Discurso
Franklin D. Richards
Desejo ardentemente uma medida do Espírito Santo para me auxiliar nos poucos minutos em que estarei diante de vós nesta manhã. Temos recebido as mais preciosas instruções, dadas por aqueles que falaram. Ficou impressivamente gravado em minha mente, ontem, enquanto ouvia junto com o restante de vós, o grande fato de que todo este conhecimento e toda esta experiência na Igreja de Cristo, com toda bênção que recebemos nela e que esperamos obter no futuro, nos veio por meio do instrumento, do ministério e da dispensação que foram dados ao Profeta Joseph Smith. Este grande fato, relacionado com a maneira como Deus tratou este jovem, contribui para tornar toda a nossa obra ainda mais maravilhosa, misteriosa e todo-poderosa aos nossos olhos. Cantamos, nesta manhã: "Nós Te agradecemos, ó Deus, por um profeta, para nos guiar nestes últimos dias." O caráter deste homem se tornou tal que ele tem sido objeto de cântico nas assembleias dos Santos em todo o mundo onde o Evangelho foi pregado; de modo que se falou dele como o anjo disse que se falaria — seu nome seria mencionado para o bem e para o mal em todo o mundo. Assim tem sido, na medida em que a notícia dele e de sua obra se espalhou. Há algo muito estranho no fato de o Senhor tomar um rapaz de quatorze anos em dezembro; e, no início da primavera seguinte, Ele começou a tratar com ele. O rapaz era suficientemente simples para crer que havia um Deus nos céus, e que ele poderia buscá-Lo, como as Escrituras diziam que podia. Maravilhoso também é contemplar que um assunto tão estranho tenha ocorrido no interior — bem longe, na fronteira. A parte ocidental de Nova York, naqueles dias, era bem lá no oeste. E que o Senhor escolhesse um rapaz daquela maneira e tratasse com ele foi algo estranho. Por que Ele não escolheu algum homem erudito? Se tivesse tomado um homem erudito, este muito em breve estaria dizendo ao Senhor que Ele não entendia de Seus próprios assuntos; e se o Senhor não desse ouvidos a seus conselhos, ele se voltaria e O deixaria. Vemos bastante disso ocorrendo em nossa experiência. Mas Ele tomou um rapaz, e começou a disciplinar e a ensiná-lo. Mostrou-Se a ele, falou com ele, e disse-lhe que o caminho do mundo estava errado. Enviou Seus anjos para ensiná-lo e educá-lo. ¶
O Senhor nos diz, nas revelações, que o primeiro grande dom que lhe deu foi o dom de traduzir o Livro de Mórmon, e que não lhe daria nenhum outro dom até que esse fosse cumprido. Assim ele nos trouxe, pela informação dada por meio de Morôni sobre onde o registro foi encontrado, a preciosa história desta metade do mundo, estendendo-se por vários séculos. Este livro, tão desprezado pelo mundo, foi testificado pelo Profeta Joseph, quando lhe perguntaram: "Como e quando obtiveste o Livro de Mórmon? Resposta: Morôni, a pessoa que depositou as placas das quais o Livro de Mórmon foi traduzido, numa colina em Manchester, Condado de Ontário, Nova York, estando morto, e tendo ressuscitado, apareceu-me e me disse onde estavam; e me deu instruções sobre como obtê-las. Obtive-as, e o Urim e Tumim com elas, por meio dos quais traduzi as placas, e assim veio o Livro de Mórmon." Ele contém a mais simples declaração e a melhor elucidação dos princípios do Evangelho do Senhor Jesus Cristo, de qualquer livro existente. E por que não haveria de ser assim, tendo sido traduzido palavra por palavra, frase por frase, linha por linha, página por página, por meio do Urim e Tumim? Não temos outro livro sobre a terra que tenha tais direitos à nossa confiança inteira quanto o Livro de Mórmon. ¶
