Regozijando-se no Espírito da Conferência
Heber C. Iverson
Regozijei-me grandemente no espírito e na instrução desta conferência, e sinceramente confio que, durante os poucos momentos em que ocuparei esta importante posição, eu possa ser inspirado pelo Senhor a dizer algo que seja de valor para nós, e que redunde em honra e glória à obra e ao reino de nosso Pai. ¶
Ouvi com muito interesse as palavras já proferidas, e especialmente fui impressionado pelas declarações feitas pelo Presidente Cannon, que me precedeu. Há algum tempo, assisti a uma reunião em que ele falou, e seu testemunho foi semelhante ao que nos foi prestado nesta tarde, e causou em minha mente uma impressão duradoura. Falou de sua gratidão a nosso Pai nos céus por lhe conceder o conhecimento de que Jesus é o Cristo, e de que Joseph Smith foi e é um profeta de Deus, "mas mais importante", disse ele, "do que o outro é o fato de que sei que aquele que hoje está à frente da Igreja é igualmente um profeta, inspirado pelo Todo-Poderoso, escolhido por Ele para liderar Israel e guiar Seu povo." Esta última expressão — possivelmente não exatamente nestas palavras — encontrou eco em meu coração, e, como já disse, causou uma impressão duradoura. Creio ser de vital importância, meus irmãos e irmãs, que saibamos que Joseph F. Smith, que hoje está à frente da causa de Deus sobre a terra, é Seu servo escolhido, que é inspirado por Deus. Graças ao Senhor, podemos desfrutar deste testemunho, e não precisamos tatear nas trevas. O Senhor, em Sua sabedoria, Seu amor infinito e Sua misericórdia, de fato tornou claro o caminho, e fez a provisão, pela qual cada um e todos nós podemos saber, por nós mesmos, se nosso Presidente fala do Senhor ou de si mesmo; se fala como quem tem autoridade, e se a obra que ele se esforça por promover na terra, e as instruções que nos dá dia após dia, são a obra do Senhor e Sua vontade a nosso respeito. ¶
Lembro-me de ter lido, daquele erudito Professor Drummond, estas palavras: "A obediência é o órgão do conhecimento espiritual, uma associação muito notável", diz ele, "que foi feita pelo Mestre." O próprio Jesus fez esta declaração: "A minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou; se alguém quiser fazer a vontade dele, conhecerá a respeito da doutrina, se ela é de Deus, ou se eu falo de mim mesmo." Em outras palavras, aquele que está na linha do dever, guardando os mandamentos de Deus, obedecendo a Suas exigências e recebendo Sua instrução, sobre ele há de repousar a inspiração do Todo-Poderoso, a luz do céu e da verdade, e ele saberá que é verdade; as trevas não estarão em seu caminho. O Professor Drummond, comentando sobre isto, diz: "É uma associação muito notável, quando associamos a obediência, que se considera puramente espiritual, com o conhecimento, que se considera inteiramente intelectual." Mas, ainda assim, a associação foi feita pelo grande Mestre e Instrutor. Nesta mesma linha de pensamento, permiti-me ilustrar a importância do princípio da obediência, chamando vossa atenção para uma circunstância com a qual estais familiarizados. O Senhor orientou o profeta Samuel a dizer a Saul que ele e seu exército deveriam sair e matar todos os amalequitas, e não trazer nada consigo ao voltar para casa. Saul saiu e cumpriu parte do mandamento, mas viu aquilo que pareceu atraí-lo, e poupou parte do que havia capturado, para o desagrado do Senhor e para a própria destruição de Saul. Quando Saul voltou ao Profeta Samuel e declarou que havia feito a vontade do Senhor, e guardado Seu mandamento, o profeta lhe perguntou: "Que balido de ovelhas, pois, é este nos meus ouvidos, e o mugido de vacas que ouço?" e Saul tentou desculpar-se. Todos estais familiarizados com a história, e vos lembrais das palavras do Senhor por meio do Profeta Samuel: "Tem porventura o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrifícios quanto em que se obedeça à palavra do Senhor? