Observações
Franklin D. Richards
Amados ouvintes: regozijei-me grandemente convosco durante as sessões desta Conferência, ontem e esta manhã, com as instruções muito preciosas que nos foram dadas. Percebo que têm sido o ditado do Espírito Santo para nós, e minha alma se banqueteou com elas. Tivemos uma abençoada variedade de instruções, sobre muitas coisas, tanto temporais quanto espirituais. ¶
Visto que estais no hábito de levantar as mãos duas vezes ao ano para me sustentar como historiador da Igreja, e é provável que sejais chamados a fazer o mesmo novamente antes do encerramento desta conferência, sinto-me impelido pela importância de apresentar-vos alguns pensamentos para consideração, os quais dizem respeito àquela parte do trabalho em que estou engajado—o de historiador. Há uma grande obra que recai sobre o povo de Deus, em sua vida diária, na organização que nos foi exposta esta manhã. Uma característica importante desse trabalho é a manutenção dos sagrados registros da Igreja. Isso envolve algo mais do que geralmente se contempla por aqueles que são chamados a ser escrivães, secretários e escrivães registradores na Igreja. Desejo chamar a atenção desta congregação para uma consideração deste assunto por alguns minutos esta manhã, mas, antes de prosseguir, desejo ler algumas frases da sagrada escritura, começando em Gênesis, capítulo segundo e versículo 4: ¶
"Estas são as origens dos céus e da terra, quando foram criados, no dia em que o Senhor Deus fez a terra e os céus." ¶
Pérola de Grande Valor, edição de 1888, página 7: ¶
"E aconteceu que o Senhor falou a Moisés, dizendo: Eis que eu te revelo o que concerne a este céu e a esta Terra; escreve as palavras que eu digo." ¶
Página 26: ¶
"E então começaram esses homens a invocar o nome do Senhor, e o Senhor abençoou-os, e escrevia-se um livro de recordações; e era escrito no idioma de Adão, pois a todos que invocavam a Deus era concedido escrever pelo espírito de inspiração; e por eles seus filhos foram ensinados a ler e a escrever, tendo uma linguagem que era pura e impoluta. ¶
Ora, esse mesmo Sacerdócio, que existia no princípio, existirá também no fim do mundo. Ora, essa profecia Adão pronunciou, movido pelo Espírito Santo, e registrava-se uma genealogia dos filhos de Deus. E esse era o livro das gerações de Adão." ¶
Enoque, na sétima geração a partir de Adão, que viveu e edificou a Cidade de Sião, deixou registrado o seguinte, página 31: ¶
"Os céus ele fez; a Terra é o escabelo de seus pés e a fundação dela é sua. Eis que ele a estabeleceu e trouxe uma hoste de homens para a sua face. E a morte veio sobre nossos pais; não obstante nós os conhecemos e não podemos negar; e até o primeiro de todos conhecemos, sim, Adão. Pois um livro de lembranças escrevemos entre nós, de acordo com o modelo dado pelo dedo de Deus; e foi dado em nosso próprio idioma." ¶
Estes trechos que agora leio provêm de uma Revelação que o Deus dos Céus nos deu por meio do Profeta Joseph Smith, que ele recebeu logo após a organização da Igreja em 1830, e que se encontram na Pérola de Grande Valor. Cito da última edição, publicada em 1888, nesta cidade. ¶
Mais escritura a respeito deste assunto de suprema importância pode ser encontrada nas páginas 121 e 538 do Livro de Mórmon. O Senhor disse a Néfi, cerca de 550 anos antes de Sua encarnação, Livro de Mórmon, 2º Néfi, capítulo 29, versículos 11-12: ¶
"Pois eu ordeno a todos os homens, tanto no leste como no oeste, tanto no norte como no sul e nas ilhas do mar, que escrevam as palavras que lhes digo; pois pelos livros que forem escritos julgarei o mundo, cada homem de acordo com as suas obras, conforme o que está escrito. Pois eis que falarei aos judeus e eles escreverão; e também falarei aos nefitas e eles escreverão; e falarei também às outras tribos da casa de Israel, que levei para longe, e elas escreverão; e também falarei a todas as nações da Terra e elas escreverão." ¶
