Pulpit

Responsabilidade Individual e Lealdade nos Assuntos da Igreja

David O. McKay

Conferência Geral de Outubro de 1906·Sessão da Tarde do Terceiro Dia·1906-10-07

Responsabilidade individual nos assuntos da Igreja. — Sede leais e fiéis porque é correto. — O Espírito Santo, um guia mais seguro do que a razão. — Quem falha em cumprir o dever é infiel a si mesmo.

Junto com o desfrute do espírito desta conferência, minha alma tem travado uma luta com um sentimento de temor a este momento, e, se não conseguir fazer-me ouvir, meus irmãos e irmãs, é porque grande parte de minha energia foi gasta em expectativa ansiosa. Peço vossa simpatia, e vossa fé e orações, para que as palavras que profiro se conformem ao espírito desta conferência. Se fostes afetados como eu por esse espírito, então cada um de vós está fortemente impressionado com sua responsabilidade individual. Provavelmente apreciais, mais fortemente do que nunca, que esta organização da Igreja depende de todo o povo, não apenas de alguns poucos; e que aqueles membros que deixam de assumir sua parte de responsabilidade não são inteiramente fiéis a seus irmãos.

O Presidente Joseph F. Smith, em seu discurso de abertura, expressou este sentimento, quase nestas palavras: "Volto agora para os Santos dos Últimos Dias determinado a guardar meus convênios, a ser fiel a meu dever e leal a meu Deus." Perguntei-me quantos, portadores do Sacerdócio, diriam a mesma coisa, e voltariam para seus companheiros de trabalho com essa mesma determinação em seus corações. Quantos Patriarcas aqui reunidos disseram a si mesmos: estou determinado a ser fiel a meus convênios, fiel a meus irmãos, fiel a Deus? Quantos dos Sumos Sacerdotes por toda a Igreja têm esse mesmo sentimento dentro de si? Ele arde no coração de quantos Setentas? Quantos dos milhares de Élderes que participaram do espírito desta conferência expressaram este sentimento? Quantos do Sacerdócio Menor? Nos corações de quantos dos Santos dos Últimos Dias esse sentimento penetrou? Isso significa que, em quantos corações esse sentimento entrar, tantos são os membros e oficiais nesta Igreja que estão determinados a cumprir sua responsabilidade individual; e não porque isso lhes foi insistido por outra pessoa; não, esse não é o verdadeiro espírito do Santo dos Últimos Dias. Creio que deveríamos ser influenciados nisto como o foi um grupo de marinheiros por um de seus próprios membros, muitos anos atrás. Foi durante a agitação antiescravagista, e convocou-se uma reunião no Fanueil Hall, em Boston. Alguns marinheiros haviam sido contratados para interromper a reunião. Foram até lá em grupo, dançaram no chão, cantaram, gritaram, e de todas as formas possíveis tentaram impedir que os oradores se dirigissem à reunião. Em vão apelaram a eles. Seu amor pela liberdade, a memória de seu antigo lar, a honra de Massachusetts, tudo foi invocado; mas ainda assim continuaram sua perturbação e recusaram-se a se aquietar. De repente, um homem, evidentemente um deles, levantou-se. Aquietados por um momento por sua aparição, pensando ter encontrado um campeão, a turba cessou seu barulho. O homem disse: "Rapazes, eu não me aquietaria a menos que quisesse." Encorajada por este comentário, a turba irrompeu em aplausos ruidosos, que duraram provavelmente cinco minutos. Quando cessaram, pelo desejo dos homens de ouvir mais, o homem continuou: "Não, eu não me aquietaria se não tivesse vontade; mas, se eu fosse vós, teria vontade, não pela memória deste salão, não pela honra de Massachusetts, não apenas pela lealdade a seu governo, mas porque sois homens; e homens honrados sempre se levantam pela liberdade do direito, da justiça e da livre expressão." Aquietaram-se; sua masculinidade fora tocada. Como membros da Igreja reunidos em conferência, creio que deveríamos voltar para casa determinados a cumprir a responsabilidade que recai sobre nós, não meramente porque estes irmãos nos instaram a fazê-lo, mas porque a temos em nossas almas para fazê-lo.

