A Força da Igreja É Individual
David O. McKay
Oro pela inspiração do Senhor, para que eu possa dizer as coisas que estarão em harmonia com Sua vontade — essa é a oração de meu coração nesta tarde. ¶
"Seja conhecido a vós todos, e a todo o povo de Israel, que em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, aquele a quem vós crucificastes e a quem Deus ressuscitou dos mortos, em nome desse é que este está são diante de vós. Esta é a pedra que foi rejeitada por vós, os edificadores, a qual foi posta por cabeça de esquina; e em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos." ¶
Assim falou Pedro, o principal apóstolo, quando foi levado perante os juízes por haver curado o coxo. Ele deu forte testemunho àquelas pessoas que, pouco tempo antes, haviam participado, direta ou indiretamente, da crucificação do Salvador. Advertiram Pedro e João a não pregarem Jesus Cristo e Ele crucificado, mas, quando perceberam a ousadia de Pedro e João, e viram o coxo em pé diante deles, curado, deliberaram entre si o que fazer. Então voltaram e advertiram os apóstolos a não pregarem Jesus Cristo ao povo. Nesse ponto, Pedro e João, sob a inspiração do Espírito Santo, responderam: "Julgai vós se é justo, diante de Deus, ouvir-vos antes a vós do que a Deus; porque não podemos deixar de falar do que vimos e ouvimos." Em diversas ocasiões diferentes, o profeta Joseph Smith foi indagado, por não membros, visitantes curiosos de Nauvoo e de outras cidades, na história primitiva desta Igreja, qual era o segredo da força que parecia se manifestar na Igreja nos primeiros dias. Numa ocasião, para ser específico, perguntaram-lhe como governava este povo, e sua resposta foi: "Eu lhes ensino princípios corretos, e eles se governam a si mesmos." As pessoas hoje se perguntam onde reside o segredo do crescimento, da estabilidade e da vitalidade da Igreja de Cristo. Aqueles que têm preconceito quando vêm ao nosso meio se convencem de que há algo dentro da Igreja que aqueles que não são dos nossos não compreendem. Recentemente, uma jovem senhora do Leste passou algumas semanas entre nós, visitando amigos. Evidentemente, sua mente estava previamente cheia de preconceito contra o povo de Utah, particularmente contra a Igreja. Mas ela andava com algumas de suas amigas que estavam ativamente engajadas no trabalho de Classes de Religião, algumas ativamente engajadas na Primária, e outras na Escola Dominical. Um dia, quando voltaram de algum desse trabalho regular, ela fez este comentário: "Bem, deve haver algo nesta Igreja, ou tantos homens e mulheres inteligentes não estariam tão ativamente engajados nela. Ora, quase sinto vontade de entrar eu mesma nesse trabalho." Sem dúvida, já encontrastes pessoas que, vendo talvez alguma demonstração como esta da força de Israel, se perguntam como é que esta Igreja manifesta tal vitalidade e crescimento. O segredo é este: que todo verdadeiro Santo dos Últimos Dias possui, individualmente, a certeza de que esta é a obra de Deus, o mesmo poder que deu a Pedro e João a força de se apresentar diante de seus acusadores e declarar, aberta e ousadamente, no Sinédrio, que "Jesus, a quem vós crucificastes, é o poder pelo qual este homem foi curado", que Seu nome é o único nome dado entre os homens pelo qual podem ser salvos. ¶
O segredo reside no testemunho possuído por cada indivíduo que é fiel na condição de membro da Igreja de Cristo, de que o evangelho consiste em princípios corretos. É esse mesmo testemunho que foi dado a Pedro, o qual ele expressou quando Cristo perguntou a Seus discípulos "quem dizem os homens que eu sou?" "Uns dizem que és este profeta, outros dizem que és aquele; alguns dizem que és Elias." "Mas vós, quem dizeis que eu sou?" E Pedro respondeu: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo." "Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas; não foi carne e sangue que to revelou, mas meu Pai, que está nos céus; e eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela." Este testemunho foi revelado a todo homem e mulher sinceros