A Lei da Adoção
Wilford Woodruff
Sinto-me grato pelo privilégio de me reunir com tantos dos Santos dos Últimos Dias nesta manhã. A fim de apresentar minha posição diante dos Santos, desejo dizer que sou membro da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias há mais de sessenta anos, membro do Quórum dos Apóstolos há cinquenta e cinco anos, e Presidente da Igreja por um curto período. Durante todos esses anos, e em todas as minhas viagens, jamais vi um momento em que tivesse o poder de pregar o Evangelho de Jesus Cristo ou de administrar qualquer uma das ordenanças da Casa do Senhor, aceitavelmente a Deus ou a mim mesmo, senão pela assistência do Espírito Santo; e não conheço nenhum outro homem que jamais pudesse fazê-lo. Até mesmo o Filho de Deus, ao referir-Se à Sua obra, disse: "Nada faço por mim mesmo; mas falo assim como o Pai me ensinou." Assim foi com todos os profetas e patriarcas em toda época do mundo; tiveram de ser assistidos pelo poder de Deus. Ocupo essa posição hoje diante desta assembleia. Portanto, como o Senhor nos mandou não falar senão movidos pelo Espírito Santo, desejo isso, e, a fim de obtê-lo, quero as orações e a fé dos Santos dos Últimos Dias. ¶
Tenho algumas coisas que pesam sobre mim e que desejo apresentar diante dos Santos dos Últimos Dias, e, a fim de fazê-lo, chamarei o Presidente George Q. Cannon para ler do Livro de Doutrina e Convênios a respeito do assunto sobre o qual desejo falar. ¶
[O Presidente Cannon leu da seção 128, como segue: ¶
"A alguns a doutrina de que falamos poderá parecer muito arrojada — um poder que registra ou liga na Terra e liga nos céus. Contudo, em todas as épocas do mundo, sempre que o Senhor deu uma dispensação do sacerdócio a qualquer homem ou grupo de homens, por revelação real, esse poder sempre foi dado. Por isso, tudo o que esses homens fizeram com autoridade em nome do Senhor e fizeram-no verdadeira e fielmente, conservando um registro fiel e adequado do mesmo, tornou-se lei na Terra e nos céus e, de acordo com os decretos do grande Jeová, não podia ser revogado. Esta é uma palavra fiel. Quem a pode ouvir? ¶
E também, como precedente, Mateus 16:18, 19: ¶
'E também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. E eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.' ¶
Ora, o grande e importante segredo deste assunto e o summum bonum de toda a questão que se nos apresenta consiste em obterem-se os poderes do Santo Sacerdócio. Aquele a quem forem dadas essas chaves não terá dificuldade em obter um conhecimento dos fatos relativos à salvação dos filhos dos homens, tanto os mortos como os vivos. ¶
Nisto há glória e honra e imortalidade e vida eterna: A ordenança do batismo pela água, ou melhor, ser imerso na água para conformar-se à semelhança dos mortos, para que um princípio concorde com o outro; ser imerso na água e sair da água assemelha-se à ressurreição dos mortos ao saírem da sepultura; por isso instituiu-se essa ordenança para estabelecer uma relação com a ordenança do batismo pelos mortos, sendo à semelhança dos mortos. ¶
Por conseguinte, instituiu-se a fonte batismal como símbolo da sepultura e ordenou-se que fosse colocada abaixo do lugar onde os vivos costumam reunir-se, para representar os vivos e os mortos, a fim de que cada coisa tenha sua semelhança e concordem uma com a outra — aquilo que é terreno conforme o que é celestial, como declarou Paulo em 1 Coríntios 15:46, 47 e 48: ¶
'Mas não é primeiro o espiritual, senão o natural; depois o espiritual. O primeiro homem, da Terra, é terreno; o segundo homem, o Senhor, é do céu. Qual o terreno, tais são também os terrestres; e, qual o celestial, tais também os celestiais.' ¶
