Discurso da Conferência
Charles H. Hart
Tenho certeza de que todos ficamos muito satisfeitos, esta manhã, por termos conosco o presidente de nossa Igreja, por ouvirmos o forte testemunho que prestou e as boas instruções que recebemos da presidência da Igreja. Regozijo-me em ver tantos fiéis Santos dos Últimos Dias presentes aqui esta tarde, muitos que tive a oportunidade de conhecer nas várias estacas de Sião. Regozijo-me na presença destes meus irmãos, os presidentes das várias estacas de Sião, ¶
e tantos bispos e trabalhadores em várias funções na Igreja. Conheço seus trabalhos e sua devoção; conheço o tempo que estão dedicando, os esforços que estão empenhando para o crescimento e a edificação da Igreja nas várias estacas e alas e campos onde estão trabalhando. ¶
Temos ampla evidência da divindade desta obra dos últimos dias. Nossa atenção é, às vezes, chamada para o peso do testemunho que existe no mundo em favor do cristianismo, e afirma-se que a própria evidência é suficiente para convencer os homens da divindade do cristianismo, à parte da questão da fé ou do sussurro para eles da voz mansa e delicada. O mesmo pode ser dito da evidência que sustenta a divindade do mormonismo. O Senhor foi muito cuidadoso ao lançar os fundamentos para a vinda do mormonismo, para que o testemunho fosse tão claro e explícito que pudesse apelar ao entendimento e à razão dos homens. Além dos apelos à fé, fazia parte do programa que três homens fossem selecionados e chamados como testemunhas especiais da divindade do Livro de Mórmon e de sua tradução divina. Isso foi pensado, séculos antes de o livro ser traduzido, e, é claro, o Pai teve o cuidado na seleção de homens que seriam fiéis a esse testemunho, homens que jamais vacilariam, homens que não trairiam a confiança que o Pai neles depositou, de carregar a grande honra de serem testemunhas da tradução divina do Livro de Mórmon. Foram fiéis a essa confiança. Homens que examinam, de fora, as evidências sobre as quais o mormonismo se apoia, ficam cada vez mais convencidos do fato de que esses homens foram sin- ¶
ceros. Não havia motivo algum para mentira da parte deles. Não havia esperança de recompensa financeira, ou coisa alguma desse tipo, que os induzisse a declarar o que fosse falso. O próprio fato de que nenhum dos três foi capaz de viver de acordo com a rígida disciplina da Igreja, e o Profeta os disciplinou da mesma forma que faria com outros membros da Igreja, é uma evidência para toda a humanidade de que não havia conluio ou conivência corrupta entre o Profeta e essas testemunhas da tradução divina do Livro de Mórmon. O fato de que dois deles voltaram para a Igreja, suplicando humildemente para se tornarem novamente membros da Igreja, é uma evidência de que estavam convencidos, até o fim, de que a obra era de Deus. A outra testemunha, que não voltou para a Igreja, era, contudo, tão firme em seu testemunho, tal como impresso no Livro de Mórmon, até o dia de sua morte, quanto sempre fora. Um de nossos élderes visitou David Whitmer poucos anos antes de sua morte, e colocou em versos a substância de uma entrevista com ele. Os versos foram depois lidos a David Whitmer, e ele concordou que era uma declaração correta da entrevista. Aquela parte dos versos referente a seu testemunho impresso no Livro de Mórmon é a seguinte. Quando perguntado se era verdade que havia visto um mensageiro celestial que lhe mostrou o registro sagrado em placas de ouro, ¶
"Ele ergueu a voz, e assim respondeu: ¶
Minha declaração escrita jamais neguei; ¶
Vi o anjo, e ouvi sua voz, E coisas maravilhosas, que fizeram meu coração se regozijar. ¶
"Esta entrevista foi buscada com oração fervorosa, ¶
O Profeta e três testemunhas ali estavam; ¶
Mas Martin, com a consciência pesada, recusou-se a ficar, ¶
E se afastou sozinho, para vigiar e orar. ¶
"Não sei o posto do anjo, nem seu nome, ¶
Que nesta grande e gloriosa missão veio; ¶
Sei que estava revestido de poder e força, ¶
E estava rodeado de luz refulgente. ¶
"Língua alguma pode contar a glória e o poder ¶
Que nos foi revelado naquela hora bendita; ¶
As placas de latão e ouro o anjo tomou, ¶
E as colocou diante de nós como um livro aberto. ¶
"Vimos também as belas gravações nelas, ¶
E ouvimos a voz declarar que o livro é verdadeiro; ¶
Poder algum na terra poderia de nossas ¶
mentes apagar as gloriosas visões deste encon- ¶
tro. ¶
"Fizemos, como então nos foi ordenado ¶
fazer. E testificamos que o 'Livro Mórmon' é verdadeiro; ¶
E foi traduzido pelo poder dado ¶
ao Profeta Joseph pelo Deus dos Céus. ¶
"Milhares de pessoas vieram aqui ver ¶
A 'cópia' que Oliver me deixou; Os caracteres, além disso, Martin levou ao Professor Anthon — palavras do livro sagrado. ¶