No cumprimento de Sua promessa de que falaria aos judeus e que estes escreveriam, temos aquele precioso livro, a Bíblia. Sua promessa de falar aos nefitas e que estes escreveriam também se manifesta plenamente na vinda das placas contendo o Livro de Mórmon. ¶
Com um cumprimento tão perfeito destas profecias diante de nós, podemos esperar com inteira confiança o cumprimento daquela parte que se refere às tribos de Israel que Ele levou para longe, e também àquela que se refere a todas as nações da terra. ¶
Novamente, na página 538: ¶
"Eis que todas as coisas são escritas pelo Pai; portanto, pelo livro que for escrito o mundo será julgado." ¶
Em mais bela harmonia com o que precede, diz o Profeta Malaquias, capítulo 3, versículo 16: ¶
"Então aqueles que temem ao Senhor falam um com o outro; e o Senhor atenta e ouve; e há um livro de recordações escrito diante dele, para os que temem ao Senhor, e para os que se lembram do seu nome." ¶
Pela palavra de Deus vemos que, nas primeiras eras do mundo, logo após sua criação, aquele maravilhoso Profeta Enoque estava profundamente impressionado com a importância de se manter um "Livro de Recordações", no qual estivesse contido o registro das gerações de Adão. ¶
Não apenas Enoque e seus contemporâneos estavam interessados nisso, mas parece que o próprio Senhor estava interessado, e provavelmente ordenou que assim se fizesse, pois o Profeta declara que a todos quantos invocavam a Deus foi dado escrever pelo espírito de inspiração, e por este espírito de inspiração em seus pais foram ensinados a ler e escrever a linguagem pura e perfeita que Deus havia dado a seu grande pai Adão, de modo que mantinham uma genealogia dos filhos de Deus; e este era o Livro das Gerações de Adão. ¶
Que era o desígnio, o propósito e o mandamento de Deus que se mantivesse um registro bom e fiel dos descendentes de Adão é inquestionavelmente verdade, visto que o maior de todos os Profetas antediluvianos deixou registrado que "um livro de recordações escrevemos entre nós, de acordo com o modelo dado pelo dedo de Deus." ¶
Tendo agora obtido alguma leve ideia da importância atribuída ao ato de manter registros nos tempos antediluvianos, vejamos se o povo, desde o dilúvio, tem sutentado ideias semelhantes sobre este importante assunto. ¶
Noé não nos dá nenhum relato de ter preservado uma história da criação, ou da organização da Igreja, da construção da cidade de Enoque, Sião, e de sua translação, nem das perseguições dos justos pelos ímpios naquele tempo, mas o seguinte, de Abraão, o amigo de Deus e pai dos fiéis, que viveu na décima geração, cerca de 400 anos após o dilúvio, chegou até nós. ¶
Diz ele, páginas 45-50: ¶
"E achando que havia maior felicidade e paz e descanso para mim, busquei as bênçãos dos pais, e o direito ao qual eu deveria ser ordenado para ministrá-las; tendo eu mesmo sido seguidor da retidão, desejando também ser possuidor de grande conhecimento, e ser maior seguidor da retidão, e possuir maior conhecimento, e ser pai de muitas nações, um príncipe da paz, e desejando receber instruções, e guardar os mandamentos de Deus, tornei-me um herdeiro legítimo, um Sumo Sacerdote, portando o direito que pertencia aos pais; foi-me conferido pelos pais; veio dos pais desde o princípio do tempo, sim, desde o princípio, ou seja, antes da fundação da Terra, até o presente, sim, o direito do primogênito, ou seja, do primeiro homem, que é Adão, ou seja, o primeiro pai; e por meio dos pais até mim. ¶
Busquei minha designação ao Sacerdócio, de acordo com a designação de Deus aos pais, concernente à descendência." ¶
Por este último parágrafo, somos informados de que o Patriarca Abraão não apenas se interessava por sua genealogia, mas estava muito ansioso por aprender, a ponto de buscar diligentemente e descobrir o direito do primeiro homem, que é Adão ou primeiro pai, por meio dos pais até ele. Quem o desejar pode ler uma lista dos primeiros pais ou patriarcas em Doutrina e Convênios, seção 107, parágrafos 40-57, dando a lista desde Adão até Matusalém, o avô de Noé. ¶
Abraão diz ainda que o registro dos Patriarcas, referente ao direito do Sacerdócio, o Senhor preservou em Suas próprias mãos. ¶