que se conformaram aos princípios do evangelho de Jesus Cristo, obedeceram às ordenanças, e se tornaram merecedores de, e receberam, o Espírito de Deus, o Espírito Santo, para os guiar. Cada indivíduo permanece independente em sua esfera nesse testemunho, exatamente como estas milhares de lâmpadas incandescentes que fizeram de Salt Lake City, durante a última semana, tão brilhante à noite, cada uma das quais se mantém e brilha em sua própria esfera, mas a luz nela é produzida pelo mesmo poder, pela mesma energia, da qual todas as demais luzes recebem sua energia. Assim, cada indivíduo na Igreja permanece independentemente em sua esfera, independentemente no conhecimento de que Deus vive, de que o Salvador é o Redentor do mundo, e de que o evangelho de Jesus Cristo foi restaurado por meio do Profeta Joseph Smith. Ora, é dado a alguns, diz o Senhor em Doutrina e Convênios, saber, pelo Espírito Santo, que Jesus é o Filho de Deus, e que foi crucificado pelos pecados do mundo. É a estes que me refiro, que permanecem firmes sobre a rocha da revelação, no testemunho que prestam ao mundo. Mas o Senhor diz, além disso, que há outros a quem é dado crer no testemunho das palavras de outros, para que também possam receber a salvação, se permanecerem fiéis. A todos estes, contudo, também chega o testemunho da experiência diária. Os Santos dos Últimos Dias, por todo o mundo, encontram confirmação de seu testemunho em cada cumprimento do dever. Sabem que o evangelho os ensina a serem indivíduos melhores; que a obediência aos princípios do evangelho os torna homens mais fortes, e mulheres mais verdadeiras. Todos os dias, esse conhecimento lhes chega, e não podem negá-lo; sabem que a obediência ao evangelho de Jesus Cristo os torna maridos melhores e mais verdadeiros, esposas verdadeiras e honradas, filhos obedientes. Sabem que a obediência aos princípios do evangelho os torna, em todos os aspectos, construtores ideais de lar; o ideal está ali, sentem-no em suas mentes, não podem negá-lo, o sabem, e sabem que a transgressão destes princípios terá o efeito oposto sobre suas vidas individuais e sobre suas vidas familiares. Sabem que a obediência ao evangelho fomenta a verdadeira irmandade e comunhão entre a humanidade; sabem que são melhores cidadãos, em virtude da obediência às leis e ordenanças. Assim, à medida que passam por seus atos diários, e aplicam a religião em sua vocação, a verdade do Evangelho se torna exemplificada em suas vidas. Assim, com o testemunho do Espírito, o testemunho da razão, e o testemunho da experiência diária, os Santos dos Últimos Dias, por todo o mundo, devem permanecer inexpugnáveis. ¶
Fiquei profundamente impressionado outro dia, ao ler um livro escrito por um homem que procura uma igreja que virá, por fim, a dominar o mundo. Esta é a igreja que ele descreve, e quero lê-la, tendo em mente a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias: ¶
"A igreja que pode dizer aos que não têm igreja: Nosso caminho é o melhor, porque funciona melhor; nosso povo é eficiente, próspero e feliz porque somos um corpo que se auxilia mutuamente na vida produtiva; não desperdiçamos nada de nossa substância em vício, luxo ou ostentação; não dissipamos nossa energia em brigas, jogos de azar ou hábitos malsãos; conservamos nossos recursos de corpo e mente, e os dedicamos à edificação do reino de Deus, que não é um reino místico, mas real; é um corpo de pessoas dominado por ideais de produtividade, que é o serviço mútuo. Não lutamos pelas coisas que satisfazem apenas por um momento e depois deixam um gosto ruim; lutamos pelas coisas que nos edificam e nos permitem, a nós e a nossos filhos, tornarmo-nos fortes: florescer e conquistar. Esforçamo-nos por nos tornarmos dignos de receber o mundo, capacitando-nos a usá-lo mais produtivamente do que outros. Cremos que a obediência a Deus significa obediência às leis da natureza, que não são senão as manifestações uniformes de Sua vontade, e procuramos, por meio de estudo cuidadoso, adquirir o conhecimento mais completo e