Um Incidente dos Escritos do Profeta Joseph Smith
Seymour B. Young
Copio o seguinte incidente, dos escritos do Profeta Joseph Smith: ¶
"Em fevereiro de 1841, o Conselho Municipal de Nauvoo estabeleceu e organizou uma instituição de ensino, que seria conhecida como a Universidade da Cidade de Nauvoo, sob o controle e a administração de uma Junta de Curadores, composta de um Chanceler, um Secretário-Geral e vinte e cinco Regentes, cuja junta seria um Corpo Corporativo e Político, com sucessores perpétuos. ¶
"Esses funcionários serão conhecidos como o Chanceler e os Regentes da Universidade da Cidade de Nauvoo. Estes Regentes da Universidade terão a supervisão geral de todos os assuntos educacionais, desde a escola comum até os mais elevados ramos de um curso universitário da mais ampla liberalidade. A Regência estabelecerá um sistema regular de ensino, e fará o aluno progredir de Instrutor a Professor, até que a graduação regular se cumpra e a educação do aluno esteja completa." ¶
Daniel H. Wells, embora não fosse membro da Igreja naquela época, foi designado um dos regentes desta Universidade, exemplificando assim o bom senso do Profeta em sua escolha, reconhecendo talento e capacidade fora dos membros da Igreja. ¶
Assim, já naquela época o Profeta Joseph Smith e os principais irmãos de Nauvoo propuseram o sistema seriado para as escolas, centrado em torno de uma magnífica universidade, que teria feito honra a qualquer comunidade. Embora a vida do profeta tenha sido tirada, e os Santos expulsos de Nauvoo, antes que essa universidade pudesse ser concluída, os planos e ideias foram lembrados pelo Presidente Brigham Young e seus irmãos, e foram aperfeiçoados em Great Salt Lake City. Em 1850, a Universidade de Deseret foi iniciada com sucesso, instituição que cresceu em tamanho e magnitude, até culminar e permanecer hoje como um nobre monumento do saber para o povo de Utah, como a "U. of U." (Universidade de Utah), uma das maiores da região intermontanha. ¶
Há cerca de dois anos, o Élder Burrel Chandler, da Estaca Saint George, escreveu uma carta ao Presidente Joseph F. Smith, indagando sobre o número de nações da terra que haviam recebido o Evangelho, e tive o prazer, a convite do Presidente, de responder à carta. Seguem as principais nações da terra que receberam o Evangelho: ¶
Estados Unidos da América (referindo-se à nossa República); também o antigo México, as Ilhas Havaianas, a Finlândia, a Áustria, a Hungria, a Suécia, a Alemanha, a França, a Noruega, a Itália, o Hindustão, a Austrália, o Canadá, a Grã-Bretanha (incluindo a Irlanda, a Escócia e o País de Gales), os Países Baixos, a Suíça, a Dinamarca, a África do Sul, a Turquia, Samoa, o Taiti, ou as Ilhas da Sociedade, a Bélgica, a Romênia, o Egito, a Islândia, a Bulgária, o Japão e a Grécia. ¶
O Livro de Mórmon foi traduzido para os seguintes idiomas nacionais e tribais: ¶
Publicado pela primeira vez em ¶
O Livro de Mórmon também foi traduzido, mas ainda não publicado, para o hindustani, o iídiche moderno e o grego. ¶
De todas as traduções recentes deste volume sagrado, a tradução japonesa tem sido considerada, creio eu, a mais difícil. Durante a administração do Presidente Lorenzo Snow, foi organizada e designada uma missão para o Japão, e o Apóstolo Heber J. Grant foi designado para a presidência dessa missão. Ele, com seus companheiros missionários, chegou àquela terra e estabeleceu a missão, e o Élder Grant ali permaneceu cerca de dois anos ou mais, como presidente da missão. Ao ser desobrigado daquele trabalho, para retornar ao lar, deixou como presidente da missão o Élder Horace S. Ensign, que, por sua vez, presidiu por dois anos. Após a desobrigação do irmão Ensign daquela missão, a presidência foi dada ao