"Alguns me visitam que odeiam o mormonismo. Alguns de baixa condição, e alguns de alta estirpe; ¶
Digo a todos eles, como agora vos digo, O Livro de Mórmon é de Deus, e verdadeiro. ¶
"Naquele aposento tenho guardado com cuidado ¶
a cópia do impressor, e as palavras tão raras, ¶
as próprias palavras do sagrado livro de Néfi, ¶
que Martin levou ao Professor Anthon. ¶
"Se isto não for a verdade, não há verdade, ¶
E tenho estado enganado desde a minha juventude; ¶
Se estou enganado, podeis saber, então, ¶
Que não há Deus, nem lei, nem vida, nem razão. ¶
"Sei que há um Deus — ouvi ¶
Sua voz, E em Seu poder e verdade ainda me ¶
regozijo; ¶
Embora tolos zombem e riam hoje, ¶
Ainda hão de saber a verdade do que digo. ¶
"Sofri perseguição às mãos ¶
de pregadores mercenários, e suas hostes cristãs; ¶
Enfrentei seu ódio e o resisti. ¶
Enquanto sedentos pelo sangue do jovem Profeta. ¶
"Vieram, quatrocentos fortes, com ¶
semblante audaz, E disseram: 'Negai esta história que ¶
contastes; ¶
E por nossa sagrada honra, nos comprometemos ¶
a salvar-vos da fúria enfurecida da turba.' ¶
"Um poder poderoso veio sobre mim, e falei ¶
em palavras que fizeram os culpados amoti- ¶
nados tremer; E o tremor tomou conta da multidão ¶
agitada, e o medo, Mas fiquei ileso, senti que Deus estava ¶
perto."* ¶
As outras testemunhas, como David, permaneceram fiéis até o fim. Um deles, antes de se reincorporar à Igreja, ao prestar um testemunho muito firme às palavras que primeiro havia dado, disse que, com a ajuda de Deus, seria seu testemunho de morte; e, estranhamente ¶
*Uma entrevista com David Whitmer, em agosto de 1883, por James H. Hart, de Bloomington, Idaho. ¶
o bastante, o mesmo élder que o ouviu fazer aquela declaração estava presente em seu leito de morte, e as últimas palavras distinguíveis que proferiu foram em confirmação e apoio ao testemunho tal como impresso na folha de guarda do Livro de Mórmon. ¶
E com os oito, também, que testificaram que viram as placas, as manusearam, e as ergueram; embora três deles tenham se desviado, e não tenham sido capazes de suportar as dificuldades que pesavam sobre os seguidores da Igreja naquela época, nem de viver de acordo com as rígidas exigências e disciplina da Igreja, ainda assim, esses três dos oito testemunhas jamais negaram o testemunho que deram. ¶
Os homens tendem a dizer que essas eram experiências subjetivas — esses assim chamados milagres; mas isso não pode ser verdade; isso não é verdade. Se o anjo falou ao Profeta Joseph a respeito de placas de ouro, havia as placas de ouro em confirmação da informação recebida, demonstrando, além de qualquer dúvida, que não se tratava de mera questão do estado mental ou da condição subjetiva da mente do profeta. ¶
Os homens, percebendo que não há fundamento para questionar a sinceridade dessas testemunhas, tendem agora a conceder sua sinceridade, mas a questionar a precisão de sua observação. Essa posição é tão fraca quanto questionar a sinceridade das testemunhas. É possível que um indivíduo tenha uma ilusão de um único sentido. Isso está dentro da experiência, talvez, da maioria de nós, a possibilidade de termos, temporariamente, iludido um sentido em particular, particularmente o sentido da visão. Muitos de nós já devem ter tido a experiência de olhar sobre uma planície alcalina e ela nos parecer um lago de água; ou de ver pequenos arbustos ¶
a distância que, sob o efeito de uma miragem, parecem árvores altas; assim como arbustos que crescem perto da parte norte do Grande Lago Salgado pareceram ao Coronel John C. Frémont e seus exploradores serem árvores. Mas, quando temos o sentido da visão confirmado pelo sentido do tato, ou pelo sentido da audição, então podemos saber com certeza se houve, ou não, alguma ilusão do sentido da visão. Seria coisa muito singular que dois homens, ou mais, tivessem o sentido da audição, ou o sentido do tato, ou qualquer outro sentido, iludido exatamente da mesma maneira, ao mesmo tempo. É impensável supor que as três testemunhas tiveram uma ilusão do sentido da visão e do sentido da audição ao mesmo tempo, exatamente da mesma maneira; ou que as três testemunhas tiveram seus sentidos comprometidos, de modo que experimentaram uma ilusão não somente do sentido da visão, mas também do sentido do tato — pois manusearam as placas. Viram as belas gravações sobre as placas de ouro, e observaram o curioso trabalho manual, a aparência antiga das placas; e, além disso, testaram o assunto com o sentido físico, "pesando" as placas, como expressaram. Assim, quando temos todos esses vários sentidos das testemunhas se unindo para lhes transmitir as mesmas percepções, não podemos razoavelmente explicar seu testemunho supondo que fosse uma ilusão de sua parte. ¶