Isto parece ter sido a cunha inicial e o degrau para a grande obra de introduzir a última dispensação. O Profeta Joseph, ao prosseguir com esta obra, soube que era necessário que todas as pessoas fossem batizadas, e, quando percebeu isso, desejou ardentemente as bênçãos, tal como eram oferecidas. Ele chamou ao Senhor a esse respeito, e João Batista veio e o ordenou, a ele e a Oliver Cowdery, ao Sacerdócio menor, ou Aarônico. Isto foi algo sumamente maravilhoso. Agora havia dois homens sobre a terra que podiam administrar o batismo, com autoridade, para o perdão ou remissão de pecados. Isto despertou a ira dos ímpios, até que o rapaz foi caçado, procurado, perseguido e expulso de lugar em lugar. Pouco depois de receber esta bênção e poder, ele ouviu a palavra do Senhor a ele, na casa do Pai Whitmer, dizendo que, se fosse fiel nisto, em breve receberia outra autoridade pela qual administraria bênçãos espirituais. Ali ele recebeu os oráculos do Apostolado, foi ordenado ao Sacerdócio de Melquisedeque, com poder de administrar todas as bênçãos de natureza espiritual sobre o povo, assim como as de natureza temporal ou física. ¶
Referindo-se a estas ordenações, é revelado, na seção 27 da Doutrina e Convênios, que Ele participará com Adão, Noé, Abraão e João Batista, "que enviei a vós, meus servos, Joseph Smith Jr. e Oliver Cowdery, para ordenar-vos a este primeiro sacerdócio que recebestes, para que fôsseis chamados e ordenados assim como Arão." ¶
"E também com Pedro e Tiago e João, que vos enviei, por intermédio de quem vos ordenei e confirmei para serdes apóstolos e testemunhas especiais de meu nome e para portardes as chaves de vosso ministério e das mesmas coisas que a eles revelei; ¶
"A quem confiei as chaves de meu reino e uma dispensação do evangelho para os últimos tempos; e para a plenitude dos tempos, quando reunirei em uma todas as coisas, tanto as que estão no céu como as que estão na Terra:" ¶
O relato disto não nos é dado com muito detalhe quanto a quando ocorreu; mas o irmão Addison Everett, que faleceu há pouco tempo, deixou registrado que ouviu o Profeta Joseph dizer, na Mansion House, em Nauvoo, que foi numa ocasião em que estavam retornando de Colesville, na Estaca de York, para Harmony, na Pensilvânia. Uma multidão numerosa se reunira em Colesville, decidida a destruí-lo, e o único modo de salvar sua vida, segundo tudo indicava, era partir imediatamente, e ele e Oliver Cowdery partiram. Depois de viajar e vagar ao longo das margens do Susquehanna, por entre pântanos e brejos, a noite toda, e tendo comido pouco ou nada no dia anterior, estavam cansados, fracos e quase exaustos. Oliver ficou tão cansado que Joseph teve de passar o braço em torno dele para firmá-lo, enquanto chegavam a terra mais seca, onde pudessem sentar-se e descansar. Quando chegaram a este lugar, diz este irmão, Joseph lhe contou que foi ali que Pedro, Tiago e João os encontraram em sua solidão e cansaço, e lhes declararam seu testemunho, de que haviam sido enviados pelo Senhor Jesus Cristo para ordená-los ao Apostolado. O Profeta Joseph, escrevendo sobre a grande obra do Senhor em sua reclusão nos dias de Nauvoo, diz: ¶
"E também, o que ouvimos? Alegres novas de Cumora! Morôni, e um anjo do céu, anunciando o cumprimento dos profetas, o livro a ser revelado. A voz do Senhor no ermo de Fayette, Condado de Sêneca, anunciando as três testemunhas que testificariam quanto ao livro. A voz de Miguel, às margens do Susquehanna, identificando o diabo quando apareceu como um anjo de luz. A voz de Pedro, Tiago e João, no ermo entre Harmony, Condado de Susquehanna, e Colesville, Condado de Broome, no rio Susquehanna, declarando-se possuidores das chaves do reino, e da dispensação da plenitude dos tempos. ¶
