Observações
Lorenzo Snow
Desejo ler, para nossa instrução, alguns versículos que se encontram no primeiro capítulo do Apocalipse de João, como segue: ¶
E virei-me para ver quem falara comigo. E virando-me, vi sete castiçais de ouro; ¶
E no meio dos sete castiçais, um semelhante ao Filho do Homem, vestido até os pés de uma roupa comprida, e cingido, à altura do peito, com um cinto de ouro. ¶
E a sua cabeça e cabelos eram brancos como a branca lã, como a neve, e os seus olhos, como chama de fogo; ¶
E os seus pés, semelhantes a latão reluzente, como se tivessem sido refinados numa fornalha, e a sua voz, como a voz de muitas águas. ¶
E tinha na sua destra sete estrelas; e da sua boca saía uma afiada espada de dois fios; e o seu rosto era como o sol, quando na sua força resplandece. ¶
E eu, quando o vi, caí a seus pés como morto; e ele pôs sobre mim a sua destra, dizendo-me: Não temas; eu sou o primeiro e o último; ¶
E o que vivo e fui morto; e eis que vivo para todo o sempre, Amém; e tenho as chaves da morte e do inferno. ¶
Em ligação com isto, desejo ler do Livro de Doutrina e Convênios, seção 110: ¶
Retirou-se o véu de nossa mente e abriram-se os olhos de nosso entendimento. ¶
Vimos o Senhor de pé no parapeito do púlpito, diante de nós; e sob seus pés havia um calçamento de ouro puro, da cor de âmbar. ¶
Os seus olhos eram como uma labareda de fogo; os cabelos de sua cabeça eram brancos como a pura neve; o seu semblante resplandecia mais do que o brilho do sol; e a sua voz era como o ruído de muitas águas, sim, a voz de Jeová, que dizia— ¶
Eu sou o primeiro e o último. Sou o que vive, sou o que foi morto, eu sou o vosso advogado junto ao Pai. ¶
Eis que perdoados vos são vossos pecados, estais limpos diante de mim; portanto, erguei a cabeça e regozijai-vos. ¶
Que se regozije o coração de vossos irmãos, e o coração de todo o meu povo, que com sua força construiu esta casa ao meu nome. ¶
Pois eis que aceitei esta casa, e meu nome aqui estará; e manifestar-me-ei a meu povo com misericórdia nesta casa. ¶
Esta visão foi vista por Joseph Smith e Oliver Cowdery em 3 de abril de 1836. ¶
Aqui estão dois testemunhos a respeito de Jesus Cristo. Aquele que primeiro li foi dado há cerca de 1800 anos; o outro, há cerca de 59 anos. Suponho que haja milhões que creem no primeiro testemunho que li a respeito do Filho de Deus, tal como descrito por João, o Revelador. Este segundo testemunho, a respeito do mesmo personagem, o Filho de Deus, é acreditado apenas por bem poucos, em comparação com o grande número de pessoas que creem no primeiro testemunho. Quanto a João, que testificou do Filho de Deus, nunca fui familiarizado com ele. Na verdade, nunca vi seu rosto; nunca ouvi sua voz; nunca tive o prazer de apertar-lhe a mão. Mas com Joseph Smith fui familiarizado: no ano de 1832, se não me engano, vi-o pela primeira vez e o ouvi pregar. E, a partir dali, com exceção talvez de uns dois anos, fui intimamente ligado a ele. Conversei com ele muitas vezes. Sentei-me à sua mesa em várias ocasiões. Sabia que era um homem de Deus, cheio do espírito de seu chamado—um homem cuja integridade não podia ser posta em dúvida, e que era honesto em todos os seus empreendimentos. Ninguém que fosse tão intimamente ligado a ele quanto eu poderia encontrar-lhe falha alguma, no que se refere ao seu caráter moral. Quanto ao segundo indivíduo aqui que presta este último testemunho, Oliver Cowdery, eu era parcialmente ligado a ele; ouvi-o pregar, e falei com ele; e enquanto se dedicava a promulgar os princípios da religião que abraçara, a mesma que vós e eu abraçamos, nenhuma falha se lhe podia encontrar. Naquele tempo era um bom homem, e sempre prestou um testemunho fiel destas coisas que Deus lhe havia claramente manifestado. Mas, como alguns outros que se destacaram na Igreja em 1836, e antes e depois disso, ficou descontente, ficou com ciúme de certas partes, e, depois de um tempo, apostatou, permanecendo naquela condição por muitos anos; mas, pouco antes de sua morte, veio adiante e pediu o privilégio de ser rebatizado e tornar-se novamente membro da Igreja. Contudo, durante todo o período de sua apostasia, tanto quanto entendo, sempre manteve a veracidade deste testemunho que prestou a respeito da verdade dos princípios do mormonismo e das várias manifestações que recebeu do Senhor. Ora, presto testemunho do bom caráter do Irmão Joseph Smith, de sua honestidade, de sua fidelidade, de sua lealdade, de sua generosidade e benevolência, como homem e como servo de Deus. É por isso que li estes testemunhos. ¶
