Pulpit

Discurso

George Q. Cannon

Conferência Geral de Outubro de 1896·Sessão da Tarde de Domingo·1896-10-04

Confio que os Santos dos Últimos Dias exercerão fé em favor daqueles que se dirigem a eles. Uma congregação de pessoas como as aqui presentes, que se reuniram para adorar o Senhor, vieram sem dúvida com grande desejo de serem alimentadas com o pão da vida, e naturalmente qualquer um ficaria intimidado ao tentar dirigir-se a uma assembleia deste tamanho e caráter, a menos que tivesse a certeza de que o Senhor o ajudaria. Este hino que acabamos de cantar ("Ó meu Pai, Tu que habitas", etc.) está cheio de significado e inspira pensamentos solenes. Parece ser quase uma revelação em si mesmo (de fato, as grandes verdades que contém foram reveladas por meio do Profeta Joseph); e, enquanto era cantado, pensei em quão pouco a humanidade conhece das verdades incorporadas naqueles quatro versos de poesia. O Senhor tem sido muito bondoso e misericordioso para com Seus filhos nestes últimos dias, ao revelar a relação que existe entre Ele e os filhos dos homens, e ao comunicar alguns de Seus propósitos ao colocar o homem aqui sobre a terra. A esse respeito, os Santos dos Últimos Dias, ou aqueles que receberam o Evangelho, têm vantagem sobre o restante da humanidade. Enquanto o mundo científico e uma grande parte do mundo religioso tateiam em densas trevas a respeito da origem do homem e do propósito do Criador ao colocá-lo aqui, e enquanto se esforçam por chegar a alguma conclusão que se prove satisfatória, os Santos dos Últimos Dias possuem conhecimento a respeito de sua origem. Não creem que tenham evoluído de alguma ordem inferior de criação, nem que vieram à terra por acaso. Se o Evangelho não fizesse mais nada por nós além disso, que grande benefício seria, dissipando as trevas e a incerteza e as teorias dos homens a respeito da origem do homem. E poderíamos continuar e tocar em muitos outros princípios da mesma maneira, a respeito dos quais as revelações de Jesus nos deram conhecimento e entendimento.

Os Santos dos Últimos Dias estão em posição de progredir e de se informar em todas as direções sem terem de se deter para investigar as teorias e opiniões dos homens. O Senhor revelou, com clareza e simplicidade, acompanhadas do testemunho do Espírito Santo, muitas coisas a respeito das quais o mundo está em dúvida. Livros têm sido escritos, e anos de tempo gastos por homens eruditos para estabelecer o que se chama de teoria darwinista, enquanto outros se empenharam em combater essa teoria. Isso perturbou todo o mundo religioso. Muitos pregadores do Evangelho adotaram essa teoria. O resultado é que a incredulidade se espalhou. Dúvidas foram lançadas sobre o relato mosaico da criação, todo o mundo religioso foi agitado, e, em muitos casos, a fé nas escrituras foi destruída por essa teoria do eminente filósofo Charles Darwin. Suponho que a maioria dos teólogos formados nas universidades durante o último quarto de século esteja inclinada a considerar o relato mosaico da criação como de caráter mítico. Os homens tentarão mostrar-vos — e aparentemente com sucesso — que esta terra e seus habitantes existem por um período muito mais longo do que a Bíblia nos autoriza a crer. Há apenas uma ou duas semanas, foi publicado que certo homem de ciência, escavando as ruínas de uma antiga cidade, encontrou, segundo afirma, evidências de que a cidade existia milhares de anos antes da data bíblica da criação do homem. Segundo a cronologia da Bíblia, o Salvador veio cerca de quatro mil anos depois de Adão ter sido colocado na terra; mas este homem de ciência diz que aquela cidade deve ter existido sete ou oito mil anos antes do nascimento do Salvador. Ele apresenta evidência disso na forma de cerâmica sobre a qual os registros daqueles dias eram mantidos, e que conseguiu decifrar. Outros homens de ciência tentam provar, de diferentes maneiras, que a terra existe por longos períodos anteriores ao tempo que aqueles que creem na Bíblia aceitam. Falam da idade da pedra, da idade do bronze, da idade do ferro, etc., e tentam provar, a partir dessas coisas, que a antiguidade do homem é muito maior do que a cronologia bíblica evidencia.