Ora, como veio ele a obter o registro que lhe deu o conhecimento de seu direito ao Sacerdócio? Sem dúvida, foi trazido por Noé na arca através do dilúvio. Outras histórias nos informam que Abraão passou vários anos de sua vida jovem com Noé e Sem, e foi por eles instruído em todo o conhecimento de Deus e de Suas obras. Assim, todo o conhecimento que Noé e Sem possuíam, ou quaisquer registros que trouxeram através do dilúvio na arca, tudo isso ficou disponível, sem dúvida, para Abraão, e, sendo ele um crente no Deus Todo-Poderoso, tornou-se um homem de fé tão extraordinária que nada era exigido demais para ele, e assim se tornou o pai dos fiéis, e o amigo de Deus. ¶
Li estas porções da escritura para que possamos trazer à mente, para consideração, o assunto de manter registros ou escrever história, especialmente história sagrada. Desde que os templos foram construídos e as ordenanças neles começaram a ser administradas, nosso povo obteve melhor compreensão da importância de manter registros familiares, história familiar e genealogia, do que antes. Tivemos um entre nós que, desde os primeiros dias da Igreja, viu a necessidade disso e considerou o assunto com grande interesse, e talvez com tanta importância quanto qualquer um poderia ter quando havia tão pouca necessidade prática disso, e esse é nosso digno Presidente Woodruff. Ele, desde o início de sua carreira pública, tem mantido um diário e uma história, e devemos, em grande medida, ao seu esforço, junto com o de alguns outros, muitos grandes e poderosos sermões que o Profeta Joseph proferiu na cidade de Nauvoo. Devemos, digo eu, a seus registros e a seus esforços, muitíssimas destas preciosas verdades que agora temos na página da história para nos enriquecer com alguns dos assuntos mais importantes pertencentes ao mais sagrado conselho instituído pelo Profeta Joseph, assim trazidos até o nosso tempo presente, e por eles somos feitos os felizes recipientes de muitas bênçãos e ordenanças. Em tempos mais recentes, temos sido limitados em nossos esforços para escrever a história da Igreja, por causa de nossos registros estarem em condição dispersa, e por causa de ainda não termos obtido os dados históricos necessários das partes mais distantes da Igreja. Temos tido o Irmão Jenson visitando de ala em ala, de Estaca em Estaca, de missão em missão, coligindo a história primitiva da fundação dos povoados em Utah e nos territórios circundantes. Ele esteve entre vós, aprendeu vossa condição, e coligiu as informações que pôde obter, necessárias para uma história fiel de todas as Estacas de Sião, tanto quanto sabemos. Por meio de seu relatório a mim, como historiador, sou informado de que há alas organizadas, funcionando há bastante tempo, que não têm registro algum guardado entre elas. Para este fato desejo chamar a atenção não apenas dos presidentes de quóruns e conselhos e dos chefes de família, mas de todo o povo, e desejo que saibam e entendam que é tempo de voltarem suas mentes para este assunto. Deveriam guardar mais cuidadosamente os registros da Igreja, ao mesmo tempo em que instituem a história familiar. Vós que estais na Igreja há muitos anos e estais criando filhos e filhas ao vosso redor, deveríeis ensiná-los e instruí-los neste assunto, e impressioná-los, enquanto ainda em seus dias de escola, a manter alguma anotação de todos os seus atos gerais na terra, a manter um relato de si mesmos. Sei que sentirão exatamente como vós e eu sentimos: de que serve escrever que fui à Academia Brigham Young para aprender? De que serve contar que fui embora por um par de anos para o Sul em missão, ou para a Inglaterra, ou para qualquer outro lugar? Pode parecer de pouca importância para eles agora; mas, quando vossos filhos forem idosos, os cabelos brancos, e olharem para trás sobre metade ou três quartos de um século de experiência, talvez um Bispo, presidente de Estaca, fundador de uma colônia, ou presidente de um Templo, então dariam um tesouro por um registro fiel da experiência pela qual