Ora, há vários milhares de Santos dos Últimos Dias diante de mim, e não há um só que não tenha uma obra a realizar. Não viemos a este mundo por acidente. Viemos com um propósito especial, e foi sem dúvida por meio de certos arranjos na outra vida, onde habitávamos, que viemos a esta vida. Pois bem, no Templo estamos realizando uma grande obra em relação a nossos parentes falecidos. Temos tido, de tempos em tempos, importantes manifestações de que Deus aprova este trabalho que estamos realizando em nossos Templos. Manifestações das mais extraordinárias foram experimentadas por indivíduos que estão trabalhando por sua ancestralidade. É uma obra poderosa a que estamos realizando. Milhares de pessoas foram batizadas por seus mortos durante o progresso de nossos labores nos Templos. Desejo falar de algumas coisas em relação à importância desta obra e de os indivíduos se engajarem nela. Como disse, não viemos a este mundo por acidente. É minha opinião que houve uma inspiração para trazer à existência certas relações que estamos formando aqui, nesta vida, e, muito provavelmente, elas surgem por causa de certas relações que existiram em nossa vida anterior. Respeitamos essas relações. Como o Presidente Woodruff nos disse em nossa penúltima conferência, ao falar sobre este assunto, respeitamos as relações que se formaram anos e gerações atrás, quando o Evangelho não estava entre os filhos dos homens. Um dos primeiros mandamentos que Deus deu, quando introduziu a família humana neste pequeno globo em que habitamos, foi que se multiplicassem e enchessem a terra. Este era um assunto da mais alta importância, ou Deus nunca teria dado esse mandamento. Era da máxima importância que a terra fosse povoada com os filhos e filhas de Deus. As circunstâncias eram de tal natureza que homens e mulheres jamais poderiam ser exaltados e receber a plenitude da glória sem passar por esta provação. Tinham de vir à terra, que era chamada de segundo estado. Tivemos um primeiro estado, no qual habitávamos, nos movíamos e tínhamos um ser. Conhecíamo-nos ali uns aos outros. E, em consequência de termos guardado nosso primeiro estado, tivemos o privilégio de vir a este estado, a fim de passar pela provação e obter aquela experiência e educação necessárias que nos preparassem para nos assentarmos em tronos e governar e controlar nossa posteridade pelos séculos dos séculos. Viemos aqui porque fomos enviados aqui e porque estávamos dispostos a vir; nesta vida, enviamos nossos missionários ao mundo. Selecionamos nossos jovens e lhes damos missões para viajar entre as nações. Não é uma das coisas mais agradáveis que se possa imaginar, para um jovem, partir, sem ter tido nenhuma experiência, para uma terra e entre um povo que ele nada conhece, e, em muitos casos, sequer entende sua língua. Ele percebe que terá provações, tribulações e dificuldades a enfrentar, e muitas coisas de caráter desagradável. Em certo sentido da palavra, ele se despede de seus amigos desagradavelmente; mas é um dever importante que agora sente ser chamado a realizar, e da realização destes deveres surgirão honra, e, por fim, glória e exaltação. Ele está bem satisfeito quanto a este ponto: mas a missão não é, no todo, uma coisa agradável de se contemplar. É selecionado para esta missão divina e labor sagrado por causa de sua fidelidade e de sua pureza de conduta. De modo semelhante, viemos a este mundo porque guardamos nosso primeiro estado em meio a todas as provações e dificuldades na outra vida. Nem toda a família de Deus se preservou em seu primeiro estado. Uma terça parte da hoste dos filhos de Deus, Sua prole, seguiu em direção diferente, e não foi digna de vir ao mundo. Vêm, às vezes, mas têm de tomar corpos emprestados, não tendo nenhum próprio. Nós, porém, estamos aqui por causa de nossa dignidade no passado, assim como os Élderes são enviados entre as nações por causa de sua dignidade em casa. ¶
Ora, em nossos Templos permitimos que as pessoas venham, depois de rastrearem sua ancestralidade, não importa quão longe, e sejam batizadas por seu pai, avô e bisavô falecidos, e assim por diante, até onde puderem traçar sua linhagem. Depois, permitimos que tenham as esposas seladas a seus maridos, ao longo de toda a linhagem ancestral, até onde puderem traçá-la. Tomai o caso de um jovem virtuoso que viveu antes de o Evangelho ter sido introduzido aos filhos dos homens. Desejava obter uma esposa e criar uma família. Esse desejo é um desejo próprio. É obedecer ao primeiro mandamento. Pois bem, casou-se com uma esposa e criou uma família; mas jamais teve o privilégio de receber o Evangelho, como vós e eu