Élder Alma O. Taylor, que ali trabalhou nove anos e meio, e, durante sua presidência, o Livro de Mórmon foi traduzido para o idioma japonês. O irmão Taylor me informou que, devido à magnitude do trabalho de tradução, achou necessário devotar suas energias quase inteiramente a adquirir o idioma tão perfeitamente quanto possível, a fim de poder empreender devidamente essa grande obra; e que chamou em seu auxílio alguns dos melhores eruditos da nação, para ajudar na composição e na revisão, antes de sua publicação, conseguindo assim torná-la o mais corretamente traduzida quanto possível. ¶
O progresso e o avanço da Igreja são inegáveis. O êxito do Profeta Joseph ao traduzir o Livro de Mórmon, a partir dos registros a ele confiados pelo profeta nefita, está além de qualquer dúvida, e jamais se levantou contradição bem-sucedida contra a veracidade daquele registro, ou contra sua fiel e correta tradução do egípcio reformado, tal como representado pelo caráter dos hieróglifos encontrados nas placas. Cito do Livro do Profeta Mórmon, capítulo 9, versículos 32 e 33, o seguinte: "E agora, eis que escrevemos este registro de acordo com nosso conhecimento, em caracteres denominados por nós egípcio reformado, sendo transmitidos e alterados por nós segundo nossa maneira de falar." ¶
Em Primeiro Néfi, capítulo 1, versículos 2 e 3, lemos também: ¶
"Sim, faço um registro na língua de meu pai, que consiste no conhecimento dos judeus e na língua dos egípcios, e sei que o registro que faço é verdadeiro, e faço-o com minhas próprias mãos." ¶
Sem temor de contradição, pode-se dizer com verdade que o Profeta Joseph se tornou um tradutor bem-sucedido, sendo auxiliado nessa obra pela inspiração do Espírito do Senhor, e, de sua parte, por estudo sério e aplicação. Ele não apenas foi capacitado a traduzir o Livro de Mórmon do egípcio reformado, mas também a traduzir o Livro de Abraão, tal como se encontra na Pérola de Grande Valor, volume editado e compilado pelo Apóstolo F. D. Richards, a qual Pérola de Grande Valor tem sido e é aceita como um dos livros-texto da Igreja. Os escritos de Moisés, outro dos livros contidos neste volume sagrado, foram "revelados a Joseph, o Vidente, em dezembro de 1830." O Livro de Abraão foi traduzido por Joseph Smith, o Vidente, a partir de antigos registros encontrados nas catacumbas do Egito (intitulados "os escritos de Abraão enquanto estava no Egito"). Esta é uma citação do próprio registro chamado Livro de Abraão, escrito por sua própria mão, sobre papiro. Embora, recentemente, um ministro de uma igreja cristã tenha se atrevido a criticar adversamente, especialmente este Livro de Abraão, seus esforços apenas induziram uma leitura mais cuidadosa e um estudo mais completo desta valiosa obra, o que trouxe um aumento de testemunho de sua divindade à mente e ao coração de todo verdadeiro Santo dos Últimos Dias. Permitam-me dizer aqui que as declarações dos críticos que ele selecionou, compostos de pretensos egiptólogos científicos, não trouxeram crédito algum a este ministro, pois não concordaram entre si, mas apresentaram opiniões diversas e contraditórias quanto à interpretação das gravuras publicadas em conexão com o Livro de Abraão pelo Profeta Joseph Smith. ¶