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender é melhor do que a gordura de carneiros." Voltando ao pensamento expresso pelo Professor Drummond, de que "a obediência é o órgão do conhecimento espiritual", apenas uma palavra de comentário sobre esse pensamento. Na sabedoria do Todo-Poderoso, assim foi ordenado; fosse de outra forma que não "a obediência é o órgão do conhecimento espiritual", e que conhecer a Deus, encontrá-Lo a Ele e a Seus caminhos, fosse deixado aos eruditos e aos ricos, como receberiam o evangelho os humildes e os iletrados, os pobres da terra? O Senhor, em Sua misericórdia e amor, tornou claro o caminho e fácil a vereda, de modo que os mais humildes e iletrados possam encontrá-lo, se O buscarem; podem conhecê-Lo, se assim o quiserem, sem educação universitária, grande riqueza ou opulência. Podem vir a Ele e receber de Suas fartas bênçãos e de Seu amor. O Senhor fez estas provisões, e nós, como Santos dos Últimos Dias, deveríamos ser gratos por o evangelho ter sido pregado aos pobres da terra. Lembrai-vos de que o Senhor disse que esta foi uma das evidências de Sua missão divina, quando aqueles que foram enviados por João Batista vieram e Lhe perguntaram a respeito de Sua identidade, se Ele era o Messias, ou se deveriam esperar por outro. Jesus disse-lhes que fossem e dissessem a João que os coxos são feitos a andar, os cegos a ver, e o evangelho é pregado aos pobres; que o evangelho fosse pregado aos pobres foi citado como forte evidência de que Ele era, de fato, o Senhor. ¶
Para desfrutarmos das bênçãos do Senhor, devemos prestar obediência a Sua vontade. Estava pensando nesta linha esta manhã, ao ouvir as palavras do Presidente Smith, em relação a um princípio vital, um dos princípios fundamentais do evangelho. Considero a obediência à Palavra de Sabedoria de muitíssima importância para nós, como Santos dos Últimos Dias, pois aquela palavra contém muito que é de valor temporal e espiritual para nós, e para a juventude de Sião. Considero que todo pai e toda mãe deveriam dar a seus filhos exemplos dignos de imitação. Quando as crianças são ensinadas nas escolas dominicais, nas associações da Primária, nas classes de religião, e instituições afins, e ensinadas pelos élderes da Igreja de que é a vontade do Senhor que nos abstenhamos daquelas coisas proibidas na Palavra de Sabedoria, e então veem seus pais e mães, a quem consideram os seres mais próximos da perfeição no mundo, em quem confiam absolutamente para orientação, cuja instrução e exemplo são mais potentes na formação de seu caráter do que qualquer outra influência no mundo, se os veem em aberta violação desta Palavra de Sabedoria, que pensais ser o resultado nas mentes dessas crianças? Creio que, se herdei um apetite ímpio que é difícil de controlar, e tenho consciência disso, que, se eu ceder a ele, possivelmente destruirei ou escurecerei minha alma, e afastarei de mim o Espírito do Todo-Poderoso, que é meu privilégio desfrutar, não deveria perder tempo algum em fazer tudo o que estivesse em meu poder para controlar e erradicar, se possível, aquela disposição inerente; ou, se tenho um apetite cuja gratificação vale mais para mim do que os interesses e o bem-estar de meus filhos, sinto e creio que sou um pai indigno. Toda criança que vem a meu lar não é apenas filho meu, mas filho de meu Pai celestial, e a Ele sou responsável pela instrução que dou a essa criança, pelo exemplo que dou, e possivelmente pelo resultado dessas instruções e exemplos; por eles hei de responder perante Ele. Lembro-me agora das palavras do Apóstolo Paulo, que disse: "Também, na verdade, tivemos nossos pais segundo a carne, para nos corrigir, e os reverenciamos; não nos sujeitaremos muito mais ao Pai dos espíritos, para vivermos?" A parte essencial do homem, aliás, o próprio ser, o espírito, é um filho de Deus; o homem é um ser