Sião não pode ser profanada
George H. Brimhall
Estou cheio de gratidão pelas bênçãos que me vieram de meus pais e minhas mães, tanto no céu quanto na terra. Sinto, como quase sempre sinto na presença de uma assembleia de meus irmãos e irmãs, que preciso de sua fé e orações; e, se as obtiver, não terei ocasião alguma de pedir vossa atenção. Não viestes aqui para me ouvir. Viestes aqui para ouvir a palavra do Senhor, e, se fui chamado por autoridade para ser o instrumento, débil e indigno como sou, ora, o Senhor será louvado por tudo o que eu disser, e isso dependerá dEle e de vós. ¶
Durante os comentários feitos na abertura desta conferência pelo Presidente Smith, fui levado a refletir, e senti muito profundamente que ele era movido pelo espírito de ousadia e coragem que vinha de seu chamado, reforçado por nosso Pai. Ele não perguntou o que aumentaria seu bom conceito entre este povo. Evidentemente, tinha apenas um pensamento, e esse pensamento era semelhante àquele que inspirou o Profeta Brigham quando surgiu a questão de quem deveria liderar a Igreja, e ele comentou: "Não me importa quem lidere esta Igreja, ainda que fosse Ann Lee, mas uma coisa preciso saber, e é o que Deus diz a respeito." E o Presidente Smith tem apenas uma consideração: "Qual é a vontade do Senhor a respeito deste povo", e Ele nos deu isso — a vontade do Senhor. Há uma passagem de escritura em uma das revelações, na qual o Senhor diz: ¶
"Se meu povo Me construir uma casa em nome do Senhor, e não permitir que nela entre qualquer coisa impura, de modo que não seja profanada, minha glória descansará sobre ela." ¶
Alguma pessoa má poderia ter entrado naquela casa, algum apóstata, algum inimigo poderia ter se infiltrado. Nosso grande Templo aqui já foi invadido por pessoas más que entraram e tiraram fotografias, verdadeiros ladrões que eram; mas isso não foi permitido. Vós não consentistes com isso; eu não consenti com isso; as autoridades não consentiram com isso. Portanto, não se pode dizer que permitimos ou consentimos essas coisas. O Presidente Smith não pode sancionar nada em Sião que a contamine. ¶
Cantamos aqui hoje "Que os montes gritem de alegria"; e enquanto esse hino era cantado, lembrei-me de uma circunstância do ano passado, quando sessenta e cinco eminentes cientistas foram nossos convidados. Estávamos muito desejosos de que conhecessem a verdade a respeito do caráter de nosso povo, e tentamos dizer-lhes a verdade, quando um deles disse: "Não falem, os montes gritam por vós. Vede os canais em sua base. A terra ecoa os pensamentos e o caráter de vosso povo. Vede os pomares, vede as colheitas, os campos; olhai para vossos edifícios; eles clamam o que sois. Tudo isso fala por vós, e desmente tudo o que se disse a vosso respeito como um povo mau." Pensei em minha alma: em verdade se está cumprindo a profecia que dizia que os montes se derreteriam. Creio no derretimento literal dos montes de gelo com a vinda das Dez Tribos do Norte; mas creio também que isso pode ter um sentido figurado — os montes de preconceito se derretendo diante deste povo. Creio no que disse o jovem missionário quando o pastor lhe disse: "Ora, tendes Moisés e os Profetas: por que não os ouvis?" Ele se virou e lhe disse: "Quero que compreendais que Wilford Woodruff, em seu lugar, é um profeta tão grande quanto Moisés jamais ousou ser." Eu também creio isso a respeito do Presidente Woodruff. Cri nisso quando o ouvi dizer, na época em que dedicávamos o Templo aqui: "A partir desta data, este povo começará a prevalecer entre as nações da terra." Nós, por meio da ação de nossos pais e nossas mães, havíamos prevalecido contra o deserto. Havíamos prevalecido contra a perseguição. Havíamos prevalecido contra as insidiosas investidas do vício, e havíamos produzido uma comunidade da qual Deus pôde dizer, por meio de Seu Profeta, quando aquela gloriosa casa foi concluída: "Eles agora prevalecerão contra os preconceitos do mundo." Já o fizemos? Pensai onde estávamos então politicamente. Pensai onde estávamos financeiramente. Pensai onde estávamos educacionalmente, na época em que essa profecia foi feita; e depois pensai onde estamos agora. ¶
Ora, por meio de nosso proselitismo, hoje nos deparamos com pastores se reunindo e clamando: "Estamos impotentes. Algumas leis precisam ser promulgadas contra esses élderes 'mórmons'." Isso é prevalecer? Os "mórmons" foram rotulados — os Santos dos Últimos Dias — como um povo ignorante. Qual é a condição hoje? Perguntai aos reitores de faculdades desta e de outras nações a respeito daqueles dos nossos que estão ou estiveram fora estudando. Quem teria dito, quem teria ousado dizer, há dez anos, que uma das maiores universidades dos Estados Unidos enviaria à Brigham Young University um pedido de um de seus jovens professores "mórmons" para voltar a Chicago e ocupar uma cátedra? E, quando nossos rapazes saem, observam algo que nos faz pensar. Um deles voltou há poucas semanas. Disse ele: "Estamos no mapa em termos educacionais." Foi dito a ele: "Sois da Brigham Young University?" "Sim." A outro foi dito: "Sois do B. Y. College", e assim por diante. ¶
Irmãos e irmãs, estamos prevalecendo. Por que estamos prevalecendo em Sião? Estamos prevalecendo porque nos recusamos a permitir que Sião seja profanada. Sião não pode ser profanada, porque o Profeta de Deus jamais consentirá, e nunca houve, nem jamais haverá, um consentimento oficial à investida de qualquer iniquidade entre este povo. Enquanto houver sempre uma falange oficial de pé, recusando-se a dar sanção oficial à admissão de qualquer mal nesta Igreja, então Sião, a organização que Deus estabeleceu, não pode ser profanada. "Indivíduos podem ser profanados", como costumava dizer o Irmão Maeser. "O Senhor disse que este reino jamais falhará; mas nunca disse que eu jamais falharia." ¶
Há Sião, os puros de coração. Há Sião, este continente. Há Sião, a organização da Igreja de Deus. Sião é gloriosa. Sião é a noiva de Cristo. Sião é aquilo que devemos defender. Ela é uma nau de estado eterno, e estou tão contente, tão feliz por fazer parte dessa grande coisa chamada Sião. ¶
Nosso Presidente, ontem, tomou a posição adequada ao recusar-se a permitir que Sião fosse profanada. Ora, qual é minha missão? Ir ao meu lugar, de volta à Brigham Young University, e dizer ao nosso corpo de professores que continuaremos a recusar a admissão, nesta escola, de qualquer coisa que profane Sião. Qual é meu próximo dever? Ir para minha própria casa, e fazer o mesmo. Aos bispos e presidentes de estaca, nada tenho a dizer. Eles sabem que são os homens de maior responsabilidade na Igreja, logo abaixo das autoridades gerais. Sei o que deve ser feito. Sei que, se nada mais tivesse sido feito nesta conferência, além de ouvir a palavra do Senhor ontem, Israel já teria sido bem recompensado. Que Deus vos abençoe. Amém. ¶