Pulpit

Discurso de Abertura

Joseph F. Smith

Conferência Geral de Abril de 1914·Sessão da Manhã do Primeiro Dia·1914-04-04

Tenho grande alegria em saudar-vos, meus irmãos e irmãs, em nossa reunião nesta bela manhã, para dar início à nossa octogésima quarta conferência anual da Igreja. Não sei quanto tempo poderei falar-vos esta manhã, mas sinceramente espero não vos cansar por demais. Estou muito grato em dizer que desfruto de minha saúde e força habituais, não obstante haver, por algum tempo, como muitos de meus irmãos, "desfrutado" de um forte resfriado, o melhor que pude. Isso teve seu efeito sobre meus órgãos da fala, pois, apesar do resfriado, tenho procurado cumprir meu dever, e tenho usado muito frequentemente a voz ao máximo, discursando nas conferências trimestrais de nosso povo, bem como em muitas reuniões de ala.

Sinto-me deveras muito grato de que o Senhor nos tenha preservado a todos para nos reunirmos aqui esta manhã em Seu serviço, dEle de quem recebemos todo o bem, e também em comemoração da organização da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias nesta Dispensação da Plenitude dos Tempos. Sinto-me certo de que, durante as sessões desta conferência, nos está reservado o costumeiro derramar do bom Espírito, pelo qual podemos ser fortalecidos em nossa fé, encorajados em nossa determinação de continuar fiéis perante o Senhor, e auxiliados no desempenho de nossos deveres como membros e oficiais da Igreja, e como homens e mulheres que carregam responsabilidades nela. Todas essas bênçãos para que possamos resolver novamente, como sem dúvida já resolvemos muitas vezes, ser mais fiéis, se possível, no futuro do que temos sido no passado. É um fato que, por mais bons que sejamos, por mais cuidadosos que sejamos na observância dos preceitos do Evangelho e na preservação de nossas vidas e virtudes, existe certo grau de fraqueza, a que frequentemente chamamos "fraqueza humana", permeando nosso ser. Por isso, há sempre oportunidade de melhorar sobre o melhor que fazemos. Sinto que esse é o meu caso, e creio não ser exceção à regra geral. Nenhum de nós, presumo, alcançou tal grau de perfeição em todas as coisas a ponto de podermos dizer, em verdade, que não descuidamos de nenhum dever que nos é exigido na Igreja, e que fizemos tudo o que possivelmente poderíamos fazer para nosso próprio bem e para o progresso do reino de Deus. O fato é que aquele que trabalhar por seu próprio bem-estar, por sua própria salvação e edificação no conhecimento daqueles princípios que aproximam os homens de Deus e os tornam mais semelhantes a Ele, capacitando-os melhor para o desempenho dos deveres exigidos de suas mãos, está, do mesmo modo, edificando a Igreja. Nenhum de nós, suponho, pode fazer tão bem quanto seria esperado de nós por aqueles que são perfeitos na observância das leis de Deus. Presumo que há muito poucos de nós, hoje, que se justificariam em afirmar que de fato observamos e somos capazes de viver de acordo com os preceitos ensinados pelo Filho de Deus. Por mais bons, honestos e fiéis que sejamos, duvido muito que haja algum de nós capaz de afirmar com justiça que vivemos de acordo com todos os preceitos do Filho de Deus. Há alguns gloriosos princípios por Ele defendidos que temo ser-me impossível, em minha atual condição e estado de espírito, observar ou cumprir. Para ilustrar o que desejo exprimir, temo que, se um homem me ferisse na face direita, eu não me sentiria muito disposto a oferecer também a outra face; ou que, se um homem me processasse injustamente e me tirasse a capa, eu lhe desse de bom grado também a túnica. Temo não poder orar por meus inimigos no mesmo espírito de amor, bondade, devoção e sincero desejo de perdão e isenção das consequências de suas transgressões, como o posso fazer por meus amigos, ou por aqueles que me amam e me são verdadeiros e fiéis, como eu lhes seria verdadeiro e fiel.

