recompensado, no que diz respeito a este mundo, serviço dado voluntariamente e envolvendo grandes riscos por parte daqueles que o deram, em auxílio de seus semelhantes da casa da fé.

Bem, é claro — peço perdão, não tinha ideia de que tanto tempo houvesse passado — mas permiti-me, em conclusão, fazer esta breve aplicação de tudo isto, pois certamente não haveria razão para falar disso se não houvesse uma aplicação para tal. Em resumo, então, para concluir: os dias de emigrar os pobres por meio de comboios de bois, os dias de fornecer os animais, os condutores e os suprimentos para esse serviço, já passaram; os dias de lutar contra os índios já passaram; mas a obrigação de servir ao mundo continua a recair sobre a Igreja de Cristo. A forma do serviço pode ter mudado, mas a necessidade dele e a obrigação dele permanecem. Digo-vos o que temos procurado fazer entre nossos quóruns de setenta: temos pregado, com mais ou menos fervor, a necessidade de os setenta fazerem sacrifício pela obra de Deus. Naturalmente, os Santos estão fazendo grande sacrifício, tanto em meios quanto em serviço de homens, na pregação do Evangelho no exterior. Mas o que precisamos, a meu ver, para os campos missionários do mundo, são homens de mais idade, homens de experiência, que partam para segundas e terceiras missões, a fim de "amadurecer" um pouco as várias missões da Igreja, e dar ao mundo um ministério mais experiente, e, com isso, também mais eficaz. Isso implicará que nossos setenta façam sacrifícios, mas, se fizermos sacrifícios pela obra de Deus, ficai certos de que a obra é digna de tudo o que pudermos dar a ela em sacrifício e serviço, e queremos manter o registro de nosso serviço ao próximo tão elevado em eficiência e magnitude quanto tem sido no passado. O Senhor vos abençoe. Amém.

Como citar este discursoB. H. Roberts, “Um Lugar à Direita e à Esquerda de Cristo”, Conferência Geral de Abril de 1914, Sessão da Manhã do Terceiro Dia (1914-04-06). Pulpit Vault, 1914-04-31-brigham-h-roberts-remarks-31. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).