A teoria moderna dos psicólogos que tentam uma explicação do mormonismo baseia-se, em grande parte, na sinceridade do profeta Joseph Smith, e na sinceridade das testemunhas, mas alega que estavam iludidos. Mas o mormonismo não pode ser explicado com base em alguma má interpretação ¶
ou ilusão psicológica. O evangelho é inexpugnável ao escrutínio de um ponto de vista psicológico, assim como de qualquer outro ponto de vista de que possamos considerá-lo. Penso que havia um propósito em fazer apelo a esses vários sentidos, assim como penso que houve um propósito na manifestação de nosso Senhor e Salvador a Seus discípulos, depois de Sua ressurreição. Vós vos lembrareis de que Ele não Se contentou em dar-lhes uma mera vista, uma mera visão de Sua pessoa, mas, para que pudessem estar seguros, e para que os filhos dos homens, até as últimas gerações, pudessem estar seguros de que não era ilusão do sentido da visão o que aqueles discípulos testemunharam na aparição do Salvador a eles, Ele disse: "Apalpai-me e vede." Foi-lhes pedido que colocassem as mãos em Seu lado, e sentissem as marcas dos cravos em Suas mãos e em Seus pés, para saber que era uma presença corpórea, e não uma mera aparição, ou uma mera visão, como o ateu tem tentado alegar, e, talvez, teria conseguido sustentar com sucesso perante muitas pessoas, não fosse pela evidência adicional apresentada pelo sentido do tato. ¶
Tampouco se pode fazer objeção a essas circunstâncias, testificadas, com base no que é milagroso. É claro que o ateu apresenta a questão de tal forma que dificilmente pode haver prova de algo como um milagre. Ele diz: "Deve haver uma experiência uniforme contra todo acontecimento milagroso, senão o acontecimento não mereceria essa designação." Assim, ele coloca o milagroso fora da experiência, de modo que, no momento em que se estabelece o fato da existência do assim chamado milagroso, este então entra no reino daquilo que se baseia no testemunho ou na experiência. Há ¶
esta fraqueza a se notar na força do que se supõe estar de acordo com a experiência uniforme, e é que ela se apoia, em grande parte, em testemunho negativo, enquanto um milagre, assim chamado — aquilo que nos é milagroso — quando devidamente sustentado por testemunho, tem o peso de prova afirmativa. Onde um fato é devidamente verificado, embora não esteja dentro do domínio do que ordinariamente ocorre, ainda assim, se for devidamente atestado por prova afirmativa, tem direito a grande peso, contra as declarações negativas daqueles que não tiveram o privilégio de testemunhar quaisquer manifestações desse tipo. ¶
O poeta Tennyson nos diz que "a fé e a incredulidade jamais podem ser poderes iguais," que "a incredulidade em qualquer coisa é falta de fé em tudo." Até que ponto isso possa ser verdade, não discutirei, exceto para apontar sua aplicação à falta de fé nesses fundamentos que foram discutidos pelo Presidente Smith esta manhã; pois, se temos incredulidade na existência de Deus, isso, em si mesmo, tem grande alcance, e equivale a falta de fé em tudo. Isso é verdade, também, em grande medida, com referência aos princípios fundamentais sobre os quais o mormonismo se apoia. Uma falta de fé na vinda do Livro de Mórmon, e no estabelecimento divino do mormonismo, e na missão profética do Profeta Joseph Smith, seria abrangente em suas consequências, no que diz respeito à crença no mormonismo. ¶
Regozijo-me, meus irmãos e irmãs, no fato de que, no estabelecimento do assim chamado mormonismo, e na enunciação de seus princípios, apela-se tanto à razão quanto à fé. Alguém afirmou que "a fé é uma faculdade mais elevada do que a razão." Regozijo-me no fato de que nosso evangelho apela não somente à fé, mas também à ¶
razão. Isso é verdade quanto às doutrinas que nos são dadas neste livro que nos chegou de maneira tão maravilhosa, o Livro de Mórmon. Os princípios ali anunciados são razoáveis, e se baseiam na razão, e o mesmo é verdade com referência às gloriosas doutrinas contidas naquele outro produto da inspiração do século dezenove, a Doutrina e Convênios. Não me sinto inclinado a adentrar numa discussão desse campo, das belezas dos princípios contidos e anunciados nesses livros, da maneira como são sustentados pelos escritos dos filósofos, nem da maneira como apelam à nossa razão. ¶
Que o Senhor nos abençoe, meus irmãos e irmãs, e nos capacite a perceber, no mais fundo de nosso coração, as verdades do mormonismo, seu fundamento divino, que é a obra de Deus, que Ele a tem guiado no passado e continuará a guiá-la no futuro. Que sejamos fiéis e verdadeiros às confianças em nós depositadas, e façamos nossa parte ajudando a estabelecer esta grande obra na terra, é minha oração, em nome de Jesus. Amém. ¶