Assim, há muitas grandes coisas, quase incompreensíveis para a humanidade, ensinadas pelo Salvador do mundo, que estão diante de nós, que deveriam ser o padrão de perfeição a que devemos almejar, e que ainda não fomos capazes de dominar e aplicar em nós mesmos. Contudo, creio que não há povo melhor no mundo do que os Santos dos Últimos Dias. Não creio que haja, em todo o mundo, um povo que suporte com mais paciência insultos, calúnias e deturpações do que os Santos dos Últimos Dias. Não creio que haja, em parte alguma, um povo que tolere a presença dos mais viciosos e perversos falsificadores da terra, e lhes permita permanecer pacificamente sem questionamento em seu meio, como fazem os Santos dos Últimos Dias, e o vêm fazendo continuamente. E, contudo, estou firme na crença de que esse mal está diminuindo, e que virá o tempo em que aqueles que falsificam, que mentem e deturpam o povo de Deus, seja de propósito ou por ignorância, se envergonharão de menear suas línguas vis, ao menos em público. Virá o tempo em que se envergonharão disso, e esse mal, por fim, cessará.

Ora, meus irmãos e irmãs, quero dizer-vos, como já disse antes em ocasiões como esta (e creio poder dizê-lo novamente com tanta verdade quanto sempre), que a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias nunca esteve em melhor condição do que está hoje; nunca esteve mais viva aos interesses de Sião; nunca esteve mais unida, e creio que nunca houve menos falhas a apontar no povo de Deus do que há hoje. Creio que estamos aprendendo, e, embora possamos ser lentos em chegar ao conhecimento da verdade e em aceitá-la por completo, estamos progredindo, estamos crescendo na direção certa; estamos aprendendo sabedoria, aprendendo paciência, obtendo entendimento; estamos aumentando em nossa fé e em nossa unidade, e em boas obras; creio nisso com toda a minha alma. Creio que vossos servos, a Presidência da Igreja; vossos servos, os Doze Apóstolos, os Sete Presidentes dos Setenta, e o Bispado Presidente da Igreja, nunca vos foram mais fiéis, a vós, a vossos interesses e ao interesse do reino de Deus, do que o são hoje. Não creio que jamais tenha havido tempo em que estivessem mais unidos do que estão agora. Creio que os conselhos do sacerdócio estão unidos, e que estão trabalhando juntos com mais eficácia para seu progresso e sua unidade, e para o aumento de seu conhecimento dos princípios do Evangelho, do que jamais antes. Creio poder dizer o mesmo de todas as organizações auxiliares da Igreja. Creio que nossa Sociedade de Socorro está realizando um trabalho magnífico entre o povo. Creio que a Junta Geral da Sociedade de Socorro está mais unida do que jamais esteve, e está realizando melhor trabalho do que fez antes; isto é, até onde me posso lembrar, e posso lembrar-me de muito tempo atrás em relação a parte do trabalho realizado por nossas Sociedades de Socorro. Elas são uma organização essencial para o bem de Israel, para o bem-estar das irmãs, das mães e das filhas em Sião. Estão realizando um bom trabalho, e creio que estão mais unidas do que jamais estiveram. Creio poder dizer o mesmo de todas as demais organizações concebidas como auxílio ao sacerdócio para o progresso da causa de Sião. E assim penso que o reino está crescendo, que o Senhor está conosco, que Seu poder está atrás e adiante e acima e abaixo desta obra, e que é o poder de Deus que a sustenta, que a faz crescer e progredir na terra, e que lhe está dando poder e influência para o bem entre os filhos dos homens. Creio, também, que o poder de Deus será exercido em maior medida, dentro e fora, na proporção em que a fé dos Santos dos Últimos Dias e suas boas obras aumentem; e, à medida que o poder do sacerdócio e do povo de Deus aumentar na terra, assim diminuirá o poder do mal e da oposição, até que a vitória venha ao povo de Deus em retidão. Não espero que venha aos Santos dos Últimos Dias vitória alguma, triunfo algum, nada de que se possa gabar, senão sobre os princípios de retidão e de verdade. A verdade e a retidão prevalecerão e perdurarão. Se apenas continuarmos a edificar sobre os princípios de retidão, de verdade, de justiça e de honra, digo-vos que não há poder abaixo do reino celestial que possa deter o progresso desta obra. E, à medida que esta obra progredir e ganhar poder e influência entre os homens, assim diminuirão os poderes do adversário e das trevas diante do avanço e crescimento deste reino, até que o reino de Deus, e não o dos homens, triunfe.