"E também, a voz de Deus no quarto do velho Pai Whitmer, em Fayette, Condado de Sêneca, e em várias ocasiões e em lugares diversos, durante todas as viagens e tribulações desta Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias." — Doutrina e Convênios, Seção 128, versículos 20-21. ¶
Isto corresponde ao relato de nosso irmão, embora em nenhum lugar nos seja dito exatamente quando ocorreu. Depois de receberem esta ordenação e bênção, levantaram-se e caminharam as dezessete milhas restantes como gigantes revigorados com vinho, fortes e capazes de terminar sua jornada até Harmony. O Senhor, em Suas várias e peculiares maneiras, restaurou autoridade e poder à família humana, para administrar e receber o evangelho eterno. Quão estranhamente Ele conduziu o Profeta Joseph, de tempos em tempos, de lugar em lugar, em Sua grande obra de construir Templos e estabelecer Seu povo nos lugares de ajuntamento, e de realizar as maravilhas que foram feitas, pois ele foi atacado pelos poderes das trevas desde o dia em que começou a receber a disciplina do Senhor. Ele mesmo diz que se via constantemente vadeando em águas profundas. ¶
Vinte ou trinta minutos é tempo curto demais para mencionar mais do que dois ou três acontecimentos da vida do Profeta. Como sou chamado de historiador, naturalmente esperareis ouvir de mim alguns pontos de história. ¶
Depois de curar os enfermos em Montrose, toda a companhia seguiu Joseph até a margem do rio, onde ele iria tomar o barco para voltar para casa. Enquanto esperavam o barco, um homem do oeste, que havia visto os enfermos e moribundos serem curados, perguntou a Joseph se não iria à casa dele curar dois de seus filhos, que estavam muito doentes. Eram gêmeos, e tinham três meses de idade. Joseph disse ao homem que não podia ir; mas que enviaria alguém para curá-los. Disse ao élder Woodruff que fosse com o homem e curasse seus filhos. Ao mesmo tempo, tirou do bolso um lenço de seda estampado, e o deu ao irmão Woodruff, dizendo-lhe para limpar o rosto das crianças com ele, e elas seriam curadas; e observou, ao mesmo tempo: "Enquanto guardares este lenço, ele permanecerá como um pacto entre mim e ti." O élder Woodruff fez como lhe foi ordenado, e as crianças foram curadas, e ele guarda o lenço até hoje. ¶
Em outra ocasião, nos dias de Kirtland (22 de janeiro de 1832), quando a Igreja ainda era jovem e composta de apenas alguns membros, reuniram-se em conferência, e havia homens e mulheres, élderes e sumos sacerdotes, além da Presidência da Igreja. O Profeta, em sua história, conta-nos que o Espírito e o poder de Deus desceram sobre eles, e ele falou em outra língua, e outros falaram em línguas, e ele continuou com eles até que toda a congregação falasse, ou orasse, ou cantasse em línguas, dando-lhes um verdadeiro Pentecostes nestes últimos dias, essencialmente semelhante ao Pentecostes dos tempos antigos, apenas não tão extenso. Ele acrescenta ainda: ¶
