Testemunho da Verdade e do Progresso da Obra
Rulon S. Wells
É-me motivo de grande satisfação, meus irmãos e irmãs, acrescentar o meu testemunho aos que já foram dados nesta reunião, e expressar a fé que tenho no triunfo final da obra de Deus sobre a terra. Fiquei profundamente interessado e impressionado pelas palavras proferidas na abertura desta conferência, e pelas evidências da grande obra que nosso Pai está realizando entre os filhos dos homens. Ao rever as condições que prevalecem no tempo presente, senti-me levado a observar: que grande e maravilhosa obra é esta em que estamos empenhados, e como os Santos dos Últimos Dias, que têm levado avante esta obra sob a inspiração do Senhor, têm atraído sobre si a atenção do mundo inteiro. Para mim, é algo maravilhoso que um pequeno grupo de pessoas — apenas algumas centenas de milhares — seja tão notório na história deste mundo e se torne tão universalmente conhecido. Temos viajado como missionários a muitas partes do mundo, e duvido que exista alguma comunidade ou povo que não tenha ouvido falar dos Santos dos Últimos Dias e desta obra com a qual estamos identificados. É claro que nem sempre foram corretamente informados quanto à verdadeira condição deste povo; não receberam informação exata a nosso respeito; mas temos sido mencionados e ouvidos nas partes mais remotas do mundo. É espantoso, também, quanta ojeriza se tem gerado entre os povos do mundo contra os Santos dos Últimos Dias. Somos geralmente considerados no mundo como um povo muito perverso, e temos, entre os filhos dos homens, a reputação de ser o pior povo sobre a face da terra. Eu mesmo tenho-me admirado disso. Não apenas conheço bem as opiniões dos homens do mundo, mas também me coube conhecer os Santos dos Últimos Dias, tendo nascido nesta comunidade e passado quase toda a minha vida aqui, e tenho observado que se comparam favoravelmente com qualquer povo da terra. Não há nada na vida dos Santos dos Últimos Dias que justifique a opinião que prevalece no mundo. Em muitos lugares somos considerados um bando de assassinos, um povo mau e licencioso; mas sabemos que essa não é a condição que prevalece entre nós. Quando estive na Inglaterra, há alguns anos, realizamos uma conferência na cidade de Nottingham, e, enquanto ali estávamos, distribuiu-se entre o povo um material impresso contendo ilustrações que pretendiam representar a vida em Utah, publicado por um conhecido antimórmon, o Sr. Jarman. Os Santos dos Últimos Dias eram ali retratados nos termos mais vis. Na primeira página havia uma gravura representando um "mórmon" sentado numa cerca de estacas, com um largo chapéu sombreiro na cabeça, em mangas de camisa, expressão vil no rosto e, na mão, um chicote de couro. No campo diante dele, cinco ou seis mulheres trabalhavam com picareta, pá e arado, enquanto ele, supostamente o marido dessas mulheres, as dirigia, fazendo-as trabalhar como escravas. É esse tipo de deturpação que inflama as mentes das pessoas contra nós. Até mesmo muitos homens e mulheres bons e honrados foram ensinados a crer que somos maus e degradados. Enquanto o Irmão McMurrin e eu atravessávamos o oceano, há alguns anos, encontramo-nos, por acaso, na companhia de vários professores de escola da cidade de Filadélfia, que iam em excursão à Europa. Travamos amizade com eles e explicamos-lhes nossa religião. Demos-lhes alguma ideia do caráter do povo daqui, e eles nos consideraram representantes desse povo. Quando estávamos prestes a desembarcar, um dos professores aproximou-se de mim e disse: "Nunca soube, Sr. Wells, até conhecer os senhores aqui, que existisse um cavalheiro mórmon. Eu não sabia senão que os 'mórmons' eram a pior espécie de gente, sem cultura alguma. Fui ensinado a crê-los maus e vis desde a minha infância. E não só isso, mas desejo fazer uma confissão adicional: sou professor numa das escolas públicas da Filadélfia, e também ensinei meus alunos a crer nisso. Mas dou-lhe minha palavra de que, ao voltar para minha escola, procurarei desfazer o mal que fiz." ¶
Será de admirar, meus irmãos e irmãs, que muitas boas pessoas tenham sido enganadas e desencaminhadas, e que nos tenhamos tornado odiados pelos povos do mundo? Talvez não nos seja muito agradável contemplar o fato de que o mundo não gosta de nós. Lamento que essa seja a condição. Não lamento, porém, estar identificado com este povo, nem tenho qualquer pesar quanto aos próprios Santos dos Últimos Dias. Não; é herança dos santos serem odiados pelo mundo; e encontro consolo nas palavras citadas pelo Presidente Smith: "Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; mas, porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso o mundo vos odeia." Tampouco devemos sentir-nos tristes e desanimados por causa destas condições que prevalecem no mundo; pois o Salvador disse ainda: "Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem, e mentindo, falarem todo mal contra vós por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que vieram antes de vós." ¶
Meus irmãos e irmãs, são estes os sentimentos que enchem o meu peito quanto à atitude do mundo para conosco. Tenho pena deles, não de nós. Antes, sinto-me a regozijar por estar identificado com o povo de Deus, apesar da inimizade do mundo para conosco. Eles não amam os líderes deste povo; mas nós, que os conhecemos melhor, sabemos que são homens de Deus. Sabemos que não há nada em suas vidas que justifique os ataques que o mundo lhes dirige. Apoiemo-los e sustentemo-los com nossa fé e nossas orações, e por nossa obediência à vontade de Deus, para que sejamos fiéis e verdadeiros aos convênios que fizemos com o Senhor. Não nos desanimemos nem nos preocupemos quanto ao triunfo final desta obra; pois Deus está ao leme, e Ele nos conduzirá triunfantemente ao Seu descanso. Não temos motivo para temer. Ainda que se oponham a esta obra como quiserem, hão de fracassar completamente em toda tentativa. Que sejam frustradas todas as suas más maquinações, que sejam derrotados em tudo o que empreenderem contra a causa de Sião, é minha oração em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