Este é o meu testemunho a vós. Quase não preciso dizer que nunca em minha vida vi o tempo em que me sentisse mais certo da verdade em que estamos engajados do que hoje. Nunca em minha vida senti maior satisfação, ou maior certeza em minha alma quanto ao progresso da causa de Sião, e quanto à divindade da obra em que estamos engajados. Sei que Deus vive, e sei que Ele está sustentando esta obra; não sois vós, nem sou eu, nenhum indivíduo o está fazendo, nenhuma comunidade o está fazendo por si mesma. Podemos cooperar, podemos unir-nos ao poder de Deus e ajudá-lO a apressá-la até sua consumação, mas a honra de sua realização, de seu triunfo e vitória sobre o pecado, sobre a dúvida, sobre a ignorância do mundo, será devida a Deus Todo-Poderoso, o Criador dos céus e da terra, o fundador da Igreja e de Seu próprio reino. Será devida a Ele, e o povo de Deus o reconhecerá, e Lhe dará a honra e a glória disso.

É verdade que temos, de vez em quando, aqui e ali, ocasionalmente, pessoas que, se pudessem, limitariam o poder, o conhecimento, a sabedoria de Deus Todo-Poderoso à capacidade dos homens. Temos alguns deles entre nós, e alguns deles têm sido, e podem ser, professores. Eles vos dirão que o testemunho escriturístico dos feitos milagrosos realizados pelo Filho de Deus enquanto tabernaculou na carne não passa de infantilidade, de meros símbolos, de nada real, apenas parábola, e nada mais. Eles vos fariam crer isso; fariam a vós e a mim crer, se pudessem, que o Senhor Deus jamais tratou com os homens senão por meio do próprio arbítrio e sabedoria individual do homem, e apenas na medida de seu próprio conhecimento finito. Eles vos fariam crer que os ventos e as ondas estão sujeitos aos homens. Fariam, se pudessem, que crêsseis que o Filho de Deus, que possuía todo o poder, poder de ressuscitar os mortos, poder de dar Sua própria vida e retomá-la, poder de remitir o pecado, poder de destapar os ouvidos dos surdos, de abrir os olhos dos cegos, de purificar o leproso, de expulsar espíritos malignos, e de fazer todas as coisas — fariam-vos crer que tudo isso não passa de meros mitos, e que Deus Todo-Poderoso, que tem todo o poder, não fez tais coisas. Ele "não pôde" transformar água em vinho, tudo bobagem, ridículo, dizem eles; "não pôde andar sobre a água"; não, tudo bobagem; que o Todo-Poderoso "não pôde fazer tais coisas" mais do que os homens poderiam fazê-las. Digo novamente que há apenas alguns ignorantes, "tolos eruditos", se quiserdes, que vos fariam crer, se pudessem, que Deus Todo-Poderoso é limitado em Seu poder à capacidade do homem. Não acrediteis nisso, nem por um momento.