"Os dons que acompanham aqueles que creem e obedecem ao Evangelho, como sinais de que o Senhor é sempre o mesmo em Seu tratamento com os humildes amantes e seguidores da verdade, começaram a ser derramados sobre nós, como nos dias antigos — pois, estando nós, a saber, Joseph Smith Jr., Sidney Rigdon, Frederick G. Williams, Newel K. Whitney, Hyrum Smith, Zebedee Coltrin, Joseph Smith, pai, Samuel H. Smith, John Murdock, Lyman Johnson, Orson Hyde, Ezra Thayer, sumos sacerdotes; e Levi Hancock e William Smith, élderes, reunidos em conferência, em 23 de janeiro, falei à conferência em outra língua, e fui seguido no mesmo dom pelo irmão Zebedee Coltrin, e ele pelo irmão William Smith, depois do que o Senhor derramou Seu Espírito de maneira milagrosa, até que todos os élderes falaram em línguas, e vários membros, tanto homens quanto mulheres. Grandes e gloriosas foram as manifestações divinas do Espírito Santo. Louvores foram cantados a Deus e ao Cordeiro; falar e orar, tudo em línguas, ocupou a conferência até altas horas da noite, tão regozijados estávamos com o retorno destas bênçãos há tanto ausentes." ¶
No dia 23, reunimo-nos novamente em conferência; quando, depois de muito falar, cantar, orar e louvar a Deus, tudo em línguas, procedemos à lavagem dos pés. ¶
Quando o Profeta Joseph havia retornado do Missouri, ele compareceu a uma conferência. Estive presente na primeira conferência que ele realizou depois de escapar da prisão no Missouri. Foi no antigo terreno de acampamento presbiteriano, perto da cidade de Quincy, Illinois, um pouco a leste da cidade. Lembro-me bem de quando o Presidente Joseph Young me apresentou a ele (eu estava então na adolescência), e ele me tomou pela mão, e disse: Deus te abençoe, irmão Franklin. Senti o choque percorrer-me da cabeça aos pés, como frequentemente havia sentido o choque da eletricidade percorrendo-me. Lembro-me bem de um item de suas instruções naquela conferência. Ele designou uma comissão para reunir as publicações caluniosas de falsidade abominável, para que pudessem ser preservadas para a história. ¶
Terminada a conferência, ele foi com uma comissão até um lugar que mais tarde seria chamado Nauvoo (então Commerce), um pequeno lugar na margem leste do rio Mississippi, tão insalubre que uma companhia de pessoas de Nova York que ali se haviam estabelecido ficaram felizes em vender suas terras. O Profeta Joseph e a comissão as compraram, e também adquiriram uma faixa de terra do lado oeste do rio. Depois de algum tempo, e vendo como estava a situação, o Profeta Joseph pôs-se a caminho, como se os céus se tivessem reunido em torno dele e o incitassem a ir. Levou consigo alguns dos irmãos; e temos hoje aqui alguns desses irmãos. O Presidente Woodruff estava com ele, e o irmão Joseph B. Noble, e talvez outros. Percorreram o acampamento, curando os enfermos e ressuscitando os mortos — aqueles que ainda não haviam sido sepultados. Ele seguia adiante, e, enquanto podia fazer sua voz ser ouvida pelos ouvidos dos enfermos e moribundos, chamava-os de volta à vida. ¶
O Presidente Woodruff escreveu a respeito deste dia memorável: ¶
"Foi num dia de julho de 1839 que muitos jaziam doentes ao longo das margens do rio Mississippi, e Joseph subiu pela margem leste até a casa de pedra mais baixa, ocupada por Sidney Rigdon, e curou todos os doentes que estavam em seu caminho. Entre eles estava Henry G. Sherwood, que estava próximo da morte. Joseph ficou de pé à porta e lhe ordenou, em nome de Jesus Cristo, que se levantasse e saísse de sua tenda, e ele lhe obedeceu e foi curado. O irmão Benjamin Brown e sua família também jaziam doentes, o primeiro parecendo estar em estado moribundo. Joseph os curou em nome do Senhor. Depois de curar todos os que jaziam doentes na margem leste do rio, até a casa de pedra, ele convidou o élder Kimball e alguns outros a acompanhá-lo, atravessando o rio, para visitar os doentes em Montrose. Muitos dos Santos viviam nos velhos quartéis militares. Entre eles estavam vários dos Doze. Ao chegar, a primeira casa que visitou foi a ocupada pelo élder Brigham Young, atual presidente