Os Filhos Como Bênção e Responsabilidade
Anthon H. Lund
Sinto-me muito humilde ao apresentar-me perante esta grande congregação, depois de terdes ouvido as esplêndidas instruções e os fortes testemunhos prestados da verdade. Sei que vós, comigo, sentis-vos felizes em saber que não estamos em dúvida, mas temos um testemunho da verdade. O Senhor nos deu a certeza de que Ele estabeleceu esta obra, e de que ela aponta o caminho que leva à vida eterna. Sinto-me muito grato por este testemunho. ¶
Os temas que foram tratados são muito oportunos. Nossos filhos são nosso bem mais precioso. Diz o Salmista: "Eis que os filhos são herança do Senhor; e o fruto do ventre, o seu galardão. Como flechas na mão de um homem valente, assim são os filhos da mocidade. Bem-aventurado o homem que enche deles a sua aljava." Assim era como aquele homem inspirado via os filhos. Nós os vemos da mesma maneira? De todos os povos sobre a terra, deveríamos sentir-nos abençoados por possuir filhos. Deveríamos considerar um dever sagrado educá-los corretamente enquanto são jovens, pois temos a garantia de que, se os filhos forem educados no caminho em que devem andar, quando envelhecerem dele não se desviarão. Este dever, então, recai sobre todos os Santos dos Últimos Dias, e não é apenas um dever — deveríamos vê-lo como um privilégio que Deus nos deu de treinar suas jovens mentes, para que cresçam e sejam uma honra para nós, e se tornem membros úteis da Igreja e Reino de Deus. Bons filhos estão entre as maiores bênçãos; mas devemos lembrar-nos de que toda bênção que Deus nos concede traz também responsabilidade, e a responsabilidade de criar corretamente nossos filhos, de protegê-los das influências más, é muito grande. Com a riqueza crescente em nossa comunidade, encontramos também o crescimento de más influências ao nosso redor. Há muito para desviar nossos filhos do caminho correto. Portanto, Santos dos Últimos Dias, devemos estar alertas. Não deixemos de cuidar de nossos filhos. Encorajemo-los a frequentar as sessões das diferentes instituições em nosso meio. Deixai que os pequeninos vão às Primárias. Direi aqui que nossas irmãs que demonstram tanto interesse em frequentar as Primárias serão abençoadas pelo Senhor, e sentimo-nos levados a abençoá-las; da mesma forma, os que trabalham nas Classes de Religião. Queremos que nossos filhos aprendam religião prática, e é nessas classes que nossos irmãos e irmãs os estão treinando nesse sentido. Temos instituições em nosso meio que quase não são conhecidas, mas que estão fazendo uma grande obra na proteção de nossos filhos contra o mal que os cerca. Refiro-me aos Comitês de Aprimoramento, compostos de homens que foram designados nas diferentes alas para cuidar das crianças. Eles têm salvado muitos de se desviarem. Não creio que os pais estejam realmente em tanta harmonia com eles quanto deveriam. Como disse o Presidente, temos tanta confiança ilimitada em nossos filhos que não pensamos que possam fazer algo errado; e se um de nossos irmãos nos avisar que, talvez, um filho ou filha nosso esteja em más companhias, alguns de nós estão prontos a repudiar tal acusação; e aquele que nos fala, e que o faz por bondade de coração, quase o vemos como um inimigo. Não deveríamos fazer isso. Esses homens estão fazendo o melhor que podem para trabalhar em favor de nossos jovens. Diria, irmãos e irmãs, estejamos todos despertos, estejamos todos na torre de vigia; porque, se o adversário alguma vez procurou destruir a nós e a nossos filhos, é agora; e que tristeza deve ser para o coração dos pais ver seus filhos abandonarem a fé ou se desviarem. Cuidando deste assunto a tempo, e dedicando mais tempo a nossos filhos, muito disso poderia ser evitado. ¶
O Bureau of Information, aqui neste quarteirão, está realizando uma importante obra missionária. Centenas de milhares de pessoas vêm aqui, e quando veem o que os Santos dos Últimos Dias realizaram, querem saber algo a respeito deste povo adquirido — quais são seus motivos? e o que estão fazendo? Nossos irmãos e irmãs que trabalham tão desinteressadamente aqui, dia após dia, estão fazendo uma esplêndida obra ao esclarecer homens e mulheres a nosso respeito e a respeito de nossa religião. Nossos missionários no exterior sentem o resultado deste trabalho. Eles entram nas casas de estranhos, e começam a falar-lhes sobre o Evangelho, e muitas vezes lhes dizem que estiveram em Salt Lake, e acrescentam: "Fomos tratados com bondade por vosso povo; podemos fazer algo por vós?" A muitos missionários se disse: "Vinde ficar conosco; considerai nossas casas como vossas, enquanto trabalhardes neste distrito." Isso ocorreu porque essas pessoas aprenderam a verdade a nosso respeito, enquanto estiveram em nosso meio; e