Fariam-vos crer, se pudessem, que o Pai e o Filho não vieram e se revelaram a Joseph Smith, em pessoa; que isso não passou de imaginação de Joseph Smith. Sabemos melhor. A verdade é esmagadora em sentido contrário. O testemunho do Espírito do Deus vivo dá testemunho em sentido contrário, e ensina aos homens que essas coisas são verdadeiras, e que aqueles que as negam estão simplesmente saindo da verdade para as falácias e loucuras das filosofias dos homens. Não estão dispostos a permanecer na verdade sólida e simples que Deus revelou para a salvação das almas dos homens. Acautelai-vos dos homens que vêm a vós com heresias desse tipo, que vos fariam pensar ou sentir que o Senhor Todo-Poderoso, que fez os céus e a terra e criou todas as coisas, é limitado em Seu domínio sobre as coisas terrenas às capacidades dos homens mortais. Eles tentam fazer-vos crer que Deus está ocupado e é grande demais para se preocupar com coisas terrenas. Alegro-me de que sejam relativamente poucos esses indivíduos no mundo, e espero que se tornem cada vez mais raros, até se extinguirem.

Ora, sinto que não devo deter-vos por muito tempo. O escritório do Bispado Presidente gentilmente forneceu algumas declarações interessantes por escrito, as quais vos lerei, talvez com alguns comentários à medida que prossigo.

Durante o ano de 1913, houve um aumento no número de membros em praticamente todas as estacas de Sião. Os seguintes dados, extraídos dos registros estatísticos da Igreja, são ao mesmo tempo interessantes e instrutivos. Os números referem-se somente às estacas organizadas, excluindo as missões:

"A taxa de natalidade entre os Santos dos Últimos Dias, nas estacas, é de 37 por mil.

"A taxa de mortalidade é de 9,3 por mil. A idade média de morte entre os Santos dos Últimos Dias é de 38 anos.

"Há 8 viúvos e 24 viúvas por mil."

E estes, especialmente a última classe, são membros da Igreja que precisam dos cuidados que a viúva e o órfão costumam requerer daqueles que são abundantemente supridos com as necessidades da vida, pois, via de regra, a viúva e o órfão ficam praticamente destituídos dos bens deste mundo.

"As pessoas com mais de vinte e um anos de idade, e solteiras, são cinquenta e uma por mil.

"Os casamentos foram 15 por mil; destes casamentos, 8 por mil foram solenizados nos templos, e 7 por mil foram realizados por cerimônia civil fora dos templos."

Essa condição, entre os Santos dos Últimos Dias, no que se refere a esta última declaração, deveria ser corrigida o mais depressa possível. Presumo que a causa disso é que alguns de nossos jovens não são devidamente treinados, não são devidamente instruídos em seus deveres na Igreja, e quando chegam à idade de casar, alguns deles, ao menos, não estão preparados para receber o aval de seus oficiais presidentes para ir aos templos.

Embora a taxa de casamento entre os membros da Igreja seja talvez tão alta quanto a que prevalece em qualquer outra comunidade civilizada, deveria, ainda assim, ser mais alta. Nossos jovens deveriam ser incentivados a casar-se na idade apropriada.

Isto deveria ser um texto para cada bispo, para cada presidente de estaca. Não é bom que o homem esteja só, e é necessário que nossos jovens e nossas jovens sejam devidamente ensinados quanto à importância, à santidade e ao dever do casamento. Grandes males ocorrem entre os jovens por negligência em ensinar-lhes esses princípios, e por falha em incentivá-los ao cumprimento de seus deveres a esse respeito.

"Durante o ano, 427 membros da Igreja contraíram matrimônio com não membros da Igreja; e destes 427, nota-se que 398 eram mulheres."

Assim, parece evidente que são as jovens mulheres que mais se inclinam a seguir o estranho, e a associar-se em matrimônio com não crentes, o que é lamentável.

"O número de membros da Igreja divorciados durante o ano é de 163; deste número, 59 haviam se casado nos templos, e 104 por cerimônia civil."