E com a mesma precisão com que se fazem os registros da Terra relativos a vossos mortos, que são feitos com precisão, fazem-se os registros do céu. Este, portanto, é o poder de selar e ligar e, em certo sentido da palavra, as chaves do reino, que consistem na chave do conhecimento. ¶
E agora, meus amados irmãos e irmãs, eu vos asseguro que estes princípios referentes aos mortos e aos vivos não podem ser negligenciados no que tange à nossa salvação. Porque a sua salvação é necessária e essencial a nossa salvação, como diz Paulo com respeito aos pais — que eles, sem nós, não podem ser aperfeiçoados — nem podemos nós, sem nossos mortos, ser aperfeiçoados. ¶
E agora, com relação ao batismo pelos mortos, dar-vos-ei outra citação de Paulo, 1 Coríntios 15:29: ¶
'De outra maneira, que farão os que se batizam pelos mortos, se absolutamente os mortos não ressuscitam? Por que então se batizam pelos mortos?' ¶
E também, com relação a essa citação, mencionarei outra, tirada de um dos profetas que tinha os olhos fitos na restauração do sacerdócio, nas glórias a serem reveladas nos últimos dias e, de modo especial, no mais glorioso de todos os assuntos pertencentes ao evangelho eterno, ou seja, o batismo pelos mortos; pois Malaquias diz, no último capítulo, versículos cinco e seis: ¶
'Eis que eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor; e ele converterá o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos a seus pais; para que eu não venha, e fira a terra com maldição.' ¶
Eu poderia ter feito uma tradução mais clara, mas é suficientemente clara como está, para servir ao meu propósito. É suficiente saber, neste caso, que a Terra será ferida com maldição, a menos que exista um elo de ligação de um ou outro tipo entre os pais e os filhos, sobre um assunto ou outro — e qual é esse assunto? É o batismo pelos mortos. Pois nós, sem eles, não podemos ser aperfeiçoados; nem podem eles, sem nós, ser aperfeiçoados. Nem podem eles nem podemos nós ser aperfeiçoados sem os que morreram no evangelho; pois é necessário, na introdução da dispensação da plenitude dos tempos, dispensação essa que está começando a introduzir-se, que uma total, completa e perfeita união e fusão de dispensações e chaves e poderes e glórias ocorram e sejam reveladas desde os dias de Adão até o tempo atual. E não somente isso, mas as coisas que nunca se revelaram desde a fundação do mundo, mas que se conservaram ocultas aos sábios e prudentes, serão reveladas a crianças e recém-nascidos nesta dispensação, que é a da plenitude dos tempos. ¶
Ora, o que ouvimos no evangelho que recebemos? Uma voz de alegria! Uma voz de misericórdia do céu; e uma voz de verdade saindo da Terra; alegres novas para os mortos; uma voz de alegria para os vivos e os mortos; boas novas de grande alegria. Quão formosos são sobre os montes os pés daqueles que anunciam alegres novas de coisas boas e que dizem a Sião: Eis que teu Deus reina! Como o orvalho de Carmelo, assim descerá sobre eles o conhecimento de Deus! ¶
E também, o que ouvimos? Alegres novas de Cumora! Morôni, um anjo do céu, anunciando o cumprimento dos profetas — o livro a ser revelado. A voz do Senhor no ermo de Fayette, Condado de Sêneca, anunciando as três testemunhas que testificariam quanto ao livro! A voz de Miguel às margens do Susquehanna, identificando o diabo quando apareceu como um anjo de luz! A voz de Pedro, Tiago e João no ermo entre Harmony, Condado de Susquehanna, e Colesville, Condado de Broome, no rio Susquehanna, declarando-se possuidores das chaves do reino e da dispensação da plenitude dos tempos! ¶