assim digo, Bendito sejam nossos trabalhadores neste quarteirão, que servem no Bureau of Information. Eles simplesmente dizem a verdade aos que aqui vêm; e os viajantes que nos visitam sentem que nosso povo está dizendo aquilo que ele próprio sente e sabe ser verdade a respeito de sua religião. Não sabemos quanto bem uma palavra pode fazer. Ela pode abrir caminho para o trabalho missionário em regiões de nosso país onde antes não tínhamos conseguido acesso. Pode igualmente abrir caminho para terras estrangeiras, pois estrangeiros também vêm aqui. Quando estive em Estocolmo neste verão, encontrei um de nossos missionários. Este jovem uma vez viajava para Denver. No trem, encontrou-se com um cavalheiro que havia visitado Salt Lake, e quando descobriu que o jovem era mórmon, quis saber tudo o que pudesse a respeito de nosso povo. Ao despedir-se, deu-lhe seu endereço e desejou que o jovem se correspondesse com ele. O jovem foi chamado para uma missão na Alemanha. Correspondeu-se com esse homem, e descobriu que ele era um barão da Finlândia, e antes que o missionário voltasse para casa, este homem convidou-o a velejar com ele em seu iate, ao redor da Escandinávia; mas o irmão não teve tempo para fazê-lo. Menciono isso para mostrar-vos que influência umas poucas palavras tiveram sobre um homem, mesmo de tal posição. Ele amava o jovem, e quando se despediu dele, comoveu-se até as lágrimas. "Agora," disse ele, "enviai missionários a nosso país, e serão protegidos lá." Temos procurado enviar missionários à Finlândia, mas, por causa do rígido governo da Rússia, nossos élderes não têm conseguido permanecer lá por muito tempo de cada vez. Contudo, tivemos excelentes homens e mulheres que se filiaram à Igreja ali, e que vieram para cá viver conosco. Este homem foi comovido pelo que ouvira. Pensava que havia liberdade suficiente na Finlândia para que homens e mulheres adorassem a Deus segundo os ditames de sua consciência, mas não sabia o quanto os Élderes haviam sido perseguidos ali. ¶
Quero dizer a nossos irmãos e irmãs que, durante minha visita às diferentes missões da Europa, neste verão, regozijei-me ao ver nossos missionários e a obra que estão realizando. Estão cheios de santo zelo pela disseminação da verdade. São homens dos quais podeis orgulhar-vos, homens que estão conquistando o amor e a estima de todos os homens bons com quem entram em contato. À medida que o povo do mundo vê suas vidas puras e sua conduta íntegra, seu amor pelos homens e seu desprendimento ao dedicar-se, com seu tempo e seus meios, a converter almas a Cristo, percebem que nossos missionários não poderiam fazer isso, a menos que fossem sinceros e tivessem firme convicção da verdade do Evangelho que proclamam. ¶
A obra está progredindo, e espero que em breve venha o tempo em que aqueles países onde não há liberdade para adorar a Deus, como os homens sentem que devem fazer, recebam tal liberdade. Espanto-me de que uma nação esclarecida como a Alemanha ainda baniria homens que não fizeram mal algum, que apenas procuraram mostrar aos outros o caminho que eles próprios sabem levar a Deus. Não faz muitos dias, um jovem que estudava em Berlim — não um missionário — entrou em nossa reunião. Era um excelente cantor, e cantou os cânticos de Sião para encorajar seus irmãos e irmãs; e por esta ofensa foi banido. Penso que, quando isto for apresentado sob a luz correta perante o governo, esta política poderá ser mudada, pois não posso crer que juízes e homens de entendimento possam considerá-la algo justo. Contudo, a perseguição jamais deteve a obra do Senhor. Banimento, prisões e encarceramento não impedirão nossos élderes de trabalhar entre o povo. ¶
Esta obra foi estabelecida por nosso Pai Celestial, e nenhuma oposição pode detê-la. Quando havia apenas seis ou dez membros na Igreja, poder-se-ia pensar que o adversário poderia detê-la, mas nem mesmo então. Ela cresceu. A influência do Evangelho, tal como trazida à luz pelo Profeta Joseph Smith, está abrindo caminho e sendo sentida em todas as nações; as verdades reveladas por meio dele ainda serão aceitas pelo mundo. Muitos há hoje que creem nelas, embora não saibam de onde vieram. A verdade prevalecerá, e aguardamos o tempo em que cobrirá toda a terra, e tornará os homens livres em Cristo. Então Cristo virá e reinará sobre a terra; trará paz aos homens; conterá as influências do mal, e introduzirá um reinado de paz. Sinto-me grato por esta fé e esperança terem me sido dadas, e sei que vós também as tendes. Que o Senhor abençoe os Santos dos Últimos Dias; abençoe esta obra, para que prospere; abençoe Seus servos com o espírito de seu chamado, para que o que fizerem promova os interesses da Igreja de Cristo, peço isso, em nome de Jesus, Amém. ¶