passaram, a quem abençoaram, batizaram, confirmaram, ordenaram, e em que países e línguas o fizeram. É tempo de que estes irmãos, já carecas e grisalhos de idade, estivessem instituindo esta ordem de coisas em seus lares, para que, como chefes de suas famílias, suas tribos ou sua geração, possam estabelecer uma história que passe para as gerações que os sucederem. As gerações subsequentes vão querer saber que parte seu pai, seu avô ou seu bisavô teve no estabelecimento desta Igreja—se foi um Sumo Sacerdote, um Élder, um presidente de Estaca, um Bispo ou um conselheiro de Bispo, ou ocupou qualquer outro cargo no Sacerdócio. Não deveria apenas manter um relato disso para seu próprio benefício presente, enquanto perdurar, mas também cuidar, antes de partir, de deixar um bom registro dos eventos de sua vida a seus parentes—do trabalho que realizou nos Templos e das missões que cumpriu—para que passe a seus filhos, para que percebam que estão sob obrigação para com ele pelas bênçãos do Evangelho que ele fez descer sobre suas cabeças, ao estabelecê-los no meio do povo de Deus nestes últimos dias. Peço-vos, meus irmãos Bispos, que cuideis atentamente dos interesses de vosso povo a este respeito; vede que vossos escrivães mantenham registros bons e perfeitos de todo nascimento em vossa ala, certamente do nascimento de toda criança que pertença aos Santos. Algumas das crianças que agora nascem daqueles que são incrédulos podem levantar-se e, por vossa instrução e ministração, tornarem-se Élderes e ministros de Deus na Igreja enquanto estiverem na carne, e podem abençoar-vos pelos benefícios que lhes proporcionastes. Desejo instar os presidentes de Estacas, e os bispos de alas, a cuidarem deste assunto e verem que os registros sejam mantidos apropriadamente nas alas, nas Estacas e em todas as organizações da Igreja incluídas em vossas presidências. Estes registros deveriam ser inspecionados criticamente por vós, e frequentemente, não apenas para que sejam fielmente mantidos, mas em papel durável e com tinta indelével. Nenhum escrivão ou secretário deveria ter permissão de comprar os livros e mantê-los como próprios quando assuntos da Igreja neles são registrados. Tivemos um exemplo disto nos primeiros dias. Quando o Presidente Joseph Smith recebeu uma revelação de que John Whitmer deveria ser designado historiador da Igreja, ele obteve seu livro e nele manteve registros, e, com o tempo, quando o Profeta Joseph Smith quis o livro para encontrar dados para escrever sua história, este homem não lhe permitiu tê-lo, tendo ele apostatado da Igreja. Guardou aquele livro, e ele foi transmitido em sua geração. Obtivemos uma cópia de todo o registro, de modo que, embora guardem o livro, temos seu conteúdo. Este exemplo é suficiente para nos servir de aviso. Em vossas Sociedades de Socorro, vossas Associações de Melhoramentos Mútuos, vossos quóruns, até mesmo nas associações primárias, deveria haver livros providos pela organização, e pagos por ela, e deveriam ser propriedade daquele corpo para o qual o registro é mantido; e, quando estiver cheio, deveria ser entregue cuidadosamente às autoridades daquele corpo e guardado como propriedade da Igreja, para que, quando necessário, possa ser trazido ao escritório do Historiador e preservado nos arquivos da história, para o benefício das gerações futuras. Alguns que foram em missões estrangeiras mantiveram registros de seus trabalhos naquelas missões, mas não encontramos vestígio deles. Irmãos, se sabeis de tal registro, por favor trazei-o a este escritório do Historiador; e, se não puderdes suportar a perda do valor do livro, nós o pagaremos. ¶