do quórum dos doze, que jazia doente. Joseph o curou, e ele se levantou e acompanhou o Profeta em sua visita aos demais que se encontravam na mesma condição. Visitaram o élder Wilford Woodruff, e também os élderes Orson Pratt e John Taylor, todos residentes em Montrose. Eles também o acompanharam. O lugar seguinte que visitaram foi a casa de Elijah Fordham, que se supunha estar dando os últimos suspiros. Quando o grupo entrou no quarto, o Profeta de Deus caminhou até o homem moribundo, tomou-lhe a mão direita e falou-lhe; mas o irmão Fordham não conseguia falar. Seus olhos estavam fixos na cabeça, como vidro, e ele parecia inteiramente inconsciente de tudo ao seu redor. Joseph segurou sua mão e olhou em seus olhos, em silêncio, por algum tempo. Uma mudança na fisionomia do irmão Fordham logo se tornou perceptível a todos os presentes. Sua visão retornou, e, ao Joseph perguntar-lhe se o reconhecia, ele, num sussurro baixo, respondeu: 'sim'. Joseph perguntou-lhe se tinha fé para ser curado. Ele respondeu: 'Temo que seja tarde demais; se tivesses vindo antes, creio que poderia ter sido curado.' O Profeta disse: 'Não credes em Jesus Cristo?' Ele respondeu, com voz fraca: 'Creio.' Joseph então se pôs ereto, ainda segurando sua mão em silêncio por vários momentos, depois falou em voz bem alta, dizendo: 'Irmão Fordham, ordeno-te, em nome de Jesus Cristo, que te levantes deste leito e sejas curado.' Sua voz era como a voz de Deus, e não a de homem. Parecia que a casa se sacudia até seus alicerces. O irmão Fordham levantou-se de seu leito e foi imediatamente curado. Seus pés estavam envoltos em cataplasmas, que ele chutou fora. Então, vestindo-se, comeu uma tigela de pão com leite e seguiu o Profeta até a rua. O grupo visitou em seguida o irmão Joseph Bates Noble, que jazia muito doente. Ele também foi curado pelo Profeta. A essa altura, os ímpios ficaram alarmados, e seguiram o grupo até a casa do irmão Noble. Depois que o irmão Noble foi curado, todos se ajoelharam para orar. O irmão Fordham foi quem orou, e, enquanto orava, caiu ao chão. O Profeta se levantou e, olhando em redor, viu bom número de incrédulos na casa, aos quais ordenou que saíssem. Quando o quarto ficou livre deles, o irmão Fordham voltou a si e terminou sua oração." ¶
Devemos ter também em mente as grandes bênçãos que agora nos são conferidas nos Santos Templos. Em Kirtland, os irmãos não foram investidos das mesmas ordenanças que agora são conferidas ao povo, porque ainda não haviam sido reveladas. Foi nos dias de Nauvoo que estas bênçãos e ordenanças de investidura foram dadas a conhecer ao Profeta Joseph, e ele se apressou a construir um templo, a fim de que estas bênçãos pudessem ali ser dispensadas antes que fôssemos expulsos da nação. Sua alma se regozijava maravilhosamente antes de ir para a prisão, ao pensar nas alegrias e bênçãos do selamento de maridos e esposas e filhos aos pais. Naqueles tempos, ele não podia dizer muito a respeito disto, pois se encontrava numa situação em que as leis de Deus e a ordem de Sua Igreja tinham de ser conduzidas com discrição e mantidas em reserva, por causa dos preconceitos do povo e dos obstáculos que se opunham à divulgação dos princípios; mas, em grande medida, foram ensinadas no templo em Nauvoo. Lembro-me de um comentário que o irmão Joseph fez certo dia, quando ocorreu um acidente com ele e a irmã Emma, ao descerem do terreno do templo para sua casa. Creio que foram lançados para fora de sua carruagem. O Profeta Joseph comentou, na reunião daquela tarde, quão feliz se sentia com o amor de sua fiel esposa Emma, que