Durante uma recente visita aqui do General Washington Gardner, Comandante-em-Chefe do Grande Exército da República dos Estados Unidos, tive o prazer de conhecer esse cavalheiro em várias ocasiões, e, a convite dele, acompanhei-o a Fort Douglas, juntamente com outros membros da divisão de Utah do Grande Exército. Durante nossa breve visita ao posto, o General Gardner travou conhecimento com o oficial comandante do posto e alguns de seus associados, e também foi recebido e homenageado aqui por diversas organizações políticas e locais. Notei que, nas ocasiões em que ele era convidado de honra dessas sociedades, quando lhe eram oferecidos refrescos na forma de charutos, vinho ou qualquer bebida forte, ele invariavelmente os recusava. Depois que saímos de uma dessas reuniões, eu lhe disse: "O senhor nunca fuma, General?" "Nunca, jamais fumei um charuto em toda a minha vida." "Percebo que o senhor também recusou vinho, ou bebida forte?" "Nunca bebo vinho, nem cerveja, nem licor de espécie alguma, nem uso tabaco de forma alguma." Fiquei extremamente satisfeito com suas declarações a esse respeito, e senti-me no dever de o parabenizar pela vida sóbria que levara. Atribuo sua excelente condição física e sua saúde corporal ao resultado de seus bons hábitos de vida. Ele parecia ser a perfeita personificação de um soldado e de um cavalheiro. Ele pediu que eu providenciasse, se possível, um encontro seu com o Presidente Smith. Consegui fazer isso, graças à cortesia do Presidente Smith, e, quando saímos do gabinete do presidente, a pedido do general, conduzi-o ao túmulo do Presidente Brigham Young. O General Gardner disse que reconhecia, no grande pioneiro do povo "mórmon", um general muito capaz, um homem de notável habilidade, demonstrada ao conduzir seu povo até esta terra, então um deserto, e no êxito que alcançaram ao estabelecer grandes cidades e comunidades nesta distante região montanhosa. Pediu-me também que lhe fornecesse alguma literatura da Igreja. Levei esse pedido ao conhecimento do Presidente Smith, e ele disse: "Escolha os livros-texto da Igreja, na melhor forma que puder encontrá-los, e traga-os ao gabinete"; assim foi feito, e nos livros ele colocou seu autógrafo. A seleção consistiu do Antigo e do Novo Testamento, na tradução do Rei Tiago, com elegante capa de marroquim flexível; do Livro de Convênios, combinando também a Pérola de Grande Valor; e do Livro de Mórmon, em encadernação semelhante. Nestes três volumes, o Presidente Smith colocou seu autógrafo, e, quando entreguei os livros da parte do Presidente Smith ao General Gardner, ele se disse muito encantado com o presente. Ele acrescentou: "Assim que eu voltar para casa", ou assim que eu tiver oportunidade, "empenho minha palavra de que lerei estes livros e anotarei seu conteúdo cuidadosamente. Peço que leve meus sinceros agradecimentos ¶
ao Presidente Smith, e ao seu povo em geral, pela bondade que me demonstraram desde minha chegada aqui a Utah. E", disse ele, "nunca recebi, em nenhum estado da União, uma recepção tão grandiosa, tão calorosamente oferecida, ou mais agradável para mim, quanto a que tive aqui em Utah, e especialmente em Salt Lake City. O grande número de crianças em idade escolar que compareceram ao desfile, e o número de matrículas em suas escolas, é para mim uma revelação de suas grandes perspectivas para o futuro." ¶
Dou-vos hoje o meu testemunho, meus irmãos e irmãs, de que Joseph Smith foi de fato um profeta de Deus. O Senhor o designou como o Profeta da última dispensação, e lhe confiou as chaves de Seu reino. Ele permanece como o presidente, profeta, vidente e revelador desta, a dispensação da plenitude dos tempos. Embora tenha sofrido morte de mártir, há muitos anos, a obra do Senhor tem continuado nas mãos dos homens capazes que têm sido inspirados pelo mesmo ministério profético, e hoje nossos líderes são inspirados e abençoados com o espírito de seu chamado e missão. Testifico-vos que o "mormonismo" é verdadeiro, e que a glória do Reino de Deus se realizará; e que, se o povo for fiel, participará dos excelentes resultados que lhe advirão por guardar os mandamentos do Senhor. Deus vos abençoe para sempre, meus irmãos e irmãs, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