Permiti-me chamar vossa mente a outro tópico grandioso e glorioso. Quando foi determinado que o Filho de Deus viesse na carne e assumisse a posição suprema de Redentor do mundo, como veio Ele? Israel havia sido treinado a manter suas genealogias, e, quando foram buscar Seus antecedentes, encontraram que Ele tinha um registro excelente e completo. Mateus nos informa que, de Jesus até Davi, foram catorze gerações; de Davi até Abraão foram catorze gerações; e de Abraão até Noé foram catorze gerações; e de Noé até Adão foram dez gerações. Se Ele não tivesse sido capaz de fornecer aquela genealogia, não teria tido credenciais junto à casa de Israel de natureza mundana, como homem entre homens. Mas Ele provou Sua genealogia através da mais honrosa linhagem que se pudesse traçar; uma linhagem de que qualquer israelita poderia orgulhar-se. ¶
O grande Patriarca Abraão parece ter estado não apenas profundamente interessado, mas bastante entusiasmado com este assunto. Na página 54 da Pérola de Grande Valor, ele diz: ¶
"Mas os registros dos pais, sim, dos patriarcas, a respeito do direito ao Sacerdócio, o Senhor meu Deus preservou em minhas próprias mãos; portanto, um conhecimento do princípio da criação, e também dos planetas e das estrelas, como fora dado a conhecer aos patriarcas, conservei até hoje; e procurarei escrever algumas dessas coisas neste registro, para benefício de minha posteridade que virá após mim." ¶
Ora, tendo ele escrito para o benefício de sua posteridade, podemos supor que, não fosse o vandalismo que destruiu as várias centenas de milhares de volumes reunidos sob os Ptolomeus, de todas as partes do mundo conhecido, no museu e na biblioteca e nos templos de Alexandria, no Egito, e em outros lugares, o mundo poderia ter sido melhor informado sobre muitos pontos da história primitiva da terra. ¶
A transmissão de conhecimento naqueles tempos antigos, contudo, era muito mais difícil do que em nossos dias. Outras histórias nos informam que Abraão passou vários anos de sua vida jovem com Noé, Sem e Éber, e que foi com eles que aprendeu o Evangelho, obteve os registros e informações sobre a criação, os planetas, a genealogia de seus antepassados, etc., tal como conhecidos e entendidos pelos pais. Era, como já foi dito, muito mais difícil fazer registros nos dias de Abraão e de Sem e daqueles que viveram em seus dias do que atualmente. Como o faziam? Tomavam barro ou argila e faziam boas tábuas, e então tomavam algo pontiagudo e escreviam nelas as informações que desejavam, depois do que as tábuas eram colocadas em um forno ou lugar aquecido e cozidas, produzindo o que hoje chamamos de terracota. Foi assim que fizeram naqueles tempos primitivos que nos remetem à história de Sinar, Babilônia e Nínive. Empilhavam esses registros de terracota, e agora, séculos depois da destruição daquelas cidades, quantidades desta matéria literal, feita do pó da terra, foram trazidas e adicionadas às coleções do Museu Britânico. Vedes que não podiam fazer registros tão facilmente naquele tempo quanto agora. ¶
O Senhor usou pedra para escrever os Dez Mandamentos a Israel. ¶
Jó desejava que seu testemunho fosse escrito com uma pena de ferro e chumbo na rocha para sempre. Um notável exemplar deste tipo de registro é a chamada Pedra Moabita, agora no Louvre francês. Foi descoberta em 1868 e contém a mais antiga inscrição conhecida no alfabeto fenício, relatando alguns eventos importantes na história dos moabitas durante o reinado de Messa. As gravações datam de pelo menos 900 anos antes de nossa era. ¶
Para uso comum, nos dias de Ezequiel, a Lei e as Profecias eram escritas em papiro—um material preparado da casca mais fina de um junco ou junça que crescia no Egito e em outros países quentes—e enrolado em dois bastões redondos, como mencionado no capítulo 37 de sua profecia. ¶
Leí levou consigo a Lei Mosaica, os Profetas, e a história da criação em placas de latão, quando deixou Jerusalém seiscentos anos antes de Cristo, e constatamos que a história dos antepassados das raças americanas neste continente foi geralmente mantida em placas metálicas de várias qualidades, como testemunham as placas de ouro nas quais o Profeta inscreveu seu resumo daqueles registros, intitulado O Livro de Mórmon. ¶