E também, a voz de Deus no quarto do velho Pai Whitmer, em Fayette, Condado de Sêneca; e em várias ocasiões e em lugares diversos, durante todas as viagens e tribulações desta Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias! E a voz de Miguel, o arcanjo, e a voz de Gabriel e de Rafael e de diversos anjos, de Miguel, ou seja, Adão, até o tempo atual, todos anunciando sua dispensação, seus direitos, suas chaves, suas honras, sua majestade e glória e o poder de seu sacerdócio; dando linha sobre linha, preceito sobre preceito; um pouco aqui, um pouco ali; dando-nos consolação pela proclamação do que está para vir, confirmando nossa esperança!"] ¶
Retomando, disse o Presidente Woodruff: ¶
Assim tendes diante de vós o assunto que pesa sobre nós, e que desejamos apresentar aos Santos dos Últimos Dias. Permiti-me dizer que a idade tem muito pouco a ver com a revelação. Nos primeiros tempos do mundo, o velho pai Adão, três anos antes de sua morte—tendo quase mil anos de idade—reuniu sua posteridade no vale de Adam-ondi-Ahman, e ficou de pé por horas, revestido do poder de Deus e das revelações do céu, e abençoou sua posteridade, sendo cerca de sete deles, cada um representando uma geração, Sumos Sacerdotes. Entre eles estavam Enoque e Matusalém, ambos grandes homens de seu dia e geração. Profetizou sobre eles o que aconteceria com sua posteridade até o fim dos tempos. Sua idade avançada não teve efeito algum sobre as revelações de Deus a ele. Joseph Smith, aos catorze anos de idade, enquanto invocava a Deus no deserto, teve os céus abertos a ele. Tanto o Pai quanto o Filho se apresentaram a ele nas nuvens do céu, e o Pai disse: "Este é Meu Filho Amado. Ouve-O!" A idade do homem é, de fato, muito curta hoje em comparação com o que era nos dias antigos. Os homens antigamente viviam até uma idade muito avançada. Aos quatrocentos ou quinhentos anos tomavam esposas, geravam filhos e criavam posteridade. Hoje nossa idade se limita a algo como setenta anos. ¶
Desejo dizer aos Santos dos Últimos Dias que vivemos numa geração muito importante. Somos abençoados com poder e autoridade, detendo o Santo Sacerdócio pelo mandamento de Deus, para estarmos sobre a terra e redimirmos tanto os vivos quanto os mortos. Se não o fizéssemos, seríamos condenados e cortados da terra, e o Deus de Israel levantaria um povo que o fizesse. O Senhor não me permitiria ocupar esta posição um único dia de minha vida, a menos que eu fosse suscetível ao Espírito Santo e às revelações de Deus. É tarde demais, nestes dias, para que esta Igreja subsista sem revelação. Não apenas o Presidente da Igreja deveria possuir esse dom e transmiti-lo ao povo, mas seus conselheiros e os Apóstolos e todos os homens que detêm o Santo Sacerdócio, se magnificarem seu chamado, deveriam possuir esse dom para si mesmos e para auxiliá-los em seus deveres, ainda que não sejam chamados a dar revelações para conduzir e dirigir a Igreja. O espírito de revelação pertence ao Sacerdócio. ¶
Mas, para chegar ao assunto que temos diante de nós. Talvez pergunte a mente inquiridora ou objetora: O que tendes a dizer sobre redimir os mortos, ou sobre o batismo pelos mortos, ou a obra dos Templos de nosso Deus, que já não esteja revelado? Direi isto: Quando o Profeta Joseph teve esta revelação do céu, o que fez ele? Há testemunhas aqui do que ele fez. Ele nunca parou até obter a plenitude da palavra de Deus a ele concernente ao batismo pelos mortos. Mas, antes de fazê-lo, ele entrou no rio Mississippi, e eu também, assim como outros, e cada um de nós batizou uma centena pelos mortos, sem que houvesse um homem para registrar um único ato que realizamos. Por que o fizemos? Por causa do sentimento de alegria que