E qual é essa responsabilidade que recai sobre todo membro da Igreja? Recorro à seção 107 da Doutrina e Convênios, e ali encontro enumerados os deveres das várias organizações do sacerdócio, e leio, no parágrafo 99, o seguinte:

"Portanto, agora, que todo homem aprenda o seu dever e a agir no ofício para o qual for designado, com toda a diligência."

Dois princípios nessa admoestação se destacam como o dever dos oficiais aos quais esta revelação foi dada. Primeiro, o aprender, o saber qual é o próprio dever; segundo, agir com toda diligência no cumprimento desse dever. Saber qual é o próprio dever, aprender a verdade, é o dever de todo Santo dos Últimos Dias, de todo homem e mulher no mundo, incluindo aqueles fora desta Igreja. Toda a humanidade, creio eu, está sendo impelida, elevada por aquele Espírito que a faz desejar a verdade. Até mesmo no mundo político, encontramos grandes homens que têm buscado a verdade política, verdades que aliviariam situações políticas. No mundo da moralidade, encontramos grandes reformadores buscando verdades que aliviarão condições sociais prejudiciais.

O mesmo sentimento se encontra no mundo financeiro. Os homens de ciência estão entre os principais buscadores da verdade. Fomos informados esta manhã sobre aquele Poder que impeliu Colombo a lançar-se ao oceano. Em resposta àquele sentimento nele inspirado, de demonstrar uma verdade da qual se sentia confiante, ele não podia contentar-se; tinha de dar-lhe expressão. Há um sentimento natural que impele homens e mulheres em direção à verdade; é uma responsabilidade colocada sobre a humanidade. Essa responsabilidade recai sobre os Santos dos Últimos Dias em grau ainda maior do que sobre seus semelhantes. Se recorrerdes à seção 88, encontrareis a seguinte admoestação: "E como nem todos têm fé, buscai diligentemente e ensinai-vos uns aos outros palavras de sabedoria; sim, nos melhores livros buscai palavras de sabedoria; procurai conhecimento" — como? — "sim, pelo estudo", mas não apenas pelo estudo, como o mundo o busca, "e também pela fé."

Os Santos dos Últimos Dias aprenderam a verdade de que o Evangelho eterno foi restaurado. E o que traz a eles este conhecimento? Traz a todos os que honesta e sinceramente obedeceram aos princípios do arrependimento e do batismo o dom do Espírito Santo, que ilumina suas mentes, aguça seu entendimento, e lhes concede um conhecimento de Cristo. Os Santos dos Últimos Dias têm um guia, um auxílio, um meio de ajudá-los na aquisição da verdade, em seu desejo de saber qual é seu dever, que o mundo não possui. E este guia é necessário; o homem não pode descobrir a verdade; não pode descobrir a Deus somente pelo intelecto. Já se disse que nenhum homem pode descobrir Deus por meio de um microscópio. A razão sozinha não é um guia suficiente na busca da verdade. Há outro guia, mais elevado, mais seguro ainda do que a razão. É Dryden, creio, quem diz:

"Fracos como os raios emprestados da lua e das estrelas Para o viajante solitário, cansado, errante, É a Razão para a alma; e, assim como no alto Aqueles fogos rolantes revelam apenas o céu, Não nos iluminam aqui, também o débil raio da Razão Foi-nos emprestado, não para assegurar nosso caminho incerto, Mas para nos guiar para cima, a um dia melhor."

Nos conduz a que dia? À luz solar da fé — aquele princípio que atrai nosso espírito à comunhão com o Espírito Superior, que trará todas as coisas à nossa lembrança, nos mostrará as coisas que hão de vir, e nos ensinará todas as coisas. Adquirir esse Espírito é a responsabilidade do Santo dos Últimos Dias que quiser conhecer a verdade.

Mas conhecer uma coisa, ou meramente sentir uma certeza da verdade, não é suficiente. "Àquele que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado." Ora, onde estamos? Pensai nas instruções dadas durante esta conferência. Vós e eu sabemos agora, como provavelmente nunca percebemos antes, qual é o dever do Santo dos Últimos Dias individual, e qual é o dever das várias organizações. "Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado."