lhe dera a mão, o coração e a alma em Harmony, Pensilvânia, quando ele fora primeiramente chamado para a obra do Senhor, e que havia enfrentado com ele todas aquelas dificuldades; e fez este comentário: que, aconteça o que acontecesse a Emma, ele iria, ainda que tivesse de ir ao inferno, buscá-la e trazê-la de volta para casa, para que ela partilhasse com ele as bênçãos de sua exaltação, assim como havia partilhado com ele seus sofrimentos. Ele se regozijava grandemente na antecipação destas relações familiares eternas no futuro. ¶
Entre as muitas manifestações maravilhosas do Profeta Joseph, pouco depois da dedicação do templo em Kirtland, as revelações nos dizem que ele e Oliver Cowdery viram o Senhor de pé sobre o parapeito do púlpito; que Ele reconheceu o templo como aceito por Ele, e disse que dali sairia o Evangelho para as nações da terra. E permiti-me dizer que aquele templo foi construído como nenhum de nós jamais construiu templos, desde então, nestas montanhas; foi construído por tudo o que cada um podia fazer para reunir os materiais e erguê-lo. Não tinham propriedade alguma até que este templo estivesse concluído. Tudo se fez por sacrifício, e não por dízimo, naqueles dias; e, quando ficou pronto, o Senhor o aceitou e os abençoou poderosamente. ¶
Logo depois desta manifestação de que falo, os élderes Heber C. Kimball, Orson Hyde, Willard Richards e Joseph Fielding foram designados à Inglaterra, em sua primeira missão europeia. A bênção e o poder de Deus estiveram sobre eles como jamais estiveram sobre homens, antes ou depois, exceto sobre o Presidente Woodruff, quando ele esteve ali. Ele parecia batizar quase todos os que ousassem ir ouvi-lo pregar em Herefordshire e nas regiões circunvizinhas. ¶
Bem, depois que o Salvador demonstrou Seu bom agrado quanto à casa, Joseph diz, na Doutrina e Convênios, Seção 110: ¶
"Depois de encerrar-se esta visão, os céus tornaram-se a abrir e Moisés apareceu diante de nós e conferiu-nos as chaves para coligar Israel das quatro partes da terra e trazer as dez tribos da terra do norte. ¶
"Depois disto, Elias apareceu e conferiu-nos a dispensação do evangelho de Abraão, dizendo que em nós e em nossa semente todas as gerações depois de nós seriam abençoadas. ¶
"Concluída essa visão, outra grande e gloriosa visão abriu-se para nós; pois Elias, o profeta, que fora levado ao céu sem experimentar a morte, apareceu diante de nós e disse: ¶
"Eis que é chegado plenamente o tempo proferido pela boca de Malaquias — testificando que ele [Elias] seria enviado antes que viesse o grande e terrível dia do Senhor, para voltar o coração dos pais para os filhos e os filhos para os pais, a fim de que a terra toda não seja ferida com uma maldição. Portanto, as chaves desta dispensação são confiadas às vossas mãos; e assim sabereis que o grande e terrível dia do Senhor está perto, sim, às portas." ¶
Alguns destes mesmos personagens estiveram com Pedro, Tiago e João no monte da transfiguração, com o Salvador. Não havia, naqueles dias, um templo aonde pudessem ir para receber estas chaves de Moisés e Elias. Ali também ouviram a gloriosa voz dos céus: "Este é o meu amado Filho; escutai-o." Estas chaves foram entregues a Joseph no templo em Kirtland, por Moisés, Elias e Elias, o profeta, em cumprimento das promessas do Senhor por meio de Moisés, Deuteronômio 30:1-4; Malaquias, capítulo 4, versículo 5. "Eis que eu vos envio o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor." ¶