tínhamos, ao pensar que nós, na carne, podíamos estar de pé e redimir nossos mortos. Não esperamos para saber qual seria o resultado disso, ou o que seria de tudo aquilo. Finalmente o Senhor disse ao Profeta: "Em verdade, assim vos diz o Senhor a respeito de vossos mortos: Quando um de vós for batizado por vossos mortos, que haja um registrador e que ele seja testemunha ocular de vossos batismos; que ouça com seus ouvidos para testificar a verdade, diz o Senhor; para que em todos os vossos registros seja registrado nos céus; tudo o que ligardes na terra será ligado nos céus; tudo o que desligardes na terra será desligado nos céus." Esse foi o início desta obra. ¶
Joseph Smith, em vez de viver quase mil anos como Adão, viveu cerca de trinta e oito anos. Ele trouxe à luz o registro da vara de José na mão de Efraim—a história dos antigos habitantes deste continente. Pelo poder de Deus, ele o traduziu, e ele tem sido publicado em muitas línguas. Além disso, organizou a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo Jesus Cristo a pedra angular principal. Homens foram ordenados ao Sacerdócio e enviados, das várias ocupações da vida, para levar este Evangelho ao mundo. Deus informou a Joseph Smith que ele fora chamado a podar a vinha mais uma vez, pela última vez, antes da vinda do Filho do Homem. Desde então, milhares de Élderes de Israel têm sido enviados ao mundo para pregar o Evangelho. Joseph Smith fez tudo isso durante os quinze anos em que deteve o Sacerdócio. Que qualquer homem leia as revelações no Livro de Doutrina e Convênios, que foram dadas por meio dele durante o pouco tempo que passou aqui na carne. É um dos maiores registros que qualquer homem já deu à família humana. Não somente isso, mas ele organizou as investiduras e realizou uma grande quantidade de outros trabalhos. Quem poderia esperar que ele, durante o curto tempo que viveu na carne, fizesse mais do que fez? Recebi minhas investiduras de suas próprias mãos. Ele trouxe à luz todas essas ordenanças que foram dadas aos Santos dos Últimos Dias. De fato, é uma maravilha e um prodígio que ele tenha realizado tanto quanto realizou. ¶
Desejo dizer, como Presidente da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, que devemos agora continuar e progredir. Não terminamos com a revelação. Não terminamos com a obra de Deus. Mas, neste momento, queremos avançar e cumprir este mandamento de Deus dado por meio de Malaquias—que o Senhor enviaria o profeta Elias, "e ele converterá o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos a seus pais; para que eu não venha, e fira a terra com maldição." Ó filhos dos homens, digo-vos, em nome do Deus de Israel, esses mesmíssimos princípios que Deus revelou são os que têm retido os juízos do Todo-Poderoso sobre a terra. Não fosse por esses princípios, vós e eu não estaríamos aqui hoje. Tivemos profetas e apóstolos. O Presidente Young, que sucedeu o Presidente Joseph Smith, nos conduziu até aqui. Ele organizou estes Templos e realizou os propósitos de seu chamado e ofício. Lançou os alicerces deste grande Templo neste quarteirão, assim como de outros nas montanhas de Israel. Para quê? Para que pudéssemos realizar esses princípios de redenção pelos mortos. Ele realizou tudo o que Deus exigia de suas mãos. Mas ele não recebeu todas as revelações que pertencem a esta obra; nem tampouco o Presidente Taylor, nem tampouco Wilford Woodruff. Não haverá fim a esta obra até que seja aperfeiçoada. ¶