Penso que aqui há um ponto digno de observação pelos Santos dos Últimos Dias. Homens e mulheres que se unem nos santos laços do matrimônio, segundo os ritos e cerimônias da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, entram nesse relacionamento solene com melhor compreensão dos deveres e responsabilidades do matrimônio do que outros, porque lhes são ensinados mais plenamente os fatos do caso.

"Foram excomungadas da Igreja, nas estacas de Sião, 55 pessoas."

Em sua maioria, suponho, por serem levados por todo vento de doutrina. Temos algumas pessoas tolas que se apegam a qualquer quimera, ou noção insensata que alguém lhes proponha. São dignas de pena.

"Os batismos na Igreja, de crianças e adultos, dentro das estacas, somaram 35 por mil.

"Durante o ano, houve maior proporção de batismos de adultos do que em vários anos anteriores; esse resultado gratificante deve-se provavelmente ao serviço missionário mais sistemático dentro das estacas, trabalho excelente em que os Setenta têm se destacado. Foi conduzido um trabalho organizado e bem dirigido da parte dos Setenta, pelo qual a mensagem do Evangelho foi levada a muitos de nossos amigos não 'mórmons', que são concidadãos das comunidades em que nosso povo habita. É tão certamente nosso dever pregar o Evangelho aos não membros da Igreja com quem convivemos quanto o é levar a mensagem da verdade às nações da terra. A responsabilidade por esse trabalho missionário doméstico recai sobre as autoridades locais — os presidentes e bispos — sob cuja direção os Setenta que residem nas várias estacas e alas podem ser efetivamente empregados.

"É gratificante saber, como mostram os registros, que, graças aos benefícios de nossas leis de opção local, o bar foi eliminado nas comunidades em que os Santos dos Últimos Dias predominam.

"Mostra-se um aumento acentuado nos trabalhos dos mestres familiares da ala; e um dos resultados diretos dessa importante atividade é o aumento na frequência dos Santos dos Últimos Dias às suas reuniões sacramentais, bem como um aumento acentuado nas matrículas em todas as organizações auxiliares da Igreja.

"Na Estaca de Sião de Ogden, 93% de todas as famílias das alas foram visitadas pelos mestres, mensalmente, durante o ano de 1913. É apenas justo declarar que este é o melhor registro da Igreja.

"Muito bem se tem realizado por meio das visitas regulares dos bispados das alas aos lares dos Santos. Isso deu aos bispos uma percepção pessoal da organização familiar e da vida doméstica do povo de suas alas; e é agradável notar que, em todas as alas, exceto as maiores, os respectivos bispados visitaram, pelo menos uma vez durante o ano, todas as famílias de suas alas. Nas alas maiores, os bispados muito acertadamente convocaram, em seu auxílio, irmãos experientes e influentes para ajudar nessa visitação anual, indo aos lares dos membros, dois ou três juntos, como representantes do bispado. Aproximadamente 60.000 famílias foram assim visitadas, seja pelos bispados em pessoa, seja por seus representantes especialmente designados, durante os últimos meses do ano de 1913."