duplo. Tivemos pais do organismo físico; estes seres físicos foram criados, gerados por nossos pais terrenos, mas aquilo que pensa e quer, o eu, o próprio ser, ou espírito, se preferirdes, a parte perdurável do homem, aquilo que existia na presença do Grande Ser Eterno, e veio à terra para passar por esta prova mortal, esta escola de experiência humana, tão necessária na providência do Todo-Poderoso — isso, digo eu, é filho de nosso Pai. Quando Ele envia um filho Seu à terra, dá aos pais aquilo que Lhe é mais precioso do que toda a riqueza dos mundos que Ele criou. Sagrada, de fato, é a confiança, e grande é a responsabilidade que recai sobre aqueles que recebem um filho Seu. Digo, então, que, se meus preceitos e exemplo não estiverem em conformidade com Sua vontade e em harmonia com Sua lei, e aquele filho Seu for para a destruição, por causa de minha falha em guardar os mandamentos do Senhor, ai de mim. E, se eu, por meu próprio erro, transmitir um desejo ímpio ou um apetite destruidor de almas a algum filho meu (pois creio nas influências pré-natais), estarei assim colocando ao redor do pescoço daquela criança uma pedra de moinho, por assim dizer, e possivelmente essa pedra de moinho poderá arrastá-la às profundezas da degradação, e eu, por causa da gratificação egoísta de meus apetites, serei responsável por sua destruição; que pensais que será minha condenação? Considero estas coisas com seriedade, meus irmãos e irmãs. Considero um de meus mais solenes deveres e responsabilidades apresentar às crianças que Deus me dá exemplos dignos de imitação. Reconhecendo minhas próprias fraquezas, como reconheço, pedindo constantemente a ajuda de Deus na batalha da vida, desejo poder, de fato, impressionar em meus filhos, se possível, o pensamento de que sou ao menos sincero em minha profissão de fé. Se eu puder implantar profundamente em seu coração a fonte da fé, fazê-los sentir que verdadeiramente creio naquilo que lhes ensino, que minha vida é consistente com isso, e puder ir para minha sepultura tendo estabelecido no coração de meus filhos fé permanente no evangelho de Jesus Cristo, em Sua vontade revelada e em Seus mandamentos, sentirei que fiz mais por eles do que se lhes tivesse legado incontáveis milhões, ou lhes tivesse dado quaisquer ou todas as coisas perecíveis deste mundo. ¶
Sinto que a Palavra de Sabedoria é uma lei importante para este povo. Se o pai e a mãe no lar sentem que podem violar impunemente este mandamento do Senhor, estão enganados. Suponde que ensineis a vossos filhos que estas coisas proibidas, estabelecidas na Palavra de Sabedoria, lhes são prejudiciais, e então participais delas; suponde que ensineis a vossos filhos que chá, café, tabaco ou bebida alcoólica são prejudiciais, e participais de qualquer um destes, ao fazê-lo, não dais a vossos filhos a oportunidade de pensar e sentir que, embora não participeis das outras coisas mencionadas, a lei não é tão importante em vossa mente quanto poderia ser? Estas coisas estão todas na mesma categoria proibida, incluídas no mesmo mandamento; portanto, não dais a vossos filhos uma licença, e não colocais diante deles este exemplo, e não os impressionais com este pensamento, de que a lei, afinal, não pode ser muito importante, do contrário meus pais não a violariam? Ou isso, ou os filhos dirão a si mesmos: "Meus pais creem nisso, mas são fracos demais para viver à altura das exigências do Senhor." Verdadeiramente ficaríeis humilhados se fôsseis obrigados a reconhecer, diante de vossos filhos, vossa incapacidade e fraqueza. Seria, de fato, humilhante para vós dizerdes a vossos filhos: "Esta é a vontade do Senhor; estas coisas são prejudiciais, mas não sou forte o suficiente, não sou capaz de me controlar o suficiente, e cedo a meus apetites." Além disso, isso diminuiria vossa influência sobre vossos filhos, e diminuiria, muito substancialmente, o respeito que têm por vós. Deveríamos ser coerentes nestes assuntos; deveríamos negar-nos a nós mesmos, por amor a nossos filhos, por amor a nós mesmos, e por causa da reverência que temos por Aquele que é o pai dos espíritos de nossos filhos; e por causa de sermos obedientes à vontade do Senhor, para que possamos possuir aquele conhecimento a que se referiu o Presidente Cannon, e um conhecimento da verdade do evangelho. ¶