Desejo expor-vos o que há para fazermos no presente momento; e, ao fazê-lo, desejo particularmente a atenção do Presidente Lorenzo Snow, do Templo de Salt Lake; do Presidente M. W. Merrill, do Templo de Logan; do Presidente J. D. T. McAllister, do Templo de Manti; e do Presidente D. H. Cannon, do Templo de St. George, e daqueles associados a eles. Tendes agido de acordo com toda a luz e conhecimento que tivestes; mas tendes agora algo mais a fazer do que fizestes. Não temos realizado plenamente esses princípios, em cumprimento das revelações de Deus a nós, ao selar os corações dos pais aos filhos e dos filhos aos pais. Não me tenho sentido satisfeito, nem tampouco o Presidente Taylor, nem tampouco qualquer homem desde o Profeta Joseph que tenha se ocupado da ordenança de adoção nos templos de nosso Deus. Sentimos que havia mais a ser revelado sobre este assunto do que recebemos. Revelações nos foram dadas no Templo de St. George, que o Presidente Young apresentou à Igreja de Deus. Mudanças foram feitas ali, e ainda temos mais mudanças a fazer, a fim de satisfazer nosso Pai Celestial, satisfazer nossos mortos e a nós mesmos. Vou dizer-vos quais são algumas delas. Tenho orado sobre este assunto, e meus irmãos também. Sentimos, como disse o Presidente Taylor, que temos de ter mais revelação a respeito do selamento sob a lei da adoção. Bem, quais são essas mudanças? Uma delas é o princípio da adoção. No início da adoção de homens e mulheres no Templo em Nauvoo, muitas pessoas foram adotadas a diferentes homens que não eram da linhagem de seus pais, e havia um espírito manifestado por alguns naquela obra que não era de Deus. Homens saíam a fazer campanha e trabalhar com todo o seu poder para conseguir que homens fossem adotados a eles. Vou citar um exemplo aqui: um homem percorreu Nauvoo pedindo a todo homem que podia, dizendo: "Vem e sê adotado a mim, e estarei à frente do reino, e estarás lá comigo." Ora, qual é a verdade a respeito disso? Aqueles que foram adotados àquele homem, se forem com ele, terão de ir para onde ele estiver. Ele foi participante daquela cena horrível—o massacre de Mountain Meadows. Alguns homens têm tentado atribuir isso ao Presidente Young. Eu estava com o Presidente Young quando o massacre lhe foi relatado pela primeira vez. O Presidente Young ficou perfeitamente horrorizado com o relato, e chorou por causa dele. Ele perguntou: "Algum homem branco teve algo a ver com isso?" A resposta foi que não; e, pelas representações que então lhe foram feitas, ele foi mal informado a respeito de toda a transação. Direi aqui, e chamo o céu e a terra por testemunhas, que o Presidente Young, durante toda a sua vida, jamais foi o autor do derramamento do sangue de qualquer membro da família humana; e, quando os livros forem abertos no dia do juízo, essas coisas serão comprovadas ao céu e à terra. Talvez eu não devesse entrar nesses assuntos, mas isso me veio à mente. Os homens às vezes correm perigo ao serem adotados a outros, até saberem quem eles são e o que serão. Ora, quais são os sentimentos de Israel? Sentiram que queriam ser adotados a alguém. O Presidente Young não estava satisfeito em sua mente quanto à extensão deste assunto; o Presidente Taylor também não. Quando fui perante o Senhor para saber a quem eu deveria ser adotado (estávamos então sendo adotados a profetas e apóstolos), o Espírito de Deus me disse: "Não tens um pai, que te gerou?" "Sim, tenho." "Então, por que não o honras? Por que não és adotado a ele?" "Sim", eu disse, "isso é correto." Fui adotado a meu pai, e deveria ter selado meu pai a seu pai, e assim por diante, retrocedendo; e o dever que quero que todo homem que preside um Templo veja realizado a partir de hoje, doravante e para sempre, a menos que o Senhor Todo-Poderoso ordene o contrário, é que todo homem seja adotado a seu pai. Quando um