Gostaria de intercalar aqui apenas um comentário. Foi chamada à nossa atenção, recentemente, a circunstância de que alguns homens de longa data na Igreja — de fato, alguns deles nascidos e criados na Igreja, e que ocupam posições proeminentes em alguns dos quóruns do sacerdócio — quando seus presidentes, ou os bispos das alas em que residem, os chamam para visitar os Santos, ensinar os princípios do Evangelho e desempenhar os deveres de mestres, informam friamente a seus bispos que já se formaram desse chamado, e recusam-se a atuar como mestres. O irmão Charles W. Penrose tem oitenta e dois anos de idade. Estou chegando aos setenta e seis, e creio ser mais velho do que vários desses bons homens que se formaram dos deveres do Sacerdócio Menor, e quero dizer-lhes, e a vós, que não somos velhos demais para atuar como mestres, se nos chamardes para fazê-lo — nenhum de nós. Nunca há um tempo, nunca haverá um tempo, para aqueles que possuem o sacerdócio na Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, em que os homens possam dizer de si mesmos que já fizeram o bastante. Enquanto durar a vida, e enquanto possuirmos capacidade de fazer o bem, de trabalhar pela edificação de Sião e pelo benefício da família humana, devemos, de boa vontade, ceder com prontidão às exigências que nos são feitas de cumprir nosso dever, pequeno ou grande. Espero que meus amigos dos Setenta e dos Sumos Sacerdotes, que se formaram dos deveres do Sacerdócio Menor, levem a sério o que lhes digo, e aprendam melhor, e sejam mais valorosos em seus deveres. Pois pode muito bem chegar o ponto em que teremos de lidar com homens que deixam de cumprir seus deveres, que pagaram todo o dízimo que iriam pagar, que pagaram seu dízimo por tantos anos que se tornaram velhos e opulentos, possuindo fartos meios, e podem andar em seus automóveis, etc. Não podem se dar ao luxo de pagar seu dízimo porque já se formaram dele. Digo que talvez tenhamos de lidar com alguns desses altivos e orgulhosos irmãos, mais adiante, quanto à sua comunhão como membros na Igreja. Não queremos fazê-lo, porque tudo isso é livre-arbítrio de qualquer maneira; mas quando os homens deixam de ter o livre-arbítrio de cumprir seu dever como membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, não deveriam ser alçados a posições de responsabilidade onde, por sua influência, destruirão a fé dos outros, e devemos zelar para que isso não aconteça.

"Como já indicado, as estatísticas vitais da Igreja nas estacas estabelecidas mostram uma condição geralmente boa entre o povo. Em comparação com a nação como um todo, nossas comunidades mostram uma taxa de natalidade mais alta, uma taxa de mortalidade mais baixa, e maior duração média de vida. Recomenda-se enfaticamente que se dê atenção estrita a todas as exigências sanitárias e regras de vida correta. Em alguns dos distritos pouco povoados, o povo ainda depende de poços ou córregos abertos para sua água potável. Os oficiais de estaca e de ala deveriam envidar todo esforço apropriado para assegurar a suas comunidades um abastecimento de água devidamente protegido. A observância sanitária estrita deveria caracterizar todas as comunidades. Entre os maiores inimigos da saúde humana estão a água potável impura, as más condições sanitárias, e a comum mosca doméstica."

Ora, pensai nisso! A limpeza, diz-se, é parte da santidade. Nenhuma coisa impura — e penso que isso significa limpeza da pessoa, limpeza do corpo, bem como limpeza do coração e limpeza do espírito — nenhuma coisa impura pode entrar na presença de Deus. Todos nós deveríamos fazer o máximo possível para suprir nossos lares com água pura para uso doméstico. Deveríamos prover para nossas famílias, tanto quanto possível, toda conveniência de caráter sanitário, para preservar a vida e a saúde, e evitar exposições a resfriados, a fraquezas e enfermidades, próprias da vida de fronteira, em nossos lares rurais. A ideia de entrar num lar onde há crianças, e onde a dona de casa, juntamente com as crianças, muitas delas, têm de habitar, e onde nem mesmo as mais comuns necessidades do lar são supridas para o conforto da família, e, dia ou noite, calor ou frio, têm de ir ao campo ou ao quintal, a alguma distância, para atender às exigências da natureza — perdoai-me a expressão. Deploro a existência de tais condições. Não são muito comumente encontradas, mas onde existem é deplorável, e os homens deveriam pensar e cuidar do bem-estar, conforto, segurança e saúde de suas esposas e filhos, em vez de permitir que continuem, ano após ano, dessa maneira desconfortável.

