Minha Plataforma de Fé
J. Golden Kimball
uma coleira restritiva e agradar aos sentimentos populares. Gostaria que minha pregação tivesse cor, emoção, se sentisse como em casa, e reavivasse velhas memórias, e eu mesmo me sentisse livre como um potro num pasto. Ora, se não posso sentir isso entre os Santos dos Últimos Dias, aonde na terra poderia ir para me sentir livre? ¶
Durante o mês passado, ou por aí, tenho lido plataformas políticas, e promessas, e compromissos suficientes para durar ao povo destes Estados Unidos por mil anos, se forem cumpridos. (Risos.) Não acredito em fazer muitas promessas ou compromissos, mas quando os fazeis, e apresentais uma plataforma, digo que procureis viver de acordo com ela. Tenho uma plataforma sobre a qual meus pés estão colocados, e espero que estejam plantados sobre um fundamento de rocha, de modo que, quando vierem as tempestades e a tribulação encontrar seu caminho entre nós, eu possa discernir a diferença entre a verdade e o erro, entre a luz e as trevas. Esta é minha plataforma: Minha fé é que Deus é o Pai de todos, e Cristo é o Redentor e Auxiliador de todos. Creio na religião de Cristo, tal como Ele a ensinou; e descubro que Suas doutrinas nunca mudam. Além disso, creio que Joseph Smith é um Profeta de Deus, e que esta é a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, tal como revelada pelo Salvador e Seus servos autorizados ao Profeta Joseph Smith; que o Sacerdócio de Deus é a Constituição da Igreja, e os atuais profetas vivos, e aqueles associados a eles, são verdadeiros discípulos de Cristo, devotados aos interesses do povo. Espero, irmãos, que creiais que esta é minha plataforma. Espero que minha longa peregrinação nesta Igreja vos tenha convencido de que sou honesto, sincero e fervoroso em minhas convicções; que tenho confiança implícita e perfeita em Deus e em Seu Filho Jesus Cristo. Deus se eleva acima dos homens. Somos como Ele, mas Ele é perfeito, e é por isso que tenho fé Nele, sabendo que serei recompensado por todos os meus trabalhos fiéis, e por todos os meus erros terei de ser responsável. ¶
Irmãos e irmãs, tenho pensado, já faz algum tempo, em certas coisas, e as tenho fervido, como meu pai costumava ferver o suco da cana-de-açúcar, até chegar a algo próximo do que quero vos dizer hoje. Jesus Cristo encontrou certa classe de pessoas quando veio à terra, uma classe que fazia muito mal entre os filhos dos homens. Se eu fizesse um apelo ao Senhor pela geração presente, diria: "Dai-nos HOMENS, homens como nossos pais, e mulheres como nossas mães, homens e mulheres que tinham fé em Deus, cuja religião era amor e sacrifício, e que estavam dispostos a entregar tudo por Deus." Eram homens limpos; que eram puros; que eram corajosos, e que não temiam fazer o certo quando sabiam que era certo. Ora, este é o tipo de homem que queremos. Este é o tipo de homem que esperamos que nossos filhos sejam. Mas há outra classe de homens, a que chamo de Homens de Meio Caminho; oro a Deus para que nunca me encontre entre eles. Preferiria estar morto a ser contado entre os homens de meio caminho, pessoas que têm expressões de gesso no rosto, e são sem coração, sem alma, sem amor e sem grandeza. São a classe hipócrita, tal como se encontravam entre os homens quando Jesus estava na terra. Têm a audácia e o descaramento de querer tudo na terra como recompensa por sua suposta ¶
generosidade. Chamam isso de esmola, ou de ajudar os pobres; alguns chamam de religião, mas isso é um nome errado. Esse tipo de gente é uma classe sem espinha dorsal, autojustificada, intolerante, e a causa de infindáveis prejuízos. Nunca lutam abertamente. "São demagogos e caçadores de cargos. Empoleiram-se em cada monte de formigas, coaxando seus discursos de palanque a favor deste ou daquele homem para ocupar um cargo. Nunca dão um pensamento sequer a se tal homem fará bem ao povo ou não." São parasitas que se alimentam e engordam à custa do povo. "Querem que batamos o mato enquanto eles engarrafam a caça." Parte disto não é original, mas é muito bom. (Risos.) Quando se trata de autossacrifício, de lutar pela verdade, são como o moribundo a quem o ministro perguntou: "Renunciarás ao diabo e a todas as suas obras?" O moribundo olhou para cima, de maneira débil e angustiada, e disse: "Por favor, não me peça para fazer isso. Vou para uma terra estranha, e não quero fazer inimigos." (Risos.) "Dorme, dorme, bebezinho, no galho da árvore" não vai resolver nossos problemas. Não adianta clamar "Tudo vai bem em Sião", porque não é verdade. A questão é: quem é a favor de Deus e quem é contra Ele? Isso me faz lembrar de outra história. No meio de uma eleição em Denver, uma menininha estava sentada numa igreja com sua mãe sufragista, ouvindo um ministro que pregava com muita seriedade e gestos enfáticos. Quando ele terminou, a menininha se virou para sua mãe e perguntou: "Mamãe, ele era a favor ou contra Deus?" ¶
Ora, queremos saber a favor de quem estais. Quando falamos à geração presente, perguntamos: seremos moldados por nosso ambiente e contaminados pelo demônio do dinheiro, ¶