Devemos ter consideração destas coisas. É assim que o Sacerdócio dos tempos antigos se encaixa com o Sacerdócio dos tempos modernos, de modo que é o mesmo Sacerdócio, o mesmo poder, a mesma autoridade, confiados a homens designados por Deus para administrar em nome do Senhor Jesus Cristo em todas as ordenanças de Sua Igreja. Estas coisas se gravaram com ênfase em minha mente enquanto ouvia, ontem, o Presidente Woodruff relatar as circunstâncias em que Joseph testificou que havia recebido todas as chaves que o Senhor já concedera a qualquer homem, e que as conferiu todas aos Doze que estavam com ele naquele lugar sagrado, em Nauvoo. E estas foram as mesmas bênçãos e poderes que nos são conferidos, e que temos conosco agora, para pregar o Evangelho, edificar a Igreja, coligar Israel e estabelecer a retidão de nosso Deus na terra. Maravilhoso! Admirável! O Senhor tornou conhecido o ministério de Joseph e testificou dele abundantemente. Ele batizou para a remissão de pecados, e, quando foi abençoado a conferir o Espírito Santo, os céus testemunharam diante dos olhos do mundo. Devemos guardar estas coisas em mente. Devemos, todos nós, mantê-las em nossas mentes, e especialmente nas mentes da geração que está crescendo. Devemos ser lembrados, de tempos em tempos, de que um homem de Deus, segundo apenas a Jesus Cristo, esteve sobre a terra, revestido de autoridade do céu. No princípio, o Pai e o Filho lhe apareceram. Em outra ocasião, ele e Sidney Rigdon estavam em espírito, e o Senhor lhes revelou as três grandes glórias do futuro, pertencentes à família humana. Não só isso, mas foi-lhe dito para escrevê-las enquanto ainda estava em espírito, e ele escreveu aquela visão para nosso conforto, para nossa edificação, nosso proveito e nossa advertência. E ele alcançou tal poder junto ao Senhor, que Este lhe disse, antes de morrer, que pedisse o que quisesse, e Ele lhe responderia. O Senhor já o havia disciplinado por anos; havia-o colocado em situações difíceis; havia-o colocado numa posição em que as coisas exigidas dele eram tais que faziam sua natureza revoltar-se, e o Senhor o encontrou por meio de um santo anjo, e lhe disse que teria de prosseguir em Sua obra, ou sua vida seria tirada. Esta é uma amostra de como o Senhor age. Ele coloca Seus servos fiéis em lugares estreitos, onde têm de escolher a quem servirão. É algo grandioso e glorioso saber que vivemos num dia em que tais homens habitaram entre nós, e que tivemos sua companhia e fomos ensinados por eles. ¶
A primeira vez que fui a Nauvoo, estava tomado de calafrios e febre, na primavera de 1840. Fui à casa do Profeta Joseph e perguntei-lhe se poderia dormir em seu palheiro, pois, estando doente, não gostava de dormir ao relento, e não tinha para onde ir. Ele olhou para mim e disse: "Irmão Franklin, ficarás aqui na casa; vejo que não estás bem." Fiquei na casa, dormi ali, e na manhã seguinte tomei café da manhã com ele. Regozijei-me por ser digno de olhar para um Profeta nestes últimos dias. Fomos até a conferência, que se realizava no alto de um barranco, ao sul do Templo de Nauvoo, de modo que as pessoas embaixo podiam olhar para cima e ver o povo ao redor. No intervalo, o irmão Joseph Young me chamou à parte; sentei-me sobre um tronco, enquanto ele e Albert P. Rockwood me ordenavam Setenta. De modo que esses lugares trazem para mim lembranças sagradas e consagradas. Quando novamente adoeci, e estava na companhia do Profeta, perguntei-lhe: "Irmão Joseph, posso ser curado desta aflição?" Ele olhou para mim e disse: "Irmão Franklin, se creres de todo o teu coração, podes." Disse-lhe que cria tudo quanto sabia crer, e que isto era a obra de Deus. Perguntei-lhe se poderia me dizer como poderia crer mais. Ele disse ao irmão Brigham Young que administrasse a mim, e eu ficaria bom. Assim ele fez, e fui curado. Sinto-me levado a testificar dele, que o poder de Deus estava com ele. Era um homem que convivia com os anjos aqui na terra, e o Deus dos céus o sustentava. Nenhum homem poderia ter vivido e passado pelo que ele passou, a menos que os poderes do céu o acompanhassem e o enchessem do entendimento do tempo e da eternidade. ¶