homem recebe as investiduras, adotai-o a seu pai; não a Wilford Woodruff, nem a qualquer outro homem fora da linhagem de seus pais. Essa é a vontade de Deus para este povo. Quero que todos os homens que presidem esses templos nestas montanhas de Israel guardem isto em mente. Que direito tenho eu de tirar os direitos da linhagem de qualquer homem? Que direito tem qualquer homem de fazer isso? Não; digo que todo homem seja adotado a seu pai; e então fareis exatamente o que Deus disse quando declarou que enviaria o profeta Elias nos últimos dias. O profeta Elias apareceu a Joseph Smith e lhe disse que chegara o dia em que este princípio deveria ser levado a cabo. Joseph Smith não viveu tempo suficiente para se aprofundar mais nessas coisas. Sua alma estava envolvida com esta obra antes de ser martirizado pela palavra de Deus e pelo testemunho de Jesus Cristo. Ele nos disse que deveria haver um elo de soldagem de todas as dispensações e da obra de Deus de uma geração a outra. Isto estava em sua mente mais do que quase qualquer outro assunto que lhe foi dado. Em minhas orações, o Senhor me revelou que era meu dever dizer a todo Israel para levar a cabo este princípio, e, em cumprimento dessa revelação, apresento-o a este povo. Digo a todos os homens que trabalham nesses templos: levai a cabo este princípio, e então daremos um passo à frente do que tínhamos antes. Eu mesmo e meus conselheiros conversamos sobre isso e concordamos quanto a ele, e depois o apresentamos a todos os Apóstolos que estavam aqui (dois estavam ausentes—os Irmãos Thatcher e Lund, estando este último na Inglaterra), e o Senhor revelou a cada um desses homens—e eles dariam testemunho disso, se fossem falar—que aquela era a palavra do Senhor para eles. Nunca me deparei, em toda a minha vida nesta Igreja, com algo em que houvesse mais unidade do que houve sobre esse princípio. Todos se sentem bem quanto a isso, e que é nosso dever. Esse é um princípio que deveria ser levado a cabo a partir de agora, doravante. "Mas", diz alguém, "suponhamos que cheguemos a um homem que talvez seja um assassino." Bem, se ele é um assassino, deixai-o de fora e ligai-vos ao próximo homem além dele. Mas o Espírito de Deus estará conosco neste assunto. Queremos que os Santos dos Últimos Dias, a partir de agora, tracem suas genealogias tão longe quanto puderem, e sejam selados a seus pais e mães. Que os filhos sejam selados a seus pais, e prossegui essa corrente tão longe quanto puderdes alcançá-la. Quando chegardes ao fim, que o último homem seja adotado a Joseph Smith, que está à frente da dispensação. Esta é a vontade do Senhor para este povo, e penso que, quando vierdes a refletir sobre isso, achareis que é verdade. ¶
Outro princípio ligado a este assunto que quero abordar. Um homem casou-se com uma mulher, e têm uma família de filhos. O homem morre sem jamais ter ouvido o Evangelho. Sua esposa, depois, ouve o Evangelho e o abraça. Ela vem ao templo e deseja ser selada a seu marido, que era um bom homem. O sentimento tem sido negar isto e dizer: "Não, ele não estava na Igreja, e não podes ser selada a teu marido." Muitos corações de mulheres têm doído por causa disso, e, como servo de Deus, já rompi essa corrente há bastante tempo. Tenho apresentado a cada mulher este princípio e deixado que ela tenha sua escolha. Por que privar uma mulher de ser selada a seu marido porque ele jamais ouviu o Evangelho? O que sabemos nós a respeito dele? Não ouvirá ele o Evangelho e o abraçará no mundo espiritual? Vede Joseph Smith. Nenhum dos pais, irmãos ou irmãs de Joseph Smith estava no convênio quando ele recebeu as chaves do reino de Deus e traduziu o Livro de Mórmon. Depois eles o receberam. Todo irmão e irmã que ele teve, e seu pai e os irmãos de seu pai, exceto o Tio Jesse Smith, abraçaram o Evangelho. Ora, suponde que algum deles tivesse morrido antes de ter a oportunidade de entrar no convênio com o Senhor por meio do Evangelho, como fez seu irmão Alvin; eles estariam na mesma posição de Alvin, a respeito de quem o Senhor, quando Joseph o viu no reino celestial, disse: ¶