Este pensamento nos leva a considerar o segundo dever mencionado nesta revelação pelo Profeta Joseph Smith: "Portanto, agora, que todo homem aprenda o seu dever e a agir no ofício para o qual for designado, com toda a diligência." O homem que sabe qual é seu dever e deixa de cumpri-lo não é fiel a si mesmo; não é fiel a seus irmãos; não está vivendo na luz que Deus e a consciência proveem. É aí que estamos, e isso se aplica diretamente a vós; significa a mim também. Quando minha consciência me diz que é certo seguir por determinado caminho, não sou fiel a mim mesmo se não o sigo. Ah! Sei que somos influenciados por nossas fraquezas, e por influências de fora; mas é nosso dever andar no caminho estreito e apertado no cumprimento de todo dever. E notai isto: cada vez que temos oportunidade e deixamos de viver à altura daquela verdade que está dentro de nós, cada vez que deixamos de expressar um bom pensamento, cada vez que deixamos de praticar um bom ato, nos enfraquecemos, e tornamos mais difícil expressar aquele pensamento ou praticar aquele ato no futuro. Cada vez que praticamos um bom ato, cada vez que expressamos um sentimento nobre, tornamos mais fácil praticar aquele ato ou expressar aquele sentimento outra vez.

Lembro-me de um episódio sobre uma senhora russa que sentia simpatia; ela sabia como simpatizar com a pobre heroína no palco do teatro. Esta senhora russa sentava-se em seu camarote, confortável em suas peles e sedas, e, ao assistir à peça, chorava de simpatia pela heroína que sofria tormentos imaginários; e, enquanto aquela senhora russa simpatizava com a heroína do palco, seu próprio cocheiro morria congelado no assento da carruagem lá fora, por falta de roupas suficientes. Não basta sentir; precisamos agir, de modo que isso beneficie alguém.

Fomos lembrados de nossos deveres pessoais a respeito da Palavra de Sabedoria, a respeito do Sacerdócio; e fomos lembrados também da unidade, da lealdade, do amor por nossos inimigos. Quase todo dever do Santo dos Últimos Dias foi mencionado nesta conferência; há mais um que desejo enfatizar, como aplicação deste princípio de responsabilidade individual. Quando voltardes para casa, para vossa ala, observai no próximo domingo e tentai calcular quantos dos Santos dos Últimos Dias estão ausentes da reunião sacramental. Pode ser que vinte por cento, ou cinquenta por cento, estejam ausentes. Suponde que vossa estimativa seja de cinquenta por cento; então há essa quantidade de pessoas na Ala que estão negligenciando um dos deveres de um Santo dos Últimos Dias. Sobre quem recai a responsabilidade de trazer estes irmãos e irmãs? Primeiro, em minha opinião, recai sobre o Bispado. Enquanto o Bispo está sentado ali, que ele observe ao redor, e note se todos os Presidentes das várias organizações na ala estão presentes. Se os presidentes dos quóruns do Sacerdócio estiverem ausentes, é dever do Bispado, penso eu, visitar esses oficiais e trazê-los. Podem ir mais além; é seu dever visitar as várias famílias e membros ausentes e procurar trazê-los. Mas não é a reunião apenas do Bispado; esta Igreja recai sobre todos, e não apenas sobre alguns poucos. Se um dos Sete Presidentes do quórum dos Setenta naquela ala estiver presente, e ele descobrir que alguns dos Setenta estão ausentes, a responsabilidade de trazê-los à reunião recai sobre ele. Se os presidentes dos vários quóruns de Diáconos estiverem presentes, deveriam notar quais membros do quórum se ausentaram daquela reunião, e assumir a responsabilidade de visitá-los. E assim por todas as várias organizações naquela Ala. Onde está, então, a responsabilidade? Está dividida como deveria estar, como Deus pretende que esteja, entre o povo que compõe a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias; a responsabilidade não recai apenas sobre os oficiais, recai também sobre os membros. Deus os abençoou com — o quê? Riqueza? Não, provavelmente não. Com superioridade intelectual? Possivelmente não; mas Ele os abençoou com força moral, e com um conhecimento do Evangelho, ou não teriam sido fiéis a si mesmos quando desceram às águas do batismo. Ele os abençoou com um conhecimento da verdade; e o conhecimento da verdade não basta, a menos que seja expresso, a menos que esteja trazendo outros a esse conhecimento. Esse é o espírito e a responsabilidade do Santo dos Últimos Dias, e recai sobre todos. Disse o poeta:

"Admirai a bondade de Deus Todo-Poderoso! Riquezas Ele deu, força intelectual A poucos, e por isso ordena agora que sejam, Ricos ou instruídos, ou promete recompensa De paz a estes. A todos Ele valor moral Concedeu; e tributo moral pediu de todos.