Se o Senhor não nos tivesse dado revelação, confirmada pelo dom do Espírito Santo, em que condição estaríamos, tal como o restante da humanidade! Como estaríamos agitados, e entregues à dúvida e à incerteza a respeito destas verdades vitais! Mas o Senhor nos deu evidências que são indiscutíveis. Deu-nos a Bíblia, que nos veio dos judeus. Confirmou-a pela revelação do Livro de Mórmon. Uma, embora traduzida pela erudição do homem, contém muitas verdades preciosas; e a outra foi traduzida pelo poder de Deus. Não há outro livro do qual se afirme ter sido traduzido pelo poder de Deus, senão o Livro de Mórmon. Este nos chegou puro e autêntico, e podemos confiar em seu testemunho. Além destes livros, temos as revelações do Senhor a esta Igreja, contidas no Livro de Doutrina e Convênios. Estas três testemunhas concordam. O Presidente Woodruff usou uma frase muito feliz e expressiva nesta manhã, ao dizer que esta dispensação se encaixava perfeitamente nas dispensações anteriores. O mesmo se dá com estes livros. Encaixam-se uns nos outros, e formam uma combinação que não pode ser quebrada, porque concordam exatamente. Toda verdade harmoniza com toda outra verdade, e não há conflito entre elas.

Este povo é sumamente feliz por possuir estas evidências indiscutíveis a respeito de assuntos tão importantes. Creem os Santos dos Últimos Dias que ascenderam ou evoluíram de alguma ordem inferior de criação? Não; pois Deus revelou a esta Igreja que somos Seus filhos, feitos à Sua imagem, e possuidores dos dons e atributos de Deus — não em sua perfeição, não em sua condição desenvolvida, mas possuindo-os, ainda assim. Temos estes poderes e atributos semelhantes aos de Deus. Descendemos de Deus, e podemos reivindicar Sua paternidade, tanto quanto nossos filhos podem reivindicar a nossa. Homens podem ter vivido em condição baixa. As evidências disso podem ser apresentadas. Pode-se provar que homens caíram de sua condição elevada, e que, em muitos casos, viveram em degradação, assim como os lamanitas desceram à sua condição baixa. Mas sabemos, pelo registro que Deus nos deu, as causas que produziram isto. Sabemos que os lamanitas foram, outrora, uma nobre raça de povo. Mas, por séculos de má conduta, tornaram-se degradados e baixos. Este tem sido o caso de muitas raças. Nossos próprios antepassados estiveram nesta condição, se voltarmos suficientemente atrás. Originalmente, contudo, o homem esteve na presença de seu Criador, e seu Criador o reconheceu como Seu filho. Ele conferiu ao homem bênçãos tais como Alguém tão exaltado naturalmente conferiria à Sua prole. Mas havia outro poder em ação. Satanás, que se rebelou contra Deus e procurou destruir os propósitos de Jeová, espalhou suas influências nefastas, e essas más influências têm tido de ser combatidas ao longo de todas as gerações dos homens até o tempo presente.

Podeis ver, meus irmãos e irmãs, a vantagem que possuímos ao termos a verdade revelada a nós. Deveria ser o objetivo de nossas vidas preservar essa verdade, e ensiná-la a nossos filhos, para que sejam os guardiões dela e a preservem das ideias falsas e da vã filosofia que se propagam tão diligentemente no presente tempo nas mais altas instituições de ensino de nossa terra. Esta é uma das razões pelas quais nossos jovens que vão estudar fora correm tal risco de perder sua fé. Quase todos os livros didáticos e os ensinamentos dessas instituições de ensino, sem excetuar as instituições teológicas, tendem a fazer os estudantes aceitarem como verdadeiras as ideias modernas a respeito da antiguidade do homem e da idade da terra.