"Todos os que morreram sem conhecimento deste evangelho, que o teriam recebido caso tivessem tido permissão de aqui permanecer, serão herdeiros do reino celestial de Deus; também, todos os que morrerem daqui em diante sem conhecimento dele, que o teriam recebido de todo o coração, serão herdeiros desse reino; pois eu, o Senhor, julgarei todos os homens segundo suas obras, segundo o desejo de seu coração." ¶
Assim será com vossos pais. Haverá muito poucos, se houver algum, que não aceitarão o Evangelho. Jesus, enquanto Seu corpo jazia no túmulo, foi e pregou aos espíritos em prisão, que foram destruídos nos dias de Noé. Depois de tão longo aprisionamento, em tormento, sem dúvida abraçaram com alegria o Evangelho, e, se o fizeram, serão salvos no reino de Deus. Os pais deste povo abraçarão o Evangelho. É meu dever honrar meu pai, que me gerou na carne. É vosso dever fazer o mesmo. Quando o fizerdes, o Espírito de Deus estará convosco. E continuaremos esta obra, o Senhor acrescentando luz àquela que já recebemos. Tenho tido amigos adotados a mim. Todos nós temos, em maior ou menor grau. Mas tenho tido sentimentos peculiares a respeito disso, especialmente ultimamente. Há homens nesta congregação que desejam ser adotados a mim. Digo-lhes hoje, se puderem me ouvir: Ide e sede adotados a vossos pais, e salvai vossos pais, e permanecei à frente da casa de vosso pai, como salvadores no Monte Sião, e Deus vos abençoará nisso. É isto que quero dizer, e o que quero que seja levado a cabo em nossos templos. ¶
O Todo-Poderoso está com este povo. Teremos todas as revelações de que precisarmos, se cumprirmos nosso dever e obedecermos aos mandamentos de Deus. Quando algum de nós chegar a um ponto em que não possa receber essas revelações, o Senhor nos tirará do caminho e colocará alguém em nosso lugar que possa. Estou aqui hoje, posso dizer, com tempo emprestado. Estaria hoje no mundo espiritual, convivendo com os espíritos na presença de Deus, não fosse pelo clamor deste povo por minha vida, quando eu jazia às portas da morte há um ano. Fui preservado pelo poder de Deus. Quanto tempo viverei, não sei. Não faz diferença para mim. Mas, enquanto viver, quero cumprir meu dever. Quero que os Santos dos Últimos Dias cumpram seu dever. Aqui está o Santo Sacerdócio nestas montanhas. Sua responsabilidade é grande e poderosa. Os olhos de Deus e de todos os santos profetas estão vigiando sobre nós. Esta é a grande dispensação de que se tem falado desde o princípio do mundo. Fomos reunidos nestas montanhas de Israel pelo poder e mandamento de Deus. Estamos realizando a obra de Deus. Este não é nosso lar, no que se refere à mortalidade. Em breve partiremos. Mas, enquanto aqui estivermos, cumpramos nossa missão. Quero dizer ao Irmão L. Snow, ao Irmão M. W. Merrill, ao Irmão J. D. T. McAllister e ao Irmão D. H. Cannon, e a todos os associados a vós: levai estas coisas perante o Senhor e vede por vós mesmos. Se não estiverdes satisfeitos com esta ordem de coisas, ide e perguntai ao Senhor a respeito, e o Espírito Santo vos revelará a verdade destes princípios. ¶