E quem não poderia pagá-lo? Quem nasceu tão pobre De intelecto, tão mesquinho, que não soubesse O que parecia melhor: e, sabendo, não pudesse fazê-lo? Que não soubesse o que Deus e a consciência ordenavam?

E o que ordenavam, não fosse capaz de obedecer? E aquele que assim agiu obedeceu à lei Eterna, e colheu suas promessas de paz; Encontrou paz só por este caminho: quem buscou de outra forma, Buscou uvas maduras sob o polo gelado; Buscou rosas em flor na face da morte; Buscou substância num mundo de sombras fugazes." "Portanto, que todo homem aprenda seu dever, e aja com toda diligência no cumprimento dele. Aquele que for preguiçoso não será considerado digno de permanecer; e o que não aprender seu dever e não mostrar ter sido aprovado não será considerado digno de permanecer."

Não sei se consegui expressar os sentimentos de meu coração de modo que os compreendêsseis; mas desejo deixar este pensamento: que todo homem, toda mulher, deve carregar uma parte da responsabilidade desta Igreja. Sentir isso não o leva necessariamente a imaginar que ela recai apenas sobre ele. Não há homem tão importante que não possa afundar sem sequer fazer uma bolha, nem uma ondulação, no grande oceano da vida; ao mesmo tempo, sua importância é tão grande que suas ações contribuem muito para o estabelecimento do poder, da dignidade, do avanço do reino de Deus na terra. Então, não importa onde estejamos, se estivermos nas colinas daqui a uma semana ou amanhã, onde quer que as circunstâncias ou os negócios nos chamem, seja no desfiladeiro ou em outro lugar, e formos tentados, numa manhã fria, a quebrar a Palavra de Sabedoria bebendo duas ou três xícaras de chá ou café, sintamos então a responsabilidade do que é correto. Que cada um diga a si mesmo: "A responsabilidade de ser membro da Igreja recai sobre mim; não cederei. Ainda que ninguém me veja, eu sei, e Deus sabe, quando cedo, e cada vez que cedo a uma fraqueza, torno-me mais fraco e deixo de me respeitar." Se estiverdes em negócios, e vossos companheiros disserem: "Vinde, vamos entrar e tomar uma bebida por causa deste negócio, desta venda", que vossa resposta seja: Não, não! Ainda que vosso apetite sedento vos faça anseiar por isso, sede homens, sede Santos dos Últimos Dias, e dizei: "Não; a responsabilidade de ser membro da Igreja recai sobre mim." Quando fordes tentados a faltar àquela reunião dos Setenta, àquela reunião dos Élderes, àquele quórum de Diáconos, e vos encolherdes ante ir até lá, porque sentis que não vos interessareis, dizei: "Irei; o dever de um Santo dos Últimos Dias recai sobre mim; a responsabilidade de ser membro daquele quórum recai sobre mim, e devo ir e ajudar a tornar aquela reunião interessante." E assim, se carregardes esse sentimento em todos os deveres de um Santo dos Últimos Dias, chegareis à conclusão de que, cada vez que permanecerdes ao lado da verdade, sois mais homem, estais mais em harmonia com o Espírito de Deus. Ele Se compraz em habitar em tais tabernáculos; Ele vos guiará a toda verdade; fará vossa alma regozijar-se, e sabereis que este Evangelho é verdadeiro. "Aquele que ouve estas minhas palavras e as pratica" é aquele que é comparado ao homem sábio. "Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus." "Portanto, sede cumpridores da palavra, e não somente ouvintes."

Que Deus vos abençoe, e a todos nós, para que sejamos Santos dos Últimos Dias de fato, filhos de nosso Pai, permanecendo sempre, em toda parte, em todas as condições, pelo que é correto, pela virtude, pela pureza, e pelo dever que recai sobre nós em nossos vários quóruns. Esta é minha oração, e a peço em nome de Jesus. Amém.

Como citar este discursoDavid O. McKay, “Responsabilidade Individual e Lealdade nos Assuntos da Igreja”, Conferência Geral de Outubro de 1906, Sessão da Tarde do Terceiro Dia (1906-10-07). Pulpit Vault, 1906-10-mckay-individual-responsibility. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).