exato dessa vontade, a fim de que possamos nos conformar a ela. Cremos que a reverência a Deus é o respeito a estas leis; que a mansidão é a disposição de aprender, e a vontade de aprender por meio da observação e da experiência; ao praticar este tipo de mansidão, ou disposição de aprender, cremos que herdaremos a terra, enquanto os que não são mansos, os que não são dispostos a aprender, dominados pelo orgulho da tradição, não a herdarão. Oferecemos-vos trabalho árduo, sustento frugal, disciplina severa, mas uma parte na conquista do mundo pela religião da vida produtiva. Tal igreja está fundada sobre a rocha da eficiência econômica, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela." ¶
Meu testemunho, e o vosso, é que esta igreja de Cristo pode oferecer aos que não têm igreja todas as boas coisas que este autor procura, e mais ainda; porque Deus revelou mais no governo e na condução de Sua igreja. ¶
Ora, irmãos e irmãs, o testemunho do evangelho é uma âncora para a alma, em meio à confusão e à contenda. Não poderíamos, então, possuindo esse testemunho, manifestar ao mundo outro atributo da Igreja de Cristo, que é o amor? O conhecimento de Deus e de Suas leis significa estabilidade, significa contentamento, significa paz, e, com isso, um coração cheio de amor, estendendo-se a nosso semelhante, oferecendo-lhe as mesmas bênçãos, os mesmos privilégios. O amor gerará tolerância e bondade. Ora, peço que, durante o próximo mês, ou por aí, quando nossas pequenas cidades e vilas, e estados, estiverem mais ou menos agitados pela contenda política, que nos lembremos de ter caridade e amor uns pelos outros. Ah, não nos ocupemos de ataques pessoais, nem destruamos a reputação de um irmão, nem firamos seus sentimentos. Estamos nos empenhando em estabelecer o reino de Deus; agarremo-nos a esse fato como a âncora de nossa alma, e então exalemos caridade e amor para com aqueles que talvez não vejam exatamente como nós vemos. Quero dizer que, enquanto defendemos nossa convicção política particular, evitemos os ataques pessoais; não podemos nos dar ao luxo de ferir os sentimentos de um irmão e feri-lo. Creio, com um poeta ocidental, que isso não vale a pena: ¶
"Vale a pena que empurremos um irmão, ¶
Que carrega seu fardo na estrada acidentada da vida? ¶
Vale a pena que zombemos uns dos outros — ¶
Em escuridão de coração, que guerreemos até a faca? ¶
Que Deus tenha piedade de todos nós, em nossa lamentável contenda. ¶
"Que Deus tenha piedade de todos nós, ao nos empurrarmos uns aos outros; ¶
Que Deus nos perdoe a todos pelo triunfo que sentimos ¶
Quando um companheiro cai sob seu ¶
fardo na charneca, Trespassado no coração: as palavras são ¶
mais afiadas do que o aço, E muito mais poderosas para a desgraça do que para o ¶
bem-estar. ¶
****** "Vale a pena que batalhemos para humilhar ¶
Algum pobre coitado, jogando-o no pó? ¶
Que Deus tenha piedade de todos nós! O tempo, cedo demais, derrubará ¶
A todos nós juntos, como folhas ao vendaval, ¶
Humilhados, de fato, no pó." ¶
Então, para concluir, permaneçamos com nossos corações centrados e nossas mentes firmemente fixas nesta verdade eterna — de que o evangelho de Jesus Cristo está entre os homens para a redenção e a salvação da família humana. Sigamos adiante no espírito disso, tratando nossos semelhantes no espírito do amor e da bondade. Trabalhemos em nossos conselhos, em nossos quóruns, guiados por esse mesmo espírito, pois a Igreja, em meio à contenda política e à inquietação social, permanecerá firme, para usar as palavras de Goldsmith, ¶
"Como algum pico elevado que ergue sua forma imponente, ¶
Que se avoluma do vale e, a meia altura, ¶
deixa para trás a tempestade, Embora em torno de sua base as nuvens rolantes ¶
se espalhem, O sol eterno se assenta sobre seu cume." ¶
Que Deus conceda que permaneçamos fiéis a esta Igreja; que possamos sempre ser encontrados defendendo os homens que Deus chamou para nos guiar, e perceber que estar em harmonia com eles significa que estamos em harmonia com Deus, pois Ele os sustenta. Amém. ¶