Isto é tudo o que talvez deva dizer neste momento sobre este assunto. Alegro-me em me reunir convosco. Tenho tido grande ansiedade quanto a este assunto. Tenho tido grande desejo de viver o suficiente para transmitir estes princípios aos Santos dos Últimos Dias, pois são verdadeiros. São um passo à frente na obra do ministério e na obra das investiduras nestes templos de nosso Deus. Quando chegardes ao último homem na linhagem, como disse antes, adotaremos esse homem ao Profeta Joseph, e então o Profeta Joseph cuidará de si mesmo quanto a para onde vai. Um homem pode dizer: "Sou um Apóstolo, ou sou um Sumo Sacerdote, ou sou um Élder em Israel, e, se for adotado a meu pai, isso me tirará alguma honra?" Eu diria que não. Se Joseph Smith foi selado a seu pai, com quem muitos de vós eram conhecidos, que efeito isso terá sobre sua exaltação e glória? Nenhum. Joseph Smith deterá as chaves desta dispensação pelas idades sem fim da eternidade. É a maior dispensação que Deus jamais deu ao homem, e ele foi ordenado antes que o mundo fosse, para estar na carne e organizar esta obra. Foi martirizado pela palavra de Deus e pelo testemunho de Jesus, e, quando vier nas nuvens do céu, usará uma coroa de mártir. Aqueles de vós que estais aqui—não me importa se sois Apóstolos ou o que quer que sejais—ao honrardes vossos pais, não tirareis honra alguma de vossas cabeças; detereis as chaves da salvação da casa de vosso pai, assim como Joseph Smith detém. Nada perdereis ao honrardes vossos pais e redimirdes vossos mortos. É uma obra gloriosa. Quando voltei da Inglaterra em 1841 e ouvi Joseph Smith dar esta revelação, de que tínhamos poder para redimir nossos mortos, uma das primeiras coisas que pensei foi: "Tenho uma mãe no mundo espiritual." Meu pai estava na carne. Eu o batizei e o ordenei e o trouxe a Sião, onde está sepultado. Mas nunca vi minha mãe para conhecê-la. Ela morreu quando eu era criança de colo. Tive o poder de selar minha mãe a meu pai. Não foi isso uma satisfação? Foi para mim. Tenho trabalhado com a ajuda de meus amigos e redimido a casa de meu pai e de minha mãe. Quando fui indagar ao Senhor como poderia redimir meus mortos, estando em St. George sem nenhum familiar meu ali, o Senhor me disse para chamar os Santos em St. George e deixá-los oficiar por mim naquele templo, e isso seria aceitável a Ele. O Irmão McAllister e os irmãos e irmãs de lá me auxiliaram nesta obra, e senti abençoá-los com todo o sentimento de meu coração. Isto é uma revelação para nós. Podemos ajudar uns aos outros nesses assuntos, se não tivermos parentes suficientes para levá-los a cabo, e isso será aceitável ao Senhor. ¶
Irmãos e irmãs, tomai estas coisas a peito. Prossigamos com nossos registros, preenchamo-los com retidão perante o Senhor, e levemos a cabo este princípio, e as bênçãos de Deus nos acompanharão, e aqueles que forem redimidos nos abençoarão nos dias vindouros. Oro a Deus para que, como povo, nossos olhos se abram para ver, nossos ouvidos para ouvir, e nossos corações para compreender a grande e poderosa obra que pesa sobre nossos ombros, e que o Deus dos céus exige de nossas mãos. Grandes e gloriosos são estes princípios que Deus nos revelou a respeito da redenção de nossos mortos. Digo-vos que, quando os profetas e apóstolos forem pregar àqueles que estão encerrados na prisão, e que não receberam o Evangelho, milhares deles ali abraçarão o Evangelho. Eles sabem mais naquele mundo do que sabemos aqui. Oro a Deus para que, como povo, tenhamos poder para magnificar nossos chamados nesta grande e poderosa dispensação enquanto habitamos na carne, para que, quando nossa obra estiver terminada, possamos estar satisfeitos com esta vida e esta obra. Esta é minha oração e o desejo de meu coração, em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