Quando as Ordens Secretas surgiram ali, para se instituírem e realizarem seus desígnios, o Profeta Joseph indagou ao Senhor e soube tudo a respeito delas. Ele conseguia compreender tudo o que jamais souberam ou pensaram, em muito pouco tempo. Tinha acesso aos céus, e este povo teve acesso por meio dele. Devemos compreender que a história do Profeta Joseph é a história da Igreja, enquanto ele viveu, e é a autoridade a que nos apegamos, e à qual recorremos em assuntos que precisam ser indagados e que não nos são claros. Sei que esta é a obra do Senhor. Sei disto desde o princípio. Foi em 1838 que abracei o Evangelho, no mês de junho; e, em outubro do mesmo ano, o Senhor me deu um testemunho duradouro do Espírito Santo, de modo que nunca mais, desde então, duvidei da obra do Senhor. Foi-me revelado na grande pradaria, no Missouri. Foi um dia glorioso para mim. Nunca soube descrever e expressar a excelência, o poder e as bênçãos daquele conhecimento que encheu minha alma e tornou agradável a jornada; pois caminhei cerca de 300 milhas de St. Louis a Far West. ¶
Regozijo-me convosco nesta grande obra. Apenas desejaria poder viver mais próximo do Senhor, ter mais de Seu Espírito e do poder do Evangelho comigo, para me qualificar para toda boa palavra e obra. Suplico-vos, meus irmãos e irmãs, que busqueis isto; pois aqueles que têm este Espírito chegarão ao conhecimento de todas as coisas necessárias à sua salvação e exaltação. Os princípios que o Profeta Joseph ensinou são as doutrinas nas quais devemos permanecer, ou seremos derrubados. Quando o Senhor, ou o interesse de Sião, exigia alguma coisa, ele a fazia e deixava que as consequências se seguissem, e foi tão altamente favorecido pelo Senhor com revelações que afetavam toda a raça humana, que lhe foi mostrado seu destino, aqui e no porvir. Foi-lhe manifestado que a semente de Caim não viria em lembrança diante do Senhor para sua redenção final, até que a semente de Abel, o justo, tivesse toda a sua oportunidade. Este único incidente abre um campo de informação tão vasto e abrangente, que se torna evidente até que ponto a mente do Profeta Joseph foi iluminada a respeito dos tratos de Deus com a humanidade, e Seus propósitos eternos quanto à sua redenção. ¶
Mencionei apenas alguns dos principais contornos da maravilhosa experiência do Profeta Joseph, durante os vinte e quatro anos de seu trabalho em estabelecer a dispensação da plenitude dos tempos sobre a terra. Qualquer coisa que eu pudesse dizer em seu louvor seria como o balbuciar de uma criança aos ouvidos de seus pais — tão pouco compreendemos as infinitas e eternas consequências que resultarão de seus trabalhos, para confirmar os quais ele deu a vida como atestado final das doutrinas que revelou. ¶
Pratiquemos a retidão, meus irmãos e irmãs, enquanto dura o dia; pois logo vem a noite, em que nenhum homem pode trabalhar. Que o Senhor nos abençoe cada vez mais com este espírito de Sião, para nos preparar para tudo o que nos aguarda, para que possamos terminar nossa obra com alegria, entrar em Sua presença e receber Sua aprovação, o que humildemente peço em nome do Senhor Jesus Cristo. Amém. ¶