Ora, esta Igreja é a depositária da verdade. Não conheço outra organização sobre a terra que seja feita guardiã destas grandiosas verdades que a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias possui. Esta é uma missão muito importante que Deus nos confiou. Ele nos comunicou estas verdades, e testificou delas a nós por meio de Seu Santo Espírito. Homens podem filosofar e dizer que podem provar que o homem viveu sobre a terra mais de quatro mil anos antes de o Salvador vir, e que a própria terra foi organizada e habitada muito antes do tempo indicado no relato mosaico. Suponhamos que sustentem essa ideia e pensem que podem prová-la; isso não deveria perturbar nossa fé. Já vimos teoria após teoria se dissiparem. Homens de ciência estão constantemente propondo teorias e criando condições hipotéticas, apenas para vê-las despedaçadas mais tarde. Quase toda geração muda suas opiniões a respeito destas coisas. O que se acreditava há cinquenta anos é derrubado hoje; o que o mundo científico acredita hoje pode ser derrubado, se as coisas não mudarem, daqui a cinquenta anos, por novas teorias provavelmente tão infundadas quanto aquelas que substituem. Mas esta não é a nossa condição. O Senhor nos revelou a verdade, e os registros que temos confirmam Suas revelações a nós.

Podem chamar-nos de ignorantes e fanáticos por nos apegarmos a estas coisas. Mas é como a barra de ferro que Leí viu em sua visão; se nos apegarmos a ela, temos algo firme em nossas mãos, e, embora as névoas de trevas possam nos cercar, dificultando ver o caminho diante de nós, podemos ter a certeza de que seremos conduzidos em segurança através delas.

Além destas evidências, contudo, eu preferiria crer que sou descendente literal do Todo-Poderoso, e erguer meus olhos a Ele como meu Pai, e aspirar a ser como Ele, do que sustentar qualquer outra crença, por mais bem fundamentada que fosse pelas evidências dos homens. Não, não; não ascendemos de nenhuma ordem inferior de seres. Descendemos, repito, do Deus dos céus, o Criador dos céus e da terra. As sublimes palavras deste hino que cantamos nesta tarde são verdadeiras.