Alegra-me saber, como disse o Presidente Smith esta manhã, que há uma onda de temperança varrendo o país. Sinceramente espero que sintamos sua força, e que nos encontremos na corrente de seu avanço; que façamos tudo o que estiver a nosso alcance para ajudar na realização do fim a que ela visa, e que nós e nossos filhos possamos tirar proveito deste importante movimento. ¶
Em conclusão, desejo prestar testemunho de que sei que Joseph F. Smith é um profeta de Deus, que ele é agora aquele escolhido por Deus para liderar este povo. Nada melhor podemos fazer do que buscar seu conselho e sua orientação, e segui-los. Não é sacrifício algum de virilidade resolvermos que seremos obedientes ao Senhor, que seremos submissos a Ele; pois considero que a obediência é um dos atributos mais fortes dos homens mais nobres do mundo. Foi uma das características ou qualidades mais eminentes na vida Daquele que morreu para que os homens pudessem viver. Ninguém foi tão obediente quanto Ele o foi, obediente à vontade de Seu Pai. Recordemos Sua oração: "Meu Pai, se é possível, passe de mim este cálice amargo; porém, não seja como eu quero, mas como tu queres." Creio que diante Dele passou, como que em visão panorâmica, aquilo que Ele teria de suportar; nas profundezas da aflição e na amargura do sofrimento, Ele sentiu que, se fosse possível que Sua grande missão pudesse ser realizada de alguma outra maneira que não fosse assim sofrendo, que assim o fosse; "porém, não seja feita a minha vontade, mas a tua; não a minha vontade, mas a tua, seja feita." Ele é nosso exemplo em obediência. Foi implicitamente obediente à vontade de Seu Pai; contudo, foi o maior Homem que jamais viveu no mundo, e, aliás, o Homem mais caluniado, maltratado e perseguido que jamais viveu. Desde Sua infância, sim, desde Seu nascimento, Sua vida foi visada pelos poderes das trevas. Lembrai-vos de como Herodes, o rei, buscou tirar-Lhe a vida, por temor de que ele, Herodes, fosse privado de seu trono pelo Menino Rei, se Jesus tivesse permissão de viver. Portanto, digo eu, desde o dia de Seu nascimento até que foi cruelmente suspenso entre o céu e a terra, foi caçado, perseguido e caluniado, difamado e maltratado por aqueles que estavam nas trevas, e por aqueles cujo coração estava cheio de amargura e preconceito. Se Ele foi assim incompreendido, expulso de um lugar a outro, caluniado e difamado, sendo Ele o Filho de Deus, o Redentor do mundo, o Impecável em cujos lábios não se encontrava culpa alguma, se Ele foi assim maltratado e incompreendido — e creio que houve aqueles tão cheios de corrupção, tão completamente entregues ao poder do adversário, que alegavam prestar serviço a Deus ao assim perseguir e matar o Redentor do mundo — digo eu, se isto é verdade a respeito Daquele que era sem pecado, não poderia ser verdade igualmente que Seus servos, que, embora não sejam sem pecado, são homens segundo o próprio coração de Deus, também eles poderiam ser incompreendidos, caluniados, difamados, e mortos por aqueles que são inspirados pelos poderes das trevas? Digo-vos que Joseph F. Smith é um profeta de Deus. Sob a inspiração de Deus, ele conduzirá este povo corretamente. Meu maior desejo é que eu possa ser sempre digno de sua confiança, disposto a receber seu conselho e a segui-lo; se eu puder fazer isto, sinto-me seguro de salvação no reino de Deus. ¶
Que o Senhor acrescente Sua bênção, e ajude a cada um de nós a obter uma herança em Seu reino, é minha oração, em nome de Jesus. Amém. ¶