Antes de a arte da impressão ser descoberta, era o trabalho de quase toda a vida de um homem transcrever uma cópia da Bíblia. Mas agora quase todos podem obter uma tábua e um lápis, e não há desculpa para falharmos em fazer registros, a menos que se considere desculpa a lentidão ou a falta de compreensão de sua importância. Gostaria que os irmãos tomassem posse deste assunto e o considerassem mais cuidadosamente. Isto é, para mim, um trabalho muito interessante. ¶
Estamos reunindo uma biblioteca de livros, na qual esperamos em breve poder prestar valiosa assistência ao povo na busca de suas genealogias em países estrangeiros, bem como nos estados da Nova Inglaterra. Tendo isto em mente, gostaria de impressioná-lo particularmente sobre aqueles que detêm o Sacerdócio. ¶
Voltai o olhar para o tempo em que Israel retornou a Jerusalém de seu cativeiro. Como puderam pôr em ordem a congregação, os cantores, os sacerdotes em seus turnos, e os levitas? Foi-lhes dado pela genealogia. O Senhor havia prometido a Levi que o serviço do Templo e do Santuário pertenceria à sua tribo, esta família, e especialmente que o Sacerdócio iria aos descendentes de Arão. Mas, quando retornaram de seu cativeiro na Babilônia e desejaram ser reintegrados em seus lugares para oficiar no altar e comer do pão sagrado, os registros foram pesquisados, e aqueles cujos nomes não foram encontrados foram afastados do Sacerdócio como contaminados, até que um Sacerdote se levantasse, tendo o Urim e o Tumim, que pudesse declarar sua genealogia, seu direito e título a este santo Sacerdócio. Os dias estão vindo em que o Sacerdócio de Arão e Levi terá de ser restabelecido novamente sobre a terra, entre os judeus na Palestina, e quem sabe se alguns de vós, ou vossos filhos, terão este dever a cumprir? Este é um assunto que, para muitos, será de vital interesse, bem como de interesse geral. Portanto, apresento isto para vossa consideração. A razão pela qual sinto instar isso é que manter registros é uma daquelas coisas tão facilmente adiadas. Um homem toma um pedaço de papel e escreve nele sobre a bênção de crianças, ou que alguém foi ordenado, ou que uma ala foi organizada, e o guarda de lado. Não pode registrá-lo hoje, e vai adiando as coisas até ter um acúmulo. Vivemos num tempo de trabalho crescente, e deveríamos, na medida do possível, cumprir todo dever no tempo e na estação apropriados. Estes registros deveriam ser mantidos no momento da ocorrência dos eventos que hão de ser transmitidos à posteridade. Quando o Presidente Woodruff costumava escrever os sermões do Profeta, trazia para seus relatos o próprio espírito de suas instruções, e os temos hoje com o espírito e o entendimento deles. Quando estiverdes realizando trabalhos que deveriam ser registrados, isto deveria ser feito naquele mesmo dia, enquanto o espírito do momento e do labor repousa sobre aquele a quem foi confiado o dever, pois então é provável que seja feito corretamente. Quando se encontra um acúmulo, isto não pode ser. Em uma das Estacas de Sião, verificou-se que há um baú quase cheio de papéis dispersos, contendo informações das mais valiosas, e é preciso que um homem passe um mês pondo-os devidamente em registro. Registrai o trabalho quando é feito, imediatamente, para que, se acontecer de vossos registros serem necessários amanhã, ou na próxima semana, o historiador possa mandar buscá-los e obter qualquer informação de que se necessite. ¶
Tendo vos remetido às visões e estimativas deste assunto, tais como sustentadas por vários dos Profetas e pelo próprio Senhor, devo agora remeter-vos e recomendar uma leitura mais atenta das seções 127 e 128 da Doutrina e Convênios, nas quais nosso grande Profeta Joseph Smith elucidou o princípio eterno de registrar e selar pelos vivos e pelos mortos. É a mais elaborada exposição deste assunto encontrada em qualquer parte das publicações da Igreja. Pesquisai estas escrituras, pois acrescentarão a vosso acervo de conhecimento que conduz à vida eterna. Que o Espírito Santo nos habilite a fazer tais registros, da Igreja, da família e individuais, que sejam dignos de toda aceitação quando os livros forem abertos e formos julgados de acordo com as coisas escritas nos livros. Amém. ¶