Meus irmãos e irmãs, reunimo-nos nestas ocasiões para sermos ensinados pelo Senhor, pelo derramamento de Seu Santo Espírito sobre nós; e quando vimos com este sentimento, tenho certeza de que nenhum de nós parte de mãos vazias. Quantas vezes ouvimos a expressão: "Gostei mais desta conferência do que de qualquer outra a que já assisti", e não há razão para que esta presente conferência seja uma exceção. O Senhor está disposto a conceder-nos Suas bênçãos e a encher nossas almas de luz e inteligência. Ouvimos, nesta manhã, testemunhos que considero de maior importância para nós. Nunca se poderá dar demasiada ênfase ao princípio de reconhecer e acatar os conselhos e a orientação do Sacerdócio do Filho de Deus. Ah, se nossos olhos pudessem se abrir para ver, e nossos corações fossem levados a compreender aquilo que Deus fez por nós ao colocar o Santo Sacerdócio em Sua Igreja! Se pudéssemos apenas compreendê-lo, todo coração se encheria ao máximo de sua capacidade, em ação de graças e louvor ao Deus dos céus por Sua infinita bondade e misericórdia ao conferir o Sacerdócio a homens nesta época, ao nos dar a organização da Igreja e o Evangelho, com seus gloriosos princípios, e ao nos dar homens que têm autoridade para oficiar em todas as ordenanças do Evangelho. Desejam os servos de Deus exaltar-se a si mesmos e tornar-se objetos de adoração entre o povo? Desejam que vos curveis a eles e lhes presteis reverência? Se há algum, entre os que ocupam posições oficiais nesta Igreja, que tenha este sentimento, eu não o conheci. Minha observação tem sido que, embora estes homens sintam a importância do Sacerdócio que Deus lhes conferiu, e tenham o desejo de magnificá-lo e honrá-lo, e de vê-lo honrado, contudo reconhecem que, em si mesmos, são muito fracos, e sentem a falta daquela capacidade e poder que deveriam ter para magnificar seus ofícios de modo aceitável a Deus e satisfatório ao povo. Conheceis o Presidente da Igreja. Não preciso — ao menos em sua presença — enumerar suas qualidades, nem falar-vos de sua humildade e de seu caráter despretensioso. Vós o conheceis. Assim é com os demais. Alguns talvez não tenham a mesma feliz aptidão de parecer humildes em público quanto outros; mas, no coração destes homens, não há desejo algum de exercer autoridade imprópria entre este povo. Posso testificar disto, pois conheço estes homens e seu espírito. Que é, então, que os leva a falar do Sacerdócio e a apelar aos Santos para que honrem esse Sacerdócio? É para que Deus, nosso Pai Eterno, seja honrado. Ele conferiu esta autoridade, e ela O representa, e devemos honrá-la assim como desejamos honrar a Ele. Sei que, se este povo escutar o conselho dos servos de Deus, será prosperado e abençoado, e os dons e as graças do Evangelho serão desfrutados por eles em toda a sua plenitude. Sei que aqueles que têm este espírito crescem em conhecimento, em força, e nos dons do Evangelho, e são, poderia dizer, melhores Santos dos Últimos Dias do que aqueles que não o têm.

Tomai os homens dirigentes desta Igreja, não apenas os Doze, mas os Presidentes de Estaca, os Sumos Conselheiros e os Bispos, e não creio que possais encontrar, em qualquer organização, religiosa, política ou social, um grupo de homens tão independentes, tão desejosos de agir a seu próprio modo, tão firmes e tão determinados quanto aqueles a que me refiro. Tomai a Primeira Presidência. Aqueles que nos conhecem sabem quais são nossas características. Tomai os Doze, os Sete Presidentes dos Setenta, os Presidentes de Estaca, os Sumos Conselheiros e os Bispos de alas. Aqueles que conhecem estes homens sabem, em grande medida, quais são suas características. Estes homens, de modo geral, são homens de pensamento independente, homens que não se curvarão levianamente às ordens de outrem. São homens que prefeririam morrer a sacrificar um princípio. Sofreriam a destruição de seus bens e a queima de seus corpos antes de se curvarem àquilo que, em sua estimativa, não fosse correto. Chamo atenção para isto porque estes homens são homens submissos. Não é porque sejam facilmente influenciáveis. Qual é a causa de sua submissão e obediência? É que Deus revelou o Sacerdócio e restaurou a autoridade. É a isso que me curvo. Quando respeito e honro Wilford Woodruff, curvo-me a Deus, que o escolheu. Meu pescoço não se curva, nem jamais se curvou, a homem algum. Aqueles que me conhecem sabem que sou inflexível a este respeito. Posso levar as coisas com tranquilidade; não gosto de brigar; mas jamais me curvei a homem algum. Só me curvo à devida autoridade. Se escuto Wilford Woodruff; se olho para ele para ver como o Espírito de Deus se move sobre ele; se peço seu conselho e o sigo, é porque Deus assim mo ordenou. Deus lhe deu as chaves da autoridade. Que qualquer outro tente fazer o mesmo, e vede que efeito teria sua ação. Quando Joseph F. Smith obedece a Wilford Woodruff, ele o faz pelo mesmo princípio. Nós o reverenciamos como o profeta de Deus, e como nosso líder. Nós o escutamos, e somos guiados pelo mais leve de seus desejos. É porque sabemos que ele é o servo de Deus, escolhido pelo Todo-Poderoso para ocupar esse lugar, e que ele possui as chaves do Sacerdócio para esta geração, sobre a terra, no tempo presente. Posso dizer, com verdade, que nos esforçamos por consultar seu mais leve desejo, e o honramos em sua posição, porque sabemos que Deus o escolheu. E quem somos nós para resistir a Deus? Quem somos nós para resistir àquilo que Deus revela? Isto sacrifica nossa independência? De modo algum. E estes Doze Apóstolos estão precisamente na mesma posição. Quando aceitam o conselho da Primeira Presidência, fazem-no porque creem que a Primeira Presidência foi escolhida por Deus. Podem ter opiniões diferentes sobre muitas coisas; mas, quando a Primeira Presidência dá um conselho, todo homem que tem o Espírito de Deus aceita esse conselho. Isto não o impede de sustentar suas próprias opiniões e expressá-las, e não diminui sua influência.