temos. No entanto, ensinou à sua família os princípios da moralidade, e foi afetuoso e bondoso com sua esposa e filhos. Que mais poderia ele fazer? Não deveria ser condenado por não ter recebido o Evangelho; pois não havia Evangelho a receber. Não deveria perder sua esposa porque, quando se casou com ela, não pôde ir a um Templo e tê-la selada a ele para o tempo e a eternidade. Agiu de acordo com o melhor conhecimento que tinha, e ela se casou com ele para o tempo, segundo o costume do país. Respeitamos esse casamento, solenizado de acordo com as leis de seu país. Não pensamos que seria correto tomar essa esposa, casada com esse homem sob tais circunstâncias, e selá-la a qualquer outro homem, nem os filhos tampouco. Como o Presidente Woodruff explicou, selamos filhos a seus pais e esposas a seus maridos, ao longo de toda a linhagem. Ora, deveria ser um objetivo na mente de todo homem e mulher vir a nossos Templos e realizar este trabalho. É um grande trabalho, e também importante. Quando voltarmos à outra vida e encontrarmos nossos amigos falecidos vivendo ali, se não tivermos realizado o trabalho necessário para sua exaltação e glória, não nos sentiremos muito felizes, e não será um encontro muito agradável. Não deveríamos esperar que as oportunidades sejam sempre agradáveis; mas deveríamos esforçar-nos, mesmo que exija de nossa parte algum sacrifício, para nos colocarmos em condição de realizar este trabalho. Temos no Templo de Salt Lake entre sessenta e setenta pessoas que são empregadas continuamente com o propósito de atender aos irmãos e irmãs que ali vêm realizar este trabalho, e cumprem seu serviço de bom grado. Bem poucos, na verdade, recebem qualquer paga; dão seu trabalho de graça. E acolhemos os irmãos e irmãs quando os vemos neste Templo. É o mesmo em todos os outros Templos. Desejamos ansiosamente que os irmãos e irmãs não negligenciem esta importante obra. Sabeis qual será o principal trabalho durante os mil anos de descanso? Será aquilo que estamos procurando incitar os Santos dos Últimos Dias a realizar no tempo presente. Templos serão construídos por toda esta terra, e os irmãos e irmãs entrarão neles e talvez trabalharão dia e noite a fim de apressar a obra e realizar os trabalhos necessários antes que o Filho do Homem possa apresentar Seu reino a Seu Pai. Este trabalho tem de ser realizado antes que o Filho do Homem possa vir e receber Seu reino para apresentá-lo a Seu Pai. Todo filho e toda filha de Deus terá a oportunidade necessária para a exaltação e a glória, seja por si mesmo, seja por seus amigos. Pois há apenas uma maneira pela qual a exaltação e a glória podem ser asseguradas. Temos de ser batizados para a remissão dos pecados e ter as mãos impostas sobre nós para o recebimento do Espírito Santo. Estas e outras ordenanças são absolutamente necessárias para a exaltação e a glória; e onde indivíduos viveram quando o Evangelho não era acessível, estas coisas podem ser realizadas por seus amigos. Viemos ao mundo agora a fim de fazer estas coisas—pelo menos, é um dos principais objetivos de nossa vinda. Não podemos dar ênfase demasiada à importância desta obra. ¶
Pois bem, irmãos e irmãs, prole de Deus, tudo diante de nós é animador. Nossas perspectivas são tão grandes e gloriosas quanto qualquer imaginação poderia antecipar; e deveríamos esforçar-nos por nos capacitarmos a receber estas bênçãos. Quanto ao fundamento sobre o qual nos apoiamos, é bastante seguro; mas pode não sê-lo para todos os que estão ao alcance de minha voz. Nenhum homem deveria estar satisfeito até ter obtido uma perfeita certeza de que este é o caminho da exaltação e da glória; de que Joseph Smith era um profeta de Deus; de que estas coisas que tenho vos lido são, de fato, de Deus; de que Jesus, o Filho de Deus, de fato apareceu em 1836 a alguns dos filhos e filhas de Deus que O conheciam na outra vida. Não há dúvida alguma disto em minha mente, e há dezenas de milhares de Santos dos Últimos Dias que podem testificar da veracidade desta obra. Sabem-no por si mesmos; mas temo que haja pessoas demais que não obtiveram aquela certeza absolutamente necessária, porque todo homem e toda mulher serão postos à prova para ver quanto de entendimento tem a respeito destes princípios. Que sejamos abençoados em todos os nossos labores. Que compreendamos as coisas exigidas de nós, e as cumpramos fielmente, e sejamos bem-sucedidos, de modo que, quando tivermos concluído nosso segundo estado, possamos ir para lá e ali regozijar-nos e receber a plenitude da exaltação e da glória. Esta é minha oração em nome de Jesus. Amém. ¶