"O Departamento de Informações, situado no Temple Block, continuou seu esplêndido serviço, proporcionando entretenimento e transmitindo informações aos muitos turistas e visitantes que vêm até nós. Relata que mais de 200.000 visitantes foram recebidos no Departamento de Informações durante o ano.

"E provavelmente, durante o presente ano, esse número será praticamente dobrado, se não mais do que dobrado, de agora até o término da grande Feira do Panamá em São Francisco.

"O trabalho missionário da Igreja fora das estacas tem prosseguido com zelo incessante. O número de missionários trabalhando nos vários campos missionários durante o ano aproximou-se de uma média de 2.000; deste número, mais de 800 saíram de casa para os vários campos missionários durante o ano. Entre os missionários há mais de 100 mulheres, localizadas principalmente em cidades e vilas onde seus serviços podem ser mais adequadamente aplicados. Os presidentes de estaca deveriam sentir que é seu dever ter no campo missionário não menos de seis por mil da população de sua estaca, de modo que o trabalho e a bênção decorrentes desta grande obra dos últimos dias possam ser distribuídos equitativamente por todas as estacas."

Espero que vos lembreis disso.

"Os seguintes élderes foram honrosamente dispensados de suas posições como presidentes de missão, e retornaram do campo desde a última conferência de outubro: Charles H. Hyde, da missão Australiana; Roscoe W. Eardly, da missão Holandesa; Orson D. Romney, da missão da Nova Zelândia; C. Christian Jenson, da missão Samoana; Franklin J. Hewlett, da missão Sul-Africana; A. Theodore Johnson, da missão Sueca.

As posições assim vagadas pelos irmãos mencionados foram preenchidas por novas nomeações. Os presidentes de missão atualmente em exercício são os seguintes: missão Europeia, Élder Hyrum M. Smith, do Conselho dos Doze; missão Australiana, Élder William W. Taylor; missão Francesa, Élder Edgar B. Brossard; missão Havaiana, Élder Samuel E. Wolley; missão Japonesa, Élder H. Grant Ivins; missão Mexicana, Élder Rey L. Pratt; missão Holandesa, Élder LeGrand Richards; missão da Nova Zelândia, Élder William Gardner; missão Samoana, Élder John A. Nelson, Jr.; missão Escandinava, Élder Martin Christopherson; missão Sul-Africana, Élder Nicholas G. Smith; missão Sueca, Élder Theodore Tobiason; missão Suíço-Alemã, Élder Hyrum W. Valentine; missão Taitiana, Élder Franklin J. Fullmer.

E dentro dos Estados Unidos: missão da Califórnia, Élder Joseph E. Robinson; missão dos Estados Centrais, Élder Samuel O. Bennion; missão dos Estados Orientais, Élder Walter P. Monson; missão dos Estados do Norte, Élder German E. Ellsworth; missão dos Estados do Noroeste, Élder Melvin J. Ballard; missão dos Estados do Sul, Élder Charles A. Callis; missão dos Estados do Oeste, Élder John L. Herrick; Colônia de Iosepa, Élder T. A. Waddoups.

"Há agora 724 alas organizadas, e, além disso, 27 ramos, dentro das estacas de Sião. Há 65 estacas de Sião, e 21 missões, além da Colônia de Iosepa. Das 724 alas, 607 possuem capelas próprias, a maioria das quais de construção moderna e que custaram de $5.000 a $35.000 cada uma."

E algumas delas, bem mais do que isso.

"Há 117 alas ainda não providas de capelas permanentes."

E queremos que alguns de vós, bons irmãos das alas que hoje estão empenhados na construção de capelas, tenham em mente essas 117 alas ainda sem capela, e que elas nos pedirão ajuda, mais adiante. Tornai vossos fardos tão leves quanto puderdes para nós, a menos que decidais aumentar o dízimo. Se conseguirdes que todos os não dizimistas de vossas alas, que se dizem membros da Igreja, paguem um dízimo integral, e todos os demais fizerem o mesmo, não vos pediremos que convoqueis o povo para construir vossas capelas. O Fiduciário o fará por vós. Mas não podemos fazê-lo enquanto mais do povo não cumprir seu dever.