manchados pela corrupção e pelo comercialismo, engolidos de corpo e alma por questões políticas? Seremos vencidos como os homens vermelhos, forçados contra a parede e esmagados numa humildade encurvada e numa apreensão de olhar embotado, e aceitaremos tal destino com sombrio estoicismo, e deixaremos de tentar evitar nossa iminente perdição? ¶
O povo "mórmon" é uma valiosa herança para a raça. Tivemos vigor físico, que deve ser um dos fundamentos para a força mental de qualquer povo duradouro. Nossas vidas foram governadas por impulsos elevados. Há apenas uma geração ou duas entre nós e nossos pais e mães pioneiros. É fisicamente impossível que este tipo de homem seja produzido de qualquer outra maneira, senão desenvolvendo as possibilidades desta terra esplendidamente dotada. Homens de couro cru não se desenvolvem em ambientes fechados. Não podemos fazer evoluir homens como Washington, Boone, George Rogers, David Crockett, Joseph Smith o Profeta, Brigham Young, ou os demais pioneiros, sob o presente ambiente e sistema educacional. "Fazemos nossos filhos passarem por um curso de educação que cobre de oito a doze anos, e então são soltos e chamados de educados." ¶
Nossos filhos precisam ser ensinados quanto aos grandes problemas do dia; as escolas deveriam ressoar com os golpes de martelo das oficinas de trabalho do mundo; assim, as crianças se tornarão cidadãos treinados da república. Nossos cidadãos, doravante, estarão estudando e batalhando tão heroicamente por suas liberdades cívicas e industriais quanto seus antepassados, os patriotas de guerra, batalharam pelos ideais de guerra. ¶
Esta geração teve conforto demais, dinheiro demais, prazer demais. Viveram ¶
de leite e mel, quando deveriam ter sido alimentados com pão, agrião e água fria, e dormido nas montanhas. Lamento que meus filhos não tenham vivido com o tipo de alimento com que fui criado; então teriam mais espinha dorsal. Deveríamos adotar uma política para fortalecer sua espinha dorsal, se necessário, alimentando-os com "carne crua, pimenta caiena e uma dieta de cacto verde." Este mundo não foi feito apenas para abrigar pessoas imbuídas de egoísmo e infelicidade, sem ambição além de comer, beber e procriar. Devíamos planejar com antecedência, ter algum propósito; isso é viver verdadeiramente. "Vida significa oportunidade. Vida significa desenvolvimento. Vida bem vivida significa conhecimento, crescimento, simplicidade de vida e complexidade de pensamento." ¶
"O dia dos Laodicenses passou, porque são mornos, nem frios nem quentes", disse a voz que falou na Ilha de Patmos, "vomitar-te-ei da minha boca." "Há homens inteiros cujos próprios corpos estão num serviço vergonhoso", por causa da natureza de seu emprego não têm liberdade; não têm a liberdade que o povo "mórmon" tem, que, em regra, possui e trabalha a terra, mas são meios-homens, como os Laodicenses, almas servis, e às vezes sinto que são um estorvo para a terra. ¶
Ora, meus irmãos e irmãs, com a ajuda do Senhor, procuremos elevar a geração presente, para que neles seja soprado o espírito de seus antepassados, para que tenham coragem de resistir ao mal, viver uma vida melhor e mais limpa, descobrir o que é certo, e então permanecer nisso. A menos que esta geração obtenha o espírito de nossos antepassados, o que pode Deus fazer para preservar a Constituição? A menos que os filhos desta nação se levantem e se afastem da servidão e do cativeiro do luxo, da facilidade, do conforto — não se pode fazer evoluir homens verdadeiros com esse tipo de ambiente — não é possível. Este é o apelo que faço à geração presente; digo-vos, Deus nada pode fazer com um "homem de meio caminho". Vós nunca vistes, em toda vossa vida, um deles que desse evidência de uma veia de covardia e que chegasse a valer alguma coisa. Enviei um de meus filhos para fazer certa coisa. Ele não conseguiu o que foi buscar, mas manteve suas cores erguidas e lutou até o fim. Nunca houve um momento em minha vida em que estivesse tão orgulhoso de meu filho; ele não mostrou a veia de covardia. É assim que me sinto em relação ao reino de Deus. Não conheço homem algum, em todo o mundo, que eu pudesse sustentar com mais facilidade do que aquele que abriu seu caminho por estas montanhas e sobre estes vales, através de dificuldades, sofrimentos e privações, como o Presidente desta Igreja fez. Se algum homem nesta terra tem direito à sua posição hoje, e a mereceu, é ele; e há outros com ele. Estava conversando com um estranho proeminente ontem, e ele me disse que estava com preconceitos quando chegou aqui, e eu disse: "Gostaria que tivésseis conhecido nossos principais homens; gostaria ¶
que tivésseis sido íntimo de Brigham Young, e de Heber C. Kimball; teríeis gostado deles." Ele disse: "Achais mesmo?" Respondi: "Sei que sim, ou então não sois homem como eu sou." (Risos.) ¶
Oro a Deus que vos abençoe, meus irmãos e irmãs. Posso estar próximo do fim de meu trabalho, mas que venha, e venha o bem ou o mal, a vida ou a morte, se Deus me der Seu Espírito, e eu conservar a coragem de minhas convicções, serei fiel a Deus e defenderei a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Que o Senhor vos abençoe. Amém. ¶