Ora, não pedimos a este povo que seja mais obediente do que nós. Não vos pedimos que façais algo que nós mesmos não estejamos dispostos a fazer. Demo-vos o exemplo. Pedimos-vos, como o Senhor vos pede, que obedeçais à autoridade de Deus e a respeiteis. Significa isto adoração ao homem? Significa isto perda de independência? Não, mil vezes não. Não há povo mais independente sobre a terra do que os Santos dos Últimos Dias. Já o provaram. Estiveram dispostos a deixar tudo o que tinham na terra, e até a arriscar suas vidas, por aquilo que sabiam ser verdade. Os homens, portanto, que falam de nós como se fôssemos servis, como se não tivéssemos independência de caráter, como se seguíssemos cegamente alguns poucos líderes, são culpados de falsidade. Somos tão independentes quanto seres humanos podem ser. Mas sabemos que Deus restaurou o Sacerdócio, e a isso obedecemos. Quando um homem me leva às águas, depois de eu ter crido em Jesus e me arrependido de meus pecados, e me batiza na água, e sei que recebo a remissão de meus pecados por meio desse ato; quando um homem impõe suas mãos sobre mim e me confirma membro da Igreja de Cristo, e me confere o dom do Espírito Santo, e sei que recebo esse dom por meio dessa ordenança, não haveria eu de respeitar e honrar aquele homem a quem Deus deu tal poder extraordinário? Ora, eu seria o mais vil dos seres sobre a terra se não respeitasse autoridade dessa natureza. Indo mais além: quando um homem me administra certas ordenanças, e me promete que sairei na manhã da primeira ressurreição, revestido de glória, imortalidade e vida eterna; quando ele sela uma esposa a mim e diz que ela será minha pelo tempo e por toda a eternidade, e Deus testifica disto pelo poder do Espírito Santo, de modo que não resta dúvida em minha mente quanto à verdade dessas promessas, não haveria eu de honrar o homem e reverenciar a autoridade que esse homem possui, capaz de fazer coisas tão maravilhosas como esta? Esta é minha condição. Fui batizado — meus pecados foram remidos; tive mãos impostas sobre mim para o dom do Espírito Santo — recebi esse dom; tive outras ordenanças administradas a mim, e promessas feitas a mim — sei que recebi aqui, em parte, e que hei de receber, doravante, em plenitude, o cumprimento dessas promessas. Que poder na terra, então, me impediria de honrar estes homens, de respeitar essa autoridade, e de ser submisso a ela? Direi eu que aceitarei aquela autoridade numa direção, mas não noutra? Se o fizer, sou indigno das bênçãos que Deus me concedeu. E jamais o fiz. Honro essa autoridade. Amo os homens que a portam, porque sei que são homens de Deus. Ora, por que não fazemos todos nós assim? Vós que não tivestes vossos pecados remidos, vós que não tivestes o dom do Espírito Santo, vós que não recebestes estas outras bênçãos, podeis rebelar-vos e dizer que fareis como vos aprouver; mas isso não convém àqueles que receberam todas estas bênçãos e dons — ao menos, não convém, se esperam permanecer no favor de Deus.