"Durante o ano de 1913, foi organizada uma nova estaca de Sião (a estaca de Boise), e 26 novas alas; quatro novos presidentes de estaca foram nomeados e empossados, bem como 115 bispos, e 155 escrivães de ala."

Assim, estamos sempre mudando. Alguns morrem, alguns se mudam, e isso cria a necessidade de um novo suprimento de homens para preencher essas posições.

"A Igreja não tem falhado em seu dever para com os pobres dignos. Os corações dos bispos estão sempre abertos para prover as necessidades daqueles que, de outra forma, ficariam em carência. Nossa esplêndida organização da Sociedade de Socorro fez mais para socorrer os pobres e ministrar aos necessitados, durante o ano de 1913, do que em qualquer ano anterior desde sua organização."

Penso que esta é uma palavra de reconhecimento bem merecida às Sociedades de Socorro da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, e possivelmente, se nossa Junta Geral tivesse sido um pouco mais ativa em seus esforços entre os Santos dos Últimos Dias, saindo e dando o exemplo apropriado diante deles, uma obra ainda maior do que esta poderia ter sido realizada.

"Um item bastante considerável entre as muitas despesas da Igreja para fins beneficentes é o auxílio prestado a nossos refugiados mexicanos.

"A Igreja tem procurado prover, tanto quanto possível, sedes de missão e locais de culto nas diferentes missões, à medida que a necessidade disso surge. No momento presente, as missões possuem, como propriedade da Igreja usada estritamente para os serviços missionários e locais de culto, as seguintes casas:

Missão Britânica, 9; missão da Califórnia, 5; missão dos Estados Centrais, 10; missão dos Estados Orientais, 4; missão Havaiana, 9; Colônia de Iosepa, 1; missão Japonesa, 1; missão Holandesa, 2; missão da Nova Zelândia, 3; missão dos Estados do Norte, 6; missão dos Estados do Noroeste, 6; missão Samoana, 8; missão Escandinava, 6; missão Sueca, 1; missão dos Estados do Sul, 46; missão Taitiana, 2; missão dos Estados do Oeste, 3.

Todos os 46 locais da missão dos Estados do Sul, com exceção da sede em Chattanooga, foram providos pela própria missão. O presidente da missão dos Estados do Sul tornou sua missão autossustentável, e é capaz de enviar, além disso, uma parte dos dízimos do povo de lá ao escritório do Bispado Presidente. Penso que é um exemplo digno para alguns de nossos demais irmãos.

Para mim, estes são fatos muito interessantes, e penso que são fatos que todos na Igreja deveriam conhecer. Gostaria de dizer que os livros do escritório do Bispado estão abertos aos Santos dos Últimos Dias. Não há Santo dos Últimos Dias, em lugar algum, que não possa obter informações a respeito destes assuntos e de outros de seu interesse, a qualquer momento em que deseje obtê-las para sua própria informação e benefício, e para a obra do ministério em que esteja engajado. Está aberto a ele.

Ora, o Senhor vos abençoe. Espero que me perdoeis por ocupar tanto de vosso tempo. Deus abençoe Sião. Meu coração está com esta obra e com este povo. Amo a Deus. Sei que Ele existe, e sei que o meu Redentor vive. Que o Senhor nos ajude a permanecer na verdade e a sermos fiéis, vigilantes e valorosos até o término de nosso labor nesta vida, é minha oração em nome de Jesus. Amém.

Como citar este discursoJoseph F. Smith, “Discurso de Abertura”, Conferência Geral de Abril de 1914, Sessão da Manhã do Primeiro Dia (1914-04-04). Pulpit Vault, 1914-04-00-smith-opening-address. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).