Amo esta Igreja porque é a Igreja de Cristo. Amo-a porque me trouxe toda bênção terrena. Fez de minha vida uma vida de grande felicidade. Tive provações, como os demais; mas minha vida tem sido extremamente feliz. Fui feliz nas grandes verdades que Deus revelou, e que sei serem verdades; mas, mais especialmente, fui feliz nas bênçãos que me foram trazidas por meio do Sacerdócio e do exercício de seu poder por homens como eu, a quem Deus achou por bem dotar dele. Às vezes senti que não poderia permanecer aqui na terra, de tão feliz que estava. Regozijo-me nesta felicidade e nestas bênçãos. Quisera que toda a humanidade pudesse partilhar delas. Quando eu era missionário, era o grande deleite de minha vida pregar este Evangelho, e suplicar aos homens que viessem ao Senhor e recebessem as bênçãos que eu havia recebido. Sinto agora que gostaria de viver até que o Salvador venha, se fosse da vontade do Senhor, para pregar este Evangelho de salvação à humanidade, e torná-la partícipe das alegrias de que participei. E é por meio do Sacerdócio que todas estas bênçãos vieram. Já estive na pobreza; passei pelas perseguições que todos nós suportamos; já me faltou comida; já me faltou água; já estive destituído de roupas; já preguei o Evangelho sem bolsa nem alforje; já estive na prosperidade; já convivi com os principais homens da terra, e já vivi onde tinha tudo de que precisava; e testifico-vos, neste dia, que o Evangelho do Senhor Jesus Cristo basta para toda circunstância da vida. Ele fará os homens felizes na pobreza e na adversidade; fará-os felizes na prosperidade e na abundância. Não se limita a uma única condição de vida; estende-se sobre toda condição em que o homem possa se encontrar. Tenho a alegria, neste dia, nesta assembleia solene, de prestar meu testemunho disto.

Ora, que podemos dizer-vos para vos suplicar que honreis o Sacerdócio que Deus restaurou? Não vos pedimos que nos honreis (embora seja algo difícil separar o Sacerdócio do homem); mas vos suplicamos que honreis o Sacerdócio. Não permitais que as falsidades ditas a respeito do Sacerdócio entrem em vossas mentes. Deus está com este Sacerdócio. Está com os élderes desta Igreja, e com a Primeira Presidência e os Doze Apóstolos, e Ele os levará triunfantes. Ele testificará que são Seus servos pelos frutos que se seguirão à obediência aos conselhos que derem. Nós, que amamos nossa religião, não podemos fazer melhor do que seguir este rumo. E de que serve nossa religião, se não a amamos e não pomos em prática seus princípios? Ela não tem valor algum para nós; antes, provar-se-á uma condenação, e não uma bênção, para nós.

Sinto-me alegre, neste dia, na presença de Deus, de que Ele tenha sido tão bom e bondoso para conosco, ao revelar-Se a nós, de modo que conhecemos a verdade; que não precisamos tatear atrás das teorias dos homens e da confusão que existe no mundo, mas que podemos nos apegar à verdade e viver por ela; e, quando chegar o tempo de partirmos, partir com a certeza de que entraremos naquele glorioso descanso que o Senhor reservou para Seu povo fiel. Rogo a Deus que conceda isto a todos nós, em nome de Jesus. Amém.

Como citar este discursoGeorge Q. Cannon, “Discurso”, Conferência Geral de Outubro de 1896, Sessão da Tarde de Domingo (1896-10-04). Pulpit Vault, 1896-10-cannon-discourse. Tradução desta edição, por método